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16 de março de 2012

mas que raio é a acção social, afinal?

Reitores querem aumento de propinas para fundo social

Sim, acredite-se ou não, o CRUP "decidiu recomendar às instituições que apliquem a propina máxima no próximo ano letivo, com vista à criação de um fundo social que permita assegurar os estudos de alunos com dificuldades financeiras." Ou eu vivo num mundo muito à parte ou então o que para aí mais vemos é gente que anda na Universidade com sacrifícios financeiros. Tal como este pessoal das reitorias, eu estou muito longe de ser um génio. Estou, contudo, consideravelmente mais perto de atingir o estado de genialidade, já que já me apercebi de que o aumento das propinas representa mais exclusão e mais necessidade de ajuda. Esta ideia peregrina deixa no ar a ilusão de que a maior parte dxs estudantes vive cheia de dinheiro (apesar do desemprego, dos cortes nos subsídios, do aumento dos preços (supermercado, transportes, etc, etc)) e que nem é má ideia que este grupo abastado ajude, forçosamente, a meia dúzia de mal trajadxs que povoa o ensino superior. onerar famílias, já tão oneradas pela irresponsabilidade e pela crueza deste governo, é irresponsável, bacoco, cruel, insensível, ignorante e, não passa despercebido a ninguém, cúmplice do saque de um Estado que não está a cumprir o seu papel.

Impossíveis de olvidar, impossíveis de evitar, não sendo alguma de somenos, ficam duas perguntas:

- Que raio é a acção social, afinal?
- Caridadezinha ou solidariedade?

Nos meus sonhos mais profundos, a idiotia da direita consegue responder a isto com coerência e não se afunda (mas vira à esquerda).

18 de fevereiro de 2011

para cima e para baixo, até à caverna das caveiras


Imagem roubada à Gui Castro Felga


"Acho parvo o refrão da música dos Deolinda que diz «Eu fico a pensar, que mundo tão parvo, onde para ser escravo é preciso estudar». Porque se estudaram e são escravos, são parvos de facto. Parvos porque gastaram o dinheiro dos pais e o dos nossos impostos a estudar para não aprender nada."

Foi ao ler esta notícia que me apercebi de que anda para aí muito boa gente a pensar que as Universidades são o caminho directo para o sucesso profissional, como elas se tornassem @s estudantes em meta-intelectuais e como se não houvesse uma crise económica, criada ao serviço do capital e em benefício do pacto que as elites têm com o poder, a criar entraves à vida das pessoas. Mais: parece que essa boa gente sugere que o ensino é um capricho de menin@s ric@s que gastam o dinheiro das mães e dos pais e usam os impostos da facção trabalhadora de forma despudorada, aproveitando-se deles.

Parece que andar na Universidade significa “estar apto [sic] a reconhecer e a aproveitar os desafios e a ser capaz de dar a volta à vida”. Quer isto dizer que ser estudante significa personalizar o Hugo, andando para cima e para baixo, até à caverna das caveiras. Provavelmente, a autora do texto que comento esqueceu-se do nome sugestivo de quem conclui os desafios impostos. É que para cima e para baixo já andamos, à caverna das caveiras já chegámos, desafios já temos nós de enfrentar até para conseguirmos uma inscrição no ES. Dar a volta à vida é que é o diabo; geralmente, é ela que nos dá a volta e está difícil mudar isso. E agradecia-se algum respeito por aquelas e aqueles a quem as imposições externas são prejudiciais e até mesmo cruéis.

Comparar o desemprego à guerra, para além de ser uma falácia demagógica vergonhosa, é atirar areia para os olhos das pessoas, levando-as a crer que isto não é mau porque podia ser pior. Como se as pessoas devessem parar de lutar por direitos só porque podiam ter ainda menos direitos. Face a este texto de pusilânime cumplicidade com o poder político, não sei se me choca mais a brejeirice do tom, se a falta de capacidade argumentativa, se mesmo a tentativa de crucificar quem não quer ser escrav@ de um sistema.

Para cúmulo, a autora do texto diz-nos que “só há uma maneira de dizer basta: passando activamente a ser parte da solução”, como se não fosse isto o que está em causa, como se não estivéssemos a travar uma guerra ideológica, como se @s desempregad@s fossem só um bando de inúteis a condenar.

