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10 de abril de 2012

eu acho bem que o josé antónio saraiva assuma publicamente a sua estupidez

Após ter lido este texto do José António Saraiva, uma série de ideias passou-me pela cabeça. Passam agora neste blog em regime de paráfrase.

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À minha frente, no computador, mais um texto execrável de José António Saraiva, dos seus 487 ou 488 anos. Pelo modo como escreve, espirra as mais cruas boçalidades e não parece aperceber-se da frieza ignorante do que diz, percebo que daqui vem mais do mesmo.


José António Saraiva descreve um momento de epifania da sua vida em que contactou com um ser humano que lhe parece, imagine-se o choque, gay. Tal aconteceu no edifício da FNAC do Chiado. Saraiva trabalha naquela zona e, pelo menos duas vezes por dia, sobe e desce a Rua Garrett, que deixou de ser mais uma rua lisboeta para se tornar no local preferido para uma espera tão colorida quanto o arco-íris.

Ao ler o texto de Saraiva, apercebi-me de que provavelmente em todos os países haverá gente baixa, reles, torpe, vil, miserável, pouco inteligente, estúpida, desumana, desconhecedora, ignorante, cega, incolor, etc, etc, etc, a escrever em jornais. Obviamente, Portugal não é excepção. Não sei as razões que conduzem a que tais idiotas tenham tempo de antena, mas o facto é que até já chegaram à Internet. O site do Sol é uma dessas zonas – e, de facto, cruzamo-nos aí constantemente com “pessoas” de uma estupidez enorme, atingindo esta o seu sublime e etéreo cume com Saraiva.

Julgo ser um facto notório que a estupidez de Saraiva cresce de dia para dia. Há quem afirme que não é assim – e o que se passa é que o autor tem cada vez menos receio de se assumir, cada vez menos receio de revelar as suas inclinações, tendo orgulho (e não vergonha) de ser como é.

Talvez esta explicação seja parcialmente verdadeira.

Mas, se for assim, é natural que a estupidez de Saraiva esteja mesmo a crescer. O assumir da estupidez publicamente acabará forçosamente por ter um efeito multiplicador, pois funciona como propaganda e como auto-incentivo.

Até à passagem de Maria de Lurdes Rodrigues pelo Ministério da Educação, a estupidez era reprimida socialmente, pelo que grande parte das pessoas estúpidas teria pejo de assumir a sua própria estupidez - acabando algumas por ler uns livros, estar caladas ou mesmo fingir que entendiam piadas para afastar eventuais suspeitas. Conheço vários exemplos desses: a Vânia, por exemplo, que andou na escola comigo, raramente entendia as minhas piadas elmanistas, arrisco a dizer que nem sequer sabia quem era Elmano, mas ria para que ninguém desconfiasse da fraqueza dos parcos neurónios que povoavam aquele cérebro.

Ora hoje passa-se o contrário: mesmo cronistas não têm uma estupidez evidente acabam por ser atraídos pelo mistério que ainda rodeia a estupidez em público e pelo fenómeno de moda que ela assumiu em determinados sectores. Não duvido de que há estúpidos que nascem estúpidos. Bem pelo contrário. Saraiva até me parece um deles. Mas também há estúpidos que se tornam estúpidos – por influência de amigos, de Saraiva, por pressão do meio em que se movem (no ambiente do Sol isso é claro) e por outra razão que explicarei adiante e me levou a escrever este artigo.

Ao ler o texto de Saraiva que motivou este meu texto, pensei: será que há 20 anos ou 30 anos ele teria a mesma atitude, assumiria tão ostensivamente a sua estupidez? E, indo mais longe, se ele tivesse sido jovem nessa altura seria assim tão estúpido?

Não tive dúvidas. Quando não há inteligência, não há realmente nada a fazer. Tive a percepção clara de que a sua forma de estar, assumindo tão evidentemente a estupidez, correspondia a uma evidente falta de sexo homossexual e, com aquela cara de parvo, não estou mesmo a ver que menino o quereria encostar a, por exemplo, sei lá, uma parede do elevador da FNAC do Chiado e fazer o amor com ele.

Mas certos mitos desabaram e nasceram formas de recusa do modelo de sociedade em que vivemos.

