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16 de fevereiro de 2012

Concentração em Solidariedade com o Povo Grego

20 de Fevereiro 18horas
Largo de S.Domingos - Lisboa
Praça da Batalha - Porto

No dia 12 de Fevereiro o presidente Loukas Papademous, lacaio do Deutsche Bank, e a maioria governamental aprovaram o segundo memorando que institucionaliza o resgate dos bancos, dos homens de negócios e do euro e, por outro lado, sacrifica o povo aos deuses da especulação.
Este pacote de austeridade pretende impor medidas que nenhum povo pode aceitar. Os “parceiros” da União Europeia exigem ao povo grego um corte de 32% no salário mínimo daqueles que têm menos de 25 anos, e de 22% aos que têm mais de 25 anos. Os contratos colectivos de trabalho são eliminados para conseguir o despedimento de 15 mil trabalhadores no sector público, e vão ser destruídos 150 mil empregos através da não renovação de contratos.

Este novo pacote de austeridade exige também cortes nas pensões e nos salários dos serviços públicos, a privatização de bens do Estado e cortes nos serviços públicos, incluindo saúde, assistência social e educação. Na verdade, estamos a falar da morte da sociedade. Neste momento a Grécia é governada por um governo que não foi eleito. Um governo no qual a extrema-direita faz parte. Um governo que impõe políticas que acabam com direitos humanos e direitos laborais, obriga escolas e hospitais a encerrarem, condena mais de 20% da população à pobreza extrema e ao desemprego, ignora a vontade do povo demonstrada em várias manifestações em que centenas de milhares de pessoas participaram, vende todo o tipo de propriedade pública, tolera e encoraja a violência policial. A resposta à crise estrutural do capitalismo por parte do capital, da banca e do estado burguês, é a completa demolição de qualquer direito laboral e social de forma a salvar os seus lucros e o sistema em si mesmo.

O povo grego, com coragem, revolta-se contra esta política de intimidação social. Apesar do total silêncio dos media e de toda a repressão violenta, as manifestações e greves gerais multiplicam-se. No último domingo, juntaram-se na Praça Sintagma, mais de meio milhão de pessoas para mostrar a sua oposição e hostilidade contra as novas medidas de austeridade. A manifestação foi cruelmente reprimida, com gás lacrimogéneo e violência policial, o que levou 20 pessoas a serem assistidas no hospital. Tentam aterrorizar todos os lutadores sociais, a fim destes obedecerem. Apesar desta extrema violência repressiva, o povo grego continua a manifestar-se mostrando que não tem medo! Não há nenhuma outra solução que não a luta social, numa sociedade onde não se vislumbra futuro para os trabalhadores e a juventude.

Confrontando-nos com uma crise que se expande na União Europeia, mais vai para além desta, a solidariedade entre os povos é uma arma nas nossas mãos. A Grécia e Portugal estão na mesma situação económica e partilham um futuro comum – nós somos a primeira cobaia de um novo modelo cruel de gestão do capitalismo. É necessário que o povo português se levante e manifeste a sua solidariedade para com o povo grego e para com todas as lutas sociais na Europa. É tempo de coordenar as nossas lutas, de nos revoltarmos! É tempo de dizer bem alto que não vamos fazer mais sacrifícios em nome dos patrões, dos bancos. Do euro! É tempo de dizer bem alto que não pagamos um dívida que não é nossa

Mais informações aqui

3 de novembro de 2011

Isto não é neoliberalismo!

EUROPE-PEOPLES-RISE-UP111Compreender os fenómenos políticos que se entrelaçam na Grécia são a chave para apreender as mutações dos nossos tempos.

Atenas e os seus territórios circundantes são identificados como o berço da civilização como o concebemos na esfera ocidental. Não é por acaso, que o Império Romano quando invade Atenas é aculturado pelos ocupados.

Mas o que no passado longínquo serviu de ensaio inspirador para novas experiências democráticas e de progressos científico, cultural e intelectual é contemporaneamente um imenso laboratório político e económico.

Vamos por partes. A soberania popular, a democracia pluripartidária, as liberdades colectivas e individuais e o ideário do progresso e desenvolvimento constante formaram o grosso do espírito político dos Estados no período pós-guerra. O Ocidente adoptara esse modelo como o seu e atribuiu-lhe carácter normativo, todos os outros seriam embutidos de vícios e de comportamentos desviantes. O triunfo do neoliberalismo e consequentemente do neoconservadorismo, vieram alterar algumas peças a esse modelo, apesar das transformações (essencialmente na criação de novos espaços de acumulação e na desregulação total das relações sociais) o essencial como modelo para o imaginário colectivo manteve-se.

A explosão da bolha imobiliária, as crises financeira e das dívidas soberanas, deram o mote para a procura de um novo modelo social e económico capitalista, é arriscado totalizá-lo mas podemos perfeitamente identificar os rumos que pretende tomar e defini-lo como austeritário – austeridade e autoridade permanente no campo social e económico. Se o capitalismo de pacto capital/trabalho do pós-guerra foi sucedido pelo neoliberalismo (e demais derivações), este último está de todo em fase de mutação para ganhar forma no supracitado. E se o anterior foi testado no Chile, podemos afirmar que o posterior tem como sua primeira grande experiência a Grécia.

