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27 de agosto de 2011

da série vem ai um PS de esquerda

Há vários lugares comuns na ciência política portuguesa, um deles é a postura que o Partido Socialista assume na oposição, nomeadamente a de limpeza do pó que deixa acumular nos anos de governação sob os seus princípios orgânicos, mas como todas as regras, esta também se revela falível ou se justifica pela generalidade da sua acertividade, englobando em si uma quantidade em "N" de excepções.

Talvez seja esse o caso na discussão sobre a taxação do património dos mais ricos, onde a referida organização decidiu doar - mais uma vez - o seu peso político ao espectro que tem vindo a solidificar cultural e socialmente a legitimidade da desigualdade na repartição de sacrifícios em Portugal.

Valha-nos ao menos o esclarecimento que Sónia Fertuzinhos fez ao país sobre o papel do Partido Socialista na sociedade:
Os socialistas vão apresentar uma solução que dizem ser "o mais justa e eficaz possível e que não se resuma à perseguição dos ricos como quer o BE", diz ao i a vice-presidente da bancada do PS, Sónia Fertuzinhos.

27 de junho de 2011

A estratégia da multidão dos comentadores, e Câncio enuncia-a com particular ingenuidade, é acabar com o Bloco de Esquerda como partido da esquerda socialista. Depois disto sobraria alguma coisa, mas essa coisa suicidada seria coisa nenhuma.

Andrea Peniche in Minoria Relativa

26 de junho de 2011

Um episódio nada verde

Há uns dias atrás tinha escrito aqui sobre a posição nada verde dos Verdes alemães acerca da nova Lei da Energia Atómica que será votada na próxima quinta-feira no Bundestag.

A maioria de direita vai propor no Bundestag o adiamento até 2022 do encerramento total de todas as centrais nucleares do país, os Verdes convocaram um congresso extraordinário para esse efeito, tendo a direcção defendido o apoio à proposta do governo de Angela Merkel, contrariando a sua posição original de defesa do encerramento total até 2017.

Hoje foi a votação, tendo o "sim" ganho com esmagadora maioria, para infortúnio da esquerda do Partido e dos activistas anti-nuclear, que defenderam que "Os Verdes" deveria manter a sua posição incial sobre o assunto.

Uma das muitas conclusões que se podem retirar deste episódio é referida pelo líder do "Die Linke" Gregor Gysi:
Tecnicamente falando, seria possível desativar as centrais nucleares já em 2014 ou em 2017, como os Verdes queriam. Mas como eles concordaram em votar a favor do encerramento em 2022, só para mostrar que se podem coligar com os conservadores, acabam por tolerar vários anos nos quais a população continua sob o risco desnecessário de um desastre nuclear como o de Fukushima".

23 de junho de 2011

O (não!) ecologismo dos verdes alemães

Preto (CDU) e amarelo (FDP/Liberais) não obrigado!
Para a saída da crise só o verde ajuda.

Os Verdes alemães têm suscitado muito interesse por parte de determinados sectores da esquerda portuguesa, a sua posição pragmática e coligacionista tem-lhes valido largos elogios. No entanto, o que são "Os Verdes" alemães? Como conseguem estar coligados com a CDU e o SPD ao mesmo tempo em Estados diferentes? O texto que abaixo traduzi pode não dar resposta a todas essas interrogações mas dá largas pistas sobre o seu código político. Diz essencialmente respeito ao debate curioso que se tem feito por estes dias no seio do partido, este partido ecologista prepara-se para votar juntamente com a direita a favor do adiamento do fim da energia atómica até 2022, em vez de 2017 como já tinha sido aprovado e defendido por este mesmo partido. Como diz tão bem o uruguaio Eduardo Galleano: "somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos."

Para ler a tradução da notícia de Aerta Van Riel no "Neues Deutschland" basta carregar em "Ler mais"

15 de junho de 2011

Somos todos italianos (!)