Para cima e para baixo, para a direita ou para a direita, chegaremos à caverna das caveiras. Se a mobilização for feita pela esquerda, se as conquistas laborais tiverem o forte cunho da esquerda, se o neoliberalismo for vencido pela esquerda, continuaremos em frente e para a esquerda e não veremos a famosa caverna das caveiras.

Parafraseando a Bíblia, infelizes daqueles e daquelas que se deixam engolir pelas falácias asquerosas do neoliberalismo.


21 de dezembro de 2010

Espirito Natalício

O espírito natalício chegou á Universidade de Londres. Estudantes em Inglaterra ocuparam a Universidade de Londres como forma de protesto contra o brutal corte no Ensino Superior e contra o gigantesco aumento das propinas.

Apesar de tudo, é natal. Assim sendo, o "Coro da Ocupação" deixa-nos esta música.





10 de dezembro de 2010

CDS-PP: O Embuste da Acção Social Escolar

Ontem na Assembleia da República, vários partidos apresentaram à discussão projectos de lei sobre as propinas e as bolsas de acção social. O Bloco de Esquerda apresentou um novo regime de bolsas de acção social, que reponha regras de justiça contra o que vem estipulado no Decreto Lei 70/2010, que aumenta o valor de bolsas e alargue o universo de bolseiros. O PCP apresentou um projecto de lei sobre o financiamento do Ensino Superior.

O mais espantoso, foi o projecto de lei apresentado pelo CDS-PP, que retira o valor da bolsa de cálculo de rendimento do agregado, mantendo todas as regras do Decreto Lei 70/2010. Espantoso porque, não é isso que o CDS-PP tem vindo a afirmar nos meio de comunicação e que prometeu aos estudantes na Manif de dia 17 de Novembro. Isto é tudo um grande embuste.

O CDS-PP tem vindo a reafirmar, através do Deputado Michel Seufert, que o Projecto de Lei 461-XL, ontem apresentado na AR, vem retirar as bolsas da Acção Social do Decreto de Lei 70/2010. Isto é, que as bolsas não vão ser submetidas as novas regras de cálculo do rendimento do agregado nem à nova formula de capitação. Na sua essência, o Decreto de Lei 70/2010 não se vai aplicar ás bolsas de acção social.

Mentira. Se olharmos com atenção para o Projecto de Lei apresentado pelo CDS-PP, não é nada disto que está lá dito. A única alteração que é proposta é a eliminação da Alínea H, do Artigo 3º “Rendimentos a Considerar”. Isto é, que as bolsas não são consideradas como uma forma de rendimento. No cálculo das bolsas excluem-se os valores referentes a bolsas de estudo e de formação, o resto continua tudo igual. As bolsas não saem do Decreto de Lei 70/2010.

Existe uma enorme discordância entre o discurso do CDS-PP e o Projecto de Lei apresentado. Estão a vender gato por lebre. Estão a enganar todos os estudantes.

Há cada vez mais pessoas a pensar como nós? Ao vender gato por lebre, sim. No meio de tanta desonestidade política, sim.



Nuno Moniz

Ricardo Sá Ferreira

9 de dezembro de 2010

Um Minist(ério)(istro) vegetativo...

 A minha primeira notícia de hoje começou assim:

“A esmagadora maioria dos estudantes do ensino superior ainda não começou a receber o valor definitivo das bolsas de estudo. O Governo deu indicações às universidades para começarem a pagar os apoios em meados de Outubro, mas os alunos estão a receber apenas as bolsas mínimas” (público online)


As bolsas não chegam para tod@s @s estudantes, isso, toda a gente já percebeu, e estudos como o de Belmiro Cabrita evidenciam esse facto de forma claríssima. Contudo estas não deixaram de existir e os e as estudantes com mesmo muita dificuldade continuam a ter acesso a bolsa. Contudo, pelos sucessivos cortes cegos, as bolsas só chegam mesmo a esses estudantes com mais dificuldades e no meio da incompetência, da burocracia e da insensibilidade do Ministério e de Mariano Gago , hoje, passados mais de dois meses do começo das aulas, tirando um ou outro caso, as bolsas ainda não foram entregues. Ou seja, os estudantes que vão ter acesso a bolsa estão há mais de dois meses a estudar sem nenhum apoio.

