16 de fevereiro de 2011
As Mentiras Deles
(a propósito disto ou daquilo... ou de todas as verdades que nos provam que há quase sempre uma mentira escondida na inevitabilidade deles)
Também mais ou menos publicado n'acomuna.net
23 de outubro de 2010
Wikileaks : Iraq X-Files
Pode ser que um dia em Portugal haja uma imprensa menos dependente que sirva realmente a Democracia.
O Wikileaks divulgou a maior fuga de informação militar de sempre sobre a ocupação do Iraque.
Não é preciso saber Inglês para perceber o alcance desta "cacha".
At 5pm EST Friday 22nd October 2010 WikiLeaks released the largest classified military leak in history. The 391,832 reports ('The Iraq War Logs'), document the war and occupation in Iraq, from 1st January 2004 to 31st December 2009 (except for the months of May 2004 and March 2009) as told by soldiers in the United States Army. Each is a 'SIGACT' or Significant Action in the war. They detail events as seen and heard by the US military troops on the ground in Iraq and are the first real glimpse into the secret history of the war that the United States government has been privy to throughout.
The reports detail 109,032 deaths in Iraq, comprised of 66,081 'civilians'; 23,984 'enemy' (those labeled as insurgents); 15,196 'host nation' (Iraqi government forces) and 3,771 'friendly' (coalition forces). The majority of the deaths (66,000, over 60%) of these are civilian deaths.That is 31 civilians dying every day during the six year period. For comparison, the 'Afghan War Diaries', previously released by WikiLeaks, covering the same period, detail the deaths of some 20,000 people. Iraq during the same period, was five times as lethal with equivallent population size.
Parabéns!
13 de outubro de 2010
É a política, estúpido!
Se tem dois filhos em idade escolar e o seu rendimento familiar ultrapassa 600 euros brutos perde o direito à acção social escolar por inteiro - o escalão A, que comparticipa a totalidade dos manuais, refeições e transportes. O caso agrava-se para as famílias com menos filhos. O mesmo valor para um casal com um filho dá direito apenas ao escalão B (metade das comparticipações).
Casais com um filho precisam de receber menos de 400 euros mensais para terem direito ao escalão A, o que equivale a 133 euros por cabeça. Para ter direito a metade dos apoios sociais, uma família com um filho terá de receber, no máximo, 830 euros. Logo, famílias com mais de 275 euros de rendimentos mensais por cabeça estão automaticamente excluídas da acção social escolar.
Talvez, como diz Tiago Mesquita no Expresso, o país esteja a preparar-se para bombardear a Galiza. Talvez o plano seja voltar a conquistar Ceuta! Maravilhas saudosistas do glorioso Império Português!
Ou então, vamos só ficar com aviões de segunda mão parados e um país de cidadãos de bolsos vazios.
27 de setembro de 2010
O Condomínio da NATO
Obama está preocupado com os gastos militares dos seus parceiros europeus. Está preocupado em saber com quem vai fazer este e futuros afeganistões. Sozinho sai muito caro. Os gastos militares nos EUA são uma espécie de investimento público na economia, empregam largos milhares de pessoas e alimentam sectores essenciais do capitalismo americano. No entanto, há cada vez mais desempregados a interrogarem-se o porquê destes fundos públicos não serem aplicados com outros propósitos. A juntar a isto, há cada vez mais gente que não percebe o que é que os americanos continuam a fazer no Afeganistão. Obama perdeu apoio popular, perdeu a guerra na sociedade americana. O Iraque já lhes chegou, o povo americano está a ficar saturado.
Estes são os custos financeiros e políticos da guerra, e a razão pela qual Obama precisa de parceiros para o festival bélico. À Administração norte-americana parece-lhe que os europeus estão com o pé demasiado fora, que lhes falta empenho na aliança atlântica e no Afeganistão. Ora, os americanos tendem a avaliar a qualidade dos seus aliados de acordo com o empenho que estes demonstram ter nos interesses que consideram ser primários. E os europeus estão muito pouco interessados no Afeganistão, muito menos os europeus ricos.
Para o Presidente americano, o investimento europeu na defesa significa maior empenho na NATO, mais reconhecimento político e mais recursos para a Aliança.
