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12 de dezembro de 2011

what/who the fuck is gil garcia?




um pequeno município mais populoso do que um novo partido que estará condenado à sua pequenez. à pequenez da sua honestidade, da seriedade intelectual dos seus membros e da sua memória histórica.

mas vá, que sigam lá o rumo até às causas fracturantes, deixando de lado a paridade entre homens e mulheres (que não é de classe), continuando com atitudes inefáveis como lutar contra o referendo sobre o aborto (que o malandro do sócrates também queria), apoiando o voto em branco como arma poderosíssima contra o cavaco (que isto de ser mesmo de esquerda até deixa a direita ganhar).

continue o mundo rupturesco sectário, mas que, pelo menos, não continue parasita dentro do bloco, que isso do entrismo é muito feio.


vamos lá ver se tanta tinta gasta, tanta paciência perdida e tanta desonestidade vergonhosa rupturesca culminarão em mais do que os cerca de 6 mil votos que a FER teve em 1991, já que esta força agregadora d@s revolucionári@s (aka d@s trabalhadoras/es, porque em cada trabalhador/a há um/a revolucionári@) parece querer erguer-se num discurso construtivo que dá a ideia de nascer daquilo que ficou em cinzas, tal qual fawkes, sem se aperceber de que a vida interna do bloco funcionará certamente melhor sem parasitas que não tentam sequer ocultar o seu entrismo indiscreto e o seu infindável apreço pelo sangue do francisco louçã.

eu cá ficarei à espera de ver as desculpas dos próximos meses.

até amanhã, camaradas!

Pérolas revolucionárias

Desde a oficialização "oficial", vale a redundância, da saída do Ruptura/FER do BE, vieram novamente à baila algumas divergências entre a maioria do Bloco de Esquerda e a corrente Ruptura/FER. Vamos por fases:

A saída do Bloco

1. A FER decidiu sair do Bloco no inicio de 2011 por causa do Alegre e do abandono das causas fracturantes? Isso dizem eles agora, porque, na verdade, era um plano bem antigo..

"Em Portugal, fazemos parte do Bloco de Esquerda e trabalhamos no seu interior sem ilusões sobre a sua evolução. No caso do Governo Sócrates não manter a sua maioria absoluta, a pressão para formar uma coligação PS/BE será muito forte. Em todo o caso, considerando as condições actuais, o trabalho no BE e, mais ainda, a actividade nos movimentos sociais enquanto militantes dos Bloco, representa a melhor táctica para chegar outros sectores militantes e a que oferece melhores possibilidades para a construção de um partido, a partir da nossa inserção na juventude e no sector bancário."

In texto Europeu das Teses do congresso da LIT de 2008, página 10

Original em italiano está disponível aqui: http://www.partitodialternativacomunista.org/index.php?option=com_content&task=view&id=810&Itemid=45

A FER nunca publicou este texto no seu site. A versão em espanhol que esteve disponível no site da LIT omitia este momento de franqueza dos militantes da LIT

2. O Ruptura tinha certeza de uma coisa, que iria sair do Bloco não sabia era quando. Aliás entende desde início que o BE é: "um remake pouco original das velhas e reaccionárias utopias do reformismo europeu". (Teses congresso LIT).

A questão dos Talibans:

A direcção do Bloco na sua nota redigiu o seguinte:

"Os membros do Bloco lembram-se de intervenções tão extravagantes como o apelo à constituição de brigadas para apoiar os talibãs no Afeganistão"

Os membros do Ruptura/FER têm-no negado publicamente, ou como Gil Garcia nas inúmeras declarações públicas que fez, têm evitado abordar o assunto, mas vamos aos factos e às fontes:

1. A LIT, a organização internacional da Ruptura/Fer, com sede em São Paulo, enviou uma carta ao Partido dos Trabalhadores do Paquistão (LPP, Labor Party of Pakistan) intimando os seus dirigentes e militantes a combaterem sob o comando dos talibans no Afeganistão. Farooq Tariq respondeu em nome do LPP lembrando simplesmente que, se os militantes paquistaneses, ateus e revolucionários, se colocassem ao serviço dos talibans, seriam sem dúvida gentilmente assassinados por estes e de imediato, tornando pouco útil o seu gesto generoso. Ler o resto aqui