Toda a esquerda europeia se tornou italiana nos passados dias, vangloriou-se das derrotas de Berlusconi e até houve quem escrevesse fábulas sobre o assunto. Sem sombra de dúvida foi a democracia que ganhou nos referendos e nas regionais em Nápoles e em Milão, e é igualmente certo, que ao somatório do deslize de popularidade de il Cavaliere e compagnons de route se somou uma aliança de higiene nacional - composta por toda a esquerda e alguns sectores de direita - que permitiu todo este avanço e resistência ao retrocesso civilizacional.

Muito activismo de talk show luso olhou para estes resultados e de peito cheio apontou o dedo à esquerda que navega por mares antes nunca navegados , vejam bem e aprendam! O que infelizmente não se ouve entre riscos e coriscos é a história contada a partir do "era uma vez...". A razão é em si muito simples e bastante objectiva, é que o início do conto teria que começar no governo de coligação do Partido Democrático e da Refundação Comunista, que curiosamente legislaram no sentido da privatização das águas, e que agora na oposição, precisaram do referendo para darem o dito pelo não dito.

Para que não restem dúvidas, celebrei a opção que o povo italiano tomou, a derrota que infringiu a Berlusconi e a importante vitória que obteve na luta anti-liberal. Agora, o que não deixa de ser curioso, é que a esquerda italiana ganha neste episódio, fazendo campanha contra uma lei defendeu quando esteve no executivo.

Que cem frentes anti-liberais floresçam, que cem certezas se confrontem. Toda a pujança para a unidade, e todos os tijolos, cimento e massa para a esquerda grande, mas não me venham com contos, o problema reside mesmo neles, é que a derrota ao liberalismo se tem feito na Europa essencialmente na oposição, quando os radicais defensores dos serviços públicos, dos direitos civis, sociais, económicos e culturais da social-democracia existente, se apoderam do aparelho de estado, executam a gestão corrente do poder instituído tão bem ou melhor que a direita, conseguindo ainda juntar no meio do desmantelamento uma central sindical ou outra.

O que faz com que todo o velho continente, com honrosas excepções, ande de roda gigante em permanência, agora está a direita em cima, depois vai para lá a "esquerda", mas o percurso é sempre fixo, como se tem visto.

Para isso meus senhores (!) já não há pestanas para queimar. A esquerda precisa de ir ao seu reencontro, debater-se e unir-se, definir o que lhe dá coerência, mas isso meus caros, a menos que a esquerda deixe o ser, e para o que nos una mais o que nos separa, não há espaço para cobardias e para confissões com o capital financeiro e suas instituições.

17 de janeiro de 2011

O branco ficou mais vazio

O MRPP reconsiderou o seu apelo ao voto em branco, passando agora a apoiar Alegre. Esta mudança poderá significar pouco para a candidatura do poeta, no entanto, deixa aos puramente líricos o espaço do isolamento, o lugar de quem não contribui para a luta de classes em Portugal. Dos que preferem ficar em branco, ao invés de fazerem algo pela alteração radical da cor da tela.

Apontamento diário para AComuna.net

1 de setembro de 2010

Preenchendo o questionário do 5dias

Actualmente, e na continuidade do programa da revolução democrática e nacional aprovado no VI Congresso do PCP e dos ideais, conquistas e realizações históricas da revolução de Abril, o PCP luta por uma democracia avançada no limiar do século XXI, simultaneamente política, económica, social e cultural, com cinco componentes ou objectivos fundamentais:

  1. um regime de liberdade no qual o povo decida do seu destino e um Estado democrático, representativo, participado e moderno;
  2. o desenvolvimento económico assente numa economia mista, moderna e dinâmica, ao serviço do povo e do País
in Estatutos do PCP

Todos os partidos que se reivindicam do socialismo e ou do comunismo, na Europa e na maior parte do globo, lutam por reformas, seja: por palavras de ordem, no movimento social e laboral e nos parlamentos nacionais e transnacionais (nos casos onde esta representação existe).

Apresentam os seus programas e propostas mediante a situação e a conjuntura política e social. Assim são, o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português, tal como os seus parceiros internacionais, que em muitos dos casos, são semelhantes. O caso do Die Linke é apenas um deles, poderia citar dezenas, mas penso que pouco acrescentaria à discussão.

O que não invalida a pretensão e o alcance de uma sociedade socialista. E sim Rafael, na dicotomia Reforma ou Revolução, hei-de-me situar sempre do lado da Revolução.

Pegando na raíz dessa dicotomia, aproveito para responder, à saída pouco séria do Rafael, sobre o que disse sobre o Partido Socialista.

"ou seja deduzo que o Fabian até admite que se o PS reassumisse o seu papel reformista (um pouquito mais à esquerda, como havia dito), seria o companheiro ideal do Bloco (e esqueçamo-nos lá dessa porra de revoluções, que essa merda dá muito trabalho)"


Nada de mais errado, seja a minha opinião, seja a do Bloco de Esquerda. E assim aproveito para recuperar, um velho e intemporal debate, sobre o que se passou em Itália há uns anos, que cabe aqui que nem uma luva, para dissipar os preconceitos que sopram sempre do mesmo vector:

"A participação gestionária num governo liberal, de "centro-esquerda", pode até ser justificada para impedir males maiores às classes populares mas comete o crime de roubar a esperança numa alternativa social. Umas migalhas não fazem a dignidade numa luta de opostos. Ao acentuar-se a crise estratégica do reformismo mantinha-se um apelo ao reagrupamento das esquerdas políticas e sociais. O PRC (1) ao fazer parte da crise do reformismo produz desmembramento do espaço transformador, divisões, atraso na consciência social.
- Luís Fazenda, Carlos Santos e Vítor Franco in Revista Virús, pag 43 "

(1) Partido da Refundação Comunista (Itália)

Capiche? Faço das palavras supracitadas as minhas, penso que torna todo o assunto bastante claro.

Sobre a diversidade cultural e política, reconheço que ela exista dentro do PCP, e que uma forma ou outra sempre existiu, de Francisco Martins Rodrigues à Renovação Comunista, agora a sua expressividade e espaço de manobra é outra coisa.

E aliás Rafael Fortes reivindica-se parte dela, e facilmente se o reconhece em parte do seu discurso e opinião escrita. E mais exemplos existem:


O resto pode ser lido aqui

PS1 - Não sou funcionário, e acho pueril esse tipo de acusação, todos os partidos os têm, são essenciais para a vida e o funcionamento do partido. Quantos do PCP é que não escrevem na blogoesfera? Não acrescenta nada de novo, para além de poeira inconsequente. E digamos só lhe fica mal.

PS2 - As minhas referências ideológicas? Marx, Engels, Lenine, Nazim Hikmet Ran, Gramsci, Zizek, Althusser, e por ai adiante. Tenho as minhas divergências e leituras diferentes, com quase todos, mas vejo-os ,como essenciais para pensar o marxismo hoje.

Renato,

havemos de ter oportunidades de dizer Olá um ao outro, quanto a dizer, Adeus ao Lenine, deixo o repto, pós-lenine é pré-revolução.

Quanto à minha nota biográfica no 5dias, o Google ter-te-ia dado mais informações.

Uma espécie de resposta a: "Mas, afinal, o que quer, o que é o Bloco de Esquerda?"

O post do Rafael Fortes no 5 dias, abre um debate e uma reflexão interessante. Por um lado, dispensou a crítica gratuita e tendencialmente corriqueira - ao qual o 5 dias nos tem habituado, neste tema - por outro, diz-nos muito, sobre o que é o PCP, e como era construtivo para a Esquerda portuguesa, não ser (em muitos aspectos) o que ainda é.

O Bloco de Esquerda, quando nasce há mais de uma década, no cenário político português, foi generalizadamente atacado por diversos agentes e actores políticos, da esquerda à direita, sem excepção. O PCP foi um deles e continua a sê-lo. O mais recorrente, para além das piadas de oportunidade (sempre envoltas de preconceitos, usualmente ligadas aos direitos sociais pelas quais o Bloco se bate desde que existe - falemos de direitos lgbt ou da legalização das drogas leves), era de que iria fraccionar e enfraquecer a Esquerda portuguesa, traduzindo isto para a realidade portuguesa, tirar votos e apoios à CDU/PCP/PEV.

Coisa que não se sucedeu, aliás, basta olhar hoje para o Parlamento português. Quando é que foi a última vez, que forças à esquerda do PS, tiveram, proporcionalmente, tantos deputados?

De qualquer das formas, não posso deixar de assinalar, as afirmações (abaixo citadas) de RF, é bom saber que existem activistas comunistas, organizados no PCP, que viam e vêm com bons olhos a construção de poder sólido à Esquerda, que faça o PCP atrever-se a saltar as suas fronteiras. Não são muitos, mas continuamos à espera que essa opinião se generalize dentro do Partido.

"Um contributo que podia ser dado junto com o PCP (mas não só) a construir um projecto de poder sólido assente na solidariedade, na democracia participativa, na construção de um Portugal menos desigual. Confesso que tive (às vezes ainda tenho) essa ilusão."


Pegando novamente no que RF escreveu, creio que, para além de estar equivocado, parte de um erro de análise profundo:

Uma social democratização que começa a preparar agora uma relação com um PS pós-Sócrates, um pouquito mais à esquerda. Um PS que aceitará um reformismo do capitalismo, um PS que não se importe em não dar tantos privilégios aos que mais podem. E aí, estarão criadas as condições para um entendimento.

O Bloco de Esquerda, sempre dialogou com todos os sectores de esquerda da sociedade portuguesa que refutam o neoliberalismo, estejam eles em que organizações estiverem. É assim que se constroem maiorias sociais, é assim que se faz frente aos ataques aos direitos dos trabalhadores. Quanto mais alargada a resistência, maior será a sua força. O Partido Socialista, não se insere de todo nesse quadrante, aliás, foi sempre quem mais liberalizou os sectores produtivos do país e quem mais cortou nos direitos, liberdades e garantias, seja na CRP ou em toda a arquitectura jurídica portuguesa.

Por outro lado, o Partido Socialista pós-sócrates, será uma continuidade do mesmo. Não se prevê, nem cresce em lugar nenhum, uma onda de regresso aos princípios da social-democracia, longe disso, o que virá, por mais manicure que tenha, será para continuar a mesma onda galopante de social-liberalismo. Basta olhar para o que é hoje a II Internacional por essa Europa fora ou dar uma vista de olhos ao novo breviário ideológico do Partido Socialista - Os Valores da Esquerda Democrática: Vinte Teses Oferecidas ao Escrutínio Crítico de Augusto Santos Silva (que certamente encontra muitos apoiantes dentro do PSD).

E só para que fique explícito, o espaço do Bloco abriu-se à esquerda da esquerda parlamentar clássica, politica e ideologicamente. E sobre alianças governativas com o PS - o cadastro reformador do PS falo por si. O que é bem diferente de apoiar Manuel Alegre, que ganhou espaço na sociedade portuguesa, opondo-se às principais reformas feitas pelo seu Partido.

E já que se fala em presidências, o PCP apoiou R.Eanes e Jorge Sampaio.

"Aí, o Bloco poderá aparecer como o “aliado temporal da burguesia” ou coisa que o valha."

Nunca encontrei, no seio do Bloco, fãs do Nacional-Desenvolvimentismo, seja da via chinesa ou da via brasileira. E nunca o BE enviou cartas de congratulação ao PT por ter ganho as eleições, ou à ANC, MPLA, etc...

Em suma toda esta discussão sobre o PS e o BE, para além de ter a idade do próprio BE, não passa de neblina retórica e de uma questão académica.

Por fim a parte mais hilariante de todas, na minha opinião, é esta:

"Como se pode esquecer a História, o contributo de praticamente todos os revolucionários do século XX? Como se pode ser socialista no século XXI e ter a pretensão de querer começar a História do zero, apagando da memória o sangue de milhões de revolucionários que deram a vida por uma sociedade livre da exploração, do fascismo, do racismo, da homofobia, do colonialismo e do pós-colonialismo, do intervencionismo e do imperialismo? Como se pode ser socialista no século XXI e ter vergonha dos socialistas do século XX? Como se pode ser socialista no século XXI e não ser revolucionário?"

Ser revolucionário hoje, ou se quisermos, ser comunista hoje, é rejeitar as experiências soviéticas, porquê? Porque não foram socialistas. Evoluir criticamente à esquerda sobre elas, é ser revolucionário. Tapar os olhos às contradições inerentes ao sistema e não fazer uma crítica à burguesia vermelha que se instalou na burocracia do(s) Estado(s) e do Partido(s), é deixar cair o ideal e o horizonte no monolítismo e no acriticismo.

De resto deixo aqui isto, pode ser que tenha escapado ao Rafael:

Pensar o Socialismo hoje

Congresso Karl Marx

O que é ser Comunista Hoje?

1 de julho de 2010

Presidenciais a Metro


Corre!!! Hoje há mais uma razão para não perder o Metro:

“(… ) O PS e a esquerda já têm o seu candidato oficial [eu sublinho o "oficial", como disse aqui], precisamente Manuel Alegre. A candidatura Nobre-Soares serve apenas para dividir a esquerda. Porque quer Soares dividir a esquerda? Uma razão seria mesquinha e não pareceria adequada à grandeza pessoal e institucional do homem: ainda ferido pela humilhante derrota que Alegre lhe infligiu há cinco anos, quer ele agora humilhar Alegre. A outra razão seria uma genuína preocupação em ver o PS nas mãos do Bloco de Esquerda, que é na realidade o grande patrocinador da campanha de Alegre. Interessante é ver o candidato Cavaco Silva agradecer tudo isto, já que pode ele apresentar-se como o único ao centro (que até dá brindes à esquerda, como o casamento gay). Soares quer tão pouco ver Alegre em Belém (seja por razões pessoais, seja por razões políticas) que parece não se importar com a permanência de Cavaco, esse homem que não é de “cultura” nem do “regime”.”


«Mais um candidato» foi a crónica de hoje de Luciano Amaral (Professor da UNL) no jornal gratuito o Metro.

18 de junho de 2010

Para a mesa de João Galamba sff.



"E acho que estas eleições, pela primeira vez em muito tempo, ao contrário do que toda a gente diz, são um combate ideológico como há muito tempo não existia, e toda a gente que dizia que a ideologia está morta, 'tá enganada, porque a 27 de Setembro vamos de facto escolher entre duas visões de mundo e projectos políticos radicalmente diferentes. E gostava que as pessoas à esquerda percebessem isso de uma vez por todas, que a divisão entre esquerda e direita, não está à esquerda do PS. Está entre o PS e o PSD".

Belas palavras estas sem dúvida. A discussão do Orçamento de Estado, do PEC I, do PEC II e do PEC III, teriam sido alturas de profunda discussão e crispação política entre o Partido Socialista e o Partido Social Democrata, se não existisse uma simbiose, entre Sócrates e Passos, em torno do Tango.

Na verdade João Galamba teve azar, teve mesmo muito azar, se não fosse aquela melodia argentina apaixonante do Bloco Central, teríamos tido, em tempos de crise, duas visões políticas sobre o Estado, Sociedade e Economia diametralmente opostas. Há dias assim, lá teve, e tem que levar, com a música e com o coro cantante e afinado na AR por parte do PS e do PSD.

No entretanto, João Galamba volta-nos com uma nova certeza, o PS não tocará no décimo terceiro mês. Tal como não iria mexer nos impostos, no IVA, nas prestações sociais e muito menos privatizar mais empresas para além da ANA.

É que só Galamba é que deve ter ficado convencido disso, porque o PS, passou o debate todo a fugir à questão e a contorná-la. De qualquer das formas, o povo português, poderá contar com uma efusiva oposição pública e política de JG a este aumento, caso ele surja. Ou não foi assim até agora?

Em suma, ou Galamba se rendeu à morte das ideologias e à governance, ou está-se se a preparar, com toda a força, para os próximos Jogos Olímpicos na modalidade de engolir sapos.

24 de maio de 2010

Porque têm eles medo da Greve?




Sábado é dia de luta, e eles andam com medo. Sócrates, Passos Coelho e os sectores liberais da sociedade afirmam que uma grande greve geral irá prejudicar o país e passar uma má imagem para o exterior, que uma greve geral apenas contribuirá para o desnorte e para a especulação sobre Portugal. Usam-se todos esses argumentos como uma peça de chantagem para os trabalhadores. Mas a verdade é que a imagem do país no exterior não se mede em função da pseudo lealdade a quem nos mete as mãos nos bolsos. A imagem do país no exterior somos nós Portugueses, imigrantes, trabalhadores, estudantes que a construímos. Uma grande greve geral é sinónimo de motivação social geral, de uma vontade colectiva que diz: juntos, aqui e agora, lutaremos pelo país, lutaremos por todos. Uma grande greve geral é sinónimo de grande mobilização social para o futuro.

O que os poderosos têm medo não é essa imagem exterior, é simplesmente sentirem o peso de um país que diz não (!!) ao modelo que está a ser imposto, que não contribuirá para o crescimento económico e muito menos para o bem-estar social, antes pelo contrário!

Pelo país e pelo trabalho, mobilizemo-nos !!

21 de maio de 2010

Do Poder, do Partido e do Movimento


O Hugo e o Bruno marcaram a agenda do Blogue de uma forma exímia, trazendo um debate de enorme relevo à esquerda do reformismo.

Se por um lado reflectem sobre a concepção de Partido-Movimento, as formas como ambas as partes se relacionam e como travam as suas lutas, por outro frisam bem a importância de não perder o horizonte transformador e não ficarem secos nas denominadas causas fracturantes.

Um dos grandes problemas desses partidos de causas residuais e temporais é facilmente serem absolvidos pelo situacionismo. Com o evoluir do capitalismo liberal e da marcação de agenda, as suas metas políticas começam também a fazer parte da agenda dos partidos burgueses e a sua razão de existência dissolve-se no ar.

Frise-se que é de enorme relevo almejar novos direitos civis, combater as discriminações na sua totalidade, mas as metas como o conhecimento livre, a eutanásia, o aborto, o casamento lgbt, começam em vários países do capitalismo avançado a fazer parte não só das agendas das forças do regime, como são parte integrante dos direitos, liberdades e garantias.

Outro ponto precioso nesta análise é que em vários países da Europa, esse debate não se faz sempre e somente entre esquerda e direita, mas muitas das vezes, entre conservadorismo e liberalismo. Vários partidos Liberais da Europa têm a mesma agenda no campo das liberdades individuais que muitos partidos de esquerda.

O grande debate dentro desta realidade é mesmo o horizonte do Partido e da sua relação do Poder, tal como constatava o Bruno sobre o Partido Pirata, que para além do conhecimento livre, não tinha muita mais posição política, portanto completamente disponível para ser parte do jogo político do centrão.

É aqui que se distinguem claramente os campos, seja entre partidos de causas e mesmo entre partidos de esquerda.

E inevitavelmente volta-se sempre às denominadas "Quinze Teses para uma Esquerda Alternativa Europeia" apresentadas por Fausto Bertinotti. O mais curioso neste caso específico, é que o próprio Bertinotti e a Refundação Comunista comprovaram que as suas teses estavam correctas, uma vez que se injectaram com o vírus, do qual supostamente tinham o anti-vírus.

