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28 de julho de 2011

parem lá um bocadinho de dizer que o ministério da cultura é fixe

sou uma criança muito dada à cultura e, nestes dias de verão, não sei se gosto mais de me estender ao sol a ler a fenomenologia do ser (sartre) ou de ouvir, enquanto bebo uma limonadazinha, os concertos de violino do chopin (ai que não arranjo um link).

no meio da minha indecisão, resta-me agraciar todas as pessoas que votaram no psd e nos concederam tão maravilhoso governo que, apesar de desgostar de forma soberana de cultura, encerra em si mesmo uma meta-cultura digna de fazer corar vasco pulido valente (aquele gajo que chama ignorante a toda a gente). eu não reclamo com quem dá estas ideias e deixo a coisa para quem sabe. certamente, não serei eu (apesar de já ter lido a fenomenologia do ser do sartre e de me deleitar com os concertos de violino do chopin), que nem sequer li a écloga que o aristóteles escreveu sobre o carvalho centenário de pevidém, que jamais pus a vista no epitalâmio que o horácio escreveu sobre o casamento dos meus pais e que sou uma ignorante no que concerne aos motes e às glosas escrit@s pelo antónio lobo antunes no natal de 1947, tinha o rapaz 5 anos, a dizer se precisamos ou não de um ministério da cultura.

deixem a cultura para quem sabe.

12 de abril de 2011

15 de setembro de 2010

Francisco Ribeiro



Francisco Ribeiro fundador e ex-violoncelista dos Madredeus faleceu esta terça-feira vítima de cancro, com apenas 45 anos.

13 de agosto de 2010

Politeness




When asked in an interview about the gender of his first sexual encounter, the American author Gore Vidal said: “It was dark and I was too polite to ask.”

(não é novidade, mas vale a pena recordar isto e A saia da Carolina)

21 de junho de 2010

cantor maldito

Doido doido, fico doido com o Cantor Maldito! A crítica é deliciosa; os lugares foram poucos, não fui a tempo de ter entrada na Carta Branca do CCB este ano e a música é de génio.
Nascido em viagem, no meio do mar, Fausto Bordalo Dias, veio e não vai embora. Ouçam e reproduzam Fausto.

19 de junho de 2010

Homenagem ou santificação póstuma?

Qualquer coisa que hoje se escreva sobre a morte de José Saramago trará, inevitavelmente, um vago sabor a edificação de um santo.
Aliás, durante o dia de ontem ouviram-se dezenas de lamentações à morte do escritor - da política, da cultura, passando pelo seleccionador português.
E até, imagine-se, Cavaco emergiu da sua mumificação semi-permanente, para "lamentar profundamente" a morte do escritor.

Saramago não foi, nem julgo que quisesse sê-lo, um escritor consensual. E essa coragem valeu-lhe a crítica mordaz dos sectores mais conservadores da sociedade. António Sousa Lara, com o apoio do então primeiro-ministro Cavaco (ontem tão combalido, coitado), vetou a candidatura do "Evangelho segundo Jesus Cristo" a um prémio europeu.

A ideia de tornar Saramago num símbolo da cultura nacional é exactamente o oposto de uma justa homenagem. Consensualizar Saramago é apagar parte da sua obra. E descansem os nacionalistas pacóvios, afectados pela febre do Mundial: afinal o corpo de Saramago vai ficar em Portugal.
Nós por cá preferimos prestar homenagem a um "comunista por necessidade hormonal", que "nunca precisou de deixar de ser quem é" para receber um Prémio Nobel.

25 de maio de 2010

The Strangest Creature on Earth - Nâzim Hikmet Ran

You're like a scorpion, my brother,

you live in cowardly darkness

like a scorpion.

You're like a sparrow, my brother,

always in a sparrow's flutter.

You're like a clam, my brother,

closed like a clam, content,

And you're frightening, my brother,

like the mouth of an extinct volcano.

Not one,

not five-

unfortunately, you number millions.

You're like a sheep, my brother:

when the cloaked drover raises his stick,

you quickly join the flock

and run, almost proudly, to the slaughterhouse.

I mean you're strangest creature on earth-

even stranger than the fish

that couldn't see the ocean for the water.

And the oppression in this world

is thanks to you.

And if we're hungry, tired, covered with blood,

and still being crushed like grapes for our wine,

the fault is yours-

I can hardly bring myself to say it,

but most of the fault, my dear brother, is yours.


- Nâzim Hikmet Ran

21 de maio de 2010

Verdes, Queer e Piratas são figuras de muito estilo (nota breve sobre movimentos sociais e partidos) *



"«O Partido Pirata não tem opinião definida sobre nada que não sejam as liberdades na Internet; quanto ao resto, votará com os outros partidos». Os responsáveis do Piratpartiet repetem que não terão qualquer dificuldade em aplicar esta regra, porque a clivagem direita-esquerda perdeu toda a pertinência." (in Le Monde Diplomatique)
1. O não reconhecimento da clivagem entre esquerda e direita é justamente a revelação do pecado original dESTA elevação do movimento social a partido. Um partido que seja meramente “o braço do movimento social na política” [diferente de braço político] é claramente insuficiente. A SUA simples defesa de causas particulares não articuladas com uma visão de conjunto [própria da política] é profundamente perigosa. O sonho dos grandes partidos do sistema (PS e PSD, no caso português) era puder comprar pequenos partidos de causas pela satisfação (parcial) das suas reivindicações particulares.