O país encontra-se há dois anos sob um apertado plano de austeridade, o erário público foi completamente esventrado, os direitos sociais aniquilados, o tecido produtivo destruído e o desemprego encontra-se nos 16%. O panorama geral é de total regressão civilizacional e de descrença global nas orientações económicas impostas pelo governo grego e pelas instâncias internacionais e europeias. Diversas sondagens demonstram que larga maioria do povo rejeita as receitas aplicadas enquanto a popularidade do executivo nunca esteve tão baixa. Ao que se somam imensas greves gerais, protestos, tumultos e uma luta popular constante.

No calor desta conjuntura Georgios Papandreu, anunciou a realização de um referendo sobre a nova “ajuda” financeira. Os mercados, o eixo franco-alemão, partes do próprio governo e do PASOK não gostaram. O primeiro-ministro retirou a proposta e anunciou negociações para a criação de um governo de unidade nacional (em princípio constituído pelo PASOK – no governo - e pela Nova Democracia – oposição de direita).

Regressemos ao modelo. A Grécia assemelha-se a uma província colonial, comandada pela metrópole Berlim-Paris, mercados financeiros e instituições estrangeiras, as suas decisões políticas autónomas nada valem se não condizerem com as orientações exteriores. A soberania popular é meramente fictícia. Os direitos sociais e económicos são puramente formais e o mais relevante de tudo, o desenvolvimento progressivo e a promessa de um futuro melhor foi substituído pelo empobrecimento necessário e sacrifício geracional, o que não se coaduna a longo prazo com a convivência democrática. É a sua completa antítese e a demarcação mais clarividente da ideologia neoliberal - que sempre prometeu futuros gloriosos, baseados nas leis do mercado, na iniciativa privada, desde conjugada com esforço e mérito.

Apenas regimes ditatoriais conseguem governar a longo prazo, com este grau de agressividade e brutalidade, contra o seu povo, sustendo o descontentamento com repressão, perseguição, medo e terror, a história assim o demonstra cruelmente.

Quer isto dizer que regressaremos aos inícios do séc.XX? A história não se repete e o determinismo puro como grelha analítica não ajuda. No entanto, os rumores de movimentações de generais, aliados a avisos passados da CIA sobre tentativas de golpe de estado, não auguram nada de bom. Mas se o muscular institucional é inevitável para manter este programa de extorsão social - os governos de unidade nacional em situações de crise são uma manifestação clara disso – a redacção do futuro às massas pertence.

Uma coisa é certa, isto não é neoliberalismo!

Publicado na comuna.net

18 de outubro de 2011

A Internacional em Grego



Espanha, Grécia, Irlanda, Portugal
A nossa luta é internacional!


[provavelmente há mais versões mas eu não as saberia distinguir]

29 de junho de 2011

Em cada janela, uma bandeira da Grécia!


Foi hoje aprovado mais um plano de austeridade na Grécia. Trata-se de uma condição imposta pelo Banco Central Europeu, FMI e Comissão Europeia para que aquele país possa beneficiar de mais um empréstimo internacional. Há mais de um ano fora aprovado um plano semelhante, que se traduziu, tal como em Portugal, em cortes salariais, nas pensões e restantes prestações sociais. A estes cortes, acresceram privatizações de sectores estratégicos que tiveram como consequência o desmantelar do Estado Social naquele país. Ainda ontem, a Grécia viu-se obrigada a colocar à venda aeroportos, portos e até autoestradas, os quais não encontraram compradores. Que mais faltará? Definir um preço para a sua própria independência política e a sua soberania? Nas ruas gregas o povo vai resistindo heroicamente, ocupando espaços públicos, manifestando-se, tentando preservar o valor básico da democracia: a soberania popular.

Tal como o primeiro empréstimo, também este não tem como objectivo o estímulo da economia grega, que possibilite a sua recuperação económica, mas sim permitir que o país possa saldar as dívidas aos seus credores. Acontece que as medidas de austeridade, recessivas por natureza, não só entravam o desenvolvimento económico, como também impossibilitam o pagamento daquela dívida.

E sobra-nos a dúvida: então por que motivo são impostas mais medidas de austeridade? Por que razão se sucedem os empréstimos internacionais?

A razão é simples: destruir a economia dos países periféricos, à cabeça a Grécia, provar a sua falta de "competitividade" e forçar a sua saída da Zona Euro, saída essa que, a verificar-se, agravaria não apenas a situação dos países "incumpridores", como ditaria o "princípio do fim" do projecto de cooperação económica e social da Europa.

A verdade é que a Grécia não é um país qualquer. A sua história confunde-se com a história de toda a Europa, constituindo mesmo aquele país, se não a maior, uma das maiores referência políticas e culturais europeias.

O apoio à Grécia não é "apenas" uma questão de solidariedade internacional. A situação grega é apenas um prenúncio do que poderá vir a acontecer a Portugal e a outros país "perseguidos pelos mercados".

A bandeira grega à janela espelha essa solidariedade internacional, mas simboliza também a resistência popular de todos quantos um dia poderão ter de vir a enfrentar semelhante totalitarismo económico-social.