29 de julho de 2010

O Verão de Luís Fernando Veríssimo

Chegou o verão!

Verão também é sinônimo de pouca roupa e muito chifre, pouca cintura
e muita gordura, pouco trabalho e muita micose.

Verão é picolé de Kisuco no palito reciclado, é milho cozido na água
da torneira, é coco verde aberto pra comer a gosminha branca.

Verão é prisão de ventre de uma semana e pé inchado que não entra no
tênis.

Mas o principal ponto do verão é.... A praia!

Ah, como é bela a praia.

Os cachorros fazem cocô e as crianças pegam pra fazer coleção.

Os casais jogam frescobol e acertam a bolinha na cabeça das véias.

Os jovens de jet ski atropelam os surfistas, que por sua vez, miram a
prancha pra abrir a cabeça dos banhistas.

O melhor programa pra quem vai à praia é chegar bem cedo, antes do
sorveteiro, quando o sol ainda está fraco e as famílias estão
chegando.

Muito bonito ver aquelas pessoas carregando vinte cadeiras, três
geladeiras de isopor, cinco guarda-sóis, raquete, frango, farofa,
toalha, bola, balde, chapéu e prancha, acreditando que estão de
férias.

Em menos de cinqüenta minutos, todos já estão instalados, besuntados
e prontos pra enterrar a avó na areia.

E as crianças? Ah, que gracinhas! Os bebês chorando de desidratação,
as crianças pequenas se socando por uma conchinha do mar, os
adolescentes ouvindo walkman enquanto dormem.

As mulheres também têm muita diversão na praia, como buscar o filho
afogado e caminhar vinte quilômetros pra encontrar o outro pé do
chinelo.

Já os homens ficam com as tarefas mais chatas, como furar a areia pra
fincar o cabo do guarda-sol.

É mais fácil achar petróleo do que conseguir fazer o guarda-sol ficar
em pé.

Mas tudo isso não conta, diante da alegria, da felicidade, da
maravilha que é entrar no mar!

Aquela água tão cristalina, que dá pra ver os cardumes de latinha de
cerveja no fundo.

Aquela sensação de boiar na salmoura como um pepino em conserva.

Depois de um belo banho de mar, com o rego cheio de sal e a periquita
cheia de areia, vem àquela vontade de fritar na chapa.

A gente abre a esteira velha, com o cheiro de velório de bode, bota o
chapéu, os óculos escuros e puxa um ronco bacaninha.

Isso é paz, isso é amor, isso é o absurdo do calor!!!!!

Mas, claro, tudo tem seu lado bom.

E à noite o sol vai embora.

Todo mundo volta pra casa tostado e vermelho como mortadela, toma
banho e deixa o sabonete cheio de areia pro próximo.

O shampoo acaba e a gente acaba lavando a cabeça com qualquer coisa,
desde creme de barbear até desinfetante de privada.

As toalhas, com aquele cheirinho de mofo que só a casa da praia
oferece.

Aí, uma bela macarronada pra entupir o bucho e uma dormidinha na rede
pra adquirir um bom torcicolo e ralar as costas queimadas.

O dia termina com uma boa rodada de tranca e uma briga em família.

Todo mundo vai dormir bêbado e emburrado, babando na fronha e
torcendo, pra que na manhã seguinte, faça aquele sol e todo mundo
possa se encontrar no mesmo inferno tropical...

28 de julho de 2010

CDS-PP na sua génese...

A grande questão é:

Quem é que são os verdadeiros animais?

Eu preferia ser um animal como um touro...
... do que ser um animal como os membros do CDS que celebram e festejam torturando e sacrificando animais !!



Euro-manifestação


A Confederação Europeia de Sindicatos está a organizar uma jornada de acção europeia para 29 de setembro.

No momento dos maiores ataques às conquistas civilizacionais do Pós-guerra, conquistas contemporâneas do início do processo de integração europeia, é necessária também a força de um europeísmo de esquerda, a Europa precisa de Começar de Novo:


'a Europa em que Portugal tem interesse e vantagem em participar é a que sabe projectar o melhor da sua História no futuro. É uma Europa capaz de valorizar todas as identidades, das nacionais às de classe, das migrantes ao multiculturalismo, e fazê-las convergir na defesa das suas conquistas civilizacionais e no combate à barbárie que a globalização espalha pelo planeta'.


Vivam as trabalhadoras e os trabalhadores de todo o mundo!
Trabalhadoras e trabalhadores de toda a Europa, uni-vos!

27 de julho de 2010

Jogos da espionagem moderna


Um interessante artigo do jornal o Estado de S.Paulo deste domingo fala do ressurgimento da espionagem na política mundial. O jornal cita os diversos casos que vieram a público nas últimas semanas, como a troca de espiões entre E.U.A e Rússia, a libertação do cientista iraniano Shahram Amiri, seqüestrado pela CIA em 2009, ou o caso do funcionário do Departamento de Estado norte-americano condenado a quase 7 anos de prisão por passar informações a Cuba. Cenas de um filme cujo título bem podia ser “a volta dos que não foram”.

Mas o artigo diz-nos mais. Citando o McClatchy Newspapers dá conta que os gastos dos E.U.A no embate com a espionagem chinesa já superam os US$ 200 bilhões ao ano e que ele se tem vindo a desenrolar sobretudo na área da informática . Do complexo militar de Hainan, no sul da China, terão saído boa parte das 43,8 mil tentativas de espionagem informática ao Departamento de Defesa norte-americano em 2009. Mas, ao que parece, este será um problema menor do Pentágono que se debate hoje com a colossal rede de espionagem organizada nos anos Bush. De acordo com o Washington Post serão 1271 organismos governamentais e 1931 privados, ocupando 33 edifícios e empregando 854 mil pessoas, todas com salvo-conduto. Haja controleiros!

Israel, fabricante renomado de espiões topo de gama, tem avançado igualmente na massificação da sua rede de espionagem. Em 2004, a morte do então líder do Hamas, Ahmed Yassin, terá sido possível graças ao alargamento da influência da Mossad a redes de informantes locais palestianos. Mas a poderosa agência israelita tem tido alguns tropeços no que toca aos avanços tecnológicos, como o de Janeiro, que levou à identificação, a partir do uso de passaportes falsos, de seus agentes secretos que mataram um líder do Hamas no Dubai.

Política à parte, este cenário é um alívio para os amantes dos filmes de espionagem que assim ainda podem imaginar que, na sala de cinema de algum filme do 007, algum espião, gozando do seu tempo livre, vai zombando dos erros técnicos e das histórias burlescas desse e de outros projectos cinematográficos que não alcançam a emoção real e intransmissível da sua vida de agente secreto. Mas, por outro lado, não é difícil conceber a crueza e dureza do dia-a-dia das centenas de milhares de recém promovidos espiões. Como o informático que, depois de 10 horas à frente de um computador na busca fria de algoritmos e contas-corrente, pica o ponto antes de embarcar no comboio que o levará aos subúrbios ou a informante que, findo o trabalho em algum café de Beirute, baixa os olhos, triste, pela pasmaceira de mais um dia que passou e em que nada aconteceu. A esses os livros de Greene e de John le Carré com certeza se apresentam como pílulas nocturnas, que lhes embalam os sonhos repletos de intriga, mulheres misteriosas e tramas internacionais onde só deles depende o destino do mundo.


26 de julho de 2010

www

"without the World Wide Web socialism would be impossible…our task is here merely to lop off what capitalistically mutilates this excellent apparatus, to make it even bigger, even more democratic, even more comprehensive"

V.I. Lenine (*)





* No original, onde está "the www", estava "big banks". Esta citação foi assim relida por Slavoj Žižek, no contexto duma decenária crítica a Negri, arquivado aqui.

24 de julho de 2010

make capitalism History


Um dia, vou a um museu sobre o capitalismo. Tentarei explicar às crianças que isso existiu ... mas dificilmente acreditarão em mim.

22 de julho de 2010

Quem são os deputados a mais na A23?

O Bloco de Esquerda foi o partido que mais diplomas apresentou na Assembleia da República. Dos 759 diplomas apresentados na AR, 202 são do Bloco de Esquerda. O Bloco Central apenas apresentou um total de 129 diplomas (44 do PS + 85 do PSD).

Falam em reduzir o número de deputados, argumentam que há deputados a mais e falam em círculos uninominais e proximidade... Mas, no fundo, o que querem reduzir o número de deputadas e deputados para reduzir a proporcionalidade e conseguir maiorias absolutas artificiais para os partidos do Centrão. Querem fintar a democracia.

Ler mais aqui...

CENSURA


[esta cena foi cortada pela televisão independente]

20 de julho de 2010

A Alberto que nós conhecemos

Extraido do Expresso Online


A vida de Alberto João Cardoso Gonçalves Jardim, de 67 anos e há 32 no poder na Madeira, é contada pela jornalista Maria Henrique Espada na biografia não autorizada que acaba de lançar, "Alberto João Jardim - O Rei da Madeira". Alguns aspectos menos conhecidos:




1 - O primeiro discurso político público foi em honra de Salazar



Fê-lo quando tinha 18 anos, no dia 28 de abril de 1961, por ocasião do 72º aniversário de Salazar. Foi na sede da Liga 28 de Maio, na sessão organizada pela Mocidade Portuguesa, que geria a residência de estudantes de Lisboa onde Alberto João vivia.



2 - Demorou 13 anos a licenciar-se



Licenciou-se em Direito em 1973, 13 anos depois de ter iniciado o curso. Acabou-o estando já na Madeira, e como trabalhador estudante, com média final de 11 valores.



3 - Chorou com um raspanete aos 32 anos



Em 1975, quando era diretor do "Jornal da Madeira", o presidente da Junta de Planeamento, brigadeiro Carlos Azeredo, ficou furioso com a cobertura a uma conferência de imprensa sua. Chamou-o, deu-lhe uma descompostura, e ameaçou até dar-lhe um coice.



4 - Ponderou integrar a rede armada na Madeira no PREC



No 11 de março de 1975 e no 25 de novembro do mesmo ano, período conhecido por PREC (Processo Revolucionário Em Curso), pensou aderir a uma rede armada que o PPD Madeira tinha organizado na ilha, para resistir no caso de se instalar um regime comunista no continente.



5 - Foi o único político português fotografado em cuecas



Foi em 1997, no Carnaval da Madeira, que ele criou na ilha e de que é um dos animadores. A fotografia, tirada quando mudava de roupa para participar no desfile, apareceu no extinto jornal "Tal & Qual".

Versos actuais

"Jeremias nunca encontrou razões para se culpar
Porque nunca foi a ambição, nem a vingança, que o levou a desprezar a Lei
E jamais lhe passou pela cabeça tentar alterar a Constituição"

Jeremias, o Fora da Lei (Jorge Palma, 1985)

Bazares de Resistência


Os bazares estão fechados e os comerciantes das ruas de Teerão entram na segunda semana de greve.

Um grande numero de lojas ainda estão fechadas, mesmo após um compromisso alcançado sobre o plano de impostos, que despontou a greve na semana passada. O Governo Iraniano queria aumentar os impostos em 70% neste sector, quando encontrou uma enorme resistência liderada pelos comerciantes. Assim, o Governo de Teerão reduziu este aumento para 15% mas os protestos continuaram.

Numa tentativa de abrir os Bazares, a polícia Iraniana tentou abrir os bazares á força mas teve pouco sucesso. De forma a reduzir o impacto económico, o Governo Iraninano decretou um dia nacional, invocando as temperaturas extremas. Contudo, isto é muitíssimo estranho se virmos que as temperaturas não tem sido acima do normal. Há que ter em conta que os Bazares não tem tido um papel político activo desde a Revolução. Este sector da sociedade Iraniana, historicamente, tem tido um papel importante e determinante, como foi na Revolução Constitucional e na nacionalização do petróleo com Mohammed Mosaddegh.