Ora uma delas é a estupidez. Já quando eu era miúda toda a gente queria ser inteligente. Para alguns cronistas, contudo, a estupidez surge não só como uma forma de ganhar dinheiro sujo mas também como uma forma de mostrar a sua ‘diferença’, de manifestar a sua recusa de uma sociedade inteligente, de lutar contra a hipocrisia daqueles que não têm coragem de se mostrar como são, de demonstrar solidariedade com aqueles que são discriminados ou perseguidos pelas suas parvas capacidades intelectuais.

Ser estúpido, para muitos cronistas, é tudo isto. É uma forma de insubmissão. E, está claro, é um desafio aos gays. Se antes os cronistas desafiavam os pais tornando-se poetas, hoje desafiam-nos recusando a ‘família gay” e mostrando-lhes que há apenas uma forma de relacionamento e de constituir família. Aliás, assumir-se como estúpido talvez seja, por muitas razões, o maior desafio que um cronista pode fazer aos gays.

Todas as gerações, desde os idos de 60, tiveram os seus sinais exteriores de revolta. Foram os cabelos compridos, as drogas, as calças à boca-de-sino, as barbas à Fidel Castro, os posters de Che Guevara colados na parede do quarto.

Ora a exposição da estupidez é hoje uma delas. E a opção estúpida é uma forma de negação radical: porque rejeita os direitos humanos, ou seja, o respeito e a felicidade da espécie. Nas relações com gente estúpida, há um niilismo assumido, uma ausência de utilidade, uma recusa do futuro. Impera a ideia de que tudo se consome numa ausência de cérebro – e que o amanhã não existe. De resto, o uso de palavras negras, a fuga da cor e o ódio ao arco-íris vão no mesmo sentido em direcção ao nada.

O fenómeno da estupidez como forma de contestação deste modelo de sociedade em que vivemos, de afirmação radical de uma diferença – enquadrada num fenómeno contestatário iniciado nos anos 60 –, nunca foi abordado.

Mas olhando para aquele texto que li e que estava à minha frente no computador Samsung, percebi que era isso que movia Saraiva quando escrevia uma série de frases boçais. Ele dizia a quem o lia: «Eu sou diferente, eu não sou como vocês, eu recuso esta sociedade hipócrita, eu assumo que sou estúpido.».

PS Que ninguém fique com a ideia de que discrimino “gente” estúpida. A minha “opção sexual” é que é menina para meter mais facilmente uma menina no meu quarto do que “gente” assim.

25 de março de 2012

aceitamos apostas: fascismo ou atraso mental?



eu não costumo ser ingénua nestas coisas nem costumo achar que a direita faz asneira com a melhor das intenções. no entanto, este cartaz é tão mau, tão execrável, tão repugnante, tão nojento, tão asqueroso, tão baixo, tão torpe, tão vil, tão abominável (agradeço mais sinónimos, que não me lembro de mais nenhum), que me custou a acreditar que não fosse montagem. para mal não só dos meus pecados mas também d@s inocentes deste país, temos estes macacos selvagens à espera de se apoderarem do trono da selva. é a perversão da política no seu estado mais puro, uma distorção tal do papel do povo e dxs governantes que quem perde com isso é a falta de vergonha, que perde assim direito à vida.

guerra de gerações declarada, guerra ideológica declarada. lutar contra é preciso, é verdade. lutar contra estxs bárbaros insensíveis ignorantes umbiguistas. lutar contra elxs, mas só porque só nós temos algo válido por que lutar.

nota: a imagem é capa de uma moção apresentada pela comissão política da jsd (23, 24 e 24 de maio).

19 de março de 2012

eu tinha sete anos e era feliz



14 anos de autonomia administrativa do concelho vizelense. foi no dia 19 de março de 1998. dia do pai. cerca de 5 mil vizelenses em lisboa. o meu pai por lá andava e eu com a caixa de fósforos com raspas de sabonetes por lhe dar, a saber que a espera valeria a pena.



rainha das terras, rainha das termas, cidade de amores.

16 de março de 2012

mas que raio é a acção social, afinal?

Reitores querem aumento de propinas para fundo social

Sim, acredite-se ou não, o CRUP "decidiu recomendar às instituições que apliquem a propina máxima no próximo ano letivo, com vista à criação de um fundo social que permita assegurar os estudos de alunos com dificuldades financeiras." Ou eu vivo num mundo muito à parte ou então o que para aí mais vemos é gente que anda na Universidade com sacrifícios financeiros. Tal como este pessoal das reitorias, eu estou muito longe de ser um génio. Estou, contudo, consideravelmente mais perto de atingir o estado de genialidade, já que já me apercebi de que o aumento das propinas representa mais exclusão e mais necessidade de ajuda. Esta ideia peregrina deixa no ar a ilusão de que a maior parte dxs estudantes vive cheia de dinheiro (apesar do desemprego, dos cortes nos subsídios, do aumento dos preços (supermercado, transportes, etc, etc)) e que nem é má ideia que este grupo abastado ajude, forçosamente, a meia dúzia de mal trajadxs que povoa o ensino superior. onerar famílias, já tão oneradas pela irresponsabilidade e pela crueza deste governo, é irresponsável, bacoco, cruel, insensível, ignorante e, não passa despercebido a ninguém, cúmplice do saque de um Estado que não está a cumprir o seu papel.

Impossíveis de olvidar, impossíveis de evitar, não sendo alguma de somenos, ficam duas perguntas:

- Que raio é a acção social, afinal?
- Caridadezinha ou solidariedade?

Nos meus sonhos mais profundos, a idiotia da direita consegue responder a isto com coerência e não se afunda (mas vira à esquerda).

14 de março de 2012

o expresso e a estupidez: uma história de amor



desenho de um cartoonista idiota do expresso


(sobre a legenda, mordaz, neste caso, é como quem diz energúmeno, baixo, vil, descerebrado, torpe, etc, etc)

mau jornalismo, falta de piada, crueldade ou estupidez pura? é a pergunta que fica, enquanto vemos o expresso, mais uma vez, a desculpabilizar os carrascos e a criminalizar as vítimas. tanto o director como o compincha henrique raposo devem sentir o agradável calor da alegria, daquela alegria intensa que costuma caracterizar as famílias muito unidas. se alguém duvidava que o hr pudesse estar fora do baralho, aqui fica a prova de que encaixa como uma luva neste espaço de maus profissionais amantes de salazar.

ainda vou vivendo bem com opiniões discordantes. a total ausência de sensibilidade é que já me chateia um bocado. a ausência de vergonha também não faz os meus deleites. tivesse o director deste jornal vergonha do seu jornal vergonhoso e lá ia o dito rodrigo, que não tem vergonha, graças ao seu desenho vergonhoso, engrossar o número de abelhas e, agora com vergonha, ver que o subsídio de desemprego é coisa para, volta e meia, definir se se tem ou não água na mesa. esta apatia aos problemas sociais, por virtude da sugestão de que quem não tem emprego é preguiços@, revela só uma cumplicidade cobarde com o poder político, um cúmplice fechar de olhos ao (des)emprego de portugal, uma declaração de guerra conivente com as auto-vantagens do sistema capitalista.

generalizações perigosas, falaciosas, execráveis, estúpidas. assim ganha corpo a direita portuguesa. eu, que até acho que a liberdade de expressão é fixe, acho que só ficava bem ao expresso que escondesse a sua execrável e verdadeira ideologia.

7 de fevereiro de 2012

pieguices

depois disto, eu acho que piegas é não lhe irmos partir os dentes.

juro que quando li o título da notícia pensei "lá estão os marotos do inimigo público outra vez". mas não, era mesmo o inimigo público, literalmente.

passámos da demagogia nojenta ao insulto e ninguém me avisou? bah, está bem, eu sei que devia estar mais atenta às notícias, mas depois leio estas coisas e desanimo um bocado.

6 de janeiro de 2012

divã do tamarit, federico garcía lorca

começo por dizer isto: o garcía lorca era um senhor de esquerda. posto isto, posso avançar para a parte literária (não querendo, obviamente, dizer que ser de esquerda não é poético), porque já não me sinto mal por não escrever uma linha referente a qualquer assunto político num blog chamado adeuslenine há um tempinho largo.

divã do tamarit, que pode ser encontrado aqui, não sendo dos maiores portentos que a poesia espanhola tem para oferecer (saliente-se que, para mim, a poesia em língua castelhana morreu no dia em que o neruda publicou o seu assassino poema 20 de "Veinte poemas de amor e una canción desesperada), também não é nada de que se queira fugir. gacela del amor imprevisto + gacela de la terrible presencia + gacela del amor desesperado são, aliás, muito aconselháveis e podem ser lidos no primeiro link que aqui deixei.

31 de dezembro de 2011

ah e tal, mudou o ano

se o natal, para mim, é tempo de amor, com a passagem de ano já não tenho nenhuma relação romântica. anda por aí meio mundo com desejos muito fofinhos para o próximo ano, cheios de harmonia, solidariedade e paz no mundo. quanto a mim, só desejo que o passos coelho se deixe de politiques e descubra a sua vocação. seja pasteleiro ou jogador de futebol (até pode ser do f.c.vizela), não me importa muito. desde que não ande para aí a fazer asneiras, por mim está tudo bem. já agora, que leve o resto dos ministros e o presidente. podem sempre abrir uma pastelaria ou formar uma equipa para jogar à bola.

24 de dezembro de 2011

natal em vizela








ateísmo à parte, criança em época natalícia me confesso. não sou católica, não suporto compras, as multidões trazem-me à lembrança a asma que me arde cá por dentro, fico doida com as esperas nos supermercados, não tenho qualquer apreço por doces de natal, aquelas coisas cheias de açúcar que me deixam o insuportável sabor adocicado na boca, e ai de mim se me põem bacalhau à frente. ainda assim, criança em época natalícia me confesso. se é certo que escrevo hoje, a 24 de dezembro, verdadeiro natal para mim, também não é errado que, para mim, o natal começa em setembro e acaba lá para maio. chega o natal e, olha, de repente tudo é claro, a vida é clara, o norte não traz segredos. vizela não esconde nada, pinta-se nos tons ebúrneos e verdes e as pessoas são inteiras e um livro aberto de passados. a ternura inventada pelas ruas, a solidão que amanhece nestas luzes. a súbita alegria triste e o remorso, a culpa de estar viva. o natal está a chegar e há uma tarde a amanhecer, uma noite que entardece, enquanto se enterra os mortos no açúcar que se esvai. por isso tivemos braços para o adeus, por isso tivemos lábios para sorrir, por isso veio o natal para a acalmia do pesadelo do ciúme. tempo de nostalgia confiante, de edificação tortuosa, alegre na convicção. assim chega o natal e ele acontece no teu corpo e no ritmo dos teus dedos. noite em que nasce a poesia, vida que nasce dos poemas. chega o natal e eu não posso senão amar a agitação palpitante das ruas de vizela, as montanhas que ficam lá em cima, as pessoas que correm e os sorrisos multiplicados nas caras das velhinhas. não posso senão amar o sentimento claro, tão claro como as manhãs de quarta-feira em que o sol penetra as árvores do jardim e o centro se torna num poema prosaico de cesário verde, e a ânsia grande, tão grande, de dar, escondida no embaraço contido de receber. vizela é um mundo à parte do resto do norte, uma imensidão separada do resto de portugal, e lá o natal é mais fácil, acontece mais vezes, mais cedo e dura mais tempo. para mim só há natal porque um dia houve vizela e foi em vizela que o amor nasceu, que fiquei duas horas na varanda da minha avó à espera do pai natal, após ter garantido que daquela vez ele não me conseguiria escapar, vindo depois a descobrir que o malandro tinha entrado pela porta da cozinha e tinha ficado a conversar com os meus pais, que todos os miúdos da rua se riram de mim por ser a única a acreditar no pai natal, que ri de todos os miúdos da rua porque eles achavam que eram o papã e a mamã que compravam as prendas de natal, que fiquei uns três anos a fingir que ainda acreditava no pai natal para que o papá não ficasse triste e achasse que eu ainda era muito pequena, que montei presépios com musgo verdadeiro com metro e meio de comprimento e sujei a cozinha toda, que fui à beira do rio buscar terra para encher o vaso em que ficaria o pinheiro. foi em vizela que vi as primeiras luzes, as da vida e as do natal, e, por curiosidade absoluta, elas fundiram-se e foram sempre as mesmas. a cada dia, um novo ano, mais lento e mais rápido no turbilhão das memórias tão cheias de uma terra que é rainha. a cada ano, um novo dia, porque a vida vai seguindo devagar, ao ritmo vizelense apressado, fugindo das noites que amanhecem. a nostalgia dolorosa e a saudade feliz de ter conhecido um natal em vizela. o remorso indesculpável de o ter perdido para sempre e de saber que ele é meu no cheiro da canela. a culpa, a alegria de estar viva. o natal em vizela é o natal dos sonhos e dos abraços. por ele, os braços que temos para o adeus erguem-se na construção de outro natal. por ele, os lábios para sorrir não perdem tempo com conversas. ternura inventada pelas ruas, o natal acontecerá no corpo dela.


(BRUNO DE GÓIS, COMO É QUE SE MUDA ESTA LETRA, PÁ?!)

21 de dezembro de 2011

nem jovens nem professorxs nem passos coelho. ninguém sai daqui e acabou. oh, pronto, o passos pode ir para a ilha.

se, por um lado, o passos quer mandar o povo lá para fora, por outro, o pessoal de bruxelas não nos quer a vaguear por aí.

eu até compreendo @s belgas. não consigo confiar muito em pessoal que votou num jotinha que, após 6 meses de governo, desiste enquanto pede sacrifícios que persistam.

não vou, no entanto, entrar no jogo inglório dxs jovens que aconselham o governo a emigrar. acho muito injusto, muito umbiguista, muito imaturo da parte delxs. xs desgraçadxs dxs estrangeirxs não têm culpa nenhuma do povo português ter eleito aquele circo. votaram nele, agora aturem-no. não tentem é empurrá-lo para o lado que der mais jeito. eu, se fosse estrangeira, também não quereria aturar disto. sentir-me-ia, aliás, muito magoada se me mandassem aturá-lo só para salvarem a própria pele.

saliento só que eu não tenho culpa nenhuma disto. não seria, portanto, mal pensado que passos coelho, amigxs e votantes fossem para uma ilha deserta qualquer e deixassem o povo decente em paz. deserta. nada de estrangeirxs. elxs são fixes como nós e também não lhe acham grande piada. pelo menos, xs mais inteligentes.

12 de dezembro de 2011

what/who the fuck is gil garcia?




um pequeno município mais populoso do que um novo partido que estará condenado à sua pequenez. à pequenez da sua honestidade, da seriedade intelectual dos seus membros e da sua memória histórica.

mas vá, que sigam lá o rumo até às causas fracturantes, deixando de lado a paridade entre homens e mulheres (que não é de classe), continuando com atitudes inefáveis como lutar contra o referendo sobre o aborto (que o malandro do sócrates também queria), apoiando o voto em branco como arma poderosíssima contra o cavaco (que isto de ser mesmo de esquerda até deixa a direita ganhar).

continue o mundo rupturesco sectário, mas que, pelo menos, não continue parasita dentro do bloco, que isso do entrismo é muito feio.


vamos lá ver se tanta tinta gasta, tanta paciência perdida e tanta desonestidade vergonhosa rupturesca culminarão em mais do que os cerca de 6 mil votos que a FER teve em 1991, já que esta força agregadora d@s revolucionári@s (aka d@s trabalhadoras/es, porque em cada trabalhador/a há um/a revolucionári@) parece querer erguer-se num discurso construtivo que dá a ideia de nascer daquilo que ficou em cinzas, tal qual fawkes, sem se aperceber de que a vida interna do bloco funcionará certamente melhor sem parasitas que não tentam sequer ocultar o seu entrismo indiscreto e o seu infindável apreço pelo sangue do francisco louçã.

eu cá ficarei à espera de ver as desculpas dos próximos meses.

até amanhã, camaradas!

10 de dezembro de 2011

adeus, viscondessa da luz. adeus, rosa montufar. adeus, mais algumas pessoas. oh!, vão, vão; deixem-me, adeus!


leiamos o joão baptista, sem o profanarmos, desta vez com ironia:

"Vai, vai... para sempre adeus!
Para sempre aos olhos meus
Sumido seja o clarão
De tua divina estrela.
Faltam-me olhos e razão
Para a ver, para entendê-la:
Alta está no firmamento
De mais, e de mais é bela
Para o baixo pensamento
Com que em má hora a fitei;
Falso e vil o encantamento
Com que a luz lhe fascinei.
Que volte a sua beleza
Do azul do céu à pureza,
E que a mim me deixe aqui
Nas trevas em que nasci,
Trevas negras, densas, feias,
Como é negro este aleijão
Donde me vem sangue às veias,
Este que foi coração,
Este que amar-te não sabe
Porque é só terra - e não cabe
Nele uma ideia dos Céus ...
Oh!, vai, vai; deixa-me, adeus!"

in Adeus! Adeus!, Almeida Garrett

21 de outubro de 2011

o daniel oliveira e o tiago santos andam uns fofinhos

muito se tem escrito sobre a praxe nestes dias. deixo, por isso, dois contributos que me parecem importantes, começando por um que tem sido muito comentado e que é arrebatador:


"(...)com pequenos gestos simbólicos, se forja a alma de cidadãos sem fibra. Incapazes de dizerem que não. Incapazes de se distinguirem dos demais. A praxe é a iniciação de uma longa carreira de cobardia. Na escola, perante as verdades indiscutíveis dos "mestres". Na rua, perante o poder político. Na empresa, perante o patrão. A praxe não é apenas a praxe. É o processo de iniciação na indignidade quotidiana. O pior escravo é aquele que não se quer libertar. E que encontra na escravidão o conforto de ser como os outros. Os caloiros que aceitam a praxe não são ainda escravos. Apenas treinam para o ser."

- Da praxe... - Tiago Santos

"A minha primeira impressão sobre as praxes é de repulsa. Pela brejeirice, pela cobardia, pela barbárie, pela boçalidade, pela estupidez. Penso que é assim que se sente uma boa parte das pessoas. "






16 de outubro de 2011

o reitor da UMinho é um fofinho





1. Não são permitidas, nos campi, ações, habitualmente designadas por "praxe académica", que configurem ofensas à integridade e dignidade humanas;

2. Não são permitidos atos que limitem ou dificultem a participação dos novos alunos nas atividades pedagógicas com as quais estão comprometidos;

3. Não são permitidas manifestações que, pelo ruído que provocam, perturbem o normal funcionamento das atividades académicas.


In http://www.dicas.sas.uminho.pt/print.aspx?mdl=~%2FModules%2FEventosJornal%2FEventosView.ascx&ItemID=4308&Mid=23&lang=pt-PT&pageid=3&tabid=0

e é assim vai desaparecendo o fascismo: pouco a pouco. no ano passado, a contestação ao DL 70/2010 na universidade do minho foi quase irrisória. as batinas pretas, no entanto, preparam-se já para tomar de assalto cada canto da universidade em prol de um mundo mais desigual, mais autoritário e mais nojento. no meio de falácias, de asserções pueris e de parágrafos incongruentes, o crucito do abutre faz-se ouvir. não me lembro de ver estudantes da UM tão unidxs por uma causa, assim como não tenho memória, porque nunca tal nunca ocorreu, de ter estado tão do lado do reitor, que certamente não terá memória de ter sido tão cobardemente insultado. não deixemos jamais, porém, de lado a memória histórica e esperemos que ela esteja cá para nos lembrar, levemente, em tons de aviso, o que acontece quando um grupo está subordinado a outro, o que acontece quando o poder é cego, o que acontece quando o povo sente a dor de pensar.

não me apetece pensar na passagem da UM a fundação de direito privado, porque isso ia impedir-me de dizer a única coisa que me invade nesta hora: o reitor da uminho é um fofinho.

estava na hora.


12 de outubro de 2011

o médico e o monstro, stevenson




de dia, um respeitável senhor. de noite, um bandido. a forma como a cultura para intelectuais e a cultura para o povo tão divinalmente se casam fascina-me. já lá dizia o outro: "uma lady na mesa, uma louca na cama".





achei boa a intenção. de resto, demasiado diálogo para o meu gosto ou eu é que não estava in the mood. sobre lutas internas, prefiro "o homem duplicado" do saramago, autor que devo relembrar daqui a uns minutos.

11 de outubro de 2011

a gui anda a ficar uma artista de cinema


já lhe disse no facebook: começa com uma entrevista à tvi24 e, quando der por ela, está nos morangos. e nós cá estaremos a ver cada episódio, obviamente, e a pôr todos os vídeos do youtube no adeuslenine.


10 de outubro de 2011

onde vivi e para que vivi, henry david thoreau




neste excerto de Walden (1854), vemos um superior transcendentalismo pelo punho de thoreau. sabia que thoreau fora para os bosques viver de livre vontade, para sugar todo o tutano da vida, para aniquilar tudo o que não era vida e para, quando morresse, não descobrir que não vivera. mas não lhe conhecia o punho libertador nem a ânsia poética que cresce entre as árvores.

"mais do que amor, do que dinheiro e do que fama, dai-me verdade!". este é um relato de literatura e de verdade, de convicção solitária e de filosofia bucólica.

(e quant@s do PAN o terão lido e apreciado devidamente?)

um coração simples, gustave flaubert




Félicité é uma criada abnegada que tudo dá à patroa, vivendo em prol dela e dos seus cuidados e nada tendo de seu. Quando a morte visita as vidas da patroa e da filha, a vida de Félicité, que já antes houvera sido deixada pelo noivo, decompõe-se um pouco mais e cresce a noção de que nada é tido.

Fica, contudo, uma esperança em Loulou, o papagaio embalsamado que já fora "quase um filho, quase um namorado".

Desconcertante como os resultados eleitorais da Madeira.