Mostrar mensagens com a etiqueta Anders Behring Breivik. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Anders Behring Breivik. Mostrar todas as mensagens

4 de agosto de 2011

desta vez foi um loiro de olhos azuis


Graças à crueldade crua de gestos hediondos, o nome de Anders Brevik será recordado muito para lá dos limites fronteiriços da Escandinávia e a frieza da violência que exerceu terá de acordar, finalmente, a consciência colectiva. Convém, no entanto, que a monstruosidade dos seus actos desumanos não iluda nem abafe a capacidade intelectual humana que alicerçou politicamente cada vida desperdiçada. Planos meticulosos não são obras de doidos, chacinas não são passatempos de monstros animados. Mil e quinhentas páginas mostram-nos que, escondida pela monstruosidade humana, está a extrema-direita a espreitar. Brevik não foi só um maluco que se lembrou de andar aos tiros sem saber o que fazia. Brevik foi movido por ideias políticas repugnantes e foi isso que fez dele um monstro.

Um monstro, sim, mas que a monstruosidade não se esconda na loucura, que a monstruosidade não se iluda na loucura. Que esta hediondez escancare portas e janelas para a percepção mais pura do que é o terrorismo e de como ele se alicerça e não existe só nos barbudos encapuçados do Médio Oriente. Andreas Brevik é loiro, tem olhos azuis e é do mais execrável que a espécie humana alguma vez produziu. Como, aliás, qualquer asqueroso elemento da extrema-direita.

Com sistemas políticos que, volta e meia, lá vão explorando e estimulando o ódio, não será talvez de pasmar que este tipo de nojo humano lá vá tendo atitudes deste género. E, como o preconceito e o ódio são cegos e carniceiros, podemos concluir que já ninguém se safa da estupidez.

No meio disto tudo, realce-se o gesto bonito de Brevik ter pedido um psiquiatra japonês.

3 de agosto de 2011

Guns need hate as ammunition: Solidariedade com a Noruega


Acaba de ser lançada uma petição de solidariedade com as vítimas dos atentados na Noruega, promovida por várias organizações (lista no fim do texto), que está disponível AQUI para recolha de assinaturas individuais.

Será dado conhecimento da iniciativa a várias organizações sociais norueguesas

Acompanhámos, num misto de choque, fúria e profunda tristeza, o horror que aconteceu em Oslo e Utoya no dia 22 de Julho. Antes de mais, pensamos, obviamente, nas vítimas, famílias, amigos e camaradas. Aceitem as nossas mais sentidas condolências e solidariedade.

Enquanto activistas de diferentes movimentos sociais e políticos portugueses, estendemos as nossas condolências à Liga dos Jovens Trabalhistas e também ao povo norueguês. E ainda a todos aqueles que, como nós, na Europa e no resto do mundo, compreendem a ameaça representada por ideologias racistas, xenófobas e fascistas, sobretudo quando encontram eco nos discursos e crenças políticas que nos entram pelas casas dentro todos os dias.

Quando se vota no ódio e na exclusão, quando líderes políticos põem em causa os valores do multiculturalismo, quando as minorias são transformadas em bodes expiatórios para os erros de sistemas políticos que promovem a exclusão e a discriminação, o ódio passa a ser aceite na política. E as armas precisarão sempre do ódio como munição.

Podia ter sido qualquer um de nós. Por isso, a maior homenagem que podemos prestar a todos os que morreram, ficaram feridos ou perderam entes queridos é o nosso compromisso com a luta pelo respeito, diversidade, justiça e paz e por uma sociedade verdadeiramente democrática e inclusiva. Responderemos com mais democracia.

Artigo 21.º * Associação 25 de Abril * Associação Abril * Associação República e Laicidade * ATTAC Portugal * Bloco de Esquerda * Convergência e Alternativa * Crioulidades - Arte e Cultura na Diáspora * Fartos/as d'Estes Recibos Verdes * M12M * Movimento Escola Pública * Não Apaguem a Memória * Opus Gay * Panteras Rosa * PES Portugal * Portugal Uncut * Precários Inflexíveis * Rainbow Rose Portugal * Renovação Comunista * Sindicato dos Professores da Grande Lisboa * União de Mulheres Alternativa e Resistência * Vidas Alternativas

P.S. – O Adeus Lenine pede a todos que por aqui passarem que ajudem a divulgar esta iniciativa nos seus blogues.

2 de agosto de 2011

Raptaram-nos a silly season

A tradicional “época dos incêndios” (seja o que isso for), as operações stop, as pré-épocas dos clubes de futebol, as demais peripécias em zonas balneares e a capacidade de elasticidade informativa dos meios de comunicação habituaram-nos a rechear o espaço público português. Tudo o resto que faz o mundo girar adiava-se até Setembro, o presente solene ficava a cargo dos bombeiros, nadadores-salvadores, polícias e jornalistas sem direito a férias, no entanto, parece que em ano de crise até o catolicismo da silly season foi obrigado a fazer o seu concílio.

