21 de outubro de 2011
o daniel oliveira e o tiago santos andam uns fofinhos
22 de junho de 2011
Rui Tavares e a nova cor das Melancias
Há mais de duas semanas que o Rui Tavares tomou a decisão de abandonar o GUE/NGL, período mais ao menos coincidente com a derrota eleitoral do Bloco de Esquerda. Durante esses dias, o impoluto e puritano cidadão da esquerda autêntica, tomou a iniciativa de encetar negociações com os Verdes, com vista à sua contratação no presente defeso. Pelo meio dessas duas semanas, fez questão de comunicar essa decisão ao BE, afinal de contas o Partido/Movimento que lhe possibilitou, integrando-o nas listas, a eleição.
Feita essa comunicação, reconheço que estranhei o seu segredo mediático. Pensei: provavelmente está a meditar, reflectir, medir os prós e os contras. Acresce que, à parte este período de fecundação reflexiva do ego do Eurodeputado que ajudei a eleger, havia um Partido/Movimento a tentar sobreviver à onda avassaladora de pressão e crítica mediáticas. Todos os dias um artigo de opinião a "malhar", reportagens e entrevistas sucessivamente, sem contraditório, com os "dissidentes do costume"... Lá fora, a savana repleta de predadores a salivar pela cabeça de Francisco Louçã. O Sr. do BBC Vida Selvagem chama-lhes chacais, quer dizer, aqueles seres que atacam, em especial, em momentos de fragilidade da sua presa. Mas "prontos, a gente foi esperando para ver o que isto ia dar".
Eis que a poeira assenta, o debate interno é iniciado, faz-se a autocrítica, define-se democraticamente um caminho a trilhar e eis que... Com duas semanas de atraso, Rui Tavares anuncia às largas massas populares, ávidas em descortinar finalmente o que é essa coisa da esquerda e dos seus partidos, a sua decisão de romper com GUE/NGL, por motivo de uma nota no Facebook de Francisco Louçã que estranhara que a mesma informação errada, acerca da origem do BE, fosse oriunda sempre da mesma fonte, esse mesmo Rui Tavares, o grande Buda Ideológico da nossa praça Tahir.
Não deixa de me intrigar que alguém tão crítico do pensamento da esquerda, do seu rumo e estratégia política, possa por razões tão apolíticas e fúteis, "abandonar o barco, nestes dias de maré alta". Rui Tavares, afinal os partidos de esquerda são isto? Um programa político sufragado por quase 11% da população é rasgado por estes motivos? E o que faz Rui Tavares? Dá consistência política à sua decisão e deixa o cargo de Eurodeputado? Não. Não só se mantém no Parlamento Europeu, como pura e simplesmente, rasga o pacto eleitoral com os eleitores e muda de bancada parlamentar... Rui Tavares, se não existem partido de esquerda em Portugal, quer dizer que, por alguma hipótese, essa esquerda pode estar representada em si?
Como se não bastasse o oportunismo, Rui Tavares decide agora vestir o fato simultaneamente de vítima e de Juiz. Diz ele: "sabia por exemplo o que se tinha passado em Lisboa com o independente Sá Fernandes e queria de certa forma perceber se o BE tinha aprendido a lição e conseguia finalmente lidar com a independência no seu próprio seio". Será o Rui Tavares um agente especial, ou um magistrado do Ministério Público, com o mandato de integrar as listas do BE, " para ver se a gente se porta bem"? E depois sobre a relação do Bloco com independentes conclui: "Não aprendeu, nitidamente não aprendeu a lidar com independência nem com independentes. Isso é uma coisa que eu hoje posso dizer". Como óptimo historiador que é, Rui Tavares saberá que antes e depois dele, o Bloco integrou independentes nas suas listas. São disso exemplo João Semedo e Catarina Martins no Porto, em 2005 e 2009 respectivamente e tantos outros a nível autárquico. "Diz que" a coisa correu bem por esses lados, mas vem-nos à cabeça a pergunta batida: Por que motivo apenas o exemplo de Sá Fernandes é citado?!