1.1. Para os grandes partidos do sistema, é até interessante ter no cenário político partidos feministas, queer, ecologistas, piratas… desde que estes não coloquem o sistema em causa, desde que estejam disponíveis para trocar a satisfação parcial das suas reivindicações pelo apoio à governabilidade. “Eu dou-lhe a lei do casamento homossexual (sem adopção) na compra da minha política reformista de privatização dos serviços públicos e apoio pontual a intervenções militares em diversos destinos… Vejo que hesita, …mas olhe que a adopção é negociável”… Pois é! Há negócios que não se fazem! Nem a diversidade do amor, nem a paz são moeda de troca!

1.2. As causas justas não se vendem nem se compram! Devemos ter a coragem de as defender em lutas unitárias. A participação em lutas unitárias por diversas causas (desde a paz à livre difusão do conhecimento) é um imperativo a que a Esquerda deve responder positivamente. Exemplo dessa capacidade unitária foi a participação Bloco de Esquerda na defesa da despenalização do Aborto. Essa luta concreta foi feita ao lado de muitas daquelas e muitos daqueles que são e serão nossos adversários em diversos ou, mesmo, em todos os outros campos da luta social e política. O esforço unitário é um tributo devido à dignidade da causa defendida.

2. Por muito que se possa concordar (totalmente ou em parte) com o movimento pirata, enquanto movimento social, quando este se eleva a Partido e foge à "clivagem direita-esquerda ": ficamos a saber que politicamente representa um centro liberal (apenas) esteticamente excêntrico. Como qualquer matiz liberal, está tingido de causas particulares sem questionar o TODO do Capitalismo. Isto não significa que as suas reivindicações não tenham potencialidades transformadoras e, em certa medida, anti-sistémicas. O seu carácter anti-sitémico advém do agudizar das contradições internas do Capitalismo. Daí que não seja de estranhar que o líder do Parido Pirata Richard Falking diga, a um tempo, «defende[r] até uma forma de comunismo digital, em que cada um contribui segundo as suas capacidades e o produto é distribuído segundo as necessidades» e, a outro, assumir-se como um ultracapitalista, nestes termos:

«Os conservadores não defendem o capitalismo puro [; …] são uma espécie de cagarolas sociais-liberais. (…) Eu defino-me como ultracapitalista, e foi a partir desse posicionamento que me envolvi politicamente. (…) A batalha joga-se agora na questão dos direitos dos cidadãos, que é a questão fundamental. Mais importante do que o sistema de saúde, a educação, o nuclear, a defesa e essa merda toda que andamos a debater há quarenta anos.». (1)

3. Além do dever de luta unitária na defesa de cada causa concreta e porque não se pode ser livre numa sociedade alienada: o que define verdadeiramente a Esquerda é a capacidade de elevar cada reivindicação particular a metáfora activa da reivindicação da Liberdade Universal.

A informação e a arte são de tod@s!

O Planeta é de tod@s!

Somos tod@s queer!

Somos tod@s imigrantes!


* Gostei do tema levantado pelo Hugo e, por isso, decidi publicar aqui um artigo que escrevi há tempos a propósito do fenómeno da passagem de um movimento a partido. Vejam também o artigo do Hugo Ferreira: Partido e Movimento - Uma questão de racionalidade.

27 de abril de 2010

"não discutimos a pátria"


Há dois dias celebrámos o 25 de Abril, dois dias depois o governo quer tornar a colocar o hino a bandeira e o hino nacional nas escolas, enquanto valores que os estudantes devem e tem de respeitar. Um dos novos artigos do estatuto do aluno determina um quadro de referências que deve ser conhecido e respeitado pelos alunos "enquanto matrizes de valores e princípios de afirmação da humanidade, entre eles os dois grandes símbolos do nacionalismo: a bandeira, o hino.


Mais uma vez é o estado o principal impulsionador da exclusão social, porque apesar do muro ter caído à quase 21 anos ainda há alunos para quem o hino é a internacional e que apenas fazem juramento à bandeira vermelha…

Brincadeiras à parte, pouco a pouco retomamos as grandes bases do fascismo Português: Igreja, Pátria, Família…

4 de abril de 2010

Da Violência Divina na África do Sul ao Apartheid na Suécia

Era para escrever hoje, Domingo de Páscoa, sobre Teologia e Materialismo. Contudo a Comuna de Paris não espera pelo Capital, e julgo que a análise concreta da realidade concreta me obriga a falar de Apartheid.
O líder da extrema-direita sul-africana Eugène Terre'Blanche foi ontem espancado até à morte. Não sei se é o momento de falar de violência divina, mas a vale a pena chamar à atenção para os avanços da extrema-direita lá como cá.
O assassinato do líder da supremacia branca ocorreu na sequência [embora não esteja ainda provado o nexo de causalidade] de uma brica com dois empregados (um deles menor) por causa de salários não pagos. Parece que esta morte poderá ser aproveitada como mais um novo incêndio do Incêndio do Reichstag posto que o movimento da extrema-direita considera que este assassinato foi uma declaração de guerra.

1) Não é terrível pensar que o apartheid avança tanto na África do Sul … e na Suécia?

2) E alguém tem alguma coisa a dizer além de: ele era tão boa pessoa?