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7 de julho de 2010

A música é a arma

Um bom documentário sobre o grande músico e militante nigeriano Fela Kuti. Vale a pena ver, política e musicalmente falando.

28 de junho de 2010

Um homem de moral

Documentário sobre a obra musical do zoólogo Paulo Vanzolini. O filme tem participação de grandes nomes da música brasileira como Chico Buarque, Paulinho da Viola, Martinho da Vila, Márcia, Inezita Barroso, Paulinho Nogueira, Miúcha, Virgínia Rosa, Ana Bernardo, O Bando de Macambira, Chico Aguiar, Edu Maia, João Macacão, Maria Marta e Adoniran Barbosa.


26 de junho de 2010

18 de junho de 2010

1922-2010



Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos de morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade, e dizem-se as
palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a
vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.

3 de junho de 2010

Nazim Hikmet Ran - 1901 - 1963

Faz hoje 47 anos que faleceu o comunista Turco Nazim Hikmet Ran, distinguiu-se pelos seus enormes talentos como dramaturgo e poeta. No seu país natal foi perseguido e preso, tendo-lhe inclusive sido retirada a nacionalidade turca. Na União Soviética foi admirado e distinguido pela sua capacidade intelectual e artística, o que lhe valeu a naturalidade soviética, por interferência directa de Nikita Krushchev.

"Before anything else, I want to recall his greatness as a human being and his abundant energy. I met him in the course of his illness and was surprised by his willpower to live and struggle. But what really affected me was his melancholic and ironic alertness. This man, who was rescued from torture and death, did not rest, like others would do. Nothing was finished for him. While struggling with the outside enemy, he was carrying on a fraternal war against the errors of insider friends. Even when he, along with everyone, was fighting for peace, and against imperialism and fascism, he was warning his friends about the dangers of bureaucracy. He neither underwent militant discipline nor an authorial, critical attitude. He lived this contradiction to the very end. In the last years of his life, this continuous tension consumed up all the strength that was left to him from his prison term. But essentially by this characteristic does he remain an example to us today.
"He, the faithful friend, brave militant, merciless enemy of the enemies of the human, wanted to serve everywhere but he did not want to undermine anything. [...]
"The works of a man who was on ceaseless duty, continue to do the same after his death." (From "Respect for Nâzım Hikmet.")
- Jean Paul Sartre

Mais sobre Nazim Hikmet aqui

1 de junho de 2010

Prémio Camões

FERREIRA GULLAR

NÃO HÁ VAGAS

O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão

O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras

- porque o poema, senhores,
está fechado:
"não há vagas"

Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço

O poema, senhores,
não fede
nem cheira

25 de maio de 2010

The Strangest Creature on Earth - Nâzim Hikmet Ran

You're like a scorpion, my brother,

you live in cowardly darkness

like a scorpion.

You're like a sparrow, my brother,

always in a sparrow's flutter.

You're like a clam, my brother,

closed like a clam, content,

And you're frightening, my brother,

like the mouth of an extinct volcano.

Not one,

not five-

unfortunately, you number millions.

You're like a sheep, my brother:

when the cloaked drover raises his stick,

you quickly join the flock

and run, almost proudly, to the slaughterhouse.

I mean you're strangest creature on earth-

even stranger than the fish

that couldn't see the ocean for the water.

And the oppression in this world

is thanks to you.

And if we're hungry, tired, covered with blood,

and still being crushed like grapes for our wine,

the fault is yours-

I can hardly bring myself to say it,

but most of the fault, my dear brother, is yours.


- Nâzim Hikmet Ran

21 de maio de 2010

Perguntas de um Operário Letrado

Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilónia, tantas vezes destruída,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Sò tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Índias
Sozinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?

Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias
Quantas perguntas

BRECHT, Bertold