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26 de fevereiro de 2012

Princípios estratégicos socialistas


(...) A visão nua e crua da política, inaugurada por Maquiavel, leva a que seja considerado um precursor da ciência política. Considerar que o objectivo da política é a conquista, a manutenção e o exercício do poder é acertado. Se esse é o objectivo de todos os actores políticos, também o é para nós, socialistas; mas não é indiferente para os socialistas o que se faz com o poder, a quem serve o poder. Por isso convém falar nestes princípios estratégicos socialistas. (...)

"Princípios estratégicos socialistas" in A Comuna, nr. 27, Fevereiro de 2012, pp.24-27 <http://www.acomuna.net/media/A%20COMUNA%2027.pdf>

21 de julho de 2011

Karl Marx idea of Alienation



Um modo interessante de apresentar a questão. Falta a parte do para além do diagnóstico... Mas é um bom começo!!

22 de junho de 2011

Socialismo sem muros


Era segunda-feira, 30 de maio, faltavam poucos dias para as eleições. Estava na sede nacional, no meio de uma série de tarefas de campanha e em campanha todo o tempo é pouco. Mas houve uma ótima razão para interromper toda essa agitação. Tocaram à porta uma rapariga e um rapaz que vinham da Áustria e queriam conhecer o Bloco de Esquerda.


Falaram-me da política austríaca, nomeadamente da não existência de um partido socialista e anti-capitalista com expressão nacional na Áustria. A jovem e o jovem de que vos falo fazem parte de um pequeno grupo de esquerda chamado Linkswende (Left Turn) ligado à International Socialist Tendency, corrente trotskista da qual é figura destacada Alex Callinicos e que tem como figuras histórica Tony Cliff, fundador do britânico Socialist Workers Party. Contaram-me as dificuldades dos grupos de esquerda na Áustria em gerar uma força de esquerda capaz de conseguir levar a sua voz e as suas propostas ao parlamento nacional. Desses pequenos grupos, os que chegam a conseguir apresentar-se a eleições nacionais têm frequentemente muito abaixo do 1%: os 0,05% (zero vírgula zero cinco por cento) do Sozialistische LinksPartei, nas legislativas de 2006, por exemplo.


Um dos motivos imediatamente apontado pela jovem e pelo jovem para a fraqueza da esquerda socialista austríaca foi o sectarismo.Recomendei-lhes a leitura do artigo do Francisco Louçã: "Sectarismo: um fantasma que ameaça a esquerda" (http://combate.info/media/288sectarismo.pdf). De facto, penso que o "Sectarismo: um fantasma que ameaça a esquerda" do Francisco Louçã e o "Partido, razão necessária" do Luís Fazenda (http://www.esquerda.net/virus/index.php?option=com_content&task=view&id=80&Itemid=26) são contributos teóricos importantes para todas e todos quantos pretendam gerar a força necessária a uma alternativa democrática, socialista e anti-capitalista na Europa.


A experiência do Bloco de Esquerda interessava-lhes muito. Falei do Começar de Novo (http://www.bloco.org/media/comecardenovo.pdf), de como a convergência das diferentes de correntes e experiências da esquerda social e política formaram um partido de tipo novo, unido na construção de uma política socialista. Afirmei, assumindo como opinião pessoal, que o tipo de partido que faz falta à esquerda na Europa (e possivelmente noutras partes do mundo) é um partido como o Bloco de Esquerda, em que várias correntes teóricas e ideológicas e várias experiências dos movimentos e da luta social convergem, sublinho, na construção de uma política socialista. Esse projecto político é um projecto autónomo, capaz das convergências exigidas por cada luta política e social mas sem perder a sua identidade e o seu carácter alternativo.


À data da visita daquela jovem e daquele jovem da Áustria que anseiam por um partido que faça a diferença, que lhes dê voz, esperança e futuro, eu já tinha a percepção da derrota que se aproximava. Dias antes, falava com uma camarada sobre isso. Qual é o pior resultado que nos dão nas sondagens? perguntei-lhe. Respondeu-me um número desagradável que nem estava muito longe do que veio a verificar-se. Depois, questionei a camarada e se tivermos esse resultado no dia 5, o que é que temos no dia 6? A resposta dela foi que tínhamos força para lutar e para dar a volta a isto. E a minha resposta foi esta: que temos um partido para lutar e conquistar o futuro. A história da esquerda é feita avanços e recuos, conquistas e derrotas. O que eu vi na noite de dia 5, na sede nacional, foi muita unidade e muita força, uma estranha força que intrigou os jornalistas.


Nos dias seguintes, a história pública e publicada é sobejamente conhecida e agravam a situação de um partido saído da sua primeira grande derrota. Mas para além disso e sem fugir a essas controvérsias, há um trabalho minucioso, diário, demorado, do debate profundo e multi focado das razões do crescimento e do recuo do Bloco. Tenho participado em muitos desses momentos, formais e informais, de debate e principalmente escutado. Militantes e simpatizantes de vários lugares e com diferentes opiniões têm-me ensinado a ver a questão de vários prismas; estas análises não são simples. É com elas e com eles, com as suas opiniões, o seu trabalho diário e o seu contributo que vamos seguir em frente.


O frenesim das minhas tarefas de campanha parou por um momento, naquele dia. Como socialista, como europeísta de esquerda, tive a percepção de que era importante trocar ideias e experiências com jovens que, como eu, estão comprometidos com a busca de uma alternativa democrática e socialista ao capitalismo. Faço votos para que tão breve quanto possível se possam orgulhar, na Áustria, de ouvir de uma bancada sua uma saudação como a da Catarina Martins à queda do Muro de Berlim: http://youtu.be/7sEc447PWKY.

(também publicado em www.acomuna.net)

22 de maio de 2011

Zizek e o "fazer qualquer coisa"

Luís Fazenda escreve (a pag.s 39-45 de A Comuna nr. 25) sobre Slavoj Zizek, nomeadamente analizando criticamente o livro Da tragédia à Farsa:

"Slavoj Zizek é um pensador a reter, hábil no modo como desconstrói a ideologia dominante através da exposição crua dos seus lugares-comuns culturais, eficaz quando utiliza a razão lógica para pôr em cheque muitos dos absurdos que são tomados por racionais na ordem mediática.
(...)
"Zizek deixou de lado da análise marxista tudo o que releva da economia: a exploração capitalista da força de trabalho, a anarquia do mercado, o processo de centralização da propriedade de meios de produção e troca, o imperialismo como guarda da posição dominante de mercado. A produção do ambiente, a privatização da propriedade intelectual, a alienação do controlo biológico, alguns dos expoentes do capitalismo dos dias de hoje, e expressão da selva na civitas, não são outra coisa que o desenvolvimento do lucro privado sobre o trabalho social acumulado.
(...)
"Zizek até reconhece como foi funesto para o "socialismo realmente existente" ter ignorado a democracia. Não fixa, porém, sobre isso qualquer necessidade própria, nem indicação teórica, para o papel da democracia no combate ao capitalismo, nem garantias sobre a soberania popular que o socialismo há-de ter.
(...)
"É, de facto, preciso trazer novas "luzes" ao pensamento revolucionário para actualizar o marxismo, quer com as metamorfoses do capitalismo, quer com a correcção dos erros do socialismo que o deixaram a perder. (...) Zizek "não sabe o que devemos fazer", sublinha-se a honestidade do conteúdo. Mas antes de fazer qualquer coisa, caro leitor pense e pense com os sujeitos colectivos da luta de classes."

18 de março de 2011

A nova Morfologia do Trabalho: Conferência com Ricardo Antunes, na Universidade do Minho


Ricardo Antunes é um dos mais importantes especialistas na Sociologia do Trabalho dos últimos 20 anos. Professor e Investigador na Unicamp, publicou livros como o "Adeus ao Trabalho?"(1995) e "Sentidos do Trabalho" (1999). Estará na Universidade do Minho na próxima terça-feira, dia 22. A não perder!

31 de janeiro de 2011

O Guevarismo

"Che Guevara foi um dos grandes revolucionários do século XX, que deu um contributo importantíssimo a movimentos de libertação das garras colonialista e imperialistas das décadas de 60 e 70 (embora a sua influência se tenha prolongado)."

"Apesar da mistificação que existe à volta do médico que se tornou soldado em nome de ideais revolucionários socialistas, a necessidade de ir além do mito surge. E surge porque qualquer mito impede as pessoas de terem um olhar crítico e de questionamento sobre o mito em questão."

"E é isso que se pretende com este artigo, indo mais a fundo na produção teórica de Che Guevara, que mesmo não sendo muito extensa, nos permite caracterizar o guevarismo e as oposições ou diferenças face ao socialismo soviético que era dominante na altura. Também percebemos que o contexto em que Che escreve muitos dos seus artigos é importante para analisarmos com maior exactidão as suas visões sobre o marxismo."

Por Isabel Pires e Diogo Barbosa

Artigo publicado integralmente em http://www.acomuna.net/index.php/contra-corrente/2997-o-guevarismo

24 de setembro de 2010

Estamos em Guerra





A voracidade dos dominantes é tal que a guerra aos povos é cada vez mais evidente.

(Artigo escrito a propósito do Dia Internacional da Paz/21setembro)

Venderam-nos (e comprou quem quis) a ideia do “Fim da História”, do triunfo da triologia da democracia liberal, economia de mercado e (“consequente”) paz mundial. As guerras “étnicas” ou “humanitárias” dos anos 1990 eram apenas “excepções”, últimos vestígios dos modelos ultrapassados.

