21 de outubro de 2011
o daniel oliveira e o tiago santos andam uns fofinhos
16 de outubro de 2011
o reitor da UMinho é um fofinho

1. Não são permitidas, nos campi, ações, habitualmente designadas por "praxe académica", que configurem ofensas à integridade e dignidade humanas;
2. Não são permitidos atos que limitem ou dificultem a participação dos novos alunos nas atividades pedagógicas com as quais estão comprometidos;
3. Não são permitidas manifestações que, pelo ruído que provocam, perturbem o normal funcionamento das atividades académicas.
22 de outubro de 2010
"porque é que a praxe existe? Porque sim!"
A praxe académica enquanto conceito, nos nossos dias, surge como resposta à necessidade de integração de estudantes no novo tipo de ensino, o ensino universitário. Mas ela não surge assim. Desde a institucionalização da praxe, na Universidade de Coimbra, muita alteração se fez ao objectivo da praxe, e à sua prática real. Desde a sua proibição por D.João V - "Hey por bem e mando que todo e qualquer estudante que por obra ou palavra ofender a outro com o pretexto de novato, ainda que seja levemente, lhe sejam riscados os cursos."-, a praxe sofreu no século posterior, século XIX, uma alteração profunda caracterizada pelo aumento massivo da violência. Só a implantação da República parou a violência praxista. A praxe é recuperada, embora de uma forma diferente, no Estado Novo e novamente é abolida consensualmente a seguir ao 25 Abril, fruto de tempos em que as lutas eram outras…
A praxe, como a conhecemos hoje, é fruto do seu ressurgimento pós Abril, em particular fruto massificação praxista dos anos 70. No Porto, como em Coimbra, em Lisboa, em Évora, a praxe foi (re)implantada ou, no caso especifico de Lisboa, implantada mais seriamente. Esta (re)implantação foi acompanhada pela tomada das Associações Académicas pelas juventudes partidárias do PS e do PSD. Associações Académicas, que mesmo não sendo comissões de praxe, são importantes estruturas de base e apoio da cultura praxista. Com a massificação da praxe, enquanto meio de integração segundo as comissões de praxe, os rituais institucionalizam-se, as hierarquias ganham força, os rituais multiplicam-se de ano para a ano, e cria-se uma tradição académica de praxe. É essa a tradição com que quase todos os estudantes de primeiro ano na faculdade se deparam.
Mais que fazer uma análise histórica do que foi a praxe, interessa-me interpretá-la no hoje. Como é a praxe hoje? Como se processa? Com que objectivos? A quem serve? A praxe deve existir como meio de integração no meio universitário?
- A praxe não é livre. A maioria dos estudantes gosta da praxe e vai à praxe. Isso não a legitima por si só. O que acontece a um estudante que se declara anti-praxe? Tem o mesmo tratamento pelos colegas de curso mais velhos? É convidados para jantares de curso e outras formas de convívio estudantil? Um estudante anti-praxe é um estudante por norma excluído dos convívios de curso e das formas de socialização que se fazem entre os cursos. É mal visto e por isso poucos se declaram anti-praxe, por medo de represálias académicas.
- A praxe é hierárquica. A praxe onde ela está mais fortemente implantada, e destaco muito especificamente a Universidade da Beira Interior, é uma praxe com uma hierarquia muito forte e rígida. O que é que legitima a autoridade hierárquica? O número de matrículas. Para ser mais específico e falar com os termos correctos, quanto mais cadeiras os estudantes deixam para trás e mais acumulação de matrículas têm, mais poder têm na praxe. Na gíria: quanto mais burro mais poderoso! A praxe aproveita-se de uma falsa hierarquica – falsa porque apenas existe dentro dos códigos de praxe -, e a pretexto dessa hierarquia hipótetica, legitima actos de violências, humilhação e subjugação.
- A praxe é violenta fisicamente e psicologicamente. A melhor realidade para descrever é a que observamos. E quanto saímos à rua e damos de cara com a praxe, assistimos à realidade concreta. Os veteranos, grão-mestres, doutores, bispos, e todos esses conceitos praxistas, aplicam sobre os caloiros – ai sim, o conceito é geral -, torturas psicológicas, muitas vezes físicas, que se aproveitam de estigmas e preconceitos pré concebidos para humilhar e subjugar, entre berros, ofensas, ataques pessoais e muitas outras dissimulações absurdas. As praxes aproveitam-se das fragilidades pessoais. Em Castelo Branco há caloiros a dar linguados a porcos (porcos não estou a falar de alguns praxistas mas do animal mesmo), na Covilhã caloiros simulam orgasmos (mesmo que seja sem contacto algum). Em Lisboa caloiros rebolam em lama. No Porto simula-se sexo com uma árvore e fecham-se estudantes em fábricas durante todo o dia. Em Coimbra estudantes (quer dizer…, caloiros) que saiam à rua a partir de determinada hora e sejam apanhados cortam-lhe o cabelo. E já para não falar dos exemplos clássicos de uma rapariga que foi violada, ou outra que ficou durante um dia cheia de bosta de vaca ao sol… Os exemplos são tanto!!!
- A praxe ilusória. É obvio que cria uma dinâmica grupal entre os caloiros importante para o resto dos anos. Mas, mais uma vez, isso não serve como legitimação. A praxe esconde um dado muito importante: é possível criar dinâmicas grupais entre cursos que não se baseiem em praxes. Aliás, há exemplos concretos: visitas à universidade promovidas pelos núcleos de curso, jantares alargadores de cursos, jogos, tertúlias, chill-out sessions, noites de copos, acções culturais, enfim há todo um campo vasto de ideias por explorar. E a isso os membros das comissões de praxe nunca responderam nem nunca quiserem responder.
- A praxe é machista. Em inúmeras praxes existe uma submissão da mulher perante o homem. Seja ao nível da submissão sexual, seja a exploração da opressão machista, seja às praxes em que o objectivo é a mulher dançar para um veterano, ou um caloiro simular uma conversa de “engate” a uma caloira, ou os desfiles de caloiras com pouca roupa em discotecas e bares.
- A praxe é brutalmente homofóbica. Em quase todas as canções e hinos de praxe se exorta a opressão homofóbica. Em todas as letras das músicas de curso são metidas palavras e expressões como gay, paneleiro, maricas, levar no cú, ou outras insinuações rascas que escondem um preconceito brutal, que é altamente opressor para com homossexuais e degradante, ainda por cima dito por pessoas adultas a estudar no ensino superior!
- A praxe não é democrática. Aos caloiros os dados são impostos e não discutidos. A ninguém é perguntado “olha queres fazer esta praxe?”, “caloiro, tem alguma objecção a olhar para o chão quando fala com estudantes com mais matriculas?” ou qualquer outra pergunta deste género. O caloiro faz, simplesmente porque sim, sem justificação e nem tem o direito de perguntar nada. São “regras” dizem eles.
Por todas estes argumentos e dezenas de outros que não descrevo, e por toda a realidade que vejo como estudante em Lisboa, que conheço por relatos de amigos em Coimbra, que conheço por relatos de amigos no Porto, que conheço por relatos de amigos em Braga, que conheço por relato de amigos em Évora, que conheço concretamente na cidade da Covilhã, que a minha rejeição à praxe é absoluta. O que a realidade concreta me mostra é que a praxe é uma forma medieval de opressão e de submissão pré laboral, de aproveitamento de preconceitos e de fraquezas pessoais, de exploração de fragilidades e de diferenças entre as pessoas, e de subjugação não-livre à vontade de alguém que não tem autoridade nenhuma. Numa Universidade livre a praxe não tem de existir.
Eu rejeito a praxe numa frase: porque é que a praxe existe? Porque sim!
Originalmente publicado na Mafia da Cova
27 de setembro de 2010
A praxe como fonte de alienação

Dois mundos antagónicos entram em confronto mal entramos em qualquer estabelecimento do ensino superior português: de um lado, o futuro, as pessoas em cujas mãos se encontra o futuro da ciência e de quem se espera uma força interventiva nos problemas sociais; do outro, o passado, a tradição medieval, o hábito que de forma tão nua faz lembrar os tempos cruéis do feudalismo. De um lado, a ideia errónea de que as instituições de ensino são palco privilegiado de democracia. Do outro, a pintura negra e cadavérica que tão facilmente nos mostra quem deve mandar e quem deve obedecer.
Entrar neste jogo de poder implica abdicar da própria personalidade. Implica a submissão cega a alguém que, por razão nenhuma, terá a legitimidade de ordenar. Os perigos da atribuição de poder às cegas, baseando-se simplesmente num número de matrículas que nada diz a nível ideológico, que nada mostra acerca de pretensas capacidades dirigistas, são ignorados. Os perigos desta atribuição irreflectida são enormes. As consequências, catastróficas. O resultado é, como jamais poderia deixar de ser, um esvaziamento ideológico e a contraposição entre conhecimento, que devia ser gerado nas instituições de ensino, e ignorância, que tantas vezes é apregoada por trajad@s e obedientes.
A praxe não é integração. Está finalmente na hora – passa até da hora limite – de dizermos não a esta prática hedionda. E está na hora de deixarmos de fechar os olhos a esta prática horripilante que peca pela crueldade e pela hierarquia bárbara que apresenta. Actuando, muitas vezes, sob o rosto inofensivo da tradição estudantil, a praxe tem servido para perpetuar um sistema em que há grandes e pequen@s, exploradores/as e explorad@s. Dentro deste panorama ideológico, observamos ainda a perpetuação do machismo e da homofobia nas várias instituições em que a praxe ocorre.
A praxe reflecte, queiramos ou não, admitam ou não, o que de pior há na sociedade. A praxe, obedecendo a uma estúpida lógica de obediência cega, acaba inevitavelmente por explorar as fragilidades de toda a sociedade. As discriminações, ao invés do que devia acontecer nas escolas, que deviam ser espaço de aceitação, democracia e igualdade, crescem e são expostas cruamente. E até aquelas pessoas que, no seu íntimo, têm alguma noção dos problemas do mundo e, de facto, os querem resolver, acabam a participar neste erróneo jogo de grupo que nada mais faz que enaltecer a sarjeta entre frac@s e fortes, tal é a capacidade de alienação desta pretensa brincadeira colectiva. Assim, o machismo impera - e fá-lo da forma mais vil. O machismo impera através de canções, de gestos, de posições. O machismo impera através de todo um grupo, composto por homens e mulheres, que pretende enaltecer uma pretensa superioridade do homem em relação à mulher. O machismo impera em cada palavrão, em cada gesto, em cada rima. E não, não é uma brincadeira. É simplesmente o que acontece quando um grupo tem poder, quando outro deve ser obediente. É a exploração, tão estupidamente feita, do que devia ser entendido. O machismo impera porque a praxe funciona como muro que divide o mundo - em oposição ao mundo real e aos problemas reais da divisão de classes - em géneros, como se essa fosse a questão principal. Como se fosse, aliás, uma divisão real. E é esta incompreensão de que o mundo não está dividido entre homens e mulheres que nos mostra a praxe em todo o seu esplendor, que nos mostra a praxe em toda a sua crua estupidez. Com o machismo, acabará por vir, claro está, e impossível seria que tal não acontecesse, a homofobia. E aqui vemos a homofobia no seu expoente máximo, no seu estado mais degradante. Seja na típica forma de machismo obtuso e execrável que nos diz que o típico homem machão tem e viola as mulheres que quiser, seja simplesmente no insulto fácil e tão revelador de fracas capacidades intelectuais.
Porque a praxe se apresenta com centenas de participantes, sob uma máscara falsa de pretensão de integração, a adesão é e será forte enquanto não houver alternativa e enquanto este assunto não for levado à discussão pública. Muito fácil é levar estudantes a participar nela assim que entram num mundo novo, num mundo que, por desconhecido ser, pode assustar. Resta-nos, por isso, construir a alternativa e desmistificar a ideia de que a praxe é a integração suprema e de que, sem a praxe, @s estudantes não serão integrados no meio estudantil.