2. A carta da LIT bem como a resposta de Farooq Tariq podem ser lidas aqui

O livre porte de armas

1. Há uns anos atrás debateu-se internamente a questão do livre porte de armas, a posição do BE foi e ainda é de oposição. O Ruptura/FER divergiu, posicionando-se favoravelmente ao porte de armas, posição que o PSTU (secção brasileira) já tinha defendido em matéria de referendo, juntamente com toda a direita brasileira.
"Vote Não! Pelo direito à autodefesa dos trabalhadores O desarmamento não vai resolver a violência. O objetivo dessa campanha é manter nas mãos do Estado o monopólio da violência e da repressão"

As Presidenciais

1. Na convenção de 2007 o Bloco de Esquerda foi acusado pela FER de não querer ganhar as eleições e de apenas lutar pelo fim da maioria absoluta a José Sócrates. Diziam que para isso bastava vontade da Direcção do BE, a solução passaria por uma coligação: Bloco de Esquerda + PCP + Manuel Alegre + CGTP.

2. Chegado o tempo das Presidências a FER mudou diversas vezes de posição, defendeu Manuel Alegre, Fernando Nobre e por fim o voto em branco ou o voto em Francisco Lopes (Spectrum, 5dias, Ruptura/FER). Fernando Rosas sintetizou bem toda a novela num artigo que pode ser encontrado aqui

Portugal em Estado Pré-Revolucionário (em 2008)

1. "A situação política vivida em Portugal hoje aproxima-se bastante da descrita pelo revolucionário russo Vladimir Lenine como aquela em que “os de baixo não querem e os de cima não conseguem” governar. Para estar à altura desta situação, a esquerda não pode se limitar a fazer o mesmo de sempre."

2. "...Em contraste com o refluxo Espanhol posterior à constituição do Governo Zapatero, Portugal tem vivido mobilizações massivas que representam o despertar da classe trabalhadora Portuguesa, passiva durante muito tempo..."
Excerto retirado de Una politica revolucionaria para Europa LIT-CI EUROPA, textos programáticos do penúltimo congresso da LIT.

Um bocado de história

1.Ao longo da sua história, a corrente FER teve múltiplas formas e designações. Fundada como Grupo Marxista Revolucionário, passou pelas siglas ASJ e PRT, entrou e saiu do PSR, fundiu-se e cindiu com o POUS, chamou-se LST e PST. Adoptou a designação FER no quadro de uma curta aliança com a Política Operária (organização fundada por Francisco Martins Rodrigues). Em 2000 entrou no Bloco de Esquerda, em 2011 saiu para criar um novo partido em Março de 2012.

2.Em 1991, nas últimas eleições a que a FER concorreu, as listas de Gil Garcia obtiveram cerca de 6 mil votos (0,1%).

19 de novembro de 2011

É por estas e por outras que não devem ser só as moscas a mudar


Parece que o Ministro sem Pasta do 1º Governo Provisório do 5 Dias decidiu comentar as eleições deste ano da AAC. É certo, lembra o humorista a recibo verde nas horas vagas, há uma relativa distância entre a comodidade do seu sofá de cabedal (onde escreve não só as Teses de Abril, mas também a dos restantes meses do ano) e o activismo concreto de Coimbra... Mas o rigor da análise pressupõe sempre, em último caso, que tomemos partido pela nossa tribo. Talvez o que se viva hoje na esquerda estudantil coimbrã seja ainda reflexo de algum "Teixeirismo" moribundo que ainda vai minando muitas cabeças. Uma coisa é, em todo o caso, certa: ontem como hoje, os tinteiros da sede são sempre insuficientes para tanta impressão made in LIT.

4 de agosto de 2011

o partido dos casamentos gays e a minha quase perene heterossexualidade

Diz-nos o inefável Alberto João Jardim que o Bloco de Esquerda é o partido dos casamentos gays e ainda nos pediu que casássemos uns com os outros (certamente à espera, digo eu, de um simpático convite que o levasse para o meio da orgia anti-capitalista, entre whisky, marijuana, abortos e loucura).

Mas acho engraçado que o AJJ diga que somos o partido dos casamentos gays, como se nada mais tivéssemos para dar e como se a luta pela igualdade fosse só uma birra caprichosa desta esquerda caviar (acho que são umas coisas pretas dos peixes, não sei bem, nunca comi, nem é que seja vegetariana, mas...). E o inefável senhor atira-nos à cara que sejamos a vanguarda do progresso social e da justiça como se isso fosse um insulto, uma coisa asquerosa da qual devêssemos ter vergonha. Talvez o conservadorismo deste poeta se sinta preocupado, quiçá minimizado, com o progresso que o Bloco simboliza e com a força que o Bloco, resistente a derrotas, é, para seu pesar e para meu glorioso gáudio.

Mas já sei que as minhas palavras vão ser mal interpretadas. As pessoas adoram interpretar mal as palavras de quem é e faz o Bloco de Esquerda. E já sei que me vão dizer que eu até nem tenho nada de político contra o AJJ e que é por ser gay que lá me vou virando contra ele, movida pelo ódio e pela esquisitice que caracterizam tod@s @s gays. Mas é mentira. A minha heterossexualidade nunca esteve em causa. Passei até algumas tardes a tentar entender se a pessoa mais heterossexual do país era eu, o Zezé Camarinha ou o José Castelo Branco. Porém, vi isto





e deixei que a vitória fosse atribuída a um dos dois elementos masculinos. Se contribuo para que o Bloco seja o partido d@s gays, a culpa é somente do tronco peludo de Alberto João Jardim.

10 de julho de 2011

Antes pelo contrário


Ouvi dizer que há por aí uma corrente do Bloco que se reuniu de propósito hoje para chegar à conclusão que já não faz sentido existir e deve, por isso, acabar. Mais: dizem que a bem da democracia interna do Bloco, todas as restantes correntes deveriam seguir o mesmo caminho. Sobra-me a dúvida: será essa pretenção, tomada no seio de uma das correntes, democraticamente legítima em relação às restantes? Estará encontrada a corrente vanguarda das bases do Bloco de Esquerda?

29 de junho de 2011

Bloco e o Futuro por Fernando Rosas


Durante o passado fim de semana, alguns dos colunistas do costume voltaram a anunciar pela undécima vez o fim à vista do Bloco de Esquerda (BE). Desta feita, a debater-se nas vascas da agonia com uma cavada e terminal dissidência interna potenciada pelos resultados das últimas eleições. Alguém terá de explicar a tais sábios que reincidem no erro ao confundir os seus desejos com a realidade, ou, para dizer as coisas como elas são, ao persistir em manipulá-la à luz de um velho e arreigado preconceito ideológico. Talvez por isso, resolvi desviar o nariz por umas horas dos trabalhos e teses dos meus alunos e aceitar o desafio do Público para escrever de minha justiça acerca do BE. Aí vai.

Artigo originalmente publicado no Público de hoje.


27 de junho de 2011

A estratégia da multidão dos comentadores, e Câncio enuncia-a com particular ingenuidade, é acabar com o Bloco de Esquerda como partido da esquerda socialista. Depois disto sobraria alguma coisa, mas essa coisa suicidada seria coisa nenhuma.

Andrea Peniche in Minoria Relativa

22 de junho de 2011

Socialismo sem muros


Era segunda-feira, 30 de maio, faltavam poucos dias para as eleições. Estava na sede nacional, no meio de uma série de tarefas de campanha e em campanha todo o tempo é pouco. Mas houve uma ótima razão para interromper toda essa agitação. Tocaram à porta uma rapariga e um rapaz que vinham da Áustria e queriam conhecer o Bloco de Esquerda.


Falaram-me da política austríaca, nomeadamente da não existência de um partido socialista e anti-capitalista com expressão nacional na Áustria. A jovem e o jovem de que vos falo fazem parte de um pequeno grupo de esquerda chamado Linkswende (Left Turn) ligado à International Socialist Tendency, corrente trotskista da qual é figura destacada Alex Callinicos e que tem como figuras histórica Tony Cliff, fundador do britânico Socialist Workers Party. Contaram-me as dificuldades dos grupos de esquerda na Áustria em gerar uma força de esquerda capaz de conseguir levar a sua voz e as suas propostas ao parlamento nacional. Desses pequenos grupos, os que chegam a conseguir apresentar-se a eleições nacionais têm frequentemente muito abaixo do 1%: os 0,05% (zero vírgula zero cinco por cento) do Sozialistische LinksPartei, nas legislativas de 2006, por exemplo.


Um dos motivos imediatamente apontado pela jovem e pelo jovem para a fraqueza da esquerda socialista austríaca foi o sectarismo.Recomendei-lhes a leitura do artigo do Francisco Louçã: "Sectarismo: um fantasma que ameaça a esquerda" (http://combate.info/media/288sectarismo.pdf). De facto, penso que o "Sectarismo: um fantasma que ameaça a esquerda" do Francisco Louçã e o "Partido, razão necessária" do Luís Fazenda (http://www.esquerda.net/virus/index.php?option=com_content&task=view&id=80&Itemid=26) são contributos teóricos importantes para todas e todos quantos pretendam gerar a força necessária a uma alternativa democrática, socialista e anti-capitalista na Europa.


A experiência do Bloco de Esquerda interessava-lhes muito. Falei do Começar de Novo (http://www.bloco.org/media/comecardenovo.pdf), de como a convergência das diferentes de correntes e experiências da esquerda social e política formaram um partido de tipo novo, unido na construção de uma política socialista. Afirmei, assumindo como opinião pessoal, que o tipo de partido que faz falta à esquerda na Europa (e possivelmente noutras partes do mundo) é um partido como o Bloco de Esquerda, em que várias correntes teóricas e ideológicas e várias experiências dos movimentos e da luta social convergem, sublinho, na construção de uma política socialista. Esse projecto político é um projecto autónomo, capaz das convergências exigidas por cada luta política e social mas sem perder a sua identidade e o seu carácter alternativo.


À data da visita daquela jovem e daquele jovem da Áustria que anseiam por um partido que faça a diferença, que lhes dê voz, esperança e futuro, eu já tinha a percepção da derrota que se aproximava. Dias antes, falava com uma camarada sobre isso. Qual é o pior resultado que nos dão nas sondagens? perguntei-lhe. Respondeu-me um número desagradável que nem estava muito longe do que veio a verificar-se. Depois, questionei a camarada e se tivermos esse resultado no dia 5, o que é que temos no dia 6? A resposta dela foi que tínhamos força para lutar e para dar a volta a isto. E a minha resposta foi esta: que temos um partido para lutar e conquistar o futuro. A história da esquerda é feita avanços e recuos, conquistas e derrotas. O que eu vi na noite de dia 5, na sede nacional, foi muita unidade e muita força, uma estranha força que intrigou os jornalistas.


Nos dias seguintes, a história pública e publicada é sobejamente conhecida e agravam a situação de um partido saído da sua primeira grande derrota. Mas para além disso e sem fugir a essas controvérsias, há um trabalho minucioso, diário, demorado, do debate profundo e multi focado das razões do crescimento e do recuo do Bloco. Tenho participado em muitos desses momentos, formais e informais, de debate e principalmente escutado. Militantes e simpatizantes de vários lugares e com diferentes opiniões têm-me ensinado a ver a questão de vários prismas; estas análises não são simples. É com elas e com eles, com as suas opiniões, o seu trabalho diário e o seu contributo que vamos seguir em frente.


O frenesim das minhas tarefas de campanha parou por um momento, naquele dia. Como socialista, como europeísta de esquerda, tive a percepção de que era importante trocar ideias e experiências com jovens que, como eu, estão comprometidos com a busca de uma alternativa democrática e socialista ao capitalismo. Faço votos para que tão breve quanto possível se possam orgulhar, na Áustria, de ouvir de uma bancada sua uma saudação como a da Catarina Martins à queda do Muro de Berlim: http://youtu.be/7sEc447PWKY.

(também publicado em www.acomuna.net)

Rui Tavares e a nova cor das Melancias


















Há mais de duas semanas que o Rui Tavares tomou a decisão de abandonar o GUE/NGL, período mais ao menos coincidente com a derrota eleitoral do Bloco de Esquerda. Durante esses dias, o impoluto e puritano cidadão da esquerda autêntica, tomou a iniciativa de encetar negociações com os Verdes, com vista à sua contratação no presente defeso. Pelo meio dessas duas semanas, fez questão de comunicar essa decisão ao BE, afinal de contas o Partido/Movimento que lhe possibilitou, integrando-o nas listas, a eleição.