Com o 11 de Setembro, veio a declaração da guerra geral ao “Terrorismo” (conceito “utilmente” indefinido no Direito Internacional) e sob essa bandeira suspenderam-se direitos e garantias, na esfera interna – o caso do Acto Patriótico nos EUA – e invadiram-se estados: o Afeganistão e o Iraque.

Vinte anos depois da queda do Muro de Berlim, a realidade não é a do “Fim da História”, o “Choque de Civilizações” não impede “negócios da China” ou das Arábias, o “Império” sem centro de Negri é pura miragem face ao papel fundamental do estados e suas organizações na guerra, na desregulação financeira, no socorro à banca e no endossar de ataques especulativos como aquele que está em curso contra o euro e os povos europeus.

É igualmente verdade que o mundo de hoje já não é o da teoria do imperialismo de Lenine, o imperialismo do choque entre potências que derivava da existência das burguesias nacionais monopolistas. Hoje, na era das corporações transnacionais, existem burguesias com interesses transnacionais que, ainda assim, não abrem nem podem abrir mão do poder que exercerem através dos vários estados. Note-se que os americanos vêem, hoje, com bons olhos e sem desconfiança o investimento europeu na defesa (querem dividir os custos da guerra e até lucrar mais alguma coisa na venda de material bélico). E as outras potências e organizações internacionais são vistas como parceiros necessários e desejáveis.

O imperialismo persiste, mas sob outra forma. Alcançou a dimensão Global, aperfeiçoou-se, mas também encontrou novas contradições e novas rivalidades. A tendência não é para a Guerra entre potências imperiais (como era no tempo de Lenine); agora a tendência é para ‘a guerra unida das potências contra todo o mundo, contra todos os povos’: desde a guerra entre a Finança Global e as economias nacionais às guerras coloniais no Iraque e na Palestina ou mesmo à guerra ao Estado social e à perseguição de minorias étnicas, como ilustra o recente caso dos ciganos em França.

Os impérios e a hegemonia burguesa trazem às subjugadas e aos subjugados uma aparente paz que mais não é que a cristalização/normalização das violências da ordem estabelecida. Mas nem mesmo essa 'paz aparente' dura. A voracidade dos dominantes é tal que a guerra aos povos é cada vez mais evidente. A luta política e social pela hegemonia das exploradas e dos oprimidos é fundamental para a defesa e o aprofundamento da democracia e para a conquista de uma paz que abra caminho a um mundo onde o livre desenvolvimento de cada um e cada uma será condição para o livre desenvolvimento de todas e todos.

Nota: também publicado aqui.

15 de setembro de 2010

Cuba: modelo inFidel?



A polémica sobre as declarações de Fidel Castro a cerca da validade do modelo cubano marcou a agenda mediática. Entretanto chegaram factos novos, como o Fabian bem referiu.

O caso cubano foi aquele em que mais me detive na conferência Há Socialismo sem democracia?, cuja polémica conhecemos. Aqui ficam umas notas para uma interrogação aberta e com referência marxista sobre o modelo cubano (originalmente publicadas aqui):


A minha posição sobre aquele tipo de modelo político já é conhecida [i]. Mas há ainda muitas e muitos socialistas, especialmente na América Latina mas também na Europa, que vêem em Cuba, não digo um modelo mas pelo menos um caso de sucesso ao nível da democracia económica. Há ainda quem sofregamente deposite em Cuba toda a caução de uma vida de luta e esperança. É preciso chamar a razão para tentar olhar Cuba com olhos de marxista.

Comecemos, antes de mais, pelo aspecto da democracia política e tomemos o caso dos presos políticos. Além do delito de opinião, ou seja, de ser proibida a expressão de opiniões consideradas contrárias à Revolução; além disso, é sintomático que o Estado cubano nem se respeite a si próprio. E digo isto porquê? Ora, sete anos depois da condenação do “grupo dos 75” a 20 anos de prisão, o Partido-estado revê a questão não revogando as leis que os condenaram, nem amnistiando por via da Assembleia Nacional Popular, mas negociando com a Igreja Católica e o Reino de Espanha. Ou seja, o regime reduz a zero aquilo que deveria garantir: um Estado de direito socialista.

Mais ainda, sempre que quer simular abertura e diálogo, o actor escolhido é a Igreja e nunca os sectores da esquerda cubana que, sendo críticos do actual estado de coisas em Cuba, propõe alterações à estrutura económica e política (para, nas palavras dos próprios, 'salvar a Revolução'). Falo nomeadamente dos apoiantes do documento “Cuba necesita un socialismo participativo y democrático. Propuestas programáticas”.

De acordo com Campos, Cobas e os demais defensores das Propostas Programáticas: os discursos de Fidel de 17 de Dezembro de 2005 e especialmente o de Raúl Castro de 26 de Julho de 2007 “estimularam outro debate onde, de novo, as bases se pronunciaram por um socialismo mais participativo e democrático”. Mas nem até 2008, quando foram escritas as referidas propostas, nem desde então foram divulgados e discutidos os resultados dessas discussões na sociedade cubana.

As próprias Propostas Programáticas, um documento que se pretende um contributo para o debate da salvação da revolução, só são referidas na imprensa oficial para ser deturpadas e acusadas baixamente de propostas neoliberais e anti-revolucionárias.

Por exemplo, Campos e Cobas propõem a desestatização de alguns sectores da economia e a sua socialização pela livre associação de trabalhadores. Propõe a criação de modelos de propriedade/gestão Cooperativa [ii], Autogestionada [iii] e Cogestionada entre o Estado e os trabalhadores [iv] - uma forma de libertarem as forças produtivas do poder da burocracia estatal. Ou seja, o Estado – em verdade, o grupo que controla o partido que controla o Estado – nega-se a discutir um elemento fundamental e decisório: a propriedade. Estranho para qualquer marxista!

Estas propostas são perfeitamente discutíveis, mas a questão arrasta outra: Que democracia económica será esta onde o Estado se transforma em patrão e não discute abertamente as políticas económicas com os cidadãos, transformando-os em meros assalariados?

A resistência ao bloqueio económico dos Estados Unidos é heróica, mas o bloqueio só é desculpa desde a queda da União Soviética (antes o discurso era o de que o bloqueio era ineficaz, pois bastava a fraterna assistência soviética). Talvez uma verdadeira democracia económica tivesse apostado mais na produção que na dependência. Mas, seja como for, o bloqueio não pode ser o bode-expiatório de tudo.

Os serviços públicos, nomeadamente o serviço de saúde universal e de qualidade são uma conquista assinalável. Mas o socialismo não pode ser o somatório de serviços públicos com uma ditadura burocrática, onde é estimulada a cultura da delação pelos comités de defesa da revolução.

O Congresso do PCC continua adiado para as calendas gregas e, embora seja negado pelos dirigentes cubanos, o Estado cubano está a seguir uma via semelhante à chinesa ou vietnamita [v]. Sintoma disso é, por exemplo, uma das medidas “revolucionárias” do Governo de Raúl Castro ( medida que está suspensa mas prometida): trata-se do fim do acesso a bens básicos a preços sociais [vi], com o objectivo de fazer frente à redução de receitas do Estado. Onde é que nós já ouvimos isto?!


Dizem que Fidel Castro disse que o modelo cubano já não funcionava sequer em Cuba. Agora Fidel desdiz o que dizem que ele disse. Teria antes dito que o modelo capitalista já não funciona nem nos EUA. O "diz que disse" é muito e vale a pena ir além disso (...). Há muitas perguntas para fazer.

Parte delas vão sendo respondias por PECados (pouco) originais como o despedimento dos 500 mil trabalhadores cubanos em nome do estímulo ao empreendedorismo.

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[i] “A História prova que o monopartidarismo, em vez de garante de uma unidade para o progresso revolucionário, foi a própria origem da contra-revolução. O domínio do aparelho de Estado pelo partido único gerou, a partir dos seus quadros, uma nova classe dominante, com interesses próprios e necessariamente diferentes dos da maioria proletária.” Ver mais em Joana Mortágua e Bruno Góis, “Que fazer (com Lenine)?”, A Comuna, nr 21, http://www.acomuna.net/media/acomuna21.pdf, janeiro de 2010, pp. 4-7
[ii] “que incluiria além de pequenos camponeses unidos voluntariamente, pequenas empresas industriais ou de serviços (construção, gastronomia, oficinas de reparações) mais de tipo artesanais, onde os meios de produção são de propriedade original dos trabalhadores”
[iii] “para empresas medias a pequenas que por seu nível de desenvolvimento (pequenas fábricas, oficinas, restaurantes, instalações hoteleiras menores) onde a propriedade sobre os meios de produção se outorgaria directamente aos trabalhadores em forma plena, por meio de venda, a dinheiro ou a crédito, ou a cedência por parte do Estado. Os trabalhadores determinariam autogestionariamente tudo na empresa, através de seus órgãos democraticamente eleitos ”
[iv] “(entre o Estado e os trabalhadores) para as empresas de interesse nacional ou estratégico, com alto nível tecnológico, que demanda uma enorme quantidade de recursos e pessoal altamente especializado que só pode ser conseguido pelo participação Estatal ou capital estrangeiro”.
[v] Breno Altman, O rumo das Reformas de Raúl Castro? In Carta Maior, http://www.cartamaior.com.br/, 02/08/2010

[vi] Estes produtos cobrem aproximadamente 30 % das necessidades alimentares de cada cubano e cada cubana.

13 de setembro de 2010

O gémeo falso


Aparentemente, para Gonçalo Portocarrero de Almada (GPA), tudo vale em nome da homofobia. A página 37 do Público de hoje, onde diz falar de “Filhos sem mãe”, é prova disso.
O vice-presidente CNAF usa até (pasme-se) “ingredientes” da luta de classes na sua excitação da irracional fobia a tudo o que escapa ao preconceito da “heteronormalidade”.
Começa assim: ‘“Eu e o David estamos à espera de gémeos. Esperamos que a imprensa respeite a nossa privacidade”- eis a declaração pública de Neil Patrick Harris, protagonista da série televisiva How I met your mother e, segundo as mesmas fontes, “corajoso” “homossexual assumido”’.

O começo não é nada inocente, GPA pretende transformar este caso particular numa caricatura. Reconhece que tanto casais heterossexuais adoptantes (e presumo que isso inclui os que são inférteis) como um homem ou uma mulher (mas nunca um par de pessoas do mesmo sexo) podem ser pai e mãe, ou único pai ou única mãe das crianças adoptadas. Mas haver dois pais ou duas mães.... para GPA, isso é que não.
E qual a justificação de tamanha sentença contra os casais de pessoas do mesmo sexo? Qual a razão de tal suposto castigo divino? Diz GPA: ‘Uma segunda “mãe” não substitui um pai, como um segundo “pai” não supre a ausência materna’.
Resta saber: Quando há só uma mãe, o vazio “substitui um pai”? Quando existe só um pai, o vazio “supre a ausência materna”? E, mais que isso, quem quer substituir o quê?
GPA terá certamente uma resposta, mas preferiu guardá-la, como bom filósofo que é. Em lugar de respostas a tais perguntas, o filósofo dedicou-se a multiplicar disparates e a levantar poeira:
“A que título serão acolhidos, por Neil e pelo seu amigo David, estes dois gémeos? Tudo leva a crer que mais não são do que um complemento da sua sui generis união, infecunda por natureza, de que não são a continuação, mas um artificial apêndice. Obtido, talvez, através de uma “proletária”, ou seja uma mulher anónima cuja maternidade fica reduzida à procriação da “prole”, que depois enjeita em benefício de terceiros”
GPA instrumentaliza e deturpa, como é próprio da ideologia da extrema-direita, o antagonismo de classes. Para clarificar, pergunta-se ao filósofo GPA: uma “barrigas de aluguer” é, necessariamente, menos “mãe” e menos “proletária” quando o casal que espera a criança é heterossexual?
Caro GPA, olhe que essa confusão ilógica é indigna do rigor filosófico. Aliás, GPA, V.Exa. não é só filósofo, é também jurista… pior ainda. Não sei se quando estudava (na licenciatura e no doutoramento) era assim tão baralhado ou se guardou sempre a “baralhação” discursiva para confundir o próximo. Certo é que tem muitos pergaminhos. Mas nenhum deles lhe dá o direito de insinuar publicamente que aquele, ou outro casal, quer ter filhos por capricho. Deixe ficar isso para os comentadores de revistas cor-de-rosa: esses estão na profissão certa e estão conscientes de que trabalham apenas para o entretenimento e não para a salvação das almas.
Gonçalo Portocarrero de Almada é um de três gémeos. Felizmente tem duas irmãs e, por essa razão, podemos ficar certos de que se trata do gémeo falso.

2 de setembro de 2010

Há Socialismo sem democracia?



Depois de uma ausência entre a praia e o Socialismo, breves sugestões de leitura:

Esta pergunta, "Há Socialismo sem democracia?", foi considerada como pouco/nada relevante por Nuno Ramos de Almeida. Contudo, João Rodrigues demonstrou que não havia razões para as preocupações de NRA.

A questão "Há Socialismo sem democracia?" suscitou o interesse de algumas pessoas e foi óptimo debater o tema em diferentes vertentes. Para isso contribuíram bastante as questões levantadas pelas pessoas presentes.

Sobre o debate e a necessidade de o prosseguir, vale a pena ler o que João Rodrigues escreveu: Por um novo impulso ao debate sobre o socialismo.

Logo que possível, as notas da intervenção e do debate estarão disponíveis na Internet, darei notícia disso aqui.

7 de agosto de 2010

Injecção anti-conservadorismo, precisa-se

Maria New acaba de se autoproclamar como a guardiã da heteronormatividade nos Estados Unidos da América: graças a uma injecção de estrogénio dada a grávidas, quer impedir que as futuras filhas destas sejam lésbicas.

Ordem de internamento para Maria New! Ou é louca, ou é a única sobrevivente da guilhotina de Robspierre e merece ser estudada.




Brinco (claro) com aquilo que, muito bem, foi chamado o Terror.

Note-se que na guilhotina morreram muitos inocentes, incluindo feministas (pois os direitos do homem e do cidadão eram mesmo masculinos gramatical e ideologicamente falando); E naturalmente, como feminista, não é com as suas mortes que brinco, mas com a ideia de que muitos reaccionários e muitas reaccionárias "sobreviveram" à Revolução Francesa e a todas as revoluções e demais avanços posteriores.

Sou um partidário do Estado de direito socialista. Mas quando leio notícias como aquela, só me lembro do Terror como melhor alegoria do que sinto. E depois bebo um copo de água e isso passa.

(O pior é que a estupidez de Maria New não passa)

31 de maio de 2010

Pela disputa da Vox Populi


Se é uma constante histórica que os pólos periféricos do centro político tendem a crescer e a merecer a confiança dos eleitores em alturas em que a crise sistémica do capitalismo mais se acentua e as suas contradições inatas aumentam exponencialmente o exército social de reserva, arrastam milhões para a pobreza, agudizam o ataque ao Trabalho, estão geralmente reunidas as condições objectivas para o fortalecimento das forças progressistas de esquerda, anticapitalistas e comunistas.

Texto publicado aqui

21 de maio de 2010

Do Poder, do Partido e do Movimento


O Hugo e o Bruno marcaram a agenda do Blogue de uma forma exímia, trazendo um debate de enorme relevo à esquerda do reformismo.

Se por um lado reflectem sobre a concepção de Partido-Movimento, as formas como ambas as partes se relacionam e como travam as suas lutas, por outro frisam bem a importância de não perder o horizonte transformador e não ficarem secos nas denominadas causas fracturantes.

Um dos grandes problemas desses partidos de causas residuais e temporais é facilmente serem absolvidos pelo situacionismo. Com o evoluir do capitalismo liberal e da marcação de agenda, as suas metas políticas começam também a fazer parte da agenda dos partidos burgueses e a sua razão de existência dissolve-se no ar.

Frise-se que é de enorme relevo almejar novos direitos civis, combater as discriminações na sua totalidade, mas as metas como o conhecimento livre, a eutanásia, o aborto, o casamento lgbt, começam em vários países do capitalismo avançado a fazer parte não só das agendas das forças do regime, como são parte integrante dos direitos, liberdades e garantias.

Outro ponto precioso nesta análise é que em vários países da Europa, esse debate não se faz sempre e somente entre esquerda e direita, mas muitas das vezes, entre conservadorismo e liberalismo. Vários partidos Liberais da Europa têm a mesma agenda no campo das liberdades individuais que muitos partidos de esquerda.

O grande debate dentro desta realidade é mesmo o horizonte do Partido e da sua relação do Poder, tal como constatava o Bruno sobre o Partido Pirata, que para além do conhecimento livre, não tinha muita mais posição política, portanto completamente disponível para ser parte do jogo político do centrão.

É aqui que se distinguem claramente os campos, seja entre partidos de causas e mesmo entre partidos de esquerda.

E inevitavelmente volta-se sempre às denominadas "Quinze Teses para uma Esquerda Alternativa Europeia" apresentadas por Fausto Bertinotti. O mais curioso neste caso específico, é que o próprio Bertinotti e a Refundação Comunista comprovaram que as suas teses estavam correctas, uma vez que se injectaram com o vírus, do qual supostamente tinham o anti-vírus.

À Esquerda do Reformismo é preciso um projecto consistente, de alternativa social e sistémica, que não se compagina com coligacionismos, pragmatismos e corridas precipitadas para um poder, que não é o nosso. Ser mais que um leque de causas, ou um pequeno agente de atraso de ataques maiores ,é condição mínima para a esquerda que se queira como alternativa.

A autoridade dos partidos, a força dos movimentos sociais, não irromperam apenas das contradições objectivas com os interesses das "classes subalternas" mas também do capital
de esperança das alternativas - essa é a força subjectiva, da consciência social. A participação gestionária num governo liberal, de "centro esquerda", pode até ser justificada para impedir males maiores às classes populares mas comete o crime de roubar a esperança numa alternativa social. Umas migalhas não fazem a dignidade numa luta de opostos. Ao acentuar se a crise estratégica do reformismo mantinha se um apelo ao reagrupamento das esquerdas políticas e sociais. A Refundação ao fazer parte da crise do reformismo produz desmembramento do espaço transformador, divisões, atraso na consciência social. (1)

Verdes, Queer e Piratas são figuras de muito estilo (nota breve sobre movimentos sociais e partidos) *



"«O Partido Pirata não tem opinião definida sobre nada que não sejam as liberdades na Internet; quanto ao resto, votará com os outros partidos». Os responsáveis do Piratpartiet repetem que não terão qualquer dificuldade em aplicar esta regra, porque a clivagem direita-esquerda perdeu toda a pertinência." (in Le Monde Diplomatique)
1. O não reconhecimento da clivagem entre esquerda e direita é justamente a revelação do pecado original dESTA elevação do movimento social a partido. Um partido que seja meramente “o braço do movimento social na política” [diferente de braço político] é claramente insuficiente. A SUA simples defesa de causas particulares não articuladas com uma visão de conjunto [própria da política] é profundamente perigosa. O sonho dos grandes partidos do sistema (PS e PSD, no caso português) era puder comprar pequenos partidos de causas pela satisfação (parcial) das suas reivindicações particulares.

1.1. Para os grandes partidos do sistema, é até interessante ter no cenário político partidos feministas, queer, ecologistas, piratas… desde que estes não coloquem o sistema em causa, desde que estejam disponíveis para trocar a satisfação parcial das suas reivindicações pelo apoio à governabilidade. “Eu dou-lhe a lei do casamento homossexual (sem adopção) na compra da minha política reformista de privatização dos serviços públicos e apoio pontual a intervenções militares em diversos destinos… Vejo que hesita, …mas olhe que a adopção é negociável”… Pois é! Há negócios que não se fazem! Nem a diversidade do amor, nem a paz são moeda de troca!

1.2. As causas justas não se vendem nem se compram! Devemos ter a coragem de as defender em lutas unitárias. A participação em lutas unitárias por diversas causas (desde a paz à livre difusão do conhecimento) é um imperativo a que a Esquerda deve responder positivamente. Exemplo dessa capacidade unitária foi a participação Bloco de Esquerda na defesa da despenalização do Aborto. Essa luta concreta foi feita ao lado de muitas daquelas e muitos daqueles que são e serão nossos adversários em diversos ou, mesmo, em todos os outros campos da luta social e política. O esforço unitário é um tributo devido à dignidade da causa defendida.

2. Por muito que se possa concordar (totalmente ou em parte) com o movimento pirata, enquanto movimento social, quando este se eleva a Partido e foge à "clivagem direita-esquerda ": ficamos a saber que politicamente representa um centro liberal (apenas) esteticamente excêntrico. Como qualquer matiz liberal, está tingido de causas particulares sem questionar o TODO do Capitalismo. Isto não significa que as suas reivindicações não tenham potencialidades transformadoras e, em certa medida, anti-sistémicas. O seu carácter anti-sitémico advém do agudizar das contradições internas do Capitalismo. Daí que não seja de estranhar que o líder do Parido Pirata Richard Falking diga, a um tempo, «defende[r] até uma forma de comunismo digital, em que cada um contribui segundo as suas capacidades e o produto é distribuído segundo as necessidades» e, a outro, assumir-se como um ultracapitalista, nestes termos:

«Os conservadores não defendem o capitalismo puro [; …] são uma espécie de cagarolas sociais-liberais. (…) Eu defino-me como ultracapitalista, e foi a partir desse posicionamento que me envolvi politicamente. (…) A batalha joga-se agora na questão dos direitos dos cidadãos, que é a questão fundamental. Mais importante do que o sistema de saúde, a educação, o nuclear, a defesa e essa merda toda que andamos a debater há quarenta anos.». (1)

3. Além do dever de luta unitária na defesa de cada causa concreta e porque não se pode ser livre numa sociedade alienada: o que define verdadeiramente a Esquerda é a capacidade de elevar cada reivindicação particular a metáfora activa da reivindicação da Liberdade Universal.

A informação e a arte são de tod@s!

O Planeta é de tod@s!

Somos tod@s queer!

Somos tod@s imigrantes!


* Gostei do tema levantado pelo Hugo e, por isso, decidi publicar aqui um artigo que escrevi há tempos a propósito do fenómeno da passagem de um movimento a partido. Vejam também o artigo do Hugo Ferreira: Partido e Movimento - Uma questão de racionalidade.

25 de abril de 2010

E Depois do Adeus... o Bom Dia! da Liberdade


Temo de dizer, hoje, de forma renovada, o Depois do Adeus...

Depois do Adeus, depois de dizer 'Adeus, Lenine!', vem uma nova madrugada.

E o poema já não será o de Sophia. E a Filosofia da Prática será verdadeiramente uma só com o movimento popular.

Um dia, depois do adeus, vamos provar que aprendemos com Lenine a descobrir e a criar o momento em que tomamos todas e todos consciência de que, como dizia a poetiza, 'we are the ones we have been waiting for'.


'Já murcharam tua festa, pá. Mas certamente esqueceram uma semente nalgum canto de jardim'

3 de abril de 2010

Interpelação à mesa

Carlos Vidal disse...
É um pouco como diz o comentário acima: eh pá, enterrem lá todos, mas todos mesmo: Sain-Just, Danton, Marat, Robespierre, os comunnards, Louise Michel, Rosa, Liebknecht, Durruti, Castro, Guevara, Lenine, Estaline, Mao, Gramsci, Lukács, Pasionaria, a minha prima... Depois, riam-se do trabalhinho. Giro, o blogue. Repete tudo o que já existe, sem o perceber.
1 de Abril de 2010 13:46
http://adeuslenine.blogspot.com/2010/03/teste.html#comments

O estilo exótico-provocador de Carlos Vidal valeu-lhe um espaço na blogosfera portuguesa, e aprecio que tenha transportado a sua imagem de marca até aos pergaminhos electrónicos da nossa caixa de comentários. Se criasse mais-valia com o aumentar das visitas teriamos que lhe agradecer de outra forma, talvez robalos como está na moda.

Centrando-me no "debate" ao qual CV pratica mecenato: até que ponto é possível num quadro de referência ideológica ter de forma consistente Lenine e Estaline? É teoricamente simples basta ignorar isto:

Me refiro à estabilidade como garantia contra a ruptura em um futuro próximo, e tenho a proposta de colocar aqui várias considerações de índole puramente pessoal. Creio que o fundamental no problema da estabilidade, desde este ponto de vista, são tais membros do CC como Stálin e Trotsky. As relações entre eles, a meu modo de ver, encerram mais da metade do perigo desta divisão que se poderia evitar, e a cujo objetivo deveria servir entre outras coisas, segundo meu critério, a ampliação do CC a 50 ou até 100 membros.

O camarada Stálin, tendo chegado ao Secretariado Geral, tem concentrado em suas mãos um poder enorme, e não estou seguro que sempre irá utilizá-lo com suficiente prudência. Por outro lado, o camarada Trotsky, segundo demonstra sua luta contra o CC em razão do problema do Comissariado do Povo de Vias de Comunicação, não se distingue apenas por sua grande capacidade. Pessoalmente, embora seja o homem mais capaz do atual CC, está demasiado ensoberbecido e atraído pelo aspecto puramente administrativo dos assuntos.


in Carta ao Congresso, Lenine

O desfecho da história já todos conhecemos, e certamente que CV se lembra que a Carta ao Congresso se torna o único documento de Lenine proibido de ser difundido na URSS durante a era de Estaline.
Ainda sobre o tema de enterrar e desenterrar, saltando de Lenine para Rosa Luxemburgo e Karl Libknecht, o KPD a quem deram origem e pelo qual perderam a vida viu os seus militantes serem assassinados, torturados e a sua organização proibida pelo regime com quem Estaline faz um pacto - podendo-se ainda recuar um bocado e relembrar este excelente post de Miguel Serras Pereira no 5 dias:
Assim, os comunistas unir-se-iam aos nacionais-socialistas para combater o fascismo! Esta aproximação culminou na votação conjunta dos deputados comunistas e dos deputados nazis destinada a derrubar o governo de von Papen, na sessão parlamentar de 12 de Setembro de 1932. […] Não faltaram então, na esquerda internacionalista, vozes a prevenir que o Partido Comunista estava apenas a ajudar o nacional-socialismo, mas se os avisos de Rosa Luxemburg, de Paul Levi, de Pfemfert, de Clara Zetkin e de tantos outros haviam sido inúteis, estes foram-no também
Enfim e assim se podia continuar meses a descrever e a argumentar o porquê de fazer tão bem à esquerda revolucionária o enterro de algumas personagens.
Porém não resisto em colocar mais uma questão:
Já agora CV também podia ter acrescentado Slavoj Zizek, Alain Badiou, Ránciere, David Harvey, Eric Hobsbawn, Marx ... esses também não abandonamos.

digo adeus na entrada deste palco

Mais que corresponder à gestão de expectativas, torna-se desafiante escrever neste promissor canto virtual de ideias apelidado de Adeus Lenine, pela força e pelo peso que a conjugação de essas duas palavras significam para a esquerda revolucionária. Um adeus é diferente do até já pois corta à partida um reencontro com o receptor da mensagem, e quando o receptor é Lenine à esquerda da esquerda abrimos um campo extenso de turbulência.

Não tendo de todo a salvaguarda que não seremos processados pelos detentores da distribuição do Goodbye Lenin em Portugal, tenho a certeza que seremos censurados por outros pelo espaço que queremos disputar e abrir, que dê respostas à luz do marxismo no século XXI, que com imaginação e rigor ideológico rompa com o legado do monolitismo, com a persistência na lógica de sempre de quem nada aprendeu com a queda do muro e com a desagregação da URSS.

A esquerda que não almejar ser mais que um projecto de resistência suportado por uma legitimação teórica interna saudosista e estóica não cultiva campo para o Socialismo, é por isso que entendo que pós-lenine é pré-revolução.

O meu adeus lenine não é um começar de tábua rasa é de quem entende que o marxismo precisa de um resgate que aprenda e que evolua de Lenine, rejeitando sempre os cantos de Sereia da concepção pós-revolucionária e pós-luta de classes e a fatalidade cinzenta do derrotismo.

Junto-me então a vocês. Que bons combates se sigam.

“It is impossible to predict the time and progress of revolution. It is governed by its own more or less mysterious laws.”

Vladimir Illich Ullianov