À Esquerda do Reformismo é preciso um projecto consistente, de alternativa social e sistémica, que não se compagina com coligacionismos, pragmatismos e corridas precipitadas para um poder, que não é o nosso. Ser mais que um leque de causas, ou um pequeno agente de atraso de ataques maiores ,é condição mínima para a esquerda que se queira como alternativa.

A autoridade dos partidos, a força dos movimentos sociais, não irromperam apenas das contradições objectivas com os interesses das "classes subalternas" mas também do capital
de esperança das alternativas - essa é a força subjectiva, da consciência social. A participação gestionária num governo liberal, de "centro esquerda", pode até ser justificada para impedir males maiores às classes populares mas comete o crime de roubar a esperança numa alternativa social. Umas migalhas não fazem a dignidade numa luta de opostos. Ao acentuar se a crise estratégica do reformismo mantinha se um apelo ao reagrupamento das esquerdas políticas e sociais. A Refundação ao fazer parte da crise do reformismo produz desmembramento do espaço transformador, divisões, atraso na consciência social. (1)

13 de maio de 2010

é sempre a mesma história que nos contam !!

O capitalismo está constantemente em reconversão: inova, transforma-se, encontra formas de se autolegitimar. E por muito que os discursos politicamente correctos nos venham falar de inevitabilidade não há escapatória: o problema de Portugal, da Europa e do Mundo é um problema ideológico. É um problema de sistema, de organização, de valores. Mais de dois mil anos de hegemonia de um modelo de dualismo social e de exploração (que na verdade nunca ninguém ousou quebrar) nunca oferecerem nada de realmente importante ao Mundo. E não nos desenganemos, porque o problema do PEC e da ditadura do défice é um problema estrutural, meramente estrutural. É um problema ideologicamente estrutural. Com a crise financeira o discurso liberalizador faliu e deu origem ao discurso regulador e moderador (também presente no discurso social cristão e social democrata do pós guerra). Para salvar o sistema os estados meterem rios de dinheiro nos mercados e nos bancos. E agora tapar esses buracos de salvação e os que já existiam criam-se os PECS e a ditadura de mercado. Em Portugal pagaremos (nós os mesmos de sempre) a factura dessa cangalhada elitista que destrói o país, o Mundo e que tem as costas quentes – o modelo neoliberal:


- Aumento para 21% da taxa do IVA.

- Aumento da taxa intermédia para 13 %.

- Aumento da taxa reduzida (a de bens essenciais e alimentares) para 6 %.

- Aumento de 1 % sobre os rendimentos.

- Congelamento salarial.

- Cortes nos subsídios sociais – subsidio de desemprego e RSI.

5 de maio de 2010

Coisas engraçadas da Internet II

O colega Paulo Abrantes, ups(!), Denúnica Coimbrã respondeu ao meu apelo no seu melhor estilo.

Fico agora à espera que na próxima Assembleia Magna mantenha a coerência e apresente uma moção a propor barricadas na Assembleia da República e invasões a agências bancárias, logo vemos, mediante a conjuntura futura, como os votos se distribuirão. É sempre mais proactivo que tirar fotos da última fila, e com isso poderia ensinar "à esquerdalhada ortodoxa" como se confronta o sistema.

A falar em "esquerdalha ortodoxa", não deixa de ser interessante, como o efeito Vital Moreira está para durar na política. Não falo de ajudar a traduzir o Capital e passados uns anos ser o maior adepto do social-liberalismo, mas numa escala mais pequena: uma coisa como, hoje colo cartazes com eles, amanhã sou o seu maior crítico. A vida tem destas coisas, a chatice é o passado e a memória. Creio que na altura também deveria ter outras opiniões sobre a liberdade de imprensa.

PS. A minha definição de anónimo é a mesma do dicionário:

anónimo
adj.
adj.
1. Sem nome; que não está assinado.
s. m.
2. Escrito anónimo.
3. A pessoa que escreve anonimamente.

A chatice por cá, é que a cidade é pequena.