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14 de março de 2012

o expresso e a estupidez: uma história de amor



desenho de um cartoonista idiota do expresso


(sobre a legenda, mordaz, neste caso, é como quem diz energúmeno, baixo, vil, descerebrado, torpe, etc, etc)

mau jornalismo, falta de piada, crueldade ou estupidez pura? é a pergunta que fica, enquanto vemos o expresso, mais uma vez, a desculpabilizar os carrascos e a criminalizar as vítimas. tanto o director como o compincha henrique raposo devem sentir o agradável calor da alegria, daquela alegria intensa que costuma caracterizar as famílias muito unidas. se alguém duvidava que o hr pudesse estar fora do baralho, aqui fica a prova de que encaixa como uma luva neste espaço de maus profissionais amantes de salazar.

ainda vou vivendo bem com opiniões discordantes. a total ausência de sensibilidade é que já me chateia um bocado. a ausência de vergonha também não faz os meus deleites. tivesse o director deste jornal vergonha do seu jornal vergonhoso e lá ia o dito rodrigo, que não tem vergonha, graças ao seu desenho vergonhoso, engrossar o número de abelhas e, agora com vergonha, ver que o subsídio de desemprego é coisa para, volta e meia, definir se se tem ou não água na mesa. esta apatia aos problemas sociais, por virtude da sugestão de que quem não tem emprego é preguiços@, revela só uma cumplicidade cobarde com o poder político, um cúmplice fechar de olhos ao (des)emprego de portugal, uma declaração de guerra conivente com as auto-vantagens do sistema capitalista.

generalizações perigosas, falaciosas, execráveis, estúpidas. assim ganha corpo a direita portuguesa. eu, que até acho que a liberdade de expressão é fixe, acho que só ficava bem ao expresso que escondesse a sua execrável e verdadeira ideologia.

26 de julho de 2011

O segredo é a alma...



A informação é um importante factor de poder - quando esta é secreta, mais ainda. A crescente governamentalização dos serviços secretos é um perigo para a democracia. As recentes notícias que envolvem as secretas, o governo e, até, uma alegada "guerra" entre a Ongoing e o Expresso, são sinal desse perigo. O controlo parlamentar é necessário. (frase do dia, aqui)


Entretanto, secretas à parte, vale a pena ler de um só golpe e do princípio ao fim o artigo do sindicalista e funcionário da RTP Paulo Mendes do qual aqui apenas divulgo uma parte:

O que você deveria saber sobre a RTP, mas a Ongoing não lhe conta:


1º Sabia que todos os países da Europa comunitária e inclusive os Estados Unidos tem serviços públicos de televisão, e que o modelo misto de mercado que existe em Portugal é a regra e não a exeção?

2º - Sabia que o serviço público de televisão prestado pela RTP é não só um dos mais baratos da Europa, é também um dos mais baratos do mundo? Custa cerca de 15 centimos por dia, não por pessoa, mas por contador de luz.

3º Sabia que por esses 15 centimos são emitidos diariamente 8 canais de televisão com programação diferenciada (RTP1, RTP2, RTPN, RTP Memória, RTP África, RTP Internacional, RTP Madeira, RTP Açores) 5 antenas de rádio (Antena 1, Antena 2, Antena 3, RDP África e RDP Internacional), com uma audiência potencial de cerca de 150 milhões de pessoas?

4º Sabia que a RTP possui o maior e melhor arquivo audiovisual do país e um dos melhores do seu género em todo o mundo?

5º Sabia que os trabalhadores da RTP são dos mais produtivos do sector televisivo europeu, recebendo menos salário liquido do que os seus congéneres no privado e que auferindo em média 50% do que os seus colegas europeus?

6º - Sabia que os trabalhadores da RTP não têm aumentos salariais reais desde 2003, sendo os trabalhadores do sector estado os que mais percentual de poder de compra perderam numa década?

7º Sabia que a publicidade da RTP não entra para os seus cofres mas está sim indexada ao pagamento de um empréstimo bancário a um sindicato bancário alemão e holandês, que assumiram o passivo?

8 – Sabia que essa dívida ronda os 600 milhões de euros a um spread baixíssimo, e que este sindicato deseja renegociar o empréstimo à anos?

9 – Sabia que no caso da RTP ficar sem publicidade o accionista Estado teria que assumir o pagamento da dívida, mais juros por inteiro e de imediato?

10 – Sabe que pagará a dádiva de um canal à Ongoing pelo governo de Passos Coelho? Você e vai custar-lhe 600 milhões de euros.