Conseguem a imaginar a situação precária em que estes e estas estudantes se encontram? Das dificuldades com que se têm deparado? Dos sacrifícios que os pais e familiares têm feito para manter os seus filhos a estudar enquanto o Ministério se preocupa não se sabe bem com o quê?

E entretanto, enquanto estudantes passam fome, não têm como pagar fotocopias, e vivem numa situação de enorme debilidade, Mariano Gago passeia-se por ai em aberturas solenes e regabofes políticos…

… Hoje vai ser discutida uma petição no parlamento de 4 mil estudantes pela igualdade no ensino superior.

Irão o PS e o Governo assumir a responsabilidade democrática ou manter-se-ão como agentes políticos em estado vegetativo?!


11 de outubro de 2010

Estudante sem bolsa e precária

Conheci há uns anos uma rapariga chamada Joana. Vinda de uma família trabalhadora e esforçada, a Joana foi da minha turma durante o secundário. Foi uma das quatro pessoas da minha turma que continuou os estudos para além do 12º ano. Os meus restantes 29 colegas não ingressaram no Ensino Superior porque não tinham dinheiro. Não tinham dinheiro para continuar a estudar, nem nunca a sociedade as incentivou a continuar.

A Joana era até o ano passado uma estudante deslocada em Lisboa. Tinha como gastos correntes a renda, as contas, os manuais, os transportes, etc. A Joana só conseguia estudar porque trabalha num callcenter e recebia a bolsa mínima, que só chegava para pagar os 1000 euros de propinas anuais. A Joana trabalha num callcenter onde recebe 2,75 EUR por hora onde 60% do seu salário é roubado por uma Empresa de Trabalho Temporário.

Este ano a Joana vai perder a bolsa. A Joana vai sofrer na pele as consequências do decreto-lei 70/2010, que apesar da sua designação aparentemente complicada, vai, entre outras coisas, reduzir o valor e cortar provavelmente cerca de 20 mil bolsas. Sem a bolsa, a Joana não tem dinheiro para pagar as propinas. Ela vai ter de deixar de estudar.

A Joana, que só participou na última manifestação de estudantes, quer ir à manifestação de estudantes do ensino superior marcada para dia 17 de Novembro. Mas não pode ir. A Joana não pode porque estará a trabalhar a vender internet móvel, a cumprir funções permanentes, mas a recibos verdes.

A Joana também quer, obviamente, participar da greve geral de dia 24 de Novembro. Mas não participará. A Joana não pode fazer greve porque trabalha a falsos recibos verdes. Para uma crescente parte da população portuguesa, de que a Joana faz parte, a greve não é uma hipótese real. Greve significa despedimento. E despedimento significa não receber subsídio de desemprego ou qualquer apoio social. E com sorte ainda ganha "fama" nas empresas de trabalho temporário.

Todos os dias fogem 3 milhões de euros por dia em impostos não pagos pela banca, gastam-se milhares de milhões de euros em submarinos, equipamento miliar, blindados para a PSP. Há Joanas, Tiagos, Marias e Mários a deixar de estudar, a serem exploradas, despedidas, desprezadas, que estão a pagar as contas de uma elite irresponsável e corrupta do PS com D ou sem D.

Por isso, a mobilização para a manifestação de dia 17 de Novembro e sobretudo para a Greve Geral de 24 de Novembro é fundamental. Temos de lá estar todos e todas, a representar a Joana precária, a Joana estudante, a Joana desempregada, todas as Joanas exploradas de Portugal e do mundo.

Também publicado em Esquerda.net

27 de setembro de 2010

A praxe como fonte de alienação


Dois mundos antagónicos entram em confronto mal entramos em qualquer estabelecimento do ensino superior português: de um lado, o futuro, as pessoas em cujas mãos se encontra o futuro da ciência e de quem se espera uma força interventiva nos problemas sociais; do outro, o passado, a tradição medieval, o hábito que de forma tão nua faz lembrar os tempos cruéis do feudalismo. De um lado, a ideia errónea de que as instituições de ensino são palco privilegiado de democracia. Do outro, a pintura negra e cadavérica que tão facilmente nos mostra quem deve mandar e quem deve obedecer.

