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12 de março de 2012

12 de Março - 1 ano

Artigo de Joana Mortágua no 12 de Março de 2011:
«Há dias em que vale a pena voltar a Brecht. Dizia ele no seu Diário de Trabalho de 1940 que “nos países democráticos não é revelado o carácter de violência que a economia tem; Nos países autoritários acontece o mesmo com o carácter económico da violência”.

Das revoltas a que temos assistido no Norte de África e que tanto nos têm entusiasmado, qual...quer que seja o seu desfecho, podemos desde já retirar uma lição: a História não está do lado dos cínicos . As ditaduras que todos os cínicos dizem que são para sempre também caem, quando o povo ganha consciência e luta para as derrubar.

Compreender que as classes e os povos podem ter a História nas mãos, quando às condições objectivas da sua exploração juntam a subjectividade de uma consciência determinada, compreender isto é estar munido de um olhar transformador, instrumento fundamental para a conquista do futuro.

A actual geração de precários, a primeira condenada a viver pior do que a dos seus pais, dá hoje um passo determinado para a conquista do futuro, rebelando-se contra a violência da economia capitalista. Fá-lo em nome próprio mas também em nome de uma solidariedade mais ampla.

Esta não é uma luta entre gerações. Jovens precários, pensionistas pobres, desempregados de longa duração, trabalhadores rejeitados pelo mercado, todos sofrem da estrutura de humilhação sucessiva que começa nos mercados financeiros e termina na casa de cada um.

Hoje é dia de sair de casa. Há dias em que a humilhação se transforma em revolta e a censura popular contra uma economia traficante de escravos desce as avenidas da Liberdade.

Os cínicos bem podem querer condenar-nos a um mundo sem esperança. Roubam-nos a vida todos os dias e querem-nos consolados com a “sorte” de que “há alguém bem pior do que eu na TV”. Contra esse presente sem futuro, afirmamos que a História é nossa. Contra os cínicos e os exploradores, tomemos a História na mãos.»

20 de outubro de 2011

"Vem comigo para a rua"


Sai de casa e vem comigo para a rua ... com as devidas adaptações dessa canção de amor curiosamente chamada Um Contra o Outro (canção de desafio à pessoa amada), ganha para mim nos tempos que correm outro sentido: É tempo de afirmarmos que Não nos conformamos! Nenhuma das conquistas do Estado social pode recuar.
Ler mais: aqui.

17 de maio de 2011

Armários, cadeias, muros e espartilhos

O "País Precário, Saiu do Armário", no 12 de Março. Entretanto a Europa vai-se fechando em muros. E (afinal) o que há entre nós e o FMI/FEEF são 30 milhões de euros em juros e um violento apertar das cadeias da exploração. São muitos os armários, as cadeias, os muros e os espartilhos, e quem é pela luta toda não esquece, por exemplo, que há crianças cujo bem-estar depende do reconhecimento da homoparentalidade. Há que "Marcha[r] contra a Homofobia e Transfobia".

(também publicado em www.acomuna.net)

24 de março de 2011

Caia também a governação falhada (II)


Caiu aquele que era o governo "de facto" PS/PSD/CDS, mas a governação austeritária persiste. Num golpe de salvação do que lhe sobra e para se safar, o PS voltou em força à tática da vitimização.
A esquerda parlamentar, por iniciativa do Bloco de Esquerda, censurou o Governo. Os sindicatos e comissões de trabalhadores de vários sectores, com muitas jornadas de luta, censuraram o Governo. E todas as gerações de um país precário, corporizadas em 300 mil a 400 mil pessoas nas ruas do 12 de Março, já tinham censurado o Governo e a governaçao falhada.
Todos os comentadores da direita e do centro gritavam que em nome de um qualquer "interesse nacional", não podia haver uma "crise política" que se juntasse à crise económica.
Falavam e falam de "interesse nacional" como se os interesses da maioria deste "país precário" não fossem diferentes e contrários, por exemplo (!), aos de uma certa minoria famílias portuguesas (Lima Mayer, Mello, Champalimaud, Espírito Santo, Pinto Basto, Bensaúde, Ulrich, Azevedo) a que se junta uma família angolana (a do presidente José Eduardo dos Santos). Os "donos de Portugal" não gostam nada dos incómodos que lhes causa a participação popular na democracia.
Queriam, em rigor, os tais comentadores, esconder o facto de que é a estabilidade da política austeritária (que serve aqueles poucos) que condena a esmagadora maioria do povo a vidas precárias e instáveis, a vidas em crise.
Também menino de boas famílias políticas, há muito vendidas ao liberalismo, o PS sabia para onde, com o forte apoio do PSD e do CDS, nos estava a levar. O PS sabia que de PEC em PEC era o FMI que ia entrando de assalto na casa de cada um e cada uma e não queria pagar sozinho os custos políticos dessa traição ao povo. Censurado à esquerda no parlamento, censurado nas ruas, querendo ou passar a factura aos companheiros de PECado (PSD e CDS) ou partilhá-la com eles, o PS só viu uma hipótese de se safar: desviar as atenções para um novo conflito interno no Bloco Central, para que o povo se "esqueça" que o conflito maior é entre o a política austeritária e os interesses do povo explorado.
Perante a queda do Governo, sabemos que todos os PECadores querem que a mudança seja para que tudo ficar na mesma, no mesmo caminho de lapidação da democracia e do roubo do salário em várias vertentes. E, também por isso, há muita gente de esquerda que hesita perante eleições por ter deixado condenar o seu pensamento e ação à inevitabilidade da alternância sem alternativa entre PS e PSD. Esses não queriam eleições por temer a vinda da direita. Mas é preciso sair da prisão dessa lógica miserável do melhorismo e do menos-mauismo. Uma esquerda de coragem e confiança, deve aprender com a luta popular e não ter medo de eleições.
É com essa coragem e essa determinação a esquerda vai continuar a lutar pelos interesses das trabalhadoras, dos precários, das imigrantes, dos estudantes, das pensionistas pobres e dos jovens a quem o futuro é roubado. É a hora da democracia, de devolver a palavra ao povo. É preciso chumbar a governacão falhada!

Também publicado n' A Comuna.net

17 de março de 2011

Não há revolução sem música

Há muito, que reflectia sobre uma questão: "Não há revolução sem música". E como a música não se ouvia... Estava longe de adivinhar em que dias iam brotar as canções que seriam apropriadas pela revolta popular: o "Parva que sou" dos Deolinda "E o povo, Pá?" dos Homens da Luta são definitivamente as mais marcantes no 12 de Março.

Esta, dos Blasted Mechanism, embora (ainda?) longe de se afirmar na linha da frente, também gostei dela... anima:



Venham mais cinco ou mais dez, que esta a revolta tem pernas para dançar!