11 de janeiro de 2011

e o voto branco é cúmplice!

Cinco razões estruturais para não votar em Cavaco Silva:




- Cavaco Silva é um político em estado vegetativo. Não responde a perguntas de ninguém, não debate, não fala, e sempre que se pronuncia é com o tom arrogante de quem pensa ter a razão toda do seu lado.

- Cavaco Silva é cúmplice da destruição do Estado Social, é o parceiro da austeridade, da precariedade e das injustiças sociais. Nunca se lhe ouviu uma preocupação sobre os cortes nas bolsas, sobre as consequências trágicas da política de austeridade, apenas silêncio, silêncio e aprovação.

- Cavaco Silva é autoritário. Além de ser claro o lado que ele escolheu no fascismo, teve uma postura vergonhosa, por várias vezes, com Saramago, com a viúva de Salgueiro Maio e com tantos outros que estiveram do lado oposto da barricada. Carregou, sem vacilar, sobre os manifestantes na ponte 25 de Abril e teve o desprendimento de colocar polícias contra polícias.

- Cavaco Silva é conservador. Opôs-se à igualdade entre homens e mulheres a que a lei da paridade quer chegar, foi e é cúmplice das mulheres que morriam e morrem em escadas, quando se opôs á legalização da IVG. Foi contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Vetou a lei que facilitava os transexuais mudarem os papeis. Não fala sobre violência doméstica ou qualquer forma de opressão e de dominação na sociedade.

- Cavaco Silva é um economista bacoco. Não conseguiu prever que íamos chegar ao colapso e à crise financeira, foi um grande obreiro das privatizações em Portugal, mesmo as dos bens estratégicos com a GALP, foi cúmplice do escândalo BPN, não esclarece nada, não responde à democracia.

Cavaco é responsável por este estado de coisas. Não é um cidadão ao serviço dos outros, como se auto afirma. É um responsável pela usurpação das vidas de tantos outros.

A escolha nestas eleições é simples: ou nos propomos a derrotá-lo com um candidato que garanta o Estado Social, a Democracia, os Direitos Sociais e os avanços da modernidade (seja qual ele for), ou somos cúmplices da vitória de Cavaco Silva.

Eu dia 24 não me quero lamentar: não abdico desta luta!

Cavaco, o bom aluno

Ao contrário do que diz Cavaco, Portugal tem sido um bom aluno. Condicionados por um pacto de estabilidade asfixiante e sem a rebeldia necessária para fazer frente aos mercados financeiros, parece que não nos resta outra coisa senão implementar as medidas de austeridade ditadas pela Comissão Europeia e pelo FMI, e esperar fazer boa figura perante os mercados financeiros.

A história está repleta destes exemplos de bom comportamento, países a quem foi prometido um lugar no quadro de honra das economias capitalistas "desenvolvidas" se soubessem implementar as receitas da cartilha: abrir as suas economias, liberalizar os mercados financeiros, privatizar bens e serviços públicos e manter as contas públicas debaixo de apertado controlo.

A Rússia é um bom exemplo. Entre 1991 e 1998, durante a fase de transição, foi alvo de uma "terapia de choque", orientada por peritos da economia ortodoxa que agora ocupam lugares cimeiros nas instituições económicas internacionais. Para além de terem contribuído para o desmantelamento das instituições democráticas do país, as medidas implementadas de liberalização dos mercados financeiros e contenção orçamental levaram a uma grave crise financeira e ao colapso da economia em 1998.

Não faltam outros exemplos de bom comportamento económico. A Argentina que, para agradar aos mercados e seguindo as regras dos mesmos "peritos", manteve uma paridade fixa com o dólar, abdicando da sua política monetária, e encetou um vigoroso plano de liberalização dos mercados, viveu uma das maiores crises económicas mundiais como resultado.

Também a Irlanda foi um aluno do quadro de honra, tendo seguido à risca as receitas dos especialistas: liberalizou os mercados e desenvolveu o sistema financeiro. Quando, por esse motivo, foi alvo de uma violenta crise, injectou milhões nos bancos e aplicou todas as medidas de austeridade receitadas. O resultado foi um agravar da crise, dos juros da dívida pública e do desemprego (14%).

Na mesma altura em que a economia Russa afundava, a Malásia reintroduzia o seu sistema de controlo cambial, contrariando as orientações dos peritos económicos. Apesar dos anúncios de catástrofe, o país escapou à grave crise que afectou a região.

Tal como na Malásia, o sucesso grandes economias asiáticas, como o Japão, Taiwan, a Coreia do Sul e mesmo a China, não se deve à sua capacidade para aplicar as receitas de abertura e liberalização dos mercados. Pelo contrário, está hoje provado que grande parte do seu desempenho se deve à intervenção do poder público e a medidas de carácter proteccionista.

À semelhança da Irlanda, também a Islândia entrou em crise devido à insolvência do seu sistema financeiro. Mas ao contrário do "tigre Celta", a Islândia não se comportou como um bom aluno. Desvalorizou a sua moeda e deixou os bancos privados falir, nacionalizando-os depois com o compromisso de garantia dos depósitos aos cidadãos nacionais. Por referendo, o país decidiu não reconhecer os compromissos dos bancos falidos com outras instituições no exterior. Os resultados já são visíveis: O PIB está a crescer e o desemprego mantém-se nos 7%.

A historia recente prova que a opção de renunciar às medidas da cartilha ortodoxa, desafiando os mercados financeiros e optando por soluções alternativas não acarreta custos tão elevados como nos querem fazer acreditar, pelo contrário.

Seria então de esperar uma maior resistência e oposição à implementação de medidas do género, nomeadamente em Portugal, onde também a ideia de austeridade como remédio inevitável para sair da crise ganhou fama.

A ideia de inevitabilidade do austeritarismo radica numa outra, a da naturalização da economia. A concepção da economia enquanto ciência natural que obedece a leis imutáveis - as leis do mercado - às quais nos temos que sujeitar, tem sido largamente defendida e difundida, tanto na academia como nos media, como forma de justificar a implementação de determinadas políticas económicas. Medidas como a liberalização dos mercados surgem assim, não enquanto uma opção política e ideológica, mas como uma necessidade “natural” da economia.

Desta forma, se a flexibilização dos mercados de trabalho e salários mais baixos são medidas necessárias para garantir eficiência da economia, e se isto é ditado por uma lei natural, não há nada que possamos fazer a não ser minimizar os seus efeitos na sociedade. O Estado serve então para garantir o funcionamento natural dos mercados e mitigar os efeitos nefastos que dele decorrem.

Ao exaltar o papel do “bom aluno”, Cavaco Silva está apenas a reforçar esta ideia de determinismo económico, a mesma que justificou as medidas implementadas na Rússia ou na Argentina. O poder democrático demite-se aqui de qualquer capacidade de transformação das estruturas económicas para funcionar como mero agente de caridade (sendo que mesmo essa, para Cavaco, deveria ser privada).

Como bom aluno, Cavaco Silva defende o austeritarismo porque não acredita num programa económico para o país e defende o Estado caridade, incapaz de impor objectivos democráticos acima dos interesses financeiros.


publicado no esquerda.net

O silêncio é o mantra de Aníbal

clica na imagem para ampliar

Não eu e o Adriano não estamos a concorrer para quem posta mais sobre o Aníbal, mas encontrei esta fotografia no perfil do supracitado e não podia deixar de a partilhar.
A T-shirt do jovem é merchandising de campanha?

Visto no FB

Tesourinhos Deprimentes

Enquanto os nossos jovens davam a vida em África, Aníbal de Boliqueime fazia "o jornal da família".
Priceless a cena aos 1:30 minutos quando Aníbal abana a anca ao som do tambor.




O poder da memória III



A GALP é criada em 1978 (o mesmo ano em que a refinaria de Sines começa a laborar) como marca ligada à PETROGAL, que por sua vez é o resultado da fusão da SACOR, CIDLA, SONAP e PETROSUL (esta última com participação do grupo Mello), todas sociedades petrolíferas nacionalizadas em 1975.


Em 1989, o Governo de Cavaco Silva transforma a PETROGAL em Sociedade Anónima, mas o capital permanece sob controlo estatal. Em 1992, Cavaco Silva privatiza 25% da PETROGAL em favor da holding PETROCONTROL, que tinha como accionistas o Grupo Espírito Santo, Banco Totta, os Mello, Amorim e Parfil, Patrick Monteiro de Barros, a Fundação Oriente e Manuel Boullosa.

O poder da memória II

O poder da memória I





Desde 1991 que o Governo de Cavaco Silva tentava aumentar as propinas do ensino superior, fixadas há 50 anos em 1.200 escudos (seis euros). Em Julho de 92, aprovou a lei que estabelecia os 200 contos (1.000 euros) para o ano lectivo de 94/95, com um valor intermédio de 50 contos (250 euros) em 92/93.

Mas os estudantes não estavam pelos ajustes e as reuniões nas universidades e institutos politécnicos repetiram-se, deixando quase todos a mesma ideia: "Não pagamos!".

Os estudantes não queriam pagar as novas propinas, os reitores criticavam e o Presidente Mário Soares mandou a lei para o Tribunal Constitucional, para ver se não estava em causa o preceito de que o ensino deveria ser “tendencialmente gratuito”.

O ministro da Educação, Couto dos Santos, tinha entretanto decretado que quem não pagasse teria a matrícula anulada e uma multa de 50 contos (250 euros), acrescentando a isso a proibição de concorrer a lugares na Administração Pública.

Atitudes que só deram mais força aos protestos dos alunos. Em 24 de Novembro de 1993, ficou marcado como o dia mais violento nesta contestação: o Corpo de Intervenção carregou sobre os estudantes que faziam uma manifestação contra as propinas frente ao Parlamento. Os alunos responderam com pedras e a polícia ripostou com nova carga, mais forte.

in http://www.rr.pt/ (à falta momentânea de melhor relato)

9 de janeiro de 2011

Em mais um dia de campanha Cavaco Silva aconselhou uma mulher que o abordou sobre a sua situação de pobreza extrema a procurar "uma instituição de solidariedade que não seja do Estado":








Ficamos todos a conhecer as ideias de Cavaco Silva sobre Estado Social e pobreza em Portugal. O bom aluno tem as receitas: austeridade para a crise, caridade para a pobreza.

5 de janeiro de 2011

A arte de promover um livro



É verdade, a JSD lançou um livro. Mas atenção, não é um livro qualquer, as edições Avante que se cuidem. São 208 páginas de pura adrenalina política. Se li o livro? Como se fosse preciso, então com histórias de Miguel Relvas, Pedro Passos Coelho, Rui Rio e restante magote de ex-jotas (uma vez jotas, sempre jotas, não vá o Sócrates esquecer), era lá preciso ler. A qualidade comprava-se só pelo toque. E o que falar da capa? Ah, a capa do livro! Um misto de design marxista-leninista com as ilustrações da série “Uma Aventura”. Reparem bem na loiraça estilo típico português que, na ponta da seta do coiso laranja, indica o caminho. Pois bem, agora olhem para o rapazinho à sua esquerda. Sim, meus amigos, laranjas! São laranjas! Laranjas para todos. Na contracapa, pronto, está o Sá Carneiro, meio sem graça.


Para aqueles que não se comovem facilmente com a beleza do grafismo, a JSD preparou um résumé apelativo. Afinal, uma entidade com a história e o percurso da JSD deve ter muito para contar, grandes pensamentos e linhas estratégicas de acção, uma visão para o país, histórias de luta justas e necessárias, coisas dessas, de que se faz a política. Ora vejamos:

Sinopse (Ler em Fnac.pt)


Sabia que…

… no I Congresso da JSD foi colocado um busto de Karl Marx no palco?
… foi uma bandeira da JSD e não do PSD que cobriu o caixão de Francisco Sá Carneiro?
… a JSD reunia em segredo, a altas horas da noite, com um ministro socialista da Educação, acertando pormenores da política do sector?
… foi da JSD o primeiro relatório que a Assembleia da República aprovou sobre o problema da droga em Portugal?
… o reavivar das tradições académicas em Coimbra foi uma decisão estratégica da respectiva Associação Académica, na altura liderada pela JSD?

… Pedro Passos Coelho participou certa vez num Conselho Distrital que não chegou a ser conclusivo devido a um "problema de cloro"? Estes e outros episódios são aqui relatados na primeira pessoa por alguns dos mais representativos militantes da Juventude Social Democrata. Dando voz às diversas gerações de dirigentes, estas Histórias da JSD pretendem registar momentos marcantes na existência de uma instituição incontornável da democracia portuguesa, reconhecidamente a maior força política de juventude.
É um livro dedicado a todos os actuais e futuros militantes da JSD, mas sobretudo aos que o foram um dia e cujas histórias de coragem, energia e convicção poderiam encher as páginas de outros mil livros iguais a este.

Corram às livrarias. As primeiras edições das grandes obras valem o seu peso em ouro.

(Não reparei se o livro vem com uma ficha de adesão, mas podem adquiri-la em qualquer festa da JSD, de quebra ainda ganham uma bebida, com ou sem laranja na mistura)

Ex-candidato Nobre vai para a Papua Nova Guiné

Fernando Nobre estará na Papua Nova Guiné no dia 24 de Janeiro, anunciou na Grande Entrevista com Judite de Sousa. O que é normal e expectável do homem que diz que traz responsabilidade à política mas fá-lo insistindo no papão que os agentes políticos são (incluindo os partidos que apoiou).

Na entrevista que passou na RTP1 Fernando Nobre, "o Independente", incorreu num argumento fácil, populista e desresponsabilizador (que, diga-se, teve a confirmação da entrevistadora). Disse que "os candidatos apoiados por partidos recebem o que os partidos lhes quiserem dar" e que estes "recebem das empresas", justificando assim que a sua casa no Estoril "ainda não está hipotecada" (digo Estoril, mas pode falhar-me a memória). Nem os partidos podem dar "o dinheiro que quiserem dar" às candidaturas presidenciais nem as empresas (que têm um limite razoável para donativos).

A verdade é que Fernando Nobre já desistiu da candidatura. Além de assumir ter pensado desistir e de ter dito que dia 24 estará na Papua Nova Guiné, o ex-candidato insiste na teoria de que agir politicamente aos 59 anos é muito mais nobre que agir desde cedo seja em que movimento fôr. A ideia do "nunca andei em nenhum partido, nem exerci funções públicas, nem fui deputado" é estapafúrdia para quem quer criar "esperança". A não ser que prefira uma "esperança" não democrática, nem representativa.


Enviada do dispositivo sem fios.

4 de janeiro de 2011

Grande Jorge Amado!

Sempre diminuído em sua dimensão e propositadamente esquecido pela crítica brasileira, Jorge Amado, quase uma década após a sua morte, continua grande. Traduzido em mais de 50 idiomas, a obra de Jorge Amado é o exemplo de que como a boa literatura pode sobreviver e vencer sobre a mediocridade (os leitores de Paulo Coelho que me perdoem). Tendo as suas histórias servido de inspiração a enredos e tramas de dezenas de novelas e filmes, duas delas ganham, novamente, o ecrã do Cinema:

Capitães da Areia (1937) – Para quantos o primeiro livro da vida? – Estreou no final do ano no Brasil. É realizado por Cecília Amado, neta de Jorge Amado.




A morte e a morte de Quincas Berro D’Água (1937) – A morte de Quincas Berro D’Água (título do filme), estreou em Maio, já estando disponível para download. Sem ser brilhante como o livro, vale a pena ver. É realizado por Sérgio Machado, que realizou também, em 2005, o excelente “Cidade Baixa”.



“Pela janela aberta, o ruído da rua entrou, múltiplo e alegre, a brisa do mar apagou as velas e veio beijar a face de Quincas, a claridade estendeu-se sobre ele, azul e festiva. Vitorioso sorriso nos lábios, Quincas ajeitou-se melhor no caixão.”

2 de janeiro de 2011

Aníbal e Stephen: os monstros das bolachas

Ao melhor estilo do Aníbal do bolo-rei, Stephen Duckett um alto responsável dos serviços de públicos de saúde na Austrália, responde às questões das jornalistas, primeiro oferecendo o seu biscoito, depois repete uma e outra vez :
"I´m eating my cookie!"
Do outro lado do Mundo Stephen Duckett foi despedido, em Portugal Aníbal recandidata-se a presidente da república.

Vejam as semelhanças: