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4 de julho de 2010

fica o futebol, o desporto esmufa-se

Muito se falou e muito se especula sobre o que poderá acontecer à Selecção Norte-Coreana pelos resultados obtidos no corrente Mundial da África do Sul. No entanto, o Presidente do Governo da Nigéria já decidiu suspender todo o aparelho desportivo da modalidade no país, durante dois anos, pela fraca prestação da selecção no Mundial. Ainda não é certo que isto vá realmente para a frente, uma vez que a FIFA está a travar um duro braço de ferro com o governo nigeriano, por não aceitar em caso algum a politização do futebol.

Casos como estes são a negação total do desporto, do resto, já trata a profissionalização e o extenso aparelho ideológico de dominação que o circunda.

Podíamos discutir a politização do futebol, porque existe, mas fica para uma próxima vez.

23 de junho de 2010

7

Fosse Portugal uma República Socialista e já o Tiago estaria a receber a medalha de Lenine.
Para os Navegadores aqui fica uma sugestão musical mais a preceito:

17 de junho de 2010

Espanha: No futebol como na economia


Depois de Angela Merkel foi Ottmar Hitzfeld que pôs a Espanha em sentido. Podemos ver na foto o esforço que ele faz para "agarrar" o Euro com as duas mãos, não vão os PIGS deixá-lo cair.

"None of the governance reform proposals that are currently discussed even attempt to answer the questions of how Spain is going to get out of this hole, and how the competitiveness gap between the north and the south of the eurozone is going to be closed."
diz Paul Krugman no seu blog.

Vale a pena ler para desenjoar do futebol.

16 de junho de 2010

Mundial 2010: Ünsere schöne Schweiz - A nossa linda Suiça.

Durante o ano de 2006 foram aprovadas na Suíça, via plebiscito, fortes restrições à imigração e ao direito de asilo e em 2009 proibiu-se, igualmente por plebiscito, a construção de minaretes. Ao que se pode somar uma política ultra restritiva para a obtenção de nacionalidade helvética.

Todas estas decisões legislativa e políticas surpreenderam e chocaram, de uma forma ou outra, grande parte da comunidade internacional. O mesmo se passou com a vitória de hoje por uma a zero sobre a Espanha.

Sim, a Suíça venceu uma das selecções favoritas ao título de Campeão Mundial e o mais curioso é que o marcador do único golo da partida foi Gelson Fernandes, um cabo-verdiano de 23 anos, naturalizado suíço, e como não podia deixar de ser foi igualmente considerado man of the match. O capitão da selecção helvética é o médio Gokhan Inler, nascido na suíça e filho de pais turcos.



Não deixa de ser curioso, que a Suíça seja uma das selecções mais multiculturais em competição, mesmo quando é um dos países onde a extrema-direita parlamentar mais força tem (SVP) e onde já foi diversas vezes o partido com mais membros no Bundesrat.

Quando estiverem a festejar a vitória de hoje, que se lembrem, todas e todos, aqueles que fizeram da Suíça um dos países mais antipáticos a quem difere da normatividade cultural e genética do país, que a sua selecção tem um capitão turco e muçulmano e que o golo foi assinalado por um africano.

14 de junho de 2010

Vuvuzelas e o perigo do pensamento único


Pouco mais se consegue ouvir nas transmissões televisivas do Mundial de Futebol que o constante buzz que chega até nós através desse maravilhoso instrumento que é a vuvuzela.
Tudo aquilo que era a parte mais interessante do que é a multiplicidade cultural de um evento Mundial desapareceu.
As batidas de Samba da torcida brasileira, as coreografias e estandartes dos tiffosi, os cânticos dos adeptos Ingleses, enfim todo um mundo se mesclava num caldeirão desportivo.
No final os brasileiros trocavam os tambores por didgeridoos, os ingleses pagavam umas cervejas em troca de um cachecol de Portugal e os Portugueses ofereciam umas febras e um copo de vinho a quem passava.
Era assim no meu tempo a festa do futebol.
Hoje em dia reina o pensamento único.
O pensamento único serve para uma coisa apenas: criar também uma só voz, uma só opinião.
É assim na política, é assim na economia e é assim agora no futebol.
Ingleses, Coreanos, Espanhóis, Portugueses, Ganeses, todos os adeptos soam ao mesmo, todos os jogos soam ao mesmo, todos os insultos ao árbitro e respectivos progenitores soam ao mesmo: o buzz da vuvuzela.
Todos nós sabemos o que significam aplausos, sabemos o que significam assobios.
Conseguimos distinguir vários estados de espírito conforme as suas manifestações, mas o que raio significa um gajo estar a soprar numa vuvuzela?
Será que está a apoiar? A apupar? A chamar uma manada de elefantes ou a encomendar uma pizza?
Assim é com o P(r)EC* e com as respostas à crise.
É preciso políticas orçamentais radicais e urgentes País a País.
Quais são essas políticas? São as da Alemanha aplicadas Grécia, Espanha, Portugal e todos os outros que ou estão falidos ou para lá caminham.
Mas não somos nós países tão diferentes com especificidades tão nossas e com realidades radicalmente diferentes?
Se temos economias tão diferentes, são necessárias políticas efectivamente diferentes, específicas de modo a construir um verdadeiro caminho de convergência e de coesão real e não apenas formal entre os membros do clube Europa.

Porque raio então em todos os parlamentos por essa Europa fora só se ouve o buzz da política da vuvuzela?


*chamo-lhe P(r)EC porque as vuvuzelas já estão a criar um verdadeiro movimento que poderá levar a que sejam banidas dos estádios.
Por analogia começa-se a criar um grande movimento em muitos países contra os vários PEC, espero que consigam banir também dos parlamentos as medidas que são um roubo ao cidadãos.

9 de junho de 2010

"Praticamente Genético"??


Não vejo nenhuma incoerência, antes pelo contrário, em ser neto de uma africana branca e desprezar até à última a estupidez do racismo. E é partindo dessa ideia que vos afirmo que estou preocupado com os caminhos que a excitação nacionalista do momento estão a tomar. Gosto tanto que ganhe a equipa de pesca do meu bairro como a selecção nacional de futebol. Não há mal nenhum nisso e o problema é outro.... O problema é o impacto, não grande mas significativo, da leitura que o "Jornalista luso assaltado" no Mundial da África do Sul e os seus colegas de profissão fazem do acontecido:


"Estava a dormir. Acordei com um barulho e deparo-me com dois africanos negros dentro do quarto. Um deles aponta-me logo a arma à cabeça. Manda-me estar calado. Pressiona a arma e manda-me encostar para trás. Foi terrível”

Aliás, o que me despertou a atenção nem foi este relato da vítima sobre o "terror" (atenção ao numero de vezes que se tem falado em terrorismo no mundial 2010 na África do Sul) e sobre o pormenor epidérmico dos "dois africanos negros"...

As palavras do jornalista da TVI sobre o assunto (ainda que no contexto do ataque a um membro da sua classe profissional) essas é que me causaram indignação, num primeiro momento. São palavras algo preocupantes, disse e repetiu que este tipo de casos de violência em África é "praticamente GENÉTICO".

Creio que não foi com intenção e que o jornalista disse aquilo no calor do momento (e não, e não vou falar de Rousseau) mas essas palavras não deixam de revelar (e propagar) uma leitura de hegemonia conservadora e até reacionária sobre o problema da violência em África.

24 de maio de 2010

O Mundial na Blogosfera e as paixões de Tiago Mota Saraiva

O Tiago Mota Saraiva é daqueles que se pudesse teria feito campanha eleitoral pelo Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte e consequentemente por KimYong-Il. Uma vez que as burocracias e os constrangimentos de ambos os Estados não facilitam propriamente a capacidade oratória e mobilizadora do TMS, para convencer as massas norte-coreanas a levar a sua luta até ao voto, optou por apoiar a selecção da Coreia do Norte no Mundial.

Como se sabe a renovação de qualquer mandato político é sempre facilitado quando os representantes desportivos da Pátria alcançam bons resultados. E é óbvio que em tempos de crise, e o TMS sabe isso, as lideranças sofrem ainda mais pressão, portanto nada melhor que uma boa prestação no Mundial, para o Kim Yong-Il ir reforçado para o momento eleitoral vindouro.

Entretanto a imprensa desportiva burguesa, através do Jornal Desportivo "O Jogo", começou a fazer campanha pela oposição a Kim Yong-Il:

"Quando uma equipa norte-coreana perdia com uma da Coreia do Sul, os culpados pelo insucesso eram levados à força para as minas de carvão para trabalhar. Muitas vezes, esses culpados, que podiam também ser os técnicos, eram levados antes mesmo de desfazerem as malas quando regressavam de um encontro", afirmou ao "Estadão" Myong-Chang, seleccionador da Coreia do Norte entre 1990 e 94 e que fugiu para o vizinho do Sul em busca de asilo algures no ano de 1999. (1)