22 de dezembro de 2011
29 de julho de 2011
China: microblogging revolution

Não, ainda não começou nunhuma revolução que recupere a China para o socialismo. A colossal extorção da mais-valia à sombra da bandeira vermelha e da mão de ferro dos militares-empresários está para continuar, até o impossível voltar a acontecer. Quanto à expressão "microblogging revolution", ela é da autoria do supracitado Zhan Jiang.
Tudo isto vem a propósito da forma como o microblogging fura a censura chinesa, de como factos importantes sobre o acidente com um comboio de alta-velocidade na passada semana foram trazidos a público através desses meios, contra a vontade das autoridades e para seu embaraço.
Não é difícil adivinhar impacto social de posts como estes no microblogging chinês: “I just watched the news on the train crash in Wenzhou, but I feel like I still don’t even know what happened. Nothing is reliable anymore. I feel like I can’t even believe the weather forecast. Is there anything that we can still trust?” (blogger da província de Hubei)
Nada menos que 26 milhões de mensagen davam detalhes do acidente através dos weibos, expressão chinesa usada para nomear os microblogs. Sina Weibo é o mais popular mas conta com um importante rival: Tencent (sobre esta rivalidade no mercado ver: Weibo Wars – Tencent vs.Sina).
Rivalidades do microblogging à parte, este meio está a revelar-se fundamental na luta contra a censura na China. As fugas da livre expressão vai dando frutos: uma ordem dada pelos burocratas do regime aos advogados locais para não aceitarem queixas das famílias das vítimas veio a ser retirada, depois da massiva divulgação dos (assim tornados) indesmentiveis casos (ver mais aqui).
5 de novembro de 2010
Os novos rumos do dragão
Apesar das teses ainda serem secretas, avizinham-se algumas alterações, que são essenciais para a China se solidificar como superpotência no cenário internacional e reduzir a sua dependência em relação ao exterior.
Após largos anos de crescimento económico essencialmente baseado na exploração intensiva da mão-de-obra barata e exportações a baixo custo, a nomenclatura chinesa parece estar fortemente inclinada em expandir socialmente os frutos desse mesmo crescimento.
O que passará pelo desenvolvimento de políticas de aumento do consumo e da procura interna, de forma a reduzir a sua dependência perante o exterior, e por outro lado aumentar o poder de compra da sociedade chinesa.
Destas intenções podem-se retirar várias ilações, existe a vontade em criar uma classe média forte no país, que é essencial para servir de tampão à crescente luta de classes, e desta forma prolongar a sobrevivência da via chinesa do capitalismo como a conhecemos. Economicamente isto também significa reduzir o ritmo do crescimento, uma vez que o valor do trabalho terá que aumentar e os investimentos em assistência e apoio social também.
A grande questão é, como é que a economia chinesa se vai comportar com esta alteração, caso ela se revele significativa? O mais certo, e o PCC sabe disso, é vir a existir um período de quebra da economia chinesa, enquanto o consumo interno não substitui uma provável perda da competitividade das exportações, fruto do aumento do custo do trabalho, em relação a outros países em vias de desenvolvimento onde a proletarização é superior.
Politicamente também se esperam mudanças. Há duas semanas, 23 ex-dirigentes dos PCC publicaram uma carta aberta onde reivindicaram reformas políticas no regime afirmando "Caso não seja reformado, irá morrer de morte natural”. Também o actual primeiro-ministro Wen Jiabao disse que até 2012 tudo faria para que se executassem reformas de abertura política no país. O mais curioso deste facto, é que estas mesmas declarações foram censuradas e não passaram na televisão estatal chinesa.
No entanto não se espera que estas mudanças sejam mais do que a necessidade do próprio sistema garantir a sua sobrevivência e a sua reprodução futura, de forma a não eclodir com as frinchas e as tensões que as suas contradições criam.
Por último, e para esclarecer as dúvidas ao candidato presidencial Francisco Lopes, a China continuará a aprofundar o seu capitalismo. A mais que certa ascensão de Xi Jinping, um adepto entusiasta da economia de mercado, a Presidente é um sinal claro disso.
Publicado na Comuna.Net
11 de outubro de 2010
PCP: sempre pronto para não nos surpreender
24 de setembro de 2010
Estamos em Guerra

A voracidade dos dominantes é tal que a guerra aos povos é cada vez mais evidente.
(Artigo escrito a propósito do Dia Internacional da Paz/21setembro)
Venderam-nos (e comprou quem quis) a ideia do “Fim da História”, do triunfo da triologia da democracia liberal, economia de mercado e (“consequente”) paz mundial. As guerras “étnicas” ou “humanitárias” dos anos 1990 eram apenas “excepções”, últimos vestígios dos modelos ultrapassados.
Com o 11 de Setembro, veio a declaração da guerra geral ao “Terrorismo” (conceito “utilmente” indefinido no Direito Internacional) e sob essa bandeira suspenderam-se direitos e garantias, na esfera interna – o caso do Acto Patriótico nos EUA – e invadiram-se estados: o Afeganistão e o Iraque.
Vinte anos depois da queda do Muro de Berlim, a realidade não é a do “Fim da História”, o “Choque de Civilizações” não impede “negócios da China” ou das Arábias, o “Império” sem centro de Negri é pura miragem face ao papel fundamental do estados e suas organizações na guerra, na desregulação financeira, no socorro à banca e no endossar de ataques especulativos como aquele que está em curso contra o euro e os povos europeus.
É igualmente verdade que o mundo de hoje já não é o da teoria do imperialismo de Lenine, o imperialismo do choque entre potências que derivava da existência das burguesias nacionais monopolistas. Hoje, na era das corporações transnacionais, existem burguesias com interesses transnacionais que, ainda assim, não abrem nem podem abrir mão do poder que exercerem através dos vários estados. Note-se que os americanos vêem, hoje, com bons olhos e sem desconfiança o investimento europeu na defesa (querem dividir os custos da guerra e até lucrar mais alguma coisa na venda de material bélico). E as outras potências e organizações internacionais são vistas como parceiros necessários e desejáveis.
O imperialismo persiste, mas sob outra forma. Alcançou a dimensão Global, aperfeiçoou-se, mas também encontrou novas contradições e novas rivalidades. A tendência não é para a Guerra entre potências imperiais (como era no tempo de Lenine); agora a tendência é para ‘a guerra unida das potências contra todo o mundo, contra todos os povos’: desde a guerra entre a Finança Global e as economias nacionais às guerras coloniais no Iraque e na Palestina ou mesmo à guerra ao Estado social e à perseguição de minorias étnicas, como ilustra o recente caso dos ciganos em França.
Os impérios e a hegemonia burguesa trazem às subjugadas e aos subjugados uma aparente paz que mais não é que a cristalização/normalização das violências da ordem estabelecida. Mas nem mesmo essa 'paz aparente' dura. A voracidade dos dominantes é tal que a guerra aos povos é cada vez mais evidente. A luta política e social pela hegemonia das exploradas e dos oprimidos é fundamental para a defesa e o aprofundamento da democracia e para a conquista de uma paz que abra caminho a um mundo onde o livre desenvolvimento de cada um e cada uma será condição para o livre desenvolvimento de todas e todos.
Nota: também publicado aqui.
1 de junho de 2010
Todos os caminhos vão dar à China
Chinese Premier Wen Jiabao(C), Prime Minister Jose Socrates of Portugal(L), which currently holds rotating presidency of the European Union, and European Commission President Jose Manuel Durao Barroso(R) hold the 10th China-EU Leaders' Meeting Wednesday in Beijing, Nov. 28, 2007.(Xinhua Photo)Porém, eu não me recordo quando foi a última vez, que um Primeiro-Ministro (do PS ou do PSD), que um líder ou Presidente de um Partido de centro ou de direita criticou o regime Chinês. O que é certo, é que tudo lá vai fazer vénias. Do CDS até ao PCP.
Afinal de contas: Não importa se o gato é preto ou branco, desde que ele cace os ratos - Deng Xiaoping
Todos por convicção ideológica idolatram a China, uns pelo farol, outros pelo PIB que cresce a dois pontos percentuais ao ano.