12 de fevereiro de 2011

Uma resposta fraterna ao Daniel Oliveira


















"Pueril ou irresponsável", eis o título da crónica desta semana do Daniel Oliveira no Expresso, a propósito da moção de censura anunciada pelo Bloco de Esquerda esta semana no Parlamento. Por estar ainda indisponível no site do jornal, não posso deixar aqui qualquer link do artigo citado. De qualquer forma, o seu conteúdo contém alguns pensamentos que merecem, em meu entender, ser problematizados.

Em primeiro lugar, diz-nos o comentador que a primeira premissa para a apresentação de uma moção de censura é a vontade de a ver aprovada, “caso contrário os deputados estão a brincar à política”. Primeiro erro de análise. Quando uma moção de censura é apresentada (e aqui sim está o factor vontade do proponente), a sua primeira premissa é a fundamentação invocada, que como é fácil de perceber, permite aos restantes grupos parlamentares reflectirem,de modo a tomarem uma decisão quanto à sua aprovação ou reprovação. A fundamentação de uma moção daquele tipo é, assim, a condição em que assenta a vontade dos restantes partidos. Sobre a sua “vontade” em aprovarem (ou não) a moção, nada pode, portanto, fazer o proponente (neste caso o Bloco de Esquerda). A menos que se defenda que para fazer cair o governo, se deveria apresentar uma moção em branco (a solução do CDS). Mas isso sim é brincar à política.

O que mais perplexidade me causou nesta crónica do Daniel Oliveira foi, porém, um outro argumento utilizado. Concedendo-lhe a palavra, diz ele : “Partindo do princípio de que o BE e o PCP querem ver as suas moções aprovadas, fica uma pergunta – estão estes dois partidos disponíveis para participar numa solução de governo? Não”. E mais à frente, continua o cronista: ... Ao que tudo indica, das eleições antecipadas apenas resultaria a vitória de Pedro Passos Coelho. Acham que seria melhor do que temos?”. Retomando a terminologia acima utilizada, a perplexidade advém do facto de o mesmo Daniel Oliveira ter subscrito à 12 anos um manifesto (fundador do BE- Começar de Novo) onde se definia como uma das principais bandeiras política, o combate ao rotativismo do centrão, às inevitabilidades e chantagens para o eleitorado daí decorrentes. E relembre-se sempre o seguinte: servir de bengala(em coligações ou arranjinhos parlamentares) aos principais agentes do rotativismo,PS e PSD, é dar vida e fortalecer aquele rotativismo. Mas o purismo também não é a solução, como mais à frente concluirei.

Aqui o problema da análise é de outro. É que para os 700 mil desempregados, para os cerca de 1 milhão de precários, para aqueles que recebem em média cerca de 750E, para os jovens (licenciados ou não) que não descortinam luz ao fundo de um túnel cada vez mais estreito, “esta situação dura há tempo demais”. É que a luta social para a esquerda, há-de relevar sempre mais do que a análise de sondagens. Pedir a esta grande maioria social, que opte entre Sócrates e Passos, para além de ser cada vez mais difícil, tem o efeito que se conhece: a austeridade selectiva que hoje vivemos e é, por isso, perversa para aquela grande maioria. Em último caso, colocar aquelas pessoas entre a espada e a parede, terá como resposta a abstenção.

A estratégia do Bloco em apresentar uma moção de censura neste momento é, pois, a de contribuir para a “clarificação da vida política”. Isso quer dizer que se impõe hoje, mais do que nunca, tornar perceptível ao eleitorado a bipolarização do espectro político português: de um lado os defensores da austeridade selectiva, apareceçam nitidamente na fotografia(PS/PSD) ou desfocadamente(CDS); do outro lado, os que combatem estas medidas (BE/PCP). Só dessa maneira se poderá fortalecer a luta popular. É verdade que a relação de forças é ainda claramente desfavorável para este últimos, o que lhes pode granjear por ora algumas derrotas. Acontece que, bem pior estariam se não contribuíssem para aquela clarificação (percepção da bipolarização), permitindo que PSD e CDS subissem impolutos as escadas do poder. E mais uma vez a importância da fundamentação da moção de censura: a coerência, obrigará a direita a segurar o governo se a censura se centrar nas medidas de austeridade. Afinal não foi deste casamento poligâmico (PS/PSD/CDS) que saíram os últimos orçamentos? Só com uma moção de censura deste tipo se pode censurar simultâneamente o governo e a direita.

Um último apontamento sobre os alegados “problemas de consciência” do Bloco por ter apoiado Manuel Alegre nas presidenciais, que segundo Daniel Oliveira e a maioria dos comentadores, podem explicar, em parte, esta moção de censura. Dizia aquele manifesto fundador, Começar de Novo, que o Bloco seria uma força dialogante à esquerda, rejeitando velhos sectarismo e estabeleceria, sempre que possível, pontes com a restante esquerda. Apoiar Manuel Alegre, ou votar com outros socialistas propostas que visavam fortalecer ao defender o Estado Social, foi apenas a concretização prática daquelas ideias. O erro básico de Daniel Oliveira sempre que fala das relações entre a Esquerda, em particular entre PS e BE, é o de manter sempre viva a ilusão que “um outro PS virá, mais à esquerda, socialista de verdade”. Ninguém nega que no PS militam pessoas genuinamente de Esquerda e mais do que isso, o seu eleitorado (professores e outras profissões liberais, função pública, etc ) com o seu voto, tem em vista a efectivação de políticas de esquerda. Outra coisa, é considerar que essa fracção de esquerda algum dia poderá ser verdadeiramente influente ou maioritária e portanto, dirigente.Nunca o foi, nem será. Manuel Serra e Manuel Alegre são disso exemplo.

Mal da Esquerda que se diz e quer alternativa, ficar à espera de um amanha que não virá.

Jornalismo Liga Inatel | Encomenda gratuita

Noticia-se hoje pela imprensa que o BE expulsou o primeiro militante na sua história - Expresso e SOL . O que é inteiramente verdade, agora quem lê estas notícias, dado o enfoque e a linha de escrita parcial que tem, deduz que se tratou de um processo político.

E o mais curioso, é que o SOL fez há uns meses capa com a seguinte notícia: "BE ELEGEU VEREADOR COM PASSADO CRIMINAL". E hoje, faz de conta que essa informação se pulverizou, não fazendo uma única referência sobre os casos que o individuo tem com a Justiça.

A bem da verdade, ficam supracitadas as razões do fim da relação entre o BE e o Vereador de Olhão João Pereira. Em muitos partidos seria apenas mais um excelente companheiro/irmão/camarada, alguém que se distinga. À Esquerda não pode haver espaço para gente como esta.

11 de fevereiro de 2011

Quanto mais me bates


Portugal, 2011: a agenda política do meu país é ditada por um trotskista. Não, é pior: é ditada por uma luta entre trotskistas e leninistas. Lá fora, ninguém acredita nisto. A normalidade europeia da nossa democracia (uma coligação PS/BE) continua longe.
Henrique Raposo in Expresso

A nossa democracia é recuada porque o PS e o BE não conseguem formar maiorias parlamentares. E a principal responsabilidade mora do lado do Bloco. Porquê? Porque teima em continuar assente no seu radicalismo e a viver sob o paradigma do PREC, recusando qualquer modernização política, o que provoca, à luz do entendimento de Henrique Raposo, a não normalização europeia da democracia portuguesa.

A fonte argumentativa é toda muito bonita, e até poderia ser um excelente exercício académico, se não carecesse de toda e qualquer seriedade analítica e tivesse um verdadeiro propósito político, para além do ataque barato ao Bloco de Esquerda. O anti-bloquismo primário tem estado na moda, e sabe-se bem as razões desse ódio. Não se afronta algo gratuitamente quando é inofensivo.

Não há maiorias parlamentares à esquerda, porque não se as pode fazer com quem não lá está. O PS não se caracteriza por ser a ala direita da esquerda, mas sim, a ala esquerda da direita. Quando a Esquerda tiver maioria parlamentar, esperemos que num futuro próximo, ai poder-se-ão formar governos de esquerda. E creio que o PS não participará deles.

E ai sim, estaremos a caminho da normalização da democracia, porque uma democracia não se estabiliza enquanto durar o "new deal entre políticos e construtores (civis)", como referiu HR num seu artigo no Expresso, a política de austeridade, a distribuição radicalmente desigual da riqueza nacional e a destruição dos serviços públicos e do essencial dos direitos, liberdades e garantias. Como sabe, tudo feitos do seu espectro político.

Já agora, aproveito para o corrigir, o "Bloco de Esquerda Alemão" é o Die Linke, com o qual o BE tem vinculação internacional. Mesmo assim, com as suas diferenças.

Quanto ao fantástico governo SPD-Die Grünen deixo-lhe aqui este texto:
COLIGAÇÃO VERDE-VERMELHA – UM AMANHECER DE ESPERANÇA?