Mostrar mensagens com a etiqueta literatura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta literatura. Mostrar todas as mensagens

6 de janeiro de 2012

divã do tamarit, federico garcía lorca

começo por dizer isto: o garcía lorca era um senhor de esquerda. posto isto, posso avançar para a parte literária (não querendo, obviamente, dizer que ser de esquerda não é poético), porque já não me sinto mal por não escrever uma linha referente a qualquer assunto político num blog chamado adeuslenine há um tempinho largo.

divã do tamarit, que pode ser encontrado aqui, não sendo dos maiores portentos que a poesia espanhola tem para oferecer (saliente-se que, para mim, a poesia em língua castelhana morreu no dia em que o neruda publicou o seu assassino poema 20 de "Veinte poemas de amor e una canción desesperada), também não é nada de que se queira fugir. gacela del amor imprevisto + gacela de la terrible presencia + gacela del amor desesperado são, aliás, muito aconselháveis e podem ser lidos no primeiro link que aqui deixei.

10 de dezembro de 2011

adeus, viscondessa da luz. adeus, rosa montufar. adeus, mais algumas pessoas. oh!, vão, vão; deixem-me, adeus!


leiamos o joão baptista, sem o profanarmos, desta vez com ironia:

"Vai, vai... para sempre adeus!
Para sempre aos olhos meus
Sumido seja o clarão
De tua divina estrela.
Faltam-me olhos e razão
Para a ver, para entendê-la:
Alta está no firmamento
De mais, e de mais é bela
Para o baixo pensamento
Com que em má hora a fitei;
Falso e vil o encantamento
Com que a luz lhe fascinei.
Que volte a sua beleza
Do azul do céu à pureza,
E que a mim me deixe aqui
Nas trevas em que nasci,
Trevas negras, densas, feias,
Como é negro este aleijão
Donde me vem sangue às veias,
Este que foi coração,
Este que amar-te não sabe
Porque é só terra - e não cabe
Nele uma ideia dos Céus ...
Oh!, vai, vai; deixa-me, adeus!"

in Adeus! Adeus!, Almeida Garrett

12 de outubro de 2011

o médico e o monstro, stevenson




de dia, um respeitável senhor. de noite, um bandido. a forma como a cultura para intelectuais e a cultura para o povo tão divinalmente se casam fascina-me. já lá dizia o outro: "uma lady na mesa, uma louca na cama".





achei boa a intenção. de resto, demasiado diálogo para o meu gosto ou eu é que não estava in the mood. sobre lutas internas, prefiro "o homem duplicado" do saramago, autor que devo relembrar daqui a uns minutos.

10 de outubro de 2011

onde vivi e para que vivi, henry david thoreau




neste excerto de Walden (1854), vemos um superior transcendentalismo pelo punho de thoreau. sabia que thoreau fora para os bosques viver de livre vontade, para sugar todo o tutano da vida, para aniquilar tudo o que não era vida e para, quando morresse, não descobrir que não vivera. mas não lhe conhecia o punho libertador nem a ânsia poética que cresce entre as árvores.

"mais do que amor, do que dinheiro e do que fama, dai-me verdade!". este é um relato de literatura e de verdade, de convicção solitária e de filosofia bucólica.

(e quant@s do PAN o terão lido e apreciado devidamente?)

um coração simples, gustave flaubert




Félicité é uma criada abnegada que tudo dá à patroa, vivendo em prol dela e dos seus cuidados e nada tendo de seu. Quando a morte visita as vidas da patroa e da filha, a vida de Félicité, que já antes houvera sido deixada pelo noivo, decompõe-se um pouco mais e cresce a noção de que nada é tido.

Fica, contudo, uma esperança em Loulou, o papagaio embalsamado que já fora "quase um filho, quase um namorado".

Desconcertante como os resultados eleitorais da Madeira.

8 de outubro de 2011

um quarto que seja seu, virginia woolf




um livro inteligente de literatura e de convicção. um contributo importantíssimo para a análise do papel das mulheres na ficção literária. do quarto cheio de livros que é meu, assim o julgo.

6 de outubro de 2011

tomas tranströmer é o novo nobel da literatura





oi? quem é esse senhor? ao que parece, é o rapaz sorridente da fonte. lá arrecadou o nobelpriset i litteratur, como 6 (SEIS!!!) outros suecos, 3 noruegueses, 3 dinamarqueses e 1 finlandês. impressão minha ou andam todos a cair nas terras frias do norte? se eu mandasse, o valter hugo mãe ganhava o prémio. diz que este até dá uma moldura toda bonita e tudo e ele já não tinha de comprar um saramago.

3 de outubro de 2011

cantos de maldoror, lautréamont


o conde de lautréamont, para além de ser um puto arrogante armado em mau sem graça nenhuma, é um chato. e este é o comentário que tenho a fazer sobre os cantos de maldoror. uma galhardia patética, um estilo sofrível. tentativa de dizer "estou vivo e sou mau como o caraças". nosso senhor me bote uma mãozinha e me dê um bocado de paciência.

(PS não sei por que diabo é que o texto me está a sair sublinhado)


28 de junho de 2011

Coisinhas literárias

“É coisa de Verão” =)

Sob desafio do João Delgado

1. Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?

História do cerco de Lisboa + O Homem Duplicado (Saramago), O duplo (Dostoievski), Até ao fim + Para Sempre (Vergílio Ferreira), Demian (Hesse), O meu pé de laranja lima (José Mauro Vasconcelos), Jerusalém (Gonçalo M. Tavares), o remorso de baltazar serapião (valter hugo mãe), Cem Anos de Solidão (García Márquez)

2. Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?

O Castelo (Kafka). É que não há paciência...

3. Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?

Folhas Caídas (Almeida Garrett)

4. Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?

Ofício cantante (Herberto Hélder)

5. Que livro leste cuja “cena final” jamais conseguiste esquecer?

Memorial do Convento. “Desprendeu-se a vontade de Baltasar Sete-Sóis, mas não subiu para as estrelas, se à terra pertencia e a Blimunda.

6. Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?

Uma aventura, Os Cinco, Stevenson, Edmundo de Amicis, Hans Christian Andersen, Eça de Queirós, Camões, Garrett, Astérix, Tio Patinhas, A turma da Mónica. E o Demian do Hesse. Assim tudo misturado.

7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?

Custou-me ler o 120 dias de Sodoma, mas não propriamente por ser chato. De qualquer forma, obriguei-me a lê-lo por causa do papel importante que teve no redimensionar da Literatura.

8. Indica alguns dos teus livros preferidos.

Resposta 1 e 3 + Crime e Castigo (Dostoievski), uns quantos do Saramago e do Jorge Amado, A paixão de Martin Eden (Jack London), Cartas a Sandra (Vergílio Ferreira), Admirável mundo novo (Huxley), 1984 + O vil metal (Orwell), Memórias de Adriano (Yourcenar), Vidas Secas (Graciliano Ramos), As vinhas da ira (Steinbeck), Asfalto selvagem (Nelson Rodrigues), o apocalipse dos trabalhadores (valter hugo mãe), O prenúncio das águas (Rosa Lobato de Faria), O conde de Monte Cristo (Dumas), Dom Tranquilo (Cholokhov), O Som e a Fúria (Faulkner), Os Maias (Eça), O meu nome é vermelho (Pamuk).

9. Que livro estás a ler neste momento?

Vou começar o Paralelo 42 (John dos Passos) e acabei esta tarde um do Jack London.

10. Indica dez amigos para o meme literário.

Gostava de ler as respostas do Martin Eden, mas como ele é uma personagem mais ou menos fictícia isso será meio complicado.

29 de julho de 2010

O Verão de Luís Fernando Veríssimo

Chegou o verão!

Verão também é sinônimo de pouca roupa e muito chifre, pouca cintura
e muita gordura, pouco trabalho e muita micose.

Verão é picolé de Kisuco no palito reciclado, é milho cozido na água
da torneira, é coco verde aberto pra comer a gosminha branca.

Verão é prisão de ventre de uma semana e pé inchado que não entra no
tênis.

Mas o principal ponto do verão é.... A praia!

Ah, como é bela a praia.

Os cachorros fazem cocô e as crianças pegam pra fazer coleção.

Os casais jogam frescobol e acertam a bolinha na cabeça das véias.

Os jovens de jet ski atropelam os surfistas, que por sua vez, miram a
prancha pra abrir a cabeça dos banhistas.

O melhor programa pra quem vai à praia é chegar bem cedo, antes do
sorveteiro, quando o sol ainda está fraco e as famílias estão
chegando.

Muito bonito ver aquelas pessoas carregando vinte cadeiras, três
geladeiras de isopor, cinco guarda-sóis, raquete, frango, farofa,
toalha, bola, balde, chapéu e prancha, acreditando que estão de
férias.

Em menos de cinqüenta minutos, todos já estão instalados, besuntados
e prontos pra enterrar a avó na areia.

E as crianças? Ah, que gracinhas! Os bebês chorando de desidratação,
as crianças pequenas se socando por uma conchinha do mar, os
adolescentes ouvindo walkman enquanto dormem.

As mulheres também têm muita diversão na praia, como buscar o filho
afogado e caminhar vinte quilômetros pra encontrar o outro pé do
chinelo.

Já os homens ficam com as tarefas mais chatas, como furar a areia pra
fincar o cabo do guarda-sol.

É mais fácil achar petróleo do que conseguir fazer o guarda-sol ficar
em pé.

Mas tudo isso não conta, diante da alegria, da felicidade, da
maravilha que é entrar no mar!

Aquela água tão cristalina, que dá pra ver os cardumes de latinha de
cerveja no fundo.

Aquela sensação de boiar na salmoura como um pepino em conserva.

Depois de um belo banho de mar, com o rego cheio de sal e a periquita
cheia de areia, vem àquela vontade de fritar na chapa.

A gente abre a esteira velha, com o cheiro de velório de bode, bota o
chapéu, os óculos escuros e puxa um ronco bacaninha.

Isso é paz, isso é amor, isso é o absurdo do calor!!!!!

Mas, claro, tudo tem seu lado bom.

E à noite o sol vai embora.

Todo mundo volta pra casa tostado e vermelho como mortadela, toma
banho e deixa o sabonete cheio de areia pro próximo.

O shampoo acaba e a gente acaba lavando a cabeça com qualquer coisa,
desde creme de barbear até desinfetante de privada.

As toalhas, com aquele cheirinho de mofo que só a casa da praia
oferece.

Aí, uma bela macarronada pra entupir o bucho e uma dormidinha na rede
pra adquirir um bom torcicolo e ralar as costas queimadas.

O dia termina com uma boa rodada de tranca e uma briga em família.

Todo mundo vai dormir bêbado e emburrado, babando na fronha e
torcendo, pra que na manhã seguinte, faça aquele sol e todo mundo
possa se encontrar no mesmo inferno tropical...