A praxe não deve jamais ser vista como modo de integração, porque a praxe não integra. Não devemos jamais cair na ilusão de que uma actividade cuja clivagem entre grandes e pequen@s é deste modo colossal poderá integrar. Sem o símbolo da igualdade, sem a relação de igual para igual, a praxe não será jamais uma ferramenta de integração. Não devemos deixar que a correlação entre @s estudantes se baseie no número de matrículas que têm na instituição de ensino superior que frequentem. E muito menos devemos deixar que um grupo mande de forma crua e cruel só porque é a tradição.
Há uma alternativa. Uma alternativa que passa por deixar que a integração suceda sem lama, sem insultos, sem machismos, sem homofobias, sem lágrimas e sem humilhações. Uma alternativa em que @s estudantes do primeiro ano são estudantes do primeiro ano e não caloir@s. Uma alternativa em que @s estudantes com três ou mais matrículas são estudantes com três ou mais matrículas e não doutorad@s ou engenheir@s. Uma alternativa que opta por dar o universo estudantil às e aos estudantes da forma que lhes é devida.
Para que esta alternativa se torne na medida corrente, devemos entender a importância desmesurada desta luta, porque esta é a luta contra os excessos, contra as desigualdades, contra as humilhações, contra os abusos de poder. Esta é a luta que passa também pelas lutas pela igualdade de género e pela liberdade sexual.
Com uma presença forte do símbolo anti-repressão e anti-totalitarismo, menos estudantes se sentirão na obrigação colectiva de participar nesta tradição asquerosa e de carácter quase fascista. Em conjunto, devemos mostrar que há uma voz que diz que tod@s somos iguais. Em conjunto, devemos, em relevo e a cores, dar vida à alternativa que queremos, alternativa essa que pugna pela igualdade e que rejeita e despreza qualquer tentativa de subordinação de populações alienadas.
Não podemos deixar que sejam as escolas os palcos de toda esta vileza. Não podemos deixar que sejam as escolas, espaços que deviam ser palcos privilegiados de aprendizagem, respeito e democracia, os locais em que se assiste, de forma tão desmesurada, à diferença entre grandes e pequen@s. E muito menos devemos deixar passar em claro este sistema que é, afinal, cheio de ideologia. E devemos lembrar-nos sempre de que deixar que os valores da praxe passem para a sociedade extra-escola nos levará a um mundo em que não haverá respeito, democracia ou igualdade. Estes três últimos devem ser sempre a luta da qual não podemos desistir. E teremos de saber que o socialismo também se faz aqui. Como, aliás, em todo o lado.
Não devemos cair no erro de ter um concepção meramente metafísica ou meramente dialéctica do mundo. Este é um dos casos em que teoria e prática tão magistralmente se casam. A praxe está cheia de ideologia e cabe-nos vencê-la. Vencer estas práticas de submissão, vencer este meio de discriminação. Cabe-nos agir. Agir sempre e na consciência de que @ verdadeir@ revolucionári@ se rege por ambos, por teoria e prática, por muito estudo, por muita força. Esta pujança e este ideal deverão estar nas lutas que tão fenomenalmente almejamos vencer.
Publicado em http://braga.bloco.org/index.php?option=com_content&task=view&id=975&Itemid=1
9 de setembro de 2010
O meu elogio ao CDS/PP - JP
Por mais que me custe, vou ter que elogiar uma iniciativa do CDS/PP e da Juventude Popular, mais concretamente a Concentração/Acampamento Ambiente e Natureza. É que tanta criatividade e originalidade é mesmo difícil de encontrar entre as demais iniciativas e actividades partidárias, qual Chão da Lagoa, Festa do Avante, Socialismo 2010, Pontal, Universidade de Verão ou Matosinhos ...Em Abrantes é que vai ser, por apenas 20€, pode-se participar em actividades como: Taça JP e CDS - PP de poker e sueca; Torneio de pólo aquático entre jotas e menos jotas; Concurso para agarrar uma ovelha; Construção com fardos de palha; Baptismo de praxe dos novos militantes da JP de Abrantes; entre outros...
Como é óbvio, todas as actividades dão direito a prémio, como não poderia deixar de ser, o mérito de se conseguir agarrar uma ovelha ou de se fazer a melhor construção com fardos de palha tem que ser premiada.
