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26 de abril de 2011

Suspendam as bombas, não Schengen!





Brincar com leis europeias

A França tem sido um país preferencial para os cidadãos da Tunísia e da Líbia que estão em fuga dos seus países, um deles a ser bombardeado, precisamente por aviões franceses. A França, num mandato da NATO em conjunto com o Reino Unido, Canadá e agora também os EUA, está a "ajudar os rebeldes" a combater as forças leais a Kadhafi, enviando "conselheiros militares" e bombardeando as posições do regime e não só. Mergulhados num inferno bélico, os cidadãos líbios buscam auxílio dos países europeus para fugir da guerra e começar uma vida nova, em paz.

A resposta da França é negativa e de uma xenofobia inaceitável. Depois de ter bloqueado a entrada de comboios com imigrantes magrebinos vindos de Itália, a proposta vinda do Eliseu é a suspensão do Acordo de Schengen, que garante a liberdade de movimento dentro do espaço europeu. Assim, a França dá o sinal aos imigrantes que a "ajuda" que quer dar só toma forma em bombas, recusando a hospitalidade a refugiados da guerra que estão a liderar.

Depois do caso da expulsão de cidadãos ciganos, a França volta a mostrar o que defende para a Europa: fechamento, discriminação, hipocrisia, xenofobia.

As agências financeiras ao serviço da máfia financeira internacional

Saiu há dias na imprensa económica uma notícia que passou ao lado de muita gente, e que não teve repercussão em outros meios de comunicação: A Capital Group, uma das empresas mais influentes no mercado financeiro, é a principal accionista da agência de rating Standard & Poor's e detém cerca de 11% da Moody's. Até aqui, concordando ou não com a sua actividade, é apenas uma empresa com uma posição importante nas agências de rating.

O problema é que uma das empresas do grupo, a Capital World Investors, detém milhões de euros em dívida soberana, nomeadamente cerca de 370 milhões de euros em dívida de Portugal, da Irlanda, Grécia e Espanha.

O óbvio conflito de interesses permite-nos, ainda sem auditoria à dívida, desconstruir a estratégia destas empresas que ganham milhões brincando com a vida das pessoas destes países através dos ratings, só para aumentar o seu lucro no casino que são os mercados financeiros, transferindo quantidades absurdas de valor do Trabalho para o Capital.

Ou seja, depois da crise do imobiliário criada pelo rating propositadamente erróneo de pacotes de dívida, o que o centro do capitalismo financeiro improdutivo decide fazer, é voltar a passar por cima de qualquer tipo de regulação de mercado e brindar-nos com a sua "opinião" sobre a capacidade de pagamento da dívida soberana, manipulando os "mercados nervosos" em seu proveito, destruindo economias nacionais e arrasando-as com a recessão, com o seu braço interventivo: a Troika FMI-UE-BCE. E com a máfia, não se negoceia.

Publicado em Esquerda.net

30 de março de 2011

Mercados: Religião oficial do Estado Português

“Uma mudança de Governo "aumentaria a confiança de Portugal" junto dos mercados e dos demais governos europeus. A convicção é do secretário-geral do Partido Popular Europeu (PPE), a família política do PSD, para quem seria positivo uma coligação que incluísse o PS, mas sem José Sócrates.”


Os mercados são hoje uma divindade que veio substituir as anteriores religiões em termos de definição e controle do poder político.
Os tempos mudam, o clero é hoje representado pela finança e pela banca, são os que definem a ética, a moral e os valores, actuando como a maior força conservadora e castradora da evolução social.
Mantêm a sociedade aprisionada no paradigma da exploração e decretam o fim da história.
Os partidos que defendem a actual linha de pensamento dominante deixaram de ser agentes políticos para passarem a sacerdotes dos mercados.
Passos Coelho e José Sócrates receberam as credenciais em Bruxelas que lhes conferem a ambos o poder de governar o país, segundo as leis desta religião.
São os dois bispos que concorrem para o lugar de cardeal patriarca.
PS e PSD trazem a mesma doutrina, o evangelista é que difere.
Citando Marx: “o governo não é francês, nem inglês nem alemão; o governo é o capital”.
Nas próximas eleições é impreterível que os portugueses não votem no seu evangelista preferido, mas que votem por um Estado Laico.

29 de março de 2011

A pedido de várias famílias e do @PauloQuerido

@PauloQuerido: @ChicodeOeiras "alguém devia traduzir e mandar a todos os portugueses. Começando pelo PR e pelo líder do maior partido da oposição"

Aqui fica a minha tradução livre:

Um conselho de amigo para Portugal

Querido Portugal, daqui escreve a Irlanda. Sei que não nos conhecemos muito bem, embora tenha ouvido dizer que alguns dos nossos investidores estão por aí a cavalgar a recessão.

Podem ficar por aí um tempinho. Não quero parecer intrometido mas tenho lido umas coisas sobre ti nos jornais e acho que posso dar-te um ou outro conselho sobre o que se passa contigo e que vem aí.
A piada que corre é: sabem qual a diferença entre Portugal e Ireland? Cinco letras e seis meses.

Adiante; reparo que estás sob pressão para aceitar um resgate exterior mas os teus políticos afirmam estar determinados a não aceitar. Só, dizem eles, por cima do seus cadáveres. Na minha experiência, isso significa que está para breve, provavelmente a um Domingo.
Primeiro deixa-me explicar-te um pouco as nuances da língua Inglesa. Devido ao facto de o inglês ser a tua segunda língua, poderás pensar que as palavras “bailout” e “aid” implicam que irás contar com a ajuda dos nossos parceiros comunitários para sair das tuas actuais dificuldades.
O Inglês é a nossa primeira língua e isso foi o que pensámos que “bailout” e “aid” significavam.
Permite que te avise: não só este “bailout”, quando te for inevitavelmente imposto, não te livrará dos teus problemas actuais, como irá prolongá-los por gerações e gerações.

E ainda esperam que fiques grato. Se quiseres procurar a tradução correcta de “bailout”, sugiro que pegues no dicionário de Inglês-Português e procures palavras como: moneylending, usury, subprime mortgage, rip-of (empréstimo, usura, hipoteca, roubo). Assim terás uma tradução correcta do que te vai suceder.

Vejo também que vais mudar de governo nos próximos meses. Desculpa ter de sorrir. Sim, coloca uma demão fresquinha de tinta por cima das rachas da vossa economia, e aprecia o perfume enquanto dura.

Nós também tivemos um governo novo, aliás até é divertido ao princípio.
O novo governo chegará envolto numa leve euforia. Terá prometido todo o tipo de coisas durante a campanha sobre deitar fogo aos capitalistas e assim enquanto a UE sorri benevolamente ante a converseta.

Mal tome posse, o novo governo irá à Europa tentar fazer boa figura. Poderás até ganhar umas partidas contra o teu velho inimigo, seja ele quem for, ou atrair visitas de alguns dignitários estrangeiros como o Papa ou isso. Vai haver boas vibrações no ar e toda a gente vai refugiar-se nessa ilusão por um tempo.

Aproveita enquanto puderes, Portugal. Porque assim que a diversão acabar a realidade vai intrometer-se no teu caminho. A única coisa boa disto tudo é que jogar golfe se tornou muito atractivo aqui. Espero que o mesmo sucededa por aí e poderemos então combinar um jogo.

Com amor

Irlanda

O original aqui

Garotices

PSD rejeita responsabilidade nos cortes do 'rating'

Para Marco António Costa, "o ministro Vieira da Silva anda distraído e não tem estado cá no último ano para assistir ao que se tem passado com as agências de 'rating' ou então tem memória curta que não se recorda que antes da crise ter ocorrido já uma agência tinha diminuído o 'rating'".

O líder do PSD/Porto disse mesmo que "o PSD tem tanta responsabilidade neste abaixamento do 'rating' do Estado português como tem na última tempestade que se abateu sobre o Pacífico, é exactamente o mesmo paralelo de responsabilidade".


A responsabilidade dos cortes nos ratings é do Bloco de Esquerda e da sua moção de censura, ou então da rotatividade entre BE e PCP à frente dos sucessivos governos desde 1975.
Marco António Costa, o Nuno Markl do PSD, ou anda distraído e não tem estado cá nos últimos 36 anos, ou tem memória curta e não se recorda que em todo este tempo o PSD tem contribuido largamente, em conjunto com o PS e o CDS para o actual estado do Estado.