Entrar neste jogo de poder implica abdicar da própria personalidade. Implica a submissão cega a alguém que, por razão nenhuma, terá a legitimidade de ordenar. Os perigos da atribuição de poder às cegas, baseando-se simplesmente num número de matrículas que nada diz a nível ideológico, que nada mostra acerca de pretensas capacidades dirigistas, são ignorados. Os perigos desta atribuição irreflectida são enormes. As consequências, catastróficas. O resultado é, como jamais poderia deixar de ser, um esvaziamento ideológico e a contraposição entre conhecimento, que devia ser gerado nas instituições de ensino, e ignorância, que tantas vezes é apregoada por trajad@s e obedientes.

A praxe não é integração. Está finalmente na hora – passa até da hora limite – de dizermos não a esta prática hedionda. E está na hora de deixarmos de fechar os olhos a esta prática horripilante que peca pela crueldade e pela hierarquia bárbara que apresenta. Actuando, muitas vezes, sob o rosto inofensivo da tradição estudantil, a praxe tem servido para perpetuar um sistema em que há grandes e pequen@s, exploradores/as e explorad@s. Dentro deste panorama ideológico, observamos ainda a perpetuação do machismo e da homofobia nas várias instituições em que a praxe ocorre.

A praxe reflecte, queiramos ou não, admitam ou não, o que de pior há na sociedade. A praxe, obedecendo a uma estúpida lógica de obediência cega, acaba inevitavelmente por explorar as fragilidades de toda a sociedade. As discriminações, ao invés do que devia acontecer nas escolas, que deviam ser espaço de aceitação, democracia e igualdade, crescem e são expostas cruamente. E até aquelas pessoas que, no seu íntimo, têm alguma noção dos problemas do mundo e, de facto, os querem resolver, acabam a participar neste erróneo jogo de grupo que nada mais faz que enaltecer a sarjeta entre frac@s e fortes, tal é a capacidade de alienação desta pretensa brincadeira colectiva. Assim, o machismo impera - e fá-lo da forma mais vil. O machismo impera através de canções, de gestos, de posições. O machismo impera através de todo um grupo, composto por homens e mulheres, que pretende enaltecer uma pretensa superioridade do homem em relação à mulher. O machismo impera em cada palavrão, em cada gesto, em cada rima. E não, não é uma brincadeira. É simplesmente o que acontece quando um grupo tem poder, quando outro deve ser obediente. É a exploração, tão estupidamente feita, do que devia ser entendido. O machismo impera porque a praxe funciona como muro que divide o mundo - em oposição ao mundo real e aos problemas reais da divisão de classes - em géneros, como se essa fosse a questão principal. Como se fosse, aliás, uma divisão real. E é esta incompreensão de que o mundo não está dividido entre homens e mulheres que nos mostra a praxe em todo o seu esplendor, que nos mostra a praxe em toda a sua crua estupidez. Com o machismo, acabará por vir, claro está, e impossível seria que tal não acontecesse, a homofobia. E aqui vemos a homofobia no seu expoente máximo, no seu estado mais degradante. Seja na típica forma de machismo obtuso e execrável que nos diz que o típico homem machão tem e viola as mulheres que quiser, seja simplesmente no insulto fácil e tão revelador de fracas capacidades intelectuais.

Porque a praxe se apresenta com centenas de participantes, sob uma máscara falsa de pretensão de integração, a adesão é e será forte enquanto não houver alternativa e enquanto este assunto não for levado à discussão pública. Muito fácil é levar estudantes a participar nela assim que entram num mundo novo, num mundo que, por desconhecido ser, pode assustar. Resta-nos, por isso, construir a alternativa e desmistificar a ideia de que a praxe é a integração suprema e de que, sem a praxe, @s estudantes não serão integrados no meio estudantil.

A praxe não deve jamais ser vista como modo de integração, porque a praxe não integra. Não devemos jamais cair na ilusão de que uma actividade cuja clivagem entre grandes e pequen@s é deste modo colossal poderá integrar. Sem o símbolo da igualdade, sem a relação de igual para igual, a praxe não será jamais uma ferramenta de integração. Não devemos deixar que a correlação entre @s estudantes se baseie no número de matrículas que têm na instituição de ensino superior que frequentem. E muito menos devemos deixar que um grupo mande de forma crua e cruel só porque é a tradição.

Há uma alternativa. Uma alternativa que passa por deixar que a integração suceda sem lama, sem insultos, sem machismos, sem homofobias, sem lágrimas e sem humilhações. Uma alternativa em que @s estudantes do primeiro ano são estudantes do primeiro ano e não caloir@s. Uma alternativa em que @s estudantes com três ou mais matrículas são estudantes com três ou mais matrículas e não doutorad@s ou engenheir@s. Uma alternativa que opta por dar o universo estudantil às e aos estudantes da forma que lhes é devida.

Para que esta alternativa se torne na medida corrente, devemos entender a importância desmesurada desta luta, porque esta é a luta contra os excessos, contra as desigualdades, contra as humilhações, contra os abusos de poder. Esta é a luta que passa também pelas lutas pela igualdade de género e pela liberdade sexual.

Com uma presença forte do símbolo anti-repressão e anti-totalitarismo, menos estudantes se sentirão na obrigação colectiva de participar nesta tradição asquerosa e de carácter quase fascista. Em conjunto, devemos mostrar que há uma voz que diz que tod@s somos iguais. Em conjunto, devemos, em relevo e a cores, dar vida à alternativa que queremos, alternativa essa que pugna pela igualdade e que rejeita e despreza qualquer tentativa de subordinação de populações alienadas.

Não podemos deixar que sejam as escolas os palcos de toda esta vileza. Não podemos deixar que sejam as escolas, espaços que deviam ser palcos privilegiados de aprendizagem, respeito e democracia, os locais em que se assiste, de forma tão desmesurada, à diferença entre grandes e pequen@s. E muito menos devemos deixar passar em claro este sistema que é, afinal, cheio de ideologia. E devemos lembrar-nos sempre de que deixar que os valores da praxe passem para a sociedade extra-escola nos levará a um mundo em que não haverá respeito, democracia ou igualdade. Estes três últimos devem ser sempre a luta da qual não podemos desistir. E teremos de saber que o socialismo também se faz aqui. Como, aliás, em todo o lado.

Não devemos cair no erro de ter um concepção meramente metafísica ou meramente dialéctica do mundo. Este é um dos casos em que teoria e prática tão magistralmente se casam. A praxe está cheia de ideologia e cabe-nos vencê-la. Vencer estas práticas de submissão, vencer este meio de discriminação. Cabe-nos agir. Agir sempre e na consciência de que @ verdadeir@ revolucionári@ se rege por ambos, por teoria e prática, por muito estudo, por muita força. Esta pujança e este ideal deverão estar nas lutas que tão fenomenalmente almejamos vencer.



Publicado em http://braga.bloco.org/index.php?option=com_content&task=view&id=975&Itemid=1

17 de setembro de 2010

Incompetência ao quadrado

Mariano Gago definiu dois meses de prazo máximo (regime transitório só para este ano) para atribuição de bolsas contando a partir do começo das candidaturas (começo do ano).
Como é um incompetente, e para disfarçar a borrada que fez, congela a entrega das candidaturas, compra tempo para meter ordem na casa e depois então lá abrirá as candidaturas.

Só para o Gago é que o ano começa a contar desde o dia em que ele consegue passar por cima da sua incompetência. Para todos os outros que precisam de bolsa, começaram com o início das aulas.

Já agora, diga lá Sr. Ministro. As pessoas que acabaram de entrar no Ensino Superior e precisam de bolsa imediatamente, como se inscrevem se não têm dinheiro para pagar as propinas? Lá se vai a hipótese de esperarem até terem o resultado da análise do seu pedido de bolsas, já que as candidaturas estão congeladas...

É tudo tão "inofensivo" e possível para todas as pessoas que, pelos vistos, basta quererem.