Por outro lado, soubemos agora que a França está preocupada em que a Europa se esteja a transformar numa “jarra” na política mundial (muito importante para a fotografia mas que na verdade não manda nada). E tem razões para isso. A crise caiu na Europa como uma bomba e a recuperação está adiada para as calendas gregas. Uma Europa fragilizada economicamente perde peso no xadrez mundial face a uma China poderosa ou um Brasil em ascensão.
Para a França, uma Europa-Potência significa dar cartas na política mundial através da força militar, ou seja, reforçar o peso da Europa na Nato. É preciso gastar mais. E com isso Obama está de acordo (para partilhar custos).
Não quer perceber o governo francês que a Europa é menos potência hoje, não porque gasta menos em armas para guerras inúteis, mas porque não sabe ir à guerra pelos seus vizinhos contra os especuladores e a alta finança em nome da solidariedade europeia. Porque não quer ir à guerra pelos seus povos, defendendo o Estado Social e uma verdadeira democracia europeia.
Os submarinos não nos tornam mais potência nem mais seguros, tornam-nos apenas mais pobres. O povo europeu sabe bem fazer esta conta. E se os governos europeus, cada vez mais à direita, insistirem neste combate ao lado da alta finança e dos senhores das armas contra os seus povos, a guerra será outra.
Publicado no esquerda.net
24 de setembro de 2010
Estamos em Guerra

A voracidade dos dominantes é tal que a guerra aos povos é cada vez mais evidente.
(Artigo escrito a propósito do Dia Internacional da Paz/21setembro)
Venderam-nos (e comprou quem quis) a ideia do “Fim da História”, do triunfo da triologia da democracia liberal, economia de mercado e (“consequente”) paz mundial. As guerras “étnicas” ou “humanitárias” dos anos 1990 eram apenas “excepções”, últimos vestígios dos modelos ultrapassados.
Com o 11 de Setembro, veio a declaração da guerra geral ao “Terrorismo” (conceito “utilmente” indefinido no Direito Internacional) e sob essa bandeira suspenderam-se direitos e garantias, na esfera interna – o caso do Acto Patriótico nos EUA – e invadiram-se estados: o Afeganistão e o Iraque.
Vinte anos depois da queda do Muro de Berlim, a realidade não é a do “Fim da História”, o “Choque de Civilizações” não impede “negócios da China” ou das Arábias, o “Império” sem centro de Negri é pura miragem face ao papel fundamental do estados e suas organizações na guerra, na desregulação financeira, no socorro à banca e no endossar de ataques especulativos como aquele que está em curso contra o euro e os povos europeus.
É igualmente verdade que o mundo de hoje já não é o da teoria do imperialismo de Lenine, o imperialismo do choque entre potências que derivava da existência das burguesias nacionais monopolistas. Hoje, na era das corporações transnacionais, existem burguesias com interesses transnacionais que, ainda assim, não abrem nem podem abrir mão do poder que exercerem através dos vários estados. Note-se que os americanos vêem, hoje, com bons olhos e sem desconfiança o investimento europeu na defesa (querem dividir os custos da guerra e até lucrar mais alguma coisa na venda de material bélico). E as outras potências e organizações internacionais são vistas como parceiros necessários e desejáveis.
O imperialismo persiste, mas sob outra forma. Alcançou a dimensão Global, aperfeiçoou-se, mas também encontrou novas contradições e novas rivalidades. A tendência não é para a Guerra entre potências imperiais (como era no tempo de Lenine); agora a tendência é para ‘a guerra unida das potências contra todo o mundo, contra todos os povos’: desde a guerra entre a Finança Global e as economias nacionais às guerras coloniais no Iraque e na Palestina ou mesmo à guerra ao Estado social e à perseguição de minorias étnicas, como ilustra o recente caso dos ciganos em França.
Os impérios e a hegemonia burguesa trazem às subjugadas e aos subjugados uma aparente paz que mais não é que a cristalização/normalização das violências da ordem estabelecida. Mas nem mesmo essa 'paz aparente' dura. A voracidade dos dominantes é tal que a guerra aos povos é cada vez mais evidente. A luta política e social pela hegemonia das exploradas e dos oprimidos é fundamental para a defesa e o aprofundamento da democracia e para a conquista de uma paz que abra caminho a um mundo onde o livre desenvolvimento de cada um e cada uma será condição para o livre desenvolvimento de todas e todos.
Nota: também publicado aqui.
21 de setembro de 2010
Dia Internacional da Paz

Como afirma, hoje, Ana Ferreira: Na mesma semana em que se comemora o Dia Internacional da Paz, decorre a Cimeira em que será avaliado o progresso dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM). Não é despicienda a simultaneidade destes eventos. Afinal, em grande medida foram conflitos armados que originaram as necessidades explanadas na Declaração do Milénio, e são também estes alguns dos obstáculos à sua concretização.
Um artigo aconselhável a quem ama a paz e, por isso, não baixa os braços.
12 de setembro de 2010
Onzes de Setembro
Reflexos de um país que ainda vai demorar muitos anos a fazer uma análise sensata das razões e das consequências do ataque de 11 de Setembro de 2001. Será sempre mais fácil culpar uma religião “estranha” e “perigosa” como o Islão, usando o medo dum grupo maioritariamente de outras etnias para manipular a opinião pública em defesa de aventuras bélicas ao serviço dos grandes interesses económicos do neoliberalismo. Procurar mais mercado, custe o que custar.
Hoje o Iraque e o Afeganistão são países em estado de choque, com um povo vivendo uma “democracia” de fantoches, que continua em guerra civil, sob o poder da mesma elite política, mas desta vez controlada pelo Império. Hoje, empresas americanas como a Halliburton ou a Blackwater enriquecem protegidas por regimes corruptos, fechando os olhos à repressão dos direitos humanos mais básicos. No Afeganistão, por exemplo, os mesmos taliban que foram censurados há poucos anos por reprimirem os direitos das mulheres e por instaurarem um regime teocrático, são hoje aliados de Karzai, Presidente apoiado por Obama e irmão de um dos maiores narcotraficantes do país.
Tudo isto é apoiado pelo braço militar do Império, a NATO, organização militar ao serviço dos EUA de que Portugal é membro. Neste momento estão soldados portugueses no Afeganistão a matar a serviço destes Senhores da Guerra que lutam por interesses geopolíticas completamente alheios às necessidades portuguesas. Portugal está em guerra, investe 10 vezes mais em defesa do que em cultura, não porque seja ameaçado por alguma força estrangeira, mas porque o Ministro Luís Amado está interessado em agradar ao Obama, ao Bush, ou a quem quer que esteja na Casa Branca.
Mas houve outro 11 de Setembro, que é sempre útil relembrar.
A 11 de Setembro de 1973, Salvador Allende, Presidente socialista democraticamente eleito no Chile, é deposto com um golpe de Estado do General Pinochet, que levaria a uma das piores ditaduras do século XX. A vitória democrática de Allende, que tinha dado esperanças a vários movimentos de esquerda pelo mundo, era um pólo de resistência numa América Latina povoada de ditaduras militares.
Com a queda de Allende, instaurou-se um regime que durante 17 anos, foi um autêntico laboratório para as políticas ultra-liberais de desregulação das economicas nacionais que são actualmente usadas por instituições como o FMI ou o Banco Mundial para “salvar” países como a Grécia. Hoje, o povo chileno ainda paga a factura das políticas selvagens de privatizações sugeridas pelos Chicago Boys de Milton Friedman, tendo que complementar a maior parte das pensões de reforma, perdidas no casino das bolsas.
A NATO, braço militar dos interesses económicos dos EUA, vai ter a sua cimeira em Lisboa de 19 a 21 de Novembro próximo. Estaremos cá à espera dos poderes mundiais protestando contra este sistema e o seu aparelho de repressão global, que quer agora ter poderes para actuar em qualquer parte do mundo, em qualquer altura, sem se preocupar com o Direito Internacional.
Também publicado no Esquerda.net
6 de setembro de 2010
RECEPÇÃO ALTERNATIVA AOS SUBMARINOS | Submarino ao Fundo
8 de Setembro, 4ª feira | 17:30h | Largo de S. Domingos (junto à ginginha do Rossio)
No dia da apresentação dos novos submarinos da Marinha de Guerra, o Bloco de Esquerda organiza uma recepção alternativa, para apresentar à sociedade lisboeta e ao país o resultado de um estranho e ruinoso negócio que, com o alto patrocínio de PSD/CDS e PS, irá custar mil milhões de euros aos e às contribuintes.
Por não aceitar a aposta em material militar, apoio a guerras de interesses económicos que provocam catástrofes humanitárias a reboque da NATO, o Bloco sai à rua em protesto e convida todos e todas a juntarem-se à festa.
6 de agosto de 2010
27 de julho de 2010
Jogos da espionagem moderna
Um interessante artigo do jornal o Estado de S.Paulo deste domingo fala do ressurgimento da espionagem na política mundial. O jornal cita os diversos casos que vieram a público nas últimas semanas, como a troca de espiões entre E.U.A e Rússia, a libertação do cientista iraniano Shahram Amiri, seqüestrado pela CIA em 2009, ou o caso do funcionário do Departamento de Estado norte-americano condenado a quase 7 anos de prisão por passar informações a Cuba. Cenas de um filme cujo título bem podia ser “a volta dos que não foram”.
Mas o artigo diz-nos mais. Citando o McClatchy Newspapers dá conta que os gastos dos E.U.A no embate com a espionagem chinesa já superam os US$ 200 bilhões ao ano e que ele se tem vindo a desenrolar sobretudo na área da informática . Do complexo militar de Hainan, no sul da China, terão saído boa parte das 43,8 mil tentativas de espionagem informática ao Departamento de Defesa norte-americano em 2009. Mas, ao que parece, este será um problema menor do Pentágono que se debate hoje com a colossal rede de espionagem organizada nos anos Bush. De acordo com o Washington Post serão 1271 organismos governamentais e 1931 privados, ocupando 33 edifícios e empregando 854 mil pessoas, todas com salvo-conduto. Haja controleiros!
1 de junho de 2010
A Criança alemã

O presidente Köhler demitiu-se ontem por estar amuado. O presidente da república da Alemanha demitiu-se por não se sentir devidamente apoiado e pelo "desrespeito" a que foi votado pelas críticas desencadeadas por uma declaração inocente que fez:
Disse que um país tão dependente da exportação como a Alemanha deve "em casos de emergência (...) recorrer a intervenções militares para defender os seus interesses, como, por exemplo, o comércio livre"
Estava de regresso de uma visita às tropas no Afeganistão... E as críticas choveram. O gabinete do presidente tentou ingloriamente estancar o dilúvio com uma interpretação oficial: estaria a falar da operação anti-pirataria no Corno de África.
A chanceler Angela Merkel fechou-se em copas, não comentou. E o presidente Köhler, que apenas disse aquilo que todos sabemos, fez birra e demitiu-se.
Afinal isto foi mesmo um problema de infantilidade. As crianças não são impedidas de fazer cocó, é até desejado que elas o façam, mas não podem dizer cocó quando lhes apetece - há regras.
O mesmo se aplica aos gestores políticos do imperialismo global: não se pode dizer que as operações militares como a do Afeganistão (NATO ou para-NATO) servem para defender interesses económicos e de poder.
O problema é que hoje é que é o dia da criança! e é hoje um bom dia para pensarmos no que a verdade desta inconveniência presidencial significa para as crianças de hoje e de amanhã, que mundo temos e teremos para nós e para elas... Mãos à obra.
O melhor do mundo são as crianças, como diria uma Pessoa.
27 de maio de 2010
Aceitam-se apostas...
Obama diz que a guerra ao terrorismo vai acabar…!
Vai criar um novo conceito, aceitam-se apostas:
- Luta Democrática
- Guerra Democrática
- Acção Democratizante
- Stop Al-Qaeda
(?)
Suponhamos que estamos num teste de Geo Política:
1 - Encontre o conceito implícito na seguinte definição:
“Estamos em guerra contra uma rede específica, a Al-Qaeda, e contra os terroristas a ela afiliados, que apoiam os seus esforços para atacar os Estados Unidos, os nossos aliados e parceiros”
Boa sorte, camarada!
18 de maio de 2010
Quanto vale um Nobel da Paz?
O documento vai servir de base ao projecto final de conceito estratégico que terá de ser aprovado na cimeira de líderes dos 28 Estados membros da NATO, que vai decorrer em Lisboa entre 19 e 20 de Novembro e, em princípio, contará com a presença do líder dos EUA, Barack Obama.
O País dos brandos costumes, do povo sereno, é fundador da NATO, foi anfitrião da Cimeira da Vergonha, tem tropas em vários palcos de guerra e agora será palco do novo documento estratégico da Nato, que prevê mais invasões.
Um bom curriculum, sem dúvida.