Neste périplo metafísico em volta dos caminhos da esquerda, Rui Tavares é apenas a ponta de um iceberg longo e profundo que vem desde o Arrastão, passa pelo Expresso e enraíza-se na SIC Notícias, qual Eixo do Mal. É aos dois que este texto é dedicado, com amor e carinho revolucionários e um "desejo de tudo de bom".
8 de junho de 2011
A alternativa é uivar como os Lobos?
O autor da réplica foi Jorge Costa, membro da Comissão Política do Bloco de Esquerda.
"Olá Daniel. Uma relação distante com o Bloco é o que tem quem não participa nas decisões colectivas que tomamos. Temos diferenças grandes, concentradas na relação do Bloco com o PS e no sentido do partido. São assumidas há anos e já as debatemos os dois, por exemplo aqui: http://www.esquerda.net/virus/index.php?option=com_content&task=view&id=57&Itemid=27
Mas quando, há apenas um mês, o Bloco decidiu a sua orientação e a direcção responsável por ela, fê-lo numa convenção tão democrática como todas as que conheceste. Tu preferiste não apresentar uma linha desta reflexão que tanto cativa agora os media, nem permitir que alguém pudesse votar nessa mudança de orientação - nem te apresentaste a delegado. Distância é isso.
Quando te decidires a ocupar o que chamas de teu espaço interno, vais encontrar-me com o fair play de sempre - a defender a minha ideia e a sufragá-la entre camaradas. Fa-lo-ei com todo o zelo e sem qualquer excesso, porque então será a sério. Até lá, vou seguindo os teus comentários."
29 de março de 2011
para além das hipóteses académicas
Por outro lado, não há, em Portugal, uma esquerda à esquerda dos socialistas disponível para participar em soluções de poder. Uma originalidade nacional. Por essa Europa fora partidos ecologistas ou mais à esquerda mostraram, em vários momentos históricos, disponibilidade para governar. E nunca como agora essa disponibilidade foi tão urgente. O que está em causa na Europa é resistir a uma avalanche que ameaça não deixar pedra sobre pedra no edifício do Estado Social. Ser de esquerda tornou-se num sinal de radicalismo. A social-democracia consequente é hoje de uma ousadia extraordinária.Mas Portugal tem outra originalidade, em que é acompanhado pela Alemanha e mais um ou outro país europeu: a esquerda à esquerda dos socialistas representa quase vinte por cento dos eleitores. Se quisesse usar a sua força em funções executívas teria um poder extraordinário.
Daniel Oliveira em A esquerda, o poder e o pântano
Os argumentos apesar de terem sido esgrimidos recentemente, baseiam-se em opiniões antigas e em visões já há muito repetidas.
Portanto, tudo o que se possa escrever em oposição a esta tese, será, por sua vez, igualmente repetitivo.
Deixaram cair as suas principais propostas socialistas, tal como a retórica anti-Nato, por outro lado, participaram de uma coligação governativa com o SPD, que de esquerda também nada teve. Foram favoráveis à invasão do Afeganistão e participaram de um duro programa de cortes e de redução de direitos sociais. E veja-se lá que a governação fora tão positiva e de alternativa social que os governos sucedâneos foram, primeiro de Bloco Central SPD/CDU/CSU e depois maioria absoluta de coligação CDU/CSU/FDP. Abrindo caminho para o que hoje é a senhora Merkel. E fica no ar, uma outra questão, onde está a esquerda dos Verdes alemães quando governam o Estado de Hamburgo com os conservadores da CDU?
Há um outro caso paradigmático, o já muito discutido governo de coligação italiano entre Democratas e Comunistas. Que para além de ter cumprido com régua e esquadro o programa social-liberal, desde reformas laborais à participação da invasão do Afeganistão. Relembre-se os mais esquecidos, que o Partido Socialista e as suas personalidades se opuseram a esta barbárie bélica.
