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16 de agosto de 2011

contra o paraíso multicultural, o racismo

a visão do pnr sobre os motins ocorridos em inglaterra vai muito para lá daquilo que eu poderia esperar. estranho será, por certo, que eu continue desta forma ingénua a espantar-me com o que vem daquela gente e fique sempre chocada com a profundidade da crueldade que sai daquelas cabeças povoadas com suásticas ao invés de neurónios. mas é isso que vai acontecendo, novidade após novidade.

as palavras pesam e, quando usadas sem cuidado, provocam-me o que me provocou este artigo: nojo absoluto. se me espanta que não se condene “a morte do líder de um gangue étnico de delinquentes”, também não me deixa pouco inquieta que a polícia seja santificada, que o assassinato de polícias seja vil, que o assassinato por polícias seja ordeiro.

("Um sem número de britânicos, não olvidou até hoje, o vil assassinato em 1985, de um agente da polícia em Tottenham, chacinado cruelmente a golpes de catana, por um grupo de negros que espalhava o terror na zona.")

do pnr, só espero condenações apolíticas e preconceitos, mas não posso deixar de me sentir enojada e incrédula de cada vez que me deparo com pérolas destas. expressões como “estirpe de marginais” podem ser-me repetidas diariamente e eu vou continuar incapaz de me familiarizar com elas.

toda esta história começou com o mark duggan, que é este menino aqui:


como facilmente observável, o mark duggan era preto. fosse o caso de ele ter sido um adorável loirinho de olhos azuis, como o breivik, aquele amoroso assassino, o pnr iria inverter a situação com a maior das facilidades, dizendo que afinal a culpa era dos ingleses, que não são gente em que se fie e que andam sempre à porrada só porque são estrangeiros. onde é que eu já ouvi esta história? ah, já sei, foi, por certo, em alguma das minhas incursões ao site do pnr. se um dia alguém resolver dizer por aí que o duggan dava beijinhos a meninos, lá teremos o josé pinto coelho e o mário machado, a concubina preferida, a mostrar em praça pública as imagens dos motins, dizendo que o lobby gay está a crescer e se prepara para dominar o mundo de maneira vil e aleivosa. e não nos esqueçamos, por favor, de que "O PNR é o único partido que rejeita a promoção da "cultura gay" e do "folclore amaricado".

no artigo mencionado, a comunicação social é acusada, pasme-se, de “salvaguardar com astúcia a origem étnica dos vândalos” que têm protagonizado os motins. deturpar a realidade dá nisto: em não encontrar a raiz dos problemas, em confundir cor com ideologia. eu sei, o pnr sabe (espero), toda a gente sabe que violência pela violência não é propriamente agradável, que pilhar lojas não é educado, que os motins têm dado asas a algum oportunismo, mas longe estarei eu de julgar - só porque tenho a pele ebúrnea como a cal, não importa o tempo que passo na póvoa - que a culpa é dos pretos só porque são escuros e não precisam de protector solar 60+ for kids como eu. e, no fundo, parece-me que até o pnr deve saber que a morte de um membro de uma comunidade pobre acontecida só porque sim teria de ter resposta. mais cedo ou mais tarde e esperançosamente, claro.

o capitalismo tira vidas, as vidas revoltam-se. ouvi dizer que lhe chamam luta de classes. que queremos, afinal? revolução, sim, mas com maneiras?

Os fogos vão ser apagados. Haverá uma espécie de inquérito patético ou algo semelhante para investigar as razões do assassinato de Mark Duggan, remorsos serão expressos, haverá flores da polícia no funeral. Os protestantes detidos serão punidos e todos terão uma sensação de alívio e continuarão com a sua vida, até que isto tudo volte a acontecer.

29 de maio de 2011

Acampada de Lisboa em Directo

A Acampada de Lisboa tem já Cozinha com refeições Grátis, Biblioteca, Loja de Roupa Grátis, Sala de Estudo, Espaço Crianças, Sombras e muita discussão.
Agora tem internet wireless e está em directo para o mundo!

Aqui: http://www.ustream.tv/channel/acampada-lisboa-camera-0

3 de março de 2011

As realidades não são estáticas

"O progresso não é senão a realização das utopias."


(Oscar Wilde)


Essa ideia corrente que se espalha e multiplica, e que é construída voluntariamente e serve a alguém, de que é impossível conceber e construir mais do que os limites da realidade, é uma ideia permeável no senso comum que parte do pressuposto estrutural de que a realidade é a inevitabilidade do hoje e do agora. É a ideia de que é impossível conceber algo para lá de determinadas barreiras e muros. É a ideia, na prática, de que há aspectos da nossa vida que têm de ser assim e não há mais possibilidades, a ideia de que a desigualdade é inevitável porque “sempre existiu”, a ideia de que sempre fomos e seremos naturalmente “egoístas” e “gananciosos” e que não há espaço para pensar algo fora desse prisma, a ideia que perante o que está mal o único espaço político é o que está menos mal, a ideia de que a luta por uma vida melhor é utópica (no seu sentido burguês) e que portanto nos temos de contentar ao que temos, ainda que seja possível alterarmos pequenas coisas, a ideia da rejeição de qualquer proposta avançada por ser idealista (no seu sentido burguês) tendo em conta a nossa “realidade”, a ideia de que o socialismo é algo desfasado da realidade.

Esta ideia, ou ideias, que ouvimos e que se sentem quando sentimos a permeabilidade social da “inevitabilidade” é uma ideia que estrutura o discurso dos dominantes, que cultiva o conformismo e que tem um papel muito importante no sistema: a dominação ideológica. A produção e reprodução deste discurso é uma arma fortíssima que a burguesia tem nas mãos e que é tão difícil para a Esquerda desconstruir (até em nós mesmos) quando trabalhamos com pessoas. É por isso que os dominantes temem tanto as revoltas e revoluções do Magrebe.

No Egipto, mas também nos locais que os Mass Média deliberadamente esqueceram, na Tunísia, na Jordânia, no Iémen, na Argélia, em Marrocos, na Líbia, na Palestina e no Irão, esse discurso ideológico está a ser completamente desmontado. Assim como os donos dos escravos desde o Iluminismo para cá perderam a hegemonia do discurso da inevitabilidade da escravatura, assim como no século XIX o discurso da burguesia industrial da inevitabilidade da exploração caiu às mãos das grandes transformações operárias tidas como inconcebíveis, assim como se perdeu no vazio o discurso da segregação racial, assim como caiu o discurso da impossibilidade de os Estados terem serviços públicos que sejam uma garantia da igualdade e da democracia, também nestas revoltas (que já não são apenas no Magrebe, mas que ainda não são do mundo árabe) provam de que a realidade nunca é estática, a realidade está nas mãos das pessoas que a tentam transformar e que decidem em certos períodos históricos (como o nosso) tomar a sua realidade nas suas mãos e transformar essa construção ideológica de que “isto é como é” em mísero pó!

Isto não “é como é”, isto é “aquilo que nós queiramos que isto seja” essa é a transformação do discurso que tanta assusta os dominantes da nossa história e do nosso presente. Mas estas revoltas também têm uma lição para nos dar, a nós, comunistas: a única característica que podemos ter como certa sobre uma determinada sociedade é a de que qualquer sociedade é imprevisível. E é aí que o comunismo é tão rico: na possibilidade de olhar para o real desconstruindo as relações de força, tendo a capacidade de fazer da imprevisibilidade uma oportunidade estratégica, uma guia para acção.

Os povos do Magrebe, assim como os povos de todas as partes do Mundo têm nas suas mãos o seu maior trunfo: a sua realidade!

João Mineiro

Públicado na segunda Tribuna da Conferência da UDP - Asociação Política.

22 de fevereiro de 2011

Khadafi cairá!



A revolta popular na Líbia põe em cheque o regime de Khadafi. O ditador responde com bombas sobre Tripoli, mas o povo já não aceita que a ditadura seja inevitável. Muitos têm medo do incerto, mas a revolta popular não se rende, tem o futuro a conquistar.

também publicado aqui