9 de abril de 2012
6 de janeiro de 2012
divã do tamarit, federico garcía lorca
divã do tamarit, que pode ser encontrado aqui, não sendo dos maiores portentos que a poesia espanhola tem para oferecer (saliente-se que, para mim, a poesia em língua castelhana morreu no dia em que o neruda publicou o seu assassino poema 20 de "Veinte poemas de amor e una canción desesperada), também não é nada de que se queira fugir. gacela del amor imprevisto + gacela de la terrible presencia + gacela del amor desesperado são, aliás, muito aconselháveis e podem ser lidos no primeiro link que aqui deixei.
10 de dezembro de 2011
adeus, viscondessa da luz. adeus, rosa montufar. adeus, mais algumas pessoas. oh!, vão, vão; deixem-me, adeus!

Para sempre aos olhos meus
Sumido seja o clarão
De tua divina estrela.
Faltam-me olhos e razão
Para a ver, para entendê-la:
Alta está no firmamento
De mais, e de mais é bela
Para o baixo pensamento
Com que em má hora a fitei;
Falso e vil o encantamento
Com que a luz lhe fascinei.
Que volte a sua beleza
Do azul do céu à pureza,
E que a mim me deixe aqui
Nas trevas em que nasci,
Trevas negras, densas, feias,
Como é negro este aleijão
Donde me vem sangue às veias,
Este que foi coração,
Este que amar-te não sabe
Porque é só terra - e não cabe
Nele uma ideia dos Céus ...
Oh!, vai, vai; deixa-me, adeus!"
12 de outubro de 2011
o médico e o monstro, stevenson

10 de outubro de 2011
onde vivi e para que vivi, henry david thoreau

um coração simples, gustave flaubert

8 de outubro de 2011
um quarto que seja seu, virginia woolf
6 de outubro de 2011
tomas tranströmer é o novo nobel da literatura

3 de outubro de 2011
cantos de maldoror, lautréamont

28 de junho de 2011
Coisinhas literárias
“É coisa de Verão” =)
Sob desafio do João Delgado
1. Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?
História do cerco de Lisboa + O Homem Duplicado (Saramago), O duplo (Dostoievski), Até ao fim + Para Sempre (Vergílio Ferreira), Demian (Hesse), O meu pé de laranja lima (José Mauro Vasconcelos), Jerusalém (Gonçalo M. Tavares), o remorso de baltazar serapião (valter hugo mãe), Cem Anos de Solidão (García Márquez)
2. Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
O Castelo (Kafka). É que não há paciência...
3. Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?
Folhas Caídas (Almeida Garrett)
4. Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?
Ofício cantante (Herberto Hélder)
5. Que livro leste cuja “cena final” jamais conseguiste esquecer?
Memorial do Convento. “Desprendeu-se a vontade de Baltasar Sete-Sóis, mas não subiu para as estrelas, se à terra pertencia e a Blimunda.”
6. Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?
Uma aventura, Os Cinco, Stevenson, Edmundo de Amicis, Hans Christian Andersen, Eça de Queirós, Camões, Garrett, Astérix, Tio Patinhas, A turma da Mónica. E o Demian do Hesse. Assim tudo misturado.
7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?
Custou-me ler o 120 dias de Sodoma, mas não propriamente por ser chato. De qualquer forma, obriguei-me a lê-lo por causa do papel importante que teve no redimensionar da Literatura.
8. Indica alguns dos teus livros preferidos.
Resposta 1 e 3 + Crime e Castigo (Dostoievski), uns quantos do Saramago e do Jorge Amado, A paixão de Martin Eden (Jack London), Cartas a Sandra (Vergílio Ferreira), Admirável mundo novo (Huxley), 1984 + O vil metal (Orwell), Memórias de Adriano (Yourcenar), Vidas Secas (Graciliano Ramos), As vinhas da ira (Steinbeck), Asfalto selvagem (Nelson Rodrigues), o apocalipse dos trabalhadores (valter hugo mãe), O prenúncio das águas (Rosa Lobato de Faria), O conde de Monte Cristo (Dumas), Dom Tranquilo (Cholokhov), O Som e a Fúria (Faulkner), Os Maias (Eça), O meu nome é vermelho (Pamuk).
9. Que livro estás a ler neste momento?
Vou começar o Paralelo 42 (John dos Passos) e acabei esta tarde um do Jack London.
10. Indica dez amigos para o meme literário.
Gostava de ler as respostas do Martin Eden, mas como ele é uma personagem mais ou menos fictícia isso será meio complicado.
29 de julho de 2010
O Verão de Luís Fernando Veríssimo
Verão também é sinônimo de pouca roupa e muito chifre, pouca cintura
e muita gordura, pouco trabalho e muita micose.
Verão é picolé de Kisuco no palito reciclado, é milho cozido na água
da torneira, é coco verde aberto pra comer a gosminha branca.
Verão é prisão de ventre de uma semana e pé inchado que não entra no
tênis.
Mas o principal ponto do verão é.... A praia!
Ah, como é bela a praia.
Os cachorros fazem cocô e as crianças pegam pra fazer coleção.
Os casais jogam frescobol e acertam a bolinha na cabeça das véias.
Os jovens de jet ski atropelam os surfistas, que por sua vez, miram a
prancha pra abrir a cabeça dos banhistas.
O melhor programa pra quem vai à praia é chegar bem cedo, antes do
sorveteiro, quando o sol ainda está fraco e as famílias estão
chegando.
Muito bonito ver aquelas pessoas carregando vinte cadeiras, três
geladeiras de isopor, cinco guarda-sóis, raquete, frango, farofa,
toalha, bola, balde, chapéu e prancha, acreditando que estão de
férias.
Em menos de cinqüenta minutos, todos já estão instalados, besuntados
e prontos pra enterrar a avó na areia.
E as crianças? Ah, que gracinhas! Os bebês chorando de desidratação,
as crianças pequenas se socando por uma conchinha do mar, os
adolescentes ouvindo walkman enquanto dormem.
As mulheres também têm muita diversão na praia, como buscar o filho
afogado e caminhar vinte quilômetros pra encontrar o outro pé do
chinelo.
Já os homens ficam com as tarefas mais chatas, como furar a areia pra
fincar o cabo do guarda-sol.
É mais fácil achar petróleo do que conseguir fazer o guarda-sol ficar
em pé.
Mas tudo isso não conta, diante da alegria, da felicidade, da
maravilha que é entrar no mar!
Aquela água tão cristalina, que dá pra ver os cardumes de latinha de
cerveja no fundo.
Aquela sensação de boiar na salmoura como um pepino em conserva.
Depois de um belo banho de mar, com o rego cheio de sal e a periquita
cheia de areia, vem àquela vontade de fritar na chapa.
A gente abre a esteira velha, com o cheiro de velório de bode, bota o
chapéu, os óculos escuros e puxa um ronco bacaninha.
Isso é paz, isso é amor, isso é o absurdo do calor!!!!!
Mas, claro, tudo tem seu lado bom.
E à noite o sol vai embora.
Todo mundo volta pra casa tostado e vermelho como mortadela, toma
banho e deixa o sabonete cheio de areia pro próximo.
O shampoo acaba e a gente acaba lavando a cabeça com qualquer coisa,
desde creme de barbear até desinfetante de privada.
As toalhas, com aquele cheirinho de mofo que só a casa da praia
oferece.
Aí, uma bela macarronada pra entupir o bucho e uma dormidinha na rede
pra adquirir um bom torcicolo e ralar as costas queimadas.
O dia termina com uma boa rodada de tranca e uma briga em família.
Todo mundo vai dormir bêbado e emburrado, babando na fronha e
torcendo, pra que na manhã seguinte, faça aquele sol e todo mundo
possa se encontrar no mesmo inferno tropical...