E ainda mais graves foram as consequências políticas para a alternativa de esquerda, Berlusconni não só voltou ao poder, como a Refundação Comunista teve o seu pior resultado da história, e não é por acaso que hoje se pode ler isto nas suas teses:
15.2 Per quanto riguarda le prossime elezioni politche, per le ragioni sopra esposte, non riteniamo esistano le condizioni per un comune programma di governo e per la partecipazione al medesimo della Federazione. La diversità profonda di impostazione programmatca con il PD determinerebbe per la sinistra il rischio della subalternità, oppure di una contnua confitualità.
PRIMO CONGRESSO DELLA FEDERAZIONE DELLA SINISTRA
Eu acredito que ser social-democrata hoje, seja de uma enorme ousadia, pois bem se pode procurar por um partido da Internacional Socialista que o seja, que não se encontra. Daí a extravagância e irreverência da defesa desse campo político e da proposição de coligações e entendimentos entre a ala esquerda da direita e as esquerdas. Pois, na verdade não tem grande futuro para além do orfanato ideológico e do fuzilamento político das forças sociais que se batem pela alternativa.
E que fique assente, que bem se podem rever as teses, que a conclusão é sempre a mesma, não foram as forças socialistas que empurraram os PS's para a terceira-via, as tornaram gestoras do situacionismo e fábricas de apparatchiks apolíticos. As escolhas políticas que tomaram e os traços ideológicos com que se revestiram é que as levaram a ser máquinas famintas de poder e forças simpáticas para a imposição de políticas anti-populares.
A esquerda que se tem erguido por essa Europa, é a mesma, que nega encontrar socialismo em gavetas que já não existem.
17 de fevereiro de 2011
Pai Natal, cegonhas que trazem bebés, PS de esquerda e outros mitos
Quando eu era pequenina, a solução para qualquer problema económico era simples. Esperava-se por Dezembro e o Pai Natal chegaria e daria paz, amor, pão e frigoríficos às famílias. Aliás, eu nem sequer entendia como é que havia gente pobre, se o Pai Natal ia à casa de tod@s @s menin@s. Anos mais tarde, as situações costumeiras da vida levaram-me à verdade, após gozo consentâneo por parte de todas as crianças da minha rua: o Pai Natal não existia, @s adult@s tinham me enganado e eu era absolutamente ingénua.
Enquanto isto acontecia, deleitava-me o meu pai com inefáveis histórias de cegonhas que iam para Paris buscar sementes de crianças. Após o terror surgido aquando da percepção da minha qualidade de planta, vivi feliz e despreocupada, acreditando que, um dia, o príncipe encantado também iria ter os seus negócios com a tal cegonha, de modo a trazermos à família Pedrosa a Maria e o Gabriel. A ilusão acabou quando o meu pai, como @s restantes adult@s, mais uma vez passou por mentiroso e quando me contaram uma história terrorífica sobre a produção de crianças. Mais uma vez, fui a última a saber. A cegonha não conseguia voar até Paris, @s adult@s tinham me enganado e eu era absolutamente ingénua.
Hoje, anos mais tarde, com 20 anos e 173 belos centímetros, sei que o Pai Natal é uma ilusão e que as cegonhas, apesar de adoráveis, não trarão a pequenada que eu quero na minha vida. Sei que é a mamã quem compra as prendas na azáfama de Dezembro e a minha professora de Ciências do sétimo explicou-me tudo direitinho acerca do processo de manufacturação que culmina numa Maria ou num Gabriel.
Nestes campos, não sou mais ingénua.
Mais: estou decidida a não ser ingénua em mais campo nenhum. Chega de gozarem com a minha graciosa credulidade. Não me venham, portanto, com mais mitos, que eu já não sou tão fácil.
Que saibam o Daniel Oliveira, o Elísio Estanque, o Rui Tavares e outros que tais que eu já não sou assim fácil e não crerei no mito que apregoam. O PS de esquerda não existe, @s adult@s não mais vão enganar-me e eu já não sou ingénua.
E seria bom que toda a gente visse que o PS de direita existe, que @s adult@s não mais (se) enganassem e que o povo não mais fosse ingénuo.
12 de fevereiro de 2011
Uma resposta fraterna ao Daniel Oliveira