Não é que não tenhamos o supracitado em abundância, sem qualquer desprimor pelo suor dos actores sociais em acção, mas parece que este Verão ficará teimosamente na história sem qualquer influência do mau humor de S.Pedro. As razões são várias com raízes profundas em várias estações transactas.

A continuação pode ser lida no esquerda.net

25 de julho de 2011

Diz que é dos videojogos... e a "nova" xenofobia razoável.






A xenofobia soft já está a criar o seu argumento para o "filme" do autor confesso dos atentados de Oslo: «His rage, fed by video games, may also have been caused by the lack of real debate on the radical changes caused by a multiculturalism.»

Entre outros elementos desse discurso, considero que entrar em contabilidades sobre quem matou mais é vergonhoso: «The thousands and thousands of people murdered by (radical) Islam should weigh heavier than these 92 deaths.» Como se matar uma pessoa não fosse de mais. Justificam-se os crimes com contabilidade de cadaveres? A existência de crimes de fascistas islâmicos justifica que se feche os olhos ao crecimento de uma extrema-direita anti-islâmica na Europa?

Mas neste momento, preocupa-me principalmente a teoria da "xenofobia razoável". É disso que trata a primeira citação, que é aliás uma amostra desse discurso. Uma forma do método polícia-bom/polícia-mau: para evitar a violência subjectiva e sangrenta dos "anti-muçulmanos hard core", há que aplicar uma política anti-muçulmana soft, ou seja, há que aplicar uma violência objectiva/estrutural de barreiras legais à cultura e às pessoas muçulmanas: desde pribições de minaretes na Suiça (rever aqui) às leis anti-imigração selectivas.

Temos de estar atentos e politicamente atuantes, pois ressurge perigosamente uma política da "xenofobia razoável", da mesma linhagem do "anti-semismo razoável" de Robert Brasillach proclamado em 1938:

“Nós nos permitimos aplaudir Charlie Chaplin, um meio judeu, nos cinemas; admirar Proust, outro meio judeu; aplaudir Yehudi Menuhin, um judeu; e a voz de Hitler é carregada por ondas de rádio que receberam seu nome do judeu Hertz (…) Nós não queremos matar ninguém, nem queremos organizar nenhum pogrom. Mas também pensamos que a melhor maneira de conter as sempre imprevisíveis ações do anti-semitismo instintivo é organizar um anti-semitismo razoável.”





23 de julho de 2011

Atentados em Oslo ou o que fazer contra a extrema direita?






O duplo atentado na Noruega chegou a ser atribuído (por impulso do discurso dominante sobre o terrorismo) aos fundamentalistas islâmicos.

Entretanto, os pelo menos 92 mortos (mais de 80 mortos no acampamento de jovens do Partido Trabalhista na ilha de Utoeya e os 7 mortos e 2 feridos do atentado à bomba em Oslo com que a tragédia começou) são atribuídos ao suspeito membro da extrema-direita norueguesa chamado Anders Behring Breivik. Trata-se de um europeu nórdico de 32 anos, fundamentalista cristão, anti-islâmico.

O relatório da polícia de segurança interna da Noruega PST para 2011 assinalava que “um aumento da actividade dos grupos anti-islâmicos pode conduzir a uma mais acentuada polarização e a convulsões, nomeadamente durante ou em ligação a comemorações e manifestações”. Por outro lado, o mesmo relatório sublinhava que a principal ameaça em 2011 para a Noruega “não vem do extremismo cristão, mas sim do muçulmano”. O documento não podia ser mais claro: “Certos extremistas islamistas surgem actualmente cada vez mais orientados a agir a nível internacional e é principalmente este grupo que poderá constituir uma ameaça directa à Noruega”.



Não podemos estar certos sobre as informações que circulam na internet sobre o perfil (de facebook) do referido militante da extrema-direita. Mas o mais relevante, desde já e antes de apurados os factos, é que o crescimento da extrema-direita de carácter nacionalista e anti-islamico é negligenciado e muitas vezes protegido à sombra de uma suposta "tolerância democrática" ao crescimento dos fascismos, ou pelo menos de certos fascismos.



Aos conservadores, liberais e a todos os outros que querem virar a identidade política europeia de anti-fascista para anti-comunista são acontecimentos como este que, infelizmente e com o custo de vidas humanas, vêm provar a necessidade de não esquecermos o legado anti-fascista da Europa. Da esquerda à direita, todas e todos os democratas europeus têm o dever de ser intransigentes na defesa da democracia e não permitir a organização política dos fascismos, independentemente das religiões e nacionalismos a que se associem.