15 de setembro de 2010

Que Fique Bem Claro Que Já Basta


Que fique bem claro que o poder não é intocável.

Que fique bem claro que não aceitamos um Ensino Superior que nos últimos 10 anos afastou um terço dos estudantes mais pobres.

Que fique bem claro que não aceitamos que nos últimos 15 anos, as propinas aumentaram 400% em Portugal.

Que fique bem claro que não aceitamos um Ensino Superior, que se classifica de Público, mas é somente público para quem tenha 1000 euros para pagar as propinas.

Que fique bem claro que não aceitamos que Portugal esteja no pódio Europeu das propinas mais caras.

Que fique bem claro que não aceitamos um Ensino Superior que tenha um problema de democracia.

Que fique bem claro que não aceitamos que haja uma redução nas verbas destinadas à Acção Social.

Que fique bem claro que não aceitamos que a maioria dos 70 mil bolseiros em Portugal receba a bolsa mínima de 100 euros por mês.

Que fique bem claro que nem o Ministro Mariano Gago nem o Primeiro-Ministro José Sócrates nos irão travar.

Que fique bem claro que o que se passou no ISEP é uma pequena amostra dos tempos e das acções que se avizinham.

Que fique bem claro que só iremos cessar quando este Ministro cair.

Que fique bem claro que estes tipos de acção directa não podem cessar nem podem perder fôlego. tudo porque a luta traz nos dignidade. Nas escolas e nas faculdades a comunidade estudantil é que manda e o governo obedece.

Já Basta.


Postum Scriptum – Sr. Mariano Gago, quanto é que pagou de propinas?

14 de setembro de 2010

Graças a Deus existe a JS e a JSD

"Os elementos que se manifestaram apenas se representavam a si próprios e provavelmente a aparelhos partidários radicais que, de forma irresponsável, fomentam este tipo de conduta"


O estado em que o Ensino Superior está, não só, mas também tem muito que ver com a responsável política de gabinete, patrocinada pelas diversas federações e associações de associações de estudantes. Que na sua globalidade são dominadas pela JS ou pela JSD, ou em matrimónio em sede de Bloco Central.


" Não há cerimónias porque nos últimos dez anos, um terço dos estudantes mais pobres abandonou o Ensino Superior, sendo que esta realidade aumenta a cada ano que passa.
- Não há cerimónias porque nos últimos 15 anos, as propinas aumentaram 400% em Portugal.
- Não há cerimónias enquanto este for o terceiro país da Europa com a propina mais elevada.
- Não há cerimónias enquanto tivermos um problema de democracia no Ensino Superior.
- Não há cerimónias enquanto a redução e a falta de verbas destinadas à Acção Social continuarem a empurrar estudantes para fazer empréstimos.
- Não há cerimónias porque 11 mil estudantes devem 130 milhões de euros à banca, quando ainda não trabalham, e não têm nenhuma garantia em relação ao seu trabalho futuro.
- Não há cerimónias enquanto a maioria dos 70 mil bolseiros em Portugal receber de bolsa mínima apenas 100 euros por mês.
- Não há cerimónias quando a resposta a um pedido de bolsa demora em média 4 meses.
- Não há cerimónias quando, numa das maiores crises sociais de todos os tempos, o Governo decide reduzir nas bolsas, atirando estudantes para fora do Ensino Superior.
- Não há cerimónias quando um ano lectivo começa sem os Serviços de Acção Social saberem os dados que necessitam para analisar os pedidos de bolsas, porque o Sr. Ministro ainda não fez aprovar o Despacho necessário.
- Não há cerimónias enquanto este "Ensino" só for público para quem tem 1000 euros para pagar as propinas.
- Nós, grupo de estudantes aqui em protesto, dizemos: Ensino Superior Público para todos e todas." (1)

É a isto que a responsabilidade dirigente no Ensino Superior tem levado, menos direitos, menos garantias e mais cortes, mas sempre com muita reunião, abaixo-assinados e petições pelo meio, há pelo menos sempre um protocolo a manter

Porque é que o DN é diferente dos outros jornais?

imagem via minoria relativa

Todas estas notícias, de diversos jornais, falam do protesto de estudantes que hoje ocorreu na abertura das aulas no Porto: