Mostrar mensagens com a etiqueta Precariedade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Precariedade. Mostrar todas as mensagens

2 de agosto de 2011

Parabéns José Afonso


"Os jovens, e digo, os jovens de todas as classes, estão um pouco à mercê de um sistema que não conta com eles, mas que hipocritamente fala deles - o 25 de Abril não foi feito para esta sociedade, para aquilo que estamos agora a viver.
Aqueles que ajudaram a fazer o 25 de Abril, imaginaram uma sociedade muito diferente da actual, que está a ser oferecida aos jovens.
Os jovens deparam-se com problemas tão graves, ou talvez mais graves do que aqueles que nós tivemos que enfrentar - o desemprego, por exemplo. E, por vezes, não têm recursos, porque o sistema ultrapassa-os, o sistema oprime-os, criando-lhes uma aparência de liberdade. Eu creio que a única atitude foi aquela que nós tivemos - por nós, eu refiro-me à minha geração - de recusa frontal, de recusa inteligente, se possível até pela insubordinação, se possível até pela subversão do modelo de sociedade que lhes está a ser oferecido, com o fundamento da liberdade democrática, com o fundamento do respeito pelos direitos dos cidadãos. É de facto uma sociedade, que é imposta aos jovens de hoje, teleguiada de longe por qualquer FMI, por qualquer Deus banqueiro.
Tal como nós, eles têm que a combater, têm que na destruir, têm de a enfrentar com todas as suas forças, organizando-se para criarem a sociedade que têm em mente.

Zeca Afonso - 1984

Faria hoje 82 anos.

5 de julho de 2011

Lei contra a precariedade:: 10 mil assinaturas

Porque a precariedade não é inevitável, lutamos por uma solução concreta. Com o contacto na rua, em vários pontos do país, chegámos já às 10 mil assinaturas! Estamos mais perto das 35 mil assinaturas necessárias para que esta Iniciativa Legislativa de Cidadãos possa ser entregue na Assembleia da República. Contamos contigo: assina, divulga, recolhe!

23 de junho de 2011

Um bom começo

Foi com bastante satisfação que olhei para a criação do CENA- Sindicato dos Profissionais do Espectáculo e do Audiovisual, não por ser mais um sindicato, mas por ser o primeiro que nasce de esforços, conversas e debates entre um movimento de precários, um sindicato e uma estrutura formativa. A novidade e o simbolismo deste sindicato é sem dúvida em muito maior que a criação do mesmo, pode ser um bom começo para que movimentos semelhantes se reproduzam ou que as estruturas existentes mudem a sua postura e comecem a encetar esforços sérios para encontrarem formas de integrar a crescente massa de trabalhadores precarizados portugueses que até agora não têm conseguido encontrar forma de integração e representação efectiva nas centrais sindicais existentes.

Porque afinal de contas do que se trata é do fortalecimento e aumento de representatividade e combatividade de um sector laboral cada vez mais significativo e profundamente desprotegido.

Mais informações sobre este interessante processo, bem como a ficha de pré-inscrição, podem ser encontradas aqui: http://intermitentes.org/?p=438

18 de abril de 2011

Estudantes e precários/as

A precariedade, e a luta contra a precariedade, continua a ter o trabalho como centralidade. Só por esse motivo já faz tanto sentido que os e as estudantes se juntem ao MayDay: é de presente e futuro que falamos e por que nos juntamos, e faz tanto sentido os e as estudantes juntarem-se para lutar pelos direitos dos trabalhadores, das trabalhadores e dos e das desempregado/as que também já foram estudantes e hoje vivem a instabilidade laboral na pele, como faz sentido que se juntem também para rejeitar a precariedade como modelo laboral, como modo de via, como pensamento único para o futuro.


Mas não só por isso faz sentido os estudantes estarem presente. Se a precariedade é muito de incerteza, de instabilidade, de desequilíbrio, de abdicação de sonhos, projectos, objectivos e aspirações, muitos e muitas estudantes também são precários e precárias, e também sofrem na pele o que é abdicar de uma identidade, de um projecto e sobretudo de um direito fundamental e estrutural: o direito à educação e ao conhecimento.

A precariedade não é uma estratégia homogénea e coesa que atinge todos e todas da mesma forma, com a mesma violência, com os mesmos mecanismos de dominação e de exploração e com a mesma intensidade. Mulheres são mais afectadas que os homens. Imigrantes mais que Portugueses de origem. Homossexuais mais que heterossexuais. Trabalhadoras do sexo mais que as restantes. Estudantes mais pobres, que estudantes menos pobres. Reconhecer isto não implica (nem pode nunca implicar) dividir. Pelo contrário só nos pode juntar. Ter a lucidez de perceber que o sistema nos tenta dividir só nos pode fazer ganhar a lucidez de que só juntos poderemos vencer.

Os e as estudantes fazem falta ao MayDay porque também sofrem a precariedade. A escolha da austeridade e os cortes em apoios sociais como as bolsas de estudo está já a fazer com que milhares de estudantes tenham que cancelar a matricula nas universidades e a que tantos outros e tantas outras tenham que recorrer a empréstimos bancários para poderem estudar, forçando-se desta forma o endividamento muitos antes da entrada no mercado de trabalho. E sabemos bem o tipo de trabalho que a maioria dos jovens licenciados vai ter acesso. O Estado demite-se das suas responsabilidades e oferece uma única alternativa aos e às estudantes: instabilidade, incerteza, precariedade.

Quando entre 1995 e 2005 um terço dos e das estudantes mais pobres já teve que abandonar o Ensino Superior por causa das propinas, quando com os sistemas de empréstimo os e as estudantes devem já à banca 130 milhões de euros, quando este ano milhares de estudantes estão a cancelar matriculas nas Universidades, a pergunta que se nos coloca é a de saber quantos estudantes conseguimos levar para a rua no 1º de Maio, quantas forças conseguimos acumular ao movimento social contra a precariedade…
A nossa resposta é simples: se é a precariedade aquilo que nos é comum, se é a precariedade a nossa condição comum, é contra a precariedade que nos unimos: é a precariedade que venceremos!


Texto publicado em: www.maydaylisboa.net

12 de abril de 2011

23 de março de 2011

Exige a substituição da pergunta 32 dos censos 2011! Faz chegar a tua reclamação ao Provedor de Justiça.





Os movimentos de trabalhadores/as precários/as FERVE, Precários Inflexíveis, Intermitentes do Espectáculo e do Audiovisual e os cidadãos Paula Gil, João Labrincha e Alexandre de Sousa Carvalho exigem a substituição da pergunta 32 dos censos 2011. A forma como é elaborada esta pergunta significa um branqueamento da situação de precariedade em que se encontram centenas de milhares de trabalhadores/as a falsos recibos verdes: «Se trabalha a "Recibos Verdes" mas tem um local de trabalho fixo dentro de uma empresa, subordinação hierárquica efectiva e um horário de trabalho definido deve assinalar a opção "trabalhador por conta de outrem".

Possibilitar o conhecimento do número de falsos recibos verdes em Portugal é não só uma necessidade efectiva para a mudança da situação como uma demonstração de respeito a todas as pessoas que são tratadas pelo Estado como independentes (recibos verdes, segurança social, ausência de direitos) e que agora são informadas por esse mesmo Estado que, afinal, devem se considerar trabalhadores/as por conta de outrem.

Vamos todos exigir a substituição da pergunta número 32!
Os/As precários/as não podem ser invisíveis nas estatísticas.
Envia a tua queixa ao Provedor de Justiça (aqui) e divulga esta informação!
aqui o texto modelo para a reclamação a ser feita.

8 de março de 2011

Entre-linhas

Movimento Geração à Rasca interrompe discurso de Sócrates

Um dos factores importantes que têm pautado a mobilização da (descentralizada, ainda bem) Manifestação da Geração à Rasca é a capacidade de unir pessoas contra a realidade de uma condição laboral e de uma realidade nacional (inegável, digam o que disserem as Isabéis Stilwells).

Deixo, então, uma pseudo-análise sobre a curtíssima notícia do Público sobre uma acção durante uma apresentação da moção política de José Sócrates:

"José Sócrates apenas tinha tido tempo para fazer os agradecimentos quando os jovens, munidos de um megafone"...
> Portanto, não lhe deram tempo para falar.

"...lamentou aos jornalistas Paulo Agante, do movimento, que agendou para sábado uma manifestação anti-Governo."
> Não está em escrito em qualquer sítio do Manifesto tornado público pela organização.

Obrigado Público. Na vanguarda por tornar claro aquilo que parece ser necessário. Escuso perguntar para quem. "Ups".

PS: A crítica ao Público é dupla, porque é também deriva da "comidela" acrítica das notícias da LUSA. Passem, aos responsáveis, a palavra do 'Senhor': "Protestamos por uma solução e queremos ser parte dela." (Manifesto da Geração à Rasca)

18 de fevereiro de 2011

para cima e para baixo, até à caverna das caveiras


Imagem roubada à Gui Castro Felga


"Acho parvo o refrão da música dos Deolinda que diz «Eu fico a pensar, que mundo tão parvo, onde para ser escravo é preciso estudar». Porque se estudaram e são escravos, são parvos de facto. Parvos porque gastaram o dinheiro dos pais e o dos nossos impostos a estudar para não aprender nada."

Foi ao ler esta notícia que me apercebi de que anda para aí muito boa gente a pensar que as Universidades são o caminho directo para o sucesso profissional, como elas se tornassem @s estudantes em meta-intelectuais e como se não houvesse uma crise económica, criada ao serviço do capital e em benefício do pacto que as elites têm com o poder, a criar entraves à vida das pessoas. Mais: parece que essa boa gente sugere que o ensino é um capricho de menin@s ric@s que gastam o dinheiro das mães e dos pais e usam os impostos da facção trabalhadora de forma despudorada, aproveitando-se deles.

Parece que andar na Universidade significa “estar apto [sic] a reconhecer e a aproveitar os desafios e a ser capaz de dar a volta à vida”. Quer isto dizer que ser estudante significa personalizar o Hugo, andando para cima e para baixo, até à caverna das caveiras. Provavelmente, a autora do texto que comento esqueceu-se do nome sugestivo de quem conclui os desafios impostos. É que para cima e para baixo já andamos, à caverna das caveiras já chegámos, desafios já temos nós de enfrentar até para conseguirmos uma inscrição no ES. Dar a volta à vida é que é o diabo; geralmente, é ela que nos dá a volta e está difícil mudar isso. E agradecia-se algum respeito por aquelas e aqueles a quem as imposições externas são prejudiciais e até mesmo cruéis.

Comparar o desemprego à guerra, para além de ser uma falácia demagógica vergonhosa, é atirar areia para os olhos das pessoas, levando-as a crer que isto não é mau porque podia ser pior. Como se as pessoas devessem parar de lutar por direitos só porque podiam ter ainda menos direitos. Face a este texto de pusilânime cumplicidade com o poder político, não sei se me choca mais a brejeirice do tom, se a falta de capacidade argumentativa, se mesmo a tentativa de crucificar quem não quer ser escrav@ de um sistema.

Para cúmulo, a autora do texto diz-nos que “só há uma maneira de dizer basta: passando activamente a ser parte da solução”, como se não fosse isto o que está em causa, como se não estivéssemos a travar uma guerra ideológica, como se @s desempregad@s fossem só um bando de inúteis a condenar.

Para cima e para baixo, para a direita ou para a direita, chegaremos à caverna das caveiras. Se a mobilização for feita pela esquerda, se as conquistas laborais tiverem o forte cunho da esquerda, se o neoliberalismo for vencido pela esquerda, continuaremos em frente e para a esquerda e não veremos a famosa caverna das caveiras.

Parafraseando a Bíblia, infelizes daqueles e daquelas que se deixam engolir pelas falácias asquerosas do neoliberalismo.


8 de fevereiro de 2011

Carta a José Sócrates de André Moreira

Excelentíssimo Primeiro Ministro,

O meu nome é André Moreira, mas poderia ser João, Maria, Ricardo ou Ana.

Sei que provavelmente nem será o senhor a ler este email, provavelmente até ninguém o lerá, no entanto sempre me ensinaram a não desistir.

Escrevo-lhe porque nesta tarde de dia sete de Fevereiro deveria estar a estudar matemática (tenho teste amanhã), mas não estou. Não estou porque o senhor me obrigou. Obrigou-me a questionar a razão pela qual estudo. Obrigou-me a esta submissão filosófica. Perceberá tudo mais à frente.

11 de outubro de 2010

Estudante sem bolsa e precária

Conheci há uns anos uma rapariga chamada Joana. Vinda de uma família trabalhadora e esforçada, a Joana foi da minha turma durante o secundário. Foi uma das quatro pessoas da minha turma que continuou os estudos para além do 12º ano. Os meus restantes 29 colegas não ingressaram no Ensino Superior porque não tinham dinheiro. Não tinham dinheiro para continuar a estudar, nem nunca a sociedade as incentivou a continuar.

A Joana era até o ano passado uma estudante deslocada em Lisboa. Tinha como gastos correntes a renda, as contas, os manuais, os transportes, etc. A Joana só conseguia estudar porque trabalha num callcenter e recebia a bolsa mínima, que só chegava para pagar os 1000 euros de propinas anuais. A Joana trabalha num callcenter onde recebe 2,75 EUR por hora onde 60% do seu salário é roubado por uma Empresa de Trabalho Temporário.

Este ano a Joana vai perder a bolsa. A Joana vai sofrer na pele as consequências do decreto-lei 70/2010, que apesar da sua designação aparentemente complicada, vai, entre outras coisas, reduzir o valor e cortar provavelmente cerca de 20 mil bolsas. Sem a bolsa, a Joana não tem dinheiro para pagar as propinas. Ela vai ter de deixar de estudar.

A Joana, que só participou na última manifestação de estudantes, quer ir à manifestação de estudantes do ensino superior marcada para dia 17 de Novembro. Mas não pode ir. A Joana não pode porque estará a trabalhar a vender internet móvel, a cumprir funções permanentes, mas a recibos verdes.

A Joana também quer, obviamente, participar da greve geral de dia 24 de Novembro. Mas não participará. A Joana não pode fazer greve porque trabalha a falsos recibos verdes. Para uma crescente parte da população portuguesa, de que a Joana faz parte, a greve não é uma hipótese real. Greve significa despedimento. E despedimento significa não receber subsídio de desemprego ou qualquer apoio social. E com sorte ainda ganha "fama" nas empresas de trabalho temporário.

Todos os dias fogem 3 milhões de euros por dia em impostos não pagos pela banca, gastam-se milhares de milhões de euros em submarinos, equipamento miliar, blindados para a PSP. Há Joanas, Tiagos, Marias e Mários a deixar de estudar, a serem exploradas, despedidas, desprezadas, que estão a pagar as contas de uma elite irresponsável e corrupta do PS com D ou sem D.

Por isso, a mobilização para a manifestação de dia 17 de Novembro e sobretudo para a Greve Geral de 24 de Novembro é fundamental. Temos de lá estar todos e todas, a representar a Joana precária, a Joana estudante, a Joana desempregada, todas as Joanas exploradas de Portugal e do mundo.

Também publicado em Esquerda.net

7 de setembro de 2010

"Vamos!" - Quebrar o silêncio sobre as injustiças e as mentiras da crise. Vamos à luta.



Manifesto

Não nos calaremos!
Não fomos nós quem fez esta crise.
Há outras soluções.

Vamos quebrar o silêncio sobre as injustiças e as mentiras da crise.

Desemprego acima de 10%, precarização generalizada, cortes em todos os apoios sociais e nos serviços públicos, ataque ao subsídio de desemprego, aumento da pobreza...Pode-se viver assim? Como aceitar sempre mais sacrifícios para vivermos sempre pior? Como chegámos aqui?

Os banqueiros e os especuladores jogaram com o nosso dinheiro: crédito fácil, especulação imobiliária, fraudes de gestão. Quando ficaram a descoberto, em 2008, não gastaram nada de seu. Chamaram os Estados e, dos nossos impostos, receberam tudo quanto exigiram. Então deram o golpe: com o dinheiro recebido a juros baixos, compraram títulos da dívida pública, a dívida do mesmo Estado que os salvou. Agora, o Estado, para pagar os altíssimos juros dos títulos da sua dívida, vai buscar dinheiro aos bolsos de quem trabalha: mais impostos, menos salário, cortes de todo o tipo, privatizações...

Estamos perante uma gigantesca transferência de riqueza dos mais pobres para os mais ricos. Dentro de cada país. E dos países mais pobres da Europa para os países mais ricos - numa Europa submissa e agachada defronte dos mercados especuladores. Duas palavras enchem os nossos dias: "dificuldades" e "sacrifícios". São palavras para nos silenciar. Pois não nos calaremos. Não fomos nós, trabalhadores de toda a Europa, quem fez esta crise. Quem a fez foi quem nunca passa por "dificuldades" e recusa sempre quaisquer "sacrifícios". Foram os especuladores que nada produzem, os bancos que não pagam os impostos que devem, as fortunas imensas que não contribuem. Para eles, a crise é um novo e imenso negócio.

Agora que a desesperança se espalha, que a pobreza alastra e que o futuro se fecha, trazemos à rua o combate de uma solidariedade comprometida com os desfavorecidos. Há alternativas ao empobrecimento brutal da maioria da população. O projecto de um Portugal e de uma Europa num mundo que cresça com justiça social e prioridade aos mais pobres. Que defendam o emprego digno, os serviços públicos e os apoios essenciais para garantir o respeito por cada pessoa. Essa é a verdadeira dívida que está por pagar.

Vindos de muitas ideias e de muitas experiências, juntamo-nos pela igualdade e contra as injustiças da crise. Conhecemos as dificuldades verdadeiras de quem está a pagar a factura de uma economia desgovernada.

Não aceitamos a cumplicidade financeira da Comissão Europeia e do BCE no sofrimento e na miséria de milhões, não nos conformamos com um país que se abandona à pobreza, com uma sociedade que aceita deixar os mais fracos para trás.


Uma sociedade civilizada não protege a ganância acima do cuidado humano, o cuidado de um por todos e de todos por um.

Vamos quebrar o silêncio sobre as injustiças e as mentiras da crise.
Vamos à luta.
Vamos!

4 de julho de 2010

Os Ministros da nulidade



Helena André e António Mendonça foram duas das novas contratações de José Sócrates para este Governo. Ela sindicalista que deixou o posto em Bruxelas e ele Professor universitário de renome. E pese embora o doce político que é substituir homens do nível de Vieira da Silva e Mário Lino o certo é que ambos agoniam na sua própria nulidade e incapacidade.


Helena André serviu de carne para canhão no entendimento Sócrates/Passos Coelho para os cortes nos apoios sociais que entraram em vigor no dia 1 de Julho. Questionada sobre quais os ganhos financeiros do Estado com essa política, seguiu o exemplo do seu líder, e disse que não sabia. Dias mais tarde, questionada sobre quantas pessoas seriam afectadas com os cortes, a Ministra deu a mesma resposta. É o retracto da imbecilidade política que não consegue encobrir a opção puramente ideológica do PS nas questões do trabalho e da segurança social (não fosse, claro, a UGT a sua escola política) e que se manifestou mais uma vez esta semana. Perante os números do desemprego divulgados pelo Eurostat, Helena André recusou-se a comentar e disse que “vamos ver como a Economia se comporta”. Não há dúvida que a política do silêncio de Cavaco já vai fazendo escola na política portuguesa.


António Mendonça, esse nem vê-lo. Desmentido e desautorizado por Sócrates e Teixeira dos Santos na questão do TGV nem sequer se fala nele no problema das SCTUS, sendo Lacão o escolhido para segurar a trapalhada das trapalhadas do PS. António Mendonça não existe como Ministro.


Não admira, Sócrates manda e manda mesmo. Como o consegue é um problema do PS, fazer com que deixe de mandar é um problema nosso.

6 de junho de 2010

40 horas de Serralves. Precários em Festa?


A manhã começou cedo e milhares de pessoas têm estado a entrar para a iniciativa Serralves em Festa.

Os Precári@s Inflexíveis e o FERVE não quiseram deixar de estarem presentes para denunciar o despedimento de 18 recepcionistas de Serralves que estavam a falsos recibos verdes segundo um relatório da própria Autoridade para as Condições de Trabalho.

Exigimos que seja reposta a legalidade e que estes trabalhadores sejam integrados nos quadros de pessoal da Fundação de Serralves, e não somos os únicos. Para além de um abaixo assinado de dezenas personalidades, temos estado a recolher centenas de assinaturas à porta de Serralves das pessoas que querem estar na festa da Fundação mas que não esquecem que Cultura é também Solidariedade!

No final do dia tínhamos já distribuído mais de 8.000 panfletos e recolhido 650 assinaturas. Foram muitas as pessoas com quem contactamos e que se solidarizaram com os trabalhadores de Serralves, repudiando a atitude cobarde e ilegal da Fundação!

Via: http://www.precariosinflexiveis.org/

31 de maio de 2010

Dica de Leitura: Adeus ao trabalho?




Qual é hoje a ‘classe-que-vive-do-trabalho’? A diminuição do operariado tradicional, fabril e industrial da era do fordismo, leva a perda de referência do ser social que trabalha? Que futuro para a actividade sindical? A categoria trabalho não é mais dotada do estatuto da centralidade, no universo de práxis humana existente na sociedade contemporânea?

Publicado em 1995, "Adeus ao trabalho?" continua a ser uma obra actual e incontornável no combate ao discurso do management e do empreendedorismo. Em tempos de ataque brutal ao valor do trabalho, Ricardo Antunes, o seu autor, dá-nos uma análise ainda actual e que, bem apreendida, bem pode servir de petardo ideológico em muitos ouvidos de tendências liberais.

26 de maio de 2010

Momento AXE



Empresas lusas em Wall Street tentam "vender melhor Portugal" a grandes investidores: Em Wall Street, representantes das empresas portuguesas cotadas no PSI20 estão envolvidos numa "acção de charme", num dia em que também se tenta explicar as medidas que o seu Governo tem tomado (1)

Presidente do Banco Alimentar diz que há cada vez mais famílias a pedir ajuda (2)

Juntando a isto o endividamento em 135% por parte das famílias portuguesas, os 2 milhões de pobres, os mais de 10% de desempregados, o milhão de desempregados...

"Espero" que tenham levado desodorizante e perfume suficiente.

3 de maio de 2010

Ide gozar com outros…

Diz-nos a humilde sindicalista UGTIENSE, agora ministra do trabalho, que é necessário reduzir o valor real do subsídio de desemprego (para o limite de 75% do ultimo salário) e que esta proposta faz parte de um conjunto de medidas que tem o objectivo rever o regime de subsídio de desemprego com o objectivo de “promover um mais rápido regresso à vida activa”.

Esta afirmação tem a ideia subjacente de que os desempregados são uns preguiçosos e que se estão a marimbar para as ofertas de trabalho. Esse é o raciocínio mais estúpido e mais reaccionário que existe. É o discurso do populismo hipócrita do CDS e de toda essa direita demagógica e mesquinha.

Portugal tem quase 600 mil pessoas sem emprego e ainda que haja uma minoria que prefere ganhar a prestação social (que é deles por direito por descontaram para a ter) a trabalhar, não se pode aplicar um critério generalizável que mais não é que uma perseguição política aos desempregados, como se fossem estes os responsáveis pela crise.

E que não venham com o discurso do défice que parece que serve para tudo e mais alguma coisa, segundo Helena André a proposta não visa gerar poupança…

Eu gostava de por a ministra e os secretários de estado na rua, só para ter a certeza que eles iriam trabalhar para esses milhares de empregos que supostamente os desempregados não querem.



Haja um mínimo de clarividência e seriedade:


25 de abril de 2010

A minha geração

Sou da geração pós-25 de Abril. Uma geração que não viveu a luta anti-fascista que se fez durante o Estado Novo nem o confronto intenso de ideias nos primeiros anos de democracia parlamentar. Sou da geração que toma tudo o que tem como adquirido e imutável, desde as eleições até ao direito de se reunir, organizar e protestar. Sou duma geração que já pode escrever o que pensa sem ter receio da censura e de represálias e que tem tudo garantido. Será?

Quando nasci, não havia propinas. Graças ao 25 de Abril e à luta da Esquerda, estudar em Portugal era gratuito, como continua a ser em vários países da Europa. Hoje em dia a esmagadora maioria dos jovens em idade de estudar não tem dinheiro para pagar a 3ª propina mais cara da UE. Em 2010 já mais de dez mil estudantes se endividaram, como eu, para ter acesso ao conhecimento porque, ao contrário de países como a Grécia, ter direito a bolsa é cada vez mais uma miragem. A Constituição que Abril nos deu garante o Ensino Superior como tendencialmente gratuito. Pagamos 1000 euros por ano só em propinas, sem contar com todos os gastos em livros, alojamento, comida, etc. É este o nosso mar de rosas.

Por isso, a grande parte dos jovens portugueses é explorada num trabalho precário. Os trabalhadores-estudantes povoam os call-centers e as filas para um "trabalho temporário". No PREC todos os partidos queriam o pleno emprego, a possibilidade desse emprego ser estável, direito humano básico. Hoje, tudo desmoronou. É o próprio Estado a contratar centenas de milhares de funcionários a falsos recibos verdes, a legitimar o crime e o abuso. São poucos os jovens que esperam ter um emprego depois de terminarem o curso. Sabem que podem "safar-se" aqui e ali, mas ninguém sabe como vai pagar a bola de neve que é o empréstimo de Gago e Sócrates. Os nossos pais começaram com nada, nós começamos com um fardo de milhares de euros em dívida. É este o nosso mar de rosas.

Agora para nos dar uma ajuda, o PS apresenta-nos o PEC: cortar nos apoios sociais, vender empresas públicas que dão lucro e que são bem geridas. A pouco e pouco, o PS vai convergindo com a estratégia neoliberal para vender - mesmo - tudo o que é de todos para dar a muito poucos, muito ricos.

Perspectiva-se uma vida cada vez mais difícil para a minha geração, nada está garantido e os representantes dos patrões estão no poder e não têm escrúpulos. Mas não nos podemos submeter ao consenso mole que nos é imposto e que nos quer fechar entre quatro paredes de conformismo, sem janelas para outra vida, para outro mundo que é possível.

Esta é a luta dos jovens de hoje: reconstruir e expandir a democracia pela qual os nossos pais lutaram e que a agenda neoliberal quer destruir.