Feita essa comunicação, reconheço que estranhei o seu segredo mediático. Pensei: provavelmente está a meditar, reflectir, medir os prós e os contras. Acresce que, à parte este período de fecundação reflexiva do ego do Eurodeputado que ajudei a eleger, havia um Partido/Movimento a tentar sobreviver à onda avassaladora de pressão e crítica mediáticas. Todos os dias um artigo de opinião a "malhar", reportagens e entrevistas sucessivamente, sem contraditório, com os "dissidentes do costume"... Lá fora, a savana repleta de predadores a salivar pela cabeça de Francisco Louçã. O Sr. do BBC Vida Selvagem chama-lhes chacais, quer dizer, aqueles seres que atacam, em especial, em momentos de fragilidade da sua presa. Mas "prontos, a gente foi esperando para ver o que isto ia dar".

Eis que a poeira assenta, o debate interno é iniciado, faz-se a autocrítica, define-se democraticamente um caminho a trilhar e eis que... Com duas semanas de atraso, Rui Tavares anuncia às largas massas populares, ávidas em descortinar finalmente o que é essa coisa da esquerda e dos seus partidos, a sua decisão de romper com GUE/NGL, por motivo de uma nota no Facebook de Francisco Louçã que estranhara que a mesma informação errada, acerca da origem do BE, fosse oriunda sempre da mesma fonte, esse mesmo Rui Tavares, o grande Buda Ideológico da nossa praça Tahir.

Não deixa de me intrigar que alguém tão crítico do pensamento da esquerda, do seu rumo e estratégia política, possa por razões tão apolíticas e fúteis, "abandonar o barco, nestes dias de maré alta". Rui Tavares, afinal os partidos de esquerda são isto? Um programa político sufragado por quase 11% da população é rasgado por estes motivos? E o que faz Rui Tavares? Dá consistência política à sua decisão e deixa o cargo de Eurodeputado? Não. Não só se mantém no Parlamento Europeu, como pura e simplesmente, rasga o pacto eleitoral com os eleitores e muda de bancada parlamentar... Rui Tavares, se não existem partido de esquerda em Portugal, quer dizer que, por alguma hipótese, essa esquerda pode estar representada em si?

Como se não bastasse o oportunismo, Rui Tavares decide agora vestir o fato simultaneamente de vítima e de Juiz. Diz ele: "sabia por exemplo o que se tinha passado em Lisboa com o independente Sá Fernandes e queria de certa forma perceber se o BE tinha aprendido a lição e conseguia finalmente lidar com a independência no seu próprio seio". Será o Rui Tavares um agente especial, ou um magistrado do Ministério Público, com o mandato de integrar as listas do BE, " para ver se a gente se porta bem"? E depois sobre a relação do Bloco com independentes conclui: "Não aprendeu, nitidamente não aprendeu a lidar com independência nem com independentes. Isso é uma coisa que eu hoje posso dizer". Como óptimo historiador que é, Rui Tavares saberá que antes e depois dele, o Bloco integrou independentes nas suas listas. São disso exemplo João Semedo e Catarina Martins no Porto, em 2005 e 2009 respectivamente e tantos outros a nível autárquico. "Diz que" a coisa correu bem por esses lados, mas vem-nos à cabeça a pergunta batida: Por que motivo apenas o exemplo de Sá Fernandes é citado?!

Neste périplo metafísico em volta dos caminhos da esquerda, Rui Tavares é apenas a ponta de um iceberg longo e profundo que vem desde o Arrastão, passa pelo Expresso e enraíza-se na SIC Notícias, qual Eixo do Mal. É aos dois que este texto é dedicado, com amor e carinho revolucionários e um "desejo de tudo de bom".

21 de junho de 2011

Dedicado a todos os Rui Tavares do Mundo!



Rui Tavares vem a público falar duma decisão que tomou há semanas atrás, desvinculando-se do BE no Parlamento Europeu.

Só três notas:

1. RT toma a bela postura da virgem ofendida, exigindo um pedido de desculpas ao FL, em vez de o pedir aos jornalistas que dizem que o citaram sobre o erro no nome dos fundadores do Bloco.
2. Aproveita para mascarar a sua saída do GUE/NGL com esta terrilíssima ofensa à sua pessoa, esquecendo-se que está a mentir a toda a gente, visto que já tinha comunicado o seu afastamento "oficial" para o Grupo dos Verdes europeus há semanas atrás.
3. deixo só mais uma questão: não acham estranho alguém que diz que é a única pessoa de esquerda em Portugal não põe o seu lugar à disposição, desrespeitando quem lutou para o eleger, quem votou no projecto do Bloco para a Europa?

