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13 de março de 2012

Querem tirar-nos (d)a Escola

O Ministério da Educação apresentou a terceira versão do Regime de Autonomia, Administração e Gestão das Escolas onde propõe que pais, alunos e funcionários não tenham assento no Conselho Pedagógico, mantendo apenas professores. Além desta alteração, o Ministério da Educação continua a sugerir que a presidência do Conselho Pedagógico seja assegurada, sem qualquer processo eleitoral, pelo director da escola, e que o coordenador de cada departamento (que irá integrar o Conselho Pedagógico) passe a ser eleito pelos docentes de entre uma lista de três nomes propostos também pelo director.

O Conselho Pedagógico é um órgão central da escola onde todas as questões ligadas à pedagogia são deliberadas. A sua existência não faz sentido se não houver representação de todas as partes integrantes de uma instituição de ensino.

Sendo os alunos os destinatários da pedagogia discutida neste órgão, não faz sentido excluí-los, retirando-lhes o direito conquistado de serem ouvidos no que toca ao sistema de avaliação e à monitorização e avaliação da qualidade de ensino.

Também a exclusão dos Encarregados de Educação (EE) do Conselho Pedagógico é polémica; a importância do acompanhamento dos alunos por parte dos EE é fulcral para o sucesso escolar e, assim sendo, torna-se claro que estes devem ser agentes activos nas tomadas de decisão no que respeita às condições em que o ensino é ministrado.

Por fim, também os funcionários têm direito a manter a sua representação neste órgão, dado o seu papel fundamental e indispensável no funcionamento dos estabelecimentos de ensino.

O Conselho Pedagógico deve promover a democracia dentro da escola e, assim sendo, todos os membros que o constituem devem ser eleitos, incluindo o presidente. As medidas apresentadas pelo Ministério da Educação representam um assalto à democratização dos espaços que pertencem e interessam a todos: professores, funcionários, alunos e encarregados de educação.

É difícil conceber a ideia de uma escola para todos se quem tem interesse em melhorar este espaço e fazer dele, mais do que uma infraestrutura, um espaço de partilha de conhecimento e experiências, fica impotente perante os órgãos de gestão.

5 de dezembro de 2011

A educação, o país, o futuro

Nos seus 35 anos de democracia Portugal venceu o desafio da democratização do acesso à educação e aproximou-se dos níveis de qualificação europeus. Ainda que muitas das promessas da escola pública tenham sido apenas parcialmente cumpridas e que o acréscimo das qualificações não tenha sempre vindo acompanhado de maior justiça social e de crescimento, a verdade é que a educação está no centro do aprofundamento da democracia e da possibilidade do desenvolvimento.


As perspectivas com que se confronta hoje o campo educativo são, contudo, desoladoras. A situação das finanças públicas reclama um conhecimento e avaliação exigentes de todos os compromissos públicos, identificando despesa desnecessária, supérflua e geradora de injustiças sociais e distinguindo-a da que é indispensável, que colmata problemas sociais graves e qualifica o país. Por isso mesmo, a fragilização da educação não pode ser o objectivo de uma política que enfrente as dificuldades e o défice económico e social do país. A escola pública de qualidade e a promoção da investigação científica são uma parte fundamental da solução e não uma parte do problema.


O corte de 864 milhões de euros em 2012 na educação e ciência atira Portugal para a retaguarda da União Europeia em matéria de investimento no ensino. Em 2010 as despesas do Estado com a educação representavam 5% do PIB; passarão agora a apenas 3,8%. Na UE, a média é de 5,5% e na Eslováquia, que estava no final do tabela, rondava os 4%.


Esta escolha terá um efeito devastador nas escolas, e, portanto, sobre as crianças e os jovens que construirão o futuro do país. Se esta política for avante, as escolas e as universidades perderão milhares de professores necessários, muitos recursos fundamentais e assistiremos inevitavelmente à degradação das condições de aprendizagem com o aumento do número de alunos por turma e o término de algumas experiências fundamentais de combate ao insucesso escolar. A situação das finanças públicas não pode, portanto, servir de argumento para deteriorar a vida nas escolas, precarizar as relações de trabalho e hipotecar o futuro da educação.


Os défices da escola pública não se resolvem, tampouco, com a dualização do sistema educativo nem com a estratificação das vias escolares, abandonando o mandato democrático que estabelece que a escola deve garantir a igualdade, em lugar de promover a desigualdade como programa de política educativa.


O discurso segundo o qual estamos perante um abaixamento generalizado das competências e que isso exige como resposta que a escola volte “aos conhecimentos básicos” não se fundamenta em nenhum diagnóstico comprovado nem na apresentação de qualquer dado objectivo. Sem base na realidade, o seu efeito é, pelo contrário, expurgar tudo o que na educação escolar possa ter uma relação com a vida quotidiana, com o mundo da vida dos jovens, com as capacidades, competências e conhecimentos ligados à cidadania, à promoção do pensamento crítico, da participação ou da curiosidade científica.


No Ensino Superior há uma séria limitação da actividade das instituições, rompendo-se metas estabelecidas e compromissos assumidos e agravando-se as condições de desigualdade no acesso e na frequência, seja através da pressão para o encarecimento da formação como forma de recolher receitas próprias, seja na diminuição das verbas disponíveis para a acção social escolar, seja na incapacidade de entender as qualificações produzidas como o principal recurso para um outro modelo económico. A limitação do investimento na investigação anuncia a prazo o fim das redes de produção de conhecimento científico que constituem um dos mais preciosos recursos que o país criou nas últimas décadas. Desperdiçar esse investimento e qualificação é eliminar uma das melhores possibilidades de reconstrução promissora do futuro do país.


O nosso país confronta-se hoje com um cenário em que se propõe à escola pública e ao ensino superior que recue décadas, quer na definição do seu papel, quer nas suas formas de organização, quer nas modalidades pedagógicas a que recorre. Pelo contrário, precisamos, em particular em contexto de crise, de um sistema educativo que seja mais democrático, mais respeitador da diversidade e mais promotor da igualdade.


A afirmação do conhecimento, da cultura e da cidadania obriga-nos, enquanto agentes da educação e da ciência, a utilizar todas as nossas energias contra o esvaziamento do papel do Estado na educação, o desmantelamento de políticas de combate às desigualdades escolares e contra uma reeestruturação curricular cujo sentido seja a recuperação de uma escola conservadora contra a complexidade e a abertura que a sociedade de hoje exige.



Ana Benavente (investigadora ex-Secret. Estado Educação,); Ana Cláudia Pimenta (Ass. Acad. Univ. Évora); Ana Costa (investig. ISCTE-IUL); Ana Drago (deputada Com. Educação da AR);Adriana Bebiano (investig., prof. FLUC); Almerindo Janela Afonso (investig., prof. U. Minho);António Avelãs (presidente SPGL); André Moreira (Presid. AE Esc. Secund. Paredes); António Teodoro (investig., prof. Univ. Lusófona); Arsélio Martins (Prémio Nacional de Professor 2007);Carlos Fortuna (investig., prof.FEUC); Conceição Nogueira (prof. Univ. Minho); Eduardo Melo(presid. Ass. Acad. de Coimbra); Eliana Tavares (AE ICBAS); Fátima Antunes (investig., prof. U. Minho); Fernando Rosas (investig., prof. FCSH - UNL); João Luís Queirós (trab-est, ESE, ABIC);João Mineiro (AE do ISCTE-IUL); João Teixeira Lopes (sociólogo); Jorge Martins (investigador; ex-director regional educação Norte); Jorge Sequeiros (prof ICBAS; investig. IBMC); José Alberto Correia (prof., Director FPCEUP); José Moreira (Vice-presidente do SneSup); José Soeiro(sociólogo, bolseiro investigação); Licínio Lima (investig., prof. U. Minho); Luiza Cortesão(Directora Inst. Paulo Freire); Manuel Carlos Silva (prof U. Minho, presidente APS); Manuel Grilo(prof., dirigente SPGL); Manuel Jacinto Sarmento (investig., prof. U. Minho); Manuela Mendonça (Presidente SPN); Marco Loureiro (presid. Ass. Acad. Guarda); Maria José Araújo(animadora); Maria José Viseu (Presid. Conf. Nacional Independente Pais e Encarregados de Educ);Maria José Vitorino (prof., bibliotecária); Maria do Rosário Gama (Ex-directora Esc. Sec. Infanta D. Maria); Mário Nogueira (Secretário-geral FENPROF); Marlene Espírito Santo(presidente AE da ES Enfermagem Lisboa); Miguel Reis (prof., Movimento Prof. Contratados); Nuno Serra (doutorando FEUC)); Paulo Guinote (prof. , blog educação do meu umbigo); Paulo Peixoto(investig., ex-presid. SNESup); Pedro Oliveira (prof ICBAS, dirigente SPN); Ricardo Silva (APEDE, Ass. Prof e Educadores em Defesa do Ensino); Rodrigo Pereira (AE ES Teatro e Cinema IPL); Rosa Madeira (investig., prof. Univ. Aveiro); Rui Bebiano (investig., prof.FLUC); Rui Borges(investigador FCUL); Rui d’Espiney (Instituto Comunidades Educativas); Rui Trindade (investig., prof. FPCEUP); Samuel Niza (investigador Inst. Sup. Técnico); Sérgio Niza (Movimento Escola Moderna)

29 de setembro de 2011

Os 10 anos de moralismo por Michael Seufert

É conhecido o moralismo do CDS e da JP sempre que se fala de Ensino em Portugal, abordado o tema fazem por o tornar sinônimo de disciplina, autoridade, rigor e mérito. Como não podia deixar de ser, bateram-se no passado pelas prescrições no Ensino Superior Público e no presente por um regulamento de Bolsas de Estudo que obriga os candidatos a um aproveitamento escolar de 60%.

Não deixa de ser curioso que o responsável pela pasta da bancada parlamentar do referido partido e Presidente da Juventude Popular Michael Seufert esteja matriculado há 10 anos no mesmo curso.

4 de agosto de 2011

a educação é tão bonita


um resumo da brejeirice que me enleva. hei-de agradecer a nosso senhor que está no céu por ter permitido que esta criatura se cruzasse comigo.

17 de julho de 2011

muda-se o governo, ficam as maldades

O programa do Governo para a educação vem apresentar objectivos que nos irão remeter para uma castração completa concernente à qualidade da escola pública. Sob a capa falaciosa da mudança, o Governo vem perpetuar o que já de tão inconcebível começou a ser feito por Maria de Lurdes Rodrigues e que foi seguido por Isabel Alçada (a avaliação do desempenho das escolas é só um dos tristes exemplos).

O memorando da troika prevê um corte de cerca de 400 milhões de euros, que se irá traduzir:

- em mais agrupamentos que terão a sua direcção estratosférica e afastada da comunicada escolar:

- numa redução drástica de pessoal, o que irá também significar que o perene desejo de que as turmas sejam mais pequenas e de que cada docente tenha menos alun@s continuará a não ser mais do que um desejo.

Esta poupança vem, por isso, sobrecarregar docentes e distanciar @s estudantes de um ensino mais eficaz, ainda que uma retórica razoável tente fazer com que acreditemos que tudo irá correr às mil maravilhas. Quanto a mim, ainda estou para perceber o que será exactamente a "garantia de oportunidades, baseada no mérito, no acesso ao ensino superior".

A ideia da examocracia aparece-nos, mais uma vez, como ideia salvadora e de exigência, fechando os olhos ao facilitismo que é “examinar para excluir” (MES), aumentando as explicações privadas e transformando as escolas em campos de treino para os exames, o que significa deixar à margem uma parte da matéria que devia ser transmitida decentemente. Como se não bastasse, as notas d@s alun@s continuarão a pesar na avaliação d@s docentes.

O programa do Governo fala-nos ainda "do aumento da produtividade do sistema, através duma gestão mais eficiente". Algo me diz que isto nos remete para as ledas histórias de regimes fundacionais sobre as quais, não me querendo repetir, deixo os links para isto e isto.

No meio disto tudo, importa salientar os dois caminhos possíveis: o da falácia ou o da construção de uma escola pública de qualidade. O novo Governo já escolheu o seu caminho facilitista, embriagado em falsas lógicas de competitividade e exigência. Resta-nos a alternativa.

17 de fevereiro de 2011

Eu ainda estou chateada com a Maria de Lurdes Rodrigues, mas o ensino está mau e a culpa é d@s profs

Há uns tempos, li uma notícia que dizia que, em média, 2 profs são agredid@s por dia. Dizia também que a Linha SOS Professor, criada em Setembro de 2008, já tinha tido algumas centenas de queixas. Quanto a mim, acho perfeitamente compreensível. O estado a que o ensino português chegou é, sem querer culpar ninguém, d@s profs. A criançada não que estar na escola, pelo que é de imediato excluída. O ministério tem menos culpa ainda, já que muda quase todos os anos. @s profs são, portanto, @s únic@s que resistem tempo suficiente para poder fazer asneira. Pelo menos @s que ainda vão garantindo o seu emprego. Torna-se óbvio que temos de castigar de alguma forma estas/es formad@s incompetentes.

Repare-se: ser prof é um ser humano que reclama do ordenado e do trabalho, que corre o risco de se tornar em nómada e de ser sovad@ por um delinquente qualquer que cisma em não querer aprender a dividir orações. Como é que pomos gente desta a ensinar? Se tivessem realmente algum tipo de conhecimento prático, tê-lo-iam usado em proveito próprio.

Ser prof não é uma vocação: é uma falta de juízo. Esta gente que parece gostar de andar de terra em terra a espalhar o horror e a aterrorizar a vida a dezenas de alun@s deixou de ter valor para quase toda a gente. Gente que se sujeita a más condições de vida, que teima em ensinar a diferença entre pronomes e determinantes a quem não quer aprender e que ainda vive na insegurança, correndo o risco de ver aparecer um pai regateiro que não gostou da negativa do filho, quando é suposto que seja inteligente e transmita sabedoria, não pode inspirar confiança a ninguém. Se dantes um professor batia para amansar, agora é sovado para se calar. Passamos de professores que batiam a professores espancados. Estas relações entre estudantes sádic@s e pedagog@s masoquistas não deviam ser permitidas pelo Ministério. Afinal, somos apenas crianças, estamos à espera que alguém mais competente e vivido do que nós tome esse tipo de relações sensatas e imprescindíveis.

Claro que é mais do que compreensível que uma estudante bata num prof. Este tipo de relações vem comprovar o progresso positivo a que vamos assistindo a toda a hora. O contrário é que seria impensável. Horroriza-me pensar que poderia levar umas reguadas por não saber em que ano é que D. Miguel foi exilado pela primeira vez. Agora dar dois tabefes a um professor porque ele marca demasiados trabalhos de casa é perfeitamente justificável.

Com base nestas relações, julgo que me é possível afirmar que ser prof é ser sexualmente pervertid@. Quer @s profs antig@s, @s sádic@s, quer @s profs modern@s, @s masoquistas, têm gostos um tanto ou quanto estranhos, gostos esses que têm a ver com as suas preferências sexuais – sádicas ou masoquistas – e onde nós, alun@s, nos vemos, sem querer, numa relação, portanto, sexual, camuflada por verborreias, contas e histórias do passado. E mais não digo. Leiam Freud. Talvez percebam estes instintos peculiares de que me venho a aperceber. Deste modo, cada vez me vai assustando mais ir à escola, que pretensamente seria um lugar seguro, mas onde somos confrontad@s com adult@s perigos@s e infelizes.

@s profs que nunca foram agredid@s são demasiado competentes para que possamos gostar delas/es: a juventude quer e gosta de borga, toda a gente o sabe; @s que já foram, são idiotas, porque não souberam guiar a polícia até ao jardim zoológico onde vivem @s agressoras/es.

Por tudo isto e muito mais que aqui não cabe, eu acho muito mal que o Ricardo Rodrigues queira mandar para a cadeia quem se preocupa em trazer normalidade às coisas.


*Adaptação de um texto publicado há um tempinho no Povo de Guimarães e que me pareceu pertinente agora.

15 de setembro de 2010

?!?

A crise já chegou ao aparelho político. Ao que parece o Ministério da Educação cortou nos acessores… Caso contrário a Ministra da Educação não fazia uma figura tão ridicula e deplorável . Um verdadeiro tesouro deprimente!

14 de setembro de 2010

Não há cerimónias!


“Após entregar uma medalha de chouriço ao Ministro Mariano Gago, por ter alcançado o feito de nos meder no topo da Europa no que toca ao peso da educação nos orçamentos das famílias, leu-se o seguinte comunicado:
Nós, estudantes da Academia do Porto, em protesto nesta Cerimónia Oficial dizemos:
- Não há cerimónias porque nos últimos dez anos, um terço dos estudantes mais pobres abandonou o Ensino Superior, sendo que esta realidade aumenta a cada ano que passa.
- Não há cerimónias porque nos últimos 15 anos, as propinas aumentaram 400% em Portugal.
- Não há cerimónias enquanto este for o terceiro país da Europa com a propina mais elevada.
- Não há cerimónias enquanto tivermos um problema de democracia no Ensino Superior.
- Não há cerimónias enquanto a redução e a falta de verbas destinadas à Acção Social continuarem a empurrar estudantes para fazer empréstimos.
- Não há cerimónias porque 11 mil estudantes devem 130 milhões de euros à banca, quando ainda não trabalham, e não têm nenhuma garantia em relação ao seu trabalho futuro.
- Não há cerimónias enquanto a maioria dos 70 mil bolseiros em Portugal receber de bolsa mínima apenas 100 euros por mês.
- Não há cerimónias quando a resposta a um pedido de bolsa demora em média 4 meses.
- Não há cerimónias quando, numa das maiores crises sociais de todos os tempos, o Governo decide reduzir nas bolsas, atirando estudantes para fora do Ensino Superior.
- Não há cerimónias quando um ano lectivo começa sem os Serviços de Acção Social saberem os dados que necessitam para analisar os pedidos de bolsas, porque o Sr. Ministro ainda não fez aprovar o Despacho necessário.
- Não há cerimónias enquanto este “Ensino” só for público para quem tem 1000 euros para pagar as propinas.
- Nós, grupo de estudantes aqui em protesto, dizemos: Ensino Superior Público para todos e todas.
Basta de retórica.”
Grupo de Estudantes da Academia do Porto

27 de agosto de 2010

Manda fechar que a gente mete em caixotes pedagógicos...

É realmente vergonhoso: em Matosinhos existem 60 “prefabricados”, ou seja caixotes no puro sentido do termo, que são usados como salas de aula. Porém, a autarquia em vez de desactivar os 60 caixotes onde os alunos estão a ter aulas, decide mantê-los e em vez disso encerrar quatro escolas. Matosinhos não tem qualquer escola com menos de 20 alunos mas, ainda assim, decidiu avançar com encerramentos de escolas aonde faltam infra-estruturas complementares.


Irresponsabilidade o absoluta insensatez?

8 de julho de 2010

Educação em movimento no Fórum Social

Primeiramente publicado em: http://www.esquerda.net/

Em Istambul, o Fórum Social Europeu quis, e conseguiu, ir à discussão e à disputa de um espaço político sobre educação.

a assembleia de educação do Fórum Social Europeu decidiu que iria apoiar o dia 29 de Setembro como um grande dia de luta europeia sobre o ensino Esse espaço foi não só ganho à custa de uma intensa teorização e problematização das questões concretas do ensino e das ofensivas neoliberais ao espaço escolar (sob as suas diversas vertentes), como conseguiu também perspectivar formas concretas de luta europeia que respondam à urgência desse combate.
 


Foram dezenas as delegações de países que marcaram presença nos seminários e workshops sobre educação, que culminaram numa grande assembleia de conclusões e perspectivas de luta sobre o ensino. Professores, estudantes de várias organizações europeias e investigadores da área, pensaram, discutiram e encontraram consensos e proposas concretas. De toda a Europa, organizações, sindicatos e movimentos contestaram directa e frontalmente as repercussões directas da crise do capitalismo no sistema educativo. Exigiram, claramente, uma mudança à esquerda porque a verdade é que a grande conclusão da assembleia sobre educação foi a de que o capitalismo não responde, como nunca respondeu, à crise da educação, e não só não responde como ainda a agrava. Foi portanto claro para os movimento sociais europeus que a crise educativa é inerente à crise do sistema neoliberal, e que a necessidade de mudança de paradigma é uma absoluta realidade.


Entre as várias ofensivas ao sistema educativo, o FSE tentou discutir aquelas que mais força conseguem ter nas escolas e nas universidades, para que um dia europeu de luta pelo ensino seja um verdadeiro sucesso. Entre elas o FSE destaca a privatização do espaço escolar, a incrementação dos "valores de mercado" no sistema avaliativo dos estudantes e os ataques quer ao financiamento das instituições, quer dos direitos de estudantes e professores. Por outro lado, sublinhou-se a urgência da rejeição do ensino como um negócio, a democracia no ensino, o resgate do espaço escolar. 



Partindo dessa convergência, a assembleia de educação do Fórum Social Europeu decidiu que iria apoiar o dia 29 de Setembro como um grande dia de luta europeia sobre o ensino. Que o iria fazer, mobilizando organizações, sindicatos e estudantes numa convergência absoluta (provavelmente sem precedentes) em torno de um dos maiores ataques dos últimos anos ao ensino. 
 


Mas o Fórum não só apelou à mobilização para o dia 29 como afirmou que quer criar um movimento de luta consequente. Esse movimento passará quer por um Fórum de Educação Europeu, a realizar em Espanha, como pretende criar espaços de discussão e luta regular na Europa pré e pós 29 de Setembro, pré e pós Fórum de Educação Europeu. 



Também aqui o FSE prova que é possível unidade, consequência e muito movimento na luta contra o sistema neoliberal que usa e abusa do sistema educativo e que condena plenamente às orientações do mercado. No Fórum Social Europeu a educação esteve realmente em movimento!

25 de abril de 2010

A minha geração

Sou da geração pós-25 de Abril. Uma geração que não viveu a luta anti-fascista que se fez durante o Estado Novo nem o confronto intenso de ideias nos primeiros anos de democracia parlamentar. Sou da geração que toma tudo o que tem como adquirido e imutável, desde as eleições até ao direito de se reunir, organizar e protestar. Sou duma geração que já pode escrever o que pensa sem ter receio da censura e de represálias e que tem tudo garantido. Será?

Quando nasci, não havia propinas. Graças ao 25 de Abril e à luta da Esquerda, estudar em Portugal era gratuito, como continua a ser em vários países da Europa. Hoje em dia a esmagadora maioria dos jovens em idade de estudar não tem dinheiro para pagar a 3ª propina mais cara da UE. Em 2010 já mais de dez mil estudantes se endividaram, como eu, para ter acesso ao conhecimento porque, ao contrário de países como a Grécia, ter direito a bolsa é cada vez mais uma miragem. A Constituição que Abril nos deu garante o Ensino Superior como tendencialmente gratuito. Pagamos 1000 euros por ano só em propinas, sem contar com todos os gastos em livros, alojamento, comida, etc. É este o nosso mar de rosas.

Por isso, a grande parte dos jovens portugueses é explorada num trabalho precário. Os trabalhadores-estudantes povoam os call-centers e as filas para um "trabalho temporário". No PREC todos os partidos queriam o pleno emprego, a possibilidade desse emprego ser estável, direito humano básico. Hoje, tudo desmoronou. É o próprio Estado a contratar centenas de milhares de funcionários a falsos recibos verdes, a legitimar o crime e o abuso. São poucos os jovens que esperam ter um emprego depois de terminarem o curso. Sabem que podem "safar-se" aqui e ali, mas ninguém sabe como vai pagar a bola de neve que é o empréstimo de Gago e Sócrates. Os nossos pais começaram com nada, nós começamos com um fardo de milhares de euros em dívida. É este o nosso mar de rosas.

Agora para nos dar uma ajuda, o PS apresenta-nos o PEC: cortar nos apoios sociais, vender empresas públicas que dão lucro e que são bem geridas. A pouco e pouco, o PS vai convergindo com a estratégia neoliberal para vender - mesmo - tudo o que é de todos para dar a muito poucos, muito ricos.

Perspectiva-se uma vida cada vez mais difícil para a minha geração, nada está garantido e os representantes dos patrões estão no poder e não têm escrúpulos. Mas não nos podemos submeter ao consenso mole que nos é imposto e que nos quer fechar entre quatro paredes de conformismo, sem janelas para outra vida, para outro mundo que é possível.

Esta é a luta dos jovens de hoje: reconstruir e expandir a democracia pela qual os nossos pais lutaram e que a agenda neoliberal quer destruir.

5 de abril de 2010

.. a democracia do Coutinho


Peço desculpa a João Pereira Coutinho por tratá-lo com a descortesia com o tratei no título deste post. Mas certamente já estará habituado, pela forma como tratou hoje o estudante Pedro Feijó na sua coluna no Correio da Manhã…

Esperava-se mais de um jornalista, ainda por cima com obra publicada. Em todo o caso, a incivilidade da sua coluna e a falácia intelectual do seu conteúdo merecem uma resposta. João Pereira Coutinho deveria saber que uma das técnicas mais fáceis de argumentação é a falácia. De forma conscientemente encapotada João Pereira Coutinho utiliza a falácia Ad hominem e toda a sua argumentação numa lógica paternalista e redutora da opinião do estudante simplesmente porque é estudante e jovem…

… Talvez por isso trate Pedro Feijó por tu e por “menino Feijó”, ou os estudantes por canalha…

Mas voltemos ao cerne da questão. João Pereira Coutinho parece ignorar deliberadamente o que é a Escola Pública. A escola pública não se limita a educar os “bons” e a excluir os “maus” como esses sectores conservadores gostariam. A escola pública tem um papel democrático e não pode deixar ninguém para trás.

É por isso que Pedro Feijó está absolutamente correcto. Os estudantes que pratiquem actos de indisciplina, mais que expulsões, punições e segregação precisam de não serem esquecidos. E o papel da Escola Pública é, em vez de os abandonar como parece querer João Pereira Coutinho, o de pegar nesses alunos e transformá-los: dizer-lhe que existe outro caminho.

Pensar na escola dos “bons” ignorando e segregando “os maus” (que por acaso não nasceram “maus”, são simplesmente fruto de alguma coisa…), é uma visão meramente oligarca da escola. É uma visão redutora do papel de uma Escola Pública que não exclui mas inclui. E essa exaltação à oligarquia educativa é ainda mais clara quando João Pereira Coutinho diz que “ensino português só terá futuro quando as escolas deixarem de ser espaços democráticos onde a canalha manda.”.
O ensino português só terá futuro quando a escola for o pilar da democracia; quando a escola não deixar ninguém para trás e em vez de tratar os alunos problemáticos como animais passar a tratá-los como alunos que estão no mesmo barco que os outros e aos quais a escola tem de dar resposta; quando os alunos sentirem que a sua opinião conta na sua escola e na sua vida: é esse o melhor passo para uma educação completa e livre…

…Esses são, ou deveriam ser, os pilares de uma democracia com uma Escola Pública forte, democrática e assente em valores humanistas. Ao contrário dessas visões conservadoras e oligarcas de quem quer chutar com os alunos problemáticos para canto e tratar os estudas como robôs acríticos às ordens de terceiros. Felizmente o ensino oligarca de estilo fascista já acabou e a democracia passou a fazer parte das escolas, foi para lá que caminhámos à 35 anos e é para lá que continuamos a lutar, quer os conservadores querem, quer não !!!!!!

2 de abril de 2010

Da indisciplina e do PPulismo

Nas últimas semanas, a discussão sobre o sistema educativo voltou ao centro do debate político. É verdade que essa discussão é necessária. Mas não é menos verdade que ela é inútil, quando limitada à ortodoxia do pensamento dominante.

Primeiro, foi o CDS a propor que os pais dos alunos que estejam envolvidos em casos de agressões a colegas se vejam privados de receber o Rendimento Social de Inserção (tamanha é a obsessão do CDS com a perseguição aos mais pobres dos pobres). Na mesma linha, o mesmo CDS propõe ainda que as agressões a professores passem a ser consideradas crime público. Se do CDS não seria de esperar outra coisa, é uma tremenda desilusão o apoio da FENPROF a esta vaga securitária.

A subordinação à lógica da “autoridade” e do “respeito pelo professor” fecha a discussão no campo da resposta fácil, do populismo e do facilitismo. No fundo, ela discute tudo; excepto as soluções para o problema. É pena.

30 de março de 2010

Estado do Ensino Superior

Na passada quarta-feira, dia do Estudante, várias centenas de estudantes do Ensino Superior saíram à rua. Vieram sobretudo de Lisboa, mas também de outras cidades do país para protestar contra o estado do Ensino Superior, pela segunda vez este ano. Vieram comemorar um dia que é de luta desde a crise académica de 1962 que abalou o regime. Na época os motivos para o protesto sob um regime repressivo eram inúmeros, actualmente também não são poucos.

Olhando para o estado do Ensino Superior Público em 2010 o panorama é desolador. Segundo um Estudo de Belmiro Cabrito da UL, desde a implementação da actual política de propinas já um terço dos estudantes mais pobres foi empurrado para o mercado de trabalho sem diploma, por não ter como pagar o valor cada vez mais exorbitante que nos pedem. Deturpações estatísticas do PS à parte, toda a gente sabe que estudar no Ensino Superior hoje é um fardo muito pesado para a maior parte das famílias.

A Acção Social Escolar, que poderia ser uma oportunidade para muitos, está completamente desfasada da realidade, com cálculos injustos, atrasos em média de 4 meses na entrega de bolsas, fecho de cantinas, de residências. Cerca de 70% dos estudantes que recebem a bolsa, é a mínima que só cobre o valor das propinas. Perante isto, o PS não atribuiu nem mais um cêntimo à ASE no Orçamento de Estado de 2010.

Apesar disto, o protesto de dia 24 de Março foi na prática convocado por apenas duas Associações de Estudantes (AE-ESAD e AE-FCUL). A Manifestação teve mais de 500 estudantes, muitos deles mobilizados por movimentos e colectivos de estudantes que lutam por outra Universidade. As grandes Académicas recusaram-se a participar no protesto, presas na gestão de pequenos problemas, com pequenas soluções, mas alimentando grandes ambições e gigantescos egos.

A necessidade de reconstruir o movimento estudantil em Portugal é cada vez mais urgente. Já chega de AEs que são ensaios do Bloco Central, que oferecem festas académicas e brindes mas que em reuniões com Mariano Gago pisam nos interesses dos estudantes. É urgente construir uma corrente estudantil de Esquerda que seja fortíssima, aberta e mobilizadora que seja capaz de organizar estudantes para transformar a sua realidade. É esta a nossa tarefa, construir uma alternativa tão envolvente, tão grande, tão combativa que transforme o Ensino Superior.
Continuemos o combate!