8 de junho de 2011

Jogo Limpo



Ganhe-se ou perca-se, treinadores de bancada são giros de ver e sempre animam as conversas. Mas isso é no futebol. Num partido, só pode ser titular quem quiser mesmo ir a jogo.


Frase do dia aqui

A alternativa é uivar como os Lobos?

Parece desta vez o Daniel Oliveira não ficou sem resposta (http://arrastao.org/2278101.html).

O autor da réplica foi Jorge Costa, membro da Comissão Política do Bloco de Esquerda.

"Olá Daniel. Uma relação distante com o Bloco é o que tem quem não participa nas decisões colectivas que tomamos. Temos diferenças grandes, concentradas na relação do Bloco com o PS e no sentido do partido. São assumidas há anos e já as debatemos os dois, por exemplo aqui: http://www.esquerda.net/virus/index.php?option=com_content&task=view&id=57&Itemid=27

Mas quando, há apenas um mês, o Bloco decidiu a sua orientação e a direcção responsável por ela, fê-lo numa convenção tão democrática como todas as que conheceste. Tu preferiste não apresentar uma linha desta reflexão que tanto cativa agora os media, nem permitir que alguém pudesse votar nessa mudança de orientação - nem te apresentaste a delegado. Distância é isso.

Quando te decidires a ocupar o que chamas de teu espaço interno, vais encontrar-me com o fair play de sempre - a defender a minha ideia e a sufragá-la entre camaradas. Fa-lo-ei com todo o zelo e sem qualquer excesso, porque então será a sério. Até lá, vou seguindo os teus comentários."

19 de abril de 2011

A troika do gamanço



A troika “FMI & companhia” queria companheiros para formar a quadrilha. PS-PSD-CDS estão aptos para o gamanço. A esquerda não reúne com quem vem extorquir salários, pensões, serviços públicos, vidas.

(também publicado aqui)

7 de abril de 2011

As vésperas do FMI


Ontem, ao fim do dia, Sócrates, primeiro ministro de um Governo que se demitiu na sequência do chumbo do austeritário PEC4, escancarou as portas ao maior ataque austeritário em Portugal, desde o início dos anos 80. Sócrates pediu a intervenção do fundo europeu e do FMI.

Este acontecimento, que será seguramente de má-memória, deve ser enquadrado num contexto de acontecimentos que muito têm a dizer sobre o momento da luta social e política que vivemos.

(Ver mais, aqui)

5 de abril de 2011

Governo de gestão danosa



O demissionário Sócrates garante a Bruxelas (e às burguesias nativa e europeia) que vai avançar com as medidas do PEC4. À esquerda do Partido [que se demitiu da política] Socialista, as direções do Bloco e do PCP debatem, esta sexta, a crise política e social provocada pela gestão danosa PS/PSD.

(também publicado aqui)

4 de abril de 2011

PCP e Bloco de Esquerda reúnem-se sexta-feira



Direcções dos dois partidos de esquerda realizam encontro na Assembleia da República para consultas mútuas sobre crise política e social.

As direcções do Partido Comunista Português e do Bloco de Esquerda vão reunir-se na próxim.a sexta-feira às 11 horas na Assembleia da República. (...)

“O caminho que faremos é para desenvolver a capacidade de aproximação entre os distintos sectores da esquerda, sabendo que, no Parlamento e na vida social, nos temos encontrado na recusa da recessão, com o PCP, com sindicalistas, com trabalhadores e activistas sociais que são independentes, com gente que se tem abstido e com muita gente que tem votado no PS não aceitando hoje as políticas de recessão”, disse, acrescentando que defende uma estratégia que promove “todas as pontes necessárias e todos os diálogos possíveis”, de modo a “construir uma alternativa que possa governar, liderar e alterar as regras desta economia que se tem fechado no desastre económico”. Na mesma oportunidade, Louçã observou que “na luta contra as medidas liberais e em defesa dos salários e do emprego, PCP e BE têm tomado posições convergentes”.

Em resposta, Jerónimo de Sousa disse este domingo que, para as legislativas de 5 de Junho, o PCP mantém a coligação com o Partido Ecologista “Os Verdes”. Mas está disposto a entender-se numa aliança pós-eleitoral com o Bloco de Esquerda. (...)

2 de março de 2011