O que se passa no Irão é para seguir atentamente.

parasitismo corrupto

arEnquanto não virarmos isto do avesso eles vão chegar sempre onde querem. Podem não ser em sentido directo, mas directa ou indirectamente, mais volta menos volta, eles vão ter sempre onde querem.


E o povo? Calou-se na altura da condenação, afinal fez-se justiça (?)…

Mas já passou tanto tempo… Enfim é mais um no meio dos outros!



Cambada de parasitismo corrupto!

19 de julho de 2010

O irresponsável Passos


Num momento de crise como o que vivemos, num momento em que as necessidades das cidadãs e dos cidadãos são mais ao nível do pão, Passos Coelho oferece-nos o circo de um debate sobre arquitectura do sistema político :

O líder do PSD defende que o Presidente da República deve ter poder para demitir o Governo e nomear um novo executivo, sem eleições e sem dissolver o Parlamento

No fundo, Passos Coelho dá uma no cravo e outra na ditadura, aliás, no presidencialismo. A ideia é distrair o país dos problemas reais e estruturais da economia e dar as culpas ao poder do parlamento.
Estas propostas entram no mesmo rol das propostas de círculos uninominais e/ou de redução do número de deputados: propostas que apenas visam reduzir a proporcionalidade, reduzir o controlo parlamentar, e conseguir maiorias absolutas ainda mais artificiais que as actuais.


Se querem maiorias absolutas, têm de conquistar a confiança popular para tal. Mas nem eles se acham dignos dessa confiança e querem fazer batotas na secretaria. Aliás, esta medida é pensada "à medida" de uma suposta reeleição de Cavaco... Mas nós não vamos deixar, com ou sem formas criativas de apoio.


A outra parte dessa agenda de endurecimento do sistema político está no ataque às garantias laborais e aos serviços públicos, nomeadamente saúde e educação, ao nível da Constituição. O corte simples desses direitos, riscando-os das Constituição, seria complementado com a introdução do vírus monetarista na lei fundamental: limitação do défice como preceito constitucional. Limita-se o défice cegamente, depois as contas são simples: a política liberal continua o processo de redução de impostos sobre o capital, reduz-se a receita e corta-se no que for restando dos serviços públicos e da protecção social.


É mesmo por tudo isto, contra esta onda da reacção liberal, que a Esquerda precisa de derrotar a Direita nas próximas presidencias.


18 de julho de 2010

RSI: A Luta da Esquerda

Não há nada mais útil para a fragilização das medidas sociais do que a promoção de representações sociais desfasadas da politica social e dos seu beneficiários. Não há nada mais eficaz para a destruição de uma medida social, do que colocar os grupos socioeconómicos mais carenciados, uns contra os outros. O ataque ao RSI é um ataque ao Estado-Providência.


O RSI é, essencialmente, uma medida para combater a pobreza extrema. São 538,000 benificiarios, num pais com 2 milhões de pobres. Com uma média de 89 euros por beneficiário por mês, é só fazer as contas. Dá uma média de pouco mais de 2,5 euros por dia. A função desta medida nunca foi, e nunca será, resolver o que as políticas de emprego deviam resolver. Por dois motivos. Primeiro, devido aos salários de miséria existentes, o emprego não é suficiente, em Portugal, para se sair da pobreza: 1/3 dos benificiários do RSI trabalha e ganha tão pouco que precisa daquele apoio para sobreviver. Segundo, porque sem políticas orientadas para o pleno emprego, a ideia dos planos de inserção no emprego, promovidos pela Segurança Social junto dos beneficiários, são uma mistificação: mesmo que se esforcem ao máximo para trabalhar, não existe emprego para toda a gente.


A exigência de transparência, assim como o combate à fraude, devem ser compatíveis com as medidas de política social. Contudo, uma fraude de 14% como no RSI, não pode ser um argumento para atirar a maioria dos beneficiários (os restantes 86%) à pobreza absoluta. Da mesma maneira que existe fraude na utilização da baixa médica, não se deve acabar com ela. Da mesma maneira que por haver abusos na prescrição de tratamentos com cobertura da ADSE, não se deve acabar com a garantia da prestação de cuidados de saúde. Aqueles que, para incitar o ódio social, tratam o RSI como o “rendimento dos preguiçosos” querem no fundo associar pobreza á preguiça, os pobres como culpados das misérias do capitalismo. Esse raciocínio, que é o de Paulo Portas, é pura preguiça intelectual.


O RSI não precisa de mais fiscalização, ou do policiamento apresentado pelo CDS/PP. O RSI precisa de ajustamentos concretos. Não necessita de um corte, necessita é de um acompanhamento técnico orientado. Precisa de mais equipas técnicas e não de inspectores. O PEC, em vez de corrigir, ataca fortemente as políticas sociais. É exactamente isso que o PEC faz, o contrário do que seria preciso. O CDS propôs cortar 130 milhões de euros no Rendimento Social de Inserção, e os 130 milhões foram cortados.


É importante desmistificar o discurso demagógico apresentado pela direita. É importante ganhar este debate e para isso é importante que beneficiários, especialistas, estudiosos e técnicos se unam em posições comuns. É importante travar o PEC, em nome do combate à pobreza.

Ai estes radicais...



Estes radicais da extrema-esquerda andam doidos… Onde é que já se viu tanto atrevimento?! Voltámos ao PREC ou que?


Já uns autarcas não podem deixar casas completamente ao abandono que vêm logo os demagogos bloquistas apresentar propostas sobre reabilitação urbana e pintar fachadas de edifícios devolutos?

Onde é que está o crime?!

Em quem deixa edifícios abandonados, degradados e, irresponsavelmente, nada faz para os recuperar e para garantir a segurança e a recuperação urbanística da cidade?

Ou quem quer alterar e resolver esta situação, apresentando propostas e promovendo acções (que não interferem com a liberdade nem segurança de ninguém) sobre os edifícios urbanos degradados e soluções urbanísticas urgentes?

-----

O possível discurso da polícia:

- Senhores Bloquistas, vocês estão a pintar a fachada de um edifício, como tal estão detidos!

- Mas esta casa não tem tecto, está degradada, pertence ao município…

- Sim, mas é a lei.

- Então e o que faz a lei a quem permite que as cidades estejam repletas de casas degradas que prejudicam a segurança da pessoas e denegridem a cidade?

- É a lei, vão ter de me acompanhar à esquadra e ponto final !!!

13 de julho de 2010

It´s time for another revolution



Este anúncio da Dacia é qualquer coisa.

Che, Fidel, Lenine, Ghandi, Marx...todos os revolucionários que de um modo ou de outro fizeram o Mundo pular e avançar, como bola colorida.

8 de julho de 2010

Ninguém se mete com o PS




O PS está aí para o que der e vier, de saúde e recomenda-se. Vejamos o caso da PT. Entre 1995 e 2000 a empresa segue o mesmo caminho de privatização parcelada que outros monopólios (Galp, EDP) até então na posse do Estado. O timoneiro era Guterres e o discurso é conhecido, o Estado encaixa verbas imediatas e é pré-histórico quem afirmar que o Estado gere melhor que o sector privado. Ganhamos todos.


Entretanto também ganha Lula, o Brasil cresce, o povo descobre o telemóvel (não necessariamente nesta ordem). E como fala aquele povo. A VIVO é o que é e a TELEFÓNICA quer o bolo todo, pois claro. O PS veta o negócio. É o interesse nacional que está em jogo, com soberania não se brinca e já se sabe que quanto mais a luta aquece, mais força tem o PS, bem lembrou Soares. Sócrates já tinha avisado: “A ideologia do mercado entregue a si próprio, sem Estado nem regulação capaz, e a especulação desenfreada nos mercados financeiros são os responsáveis principais pela profunda crise que se abateu sobre toda a economia mundial.” e desta vez até o disse ao Financial Times, coisa séria. Não fossemos nós ter os direitos históricos sobre os espanhóis quando o assunto é espoliação dos brasileiros.


Bom, vetado o negócio assunto arrumado, amigos como antes. Mas não esqueçam, o PS não desarma na defesa do Estado social, vejam bem: ainda este ano são 900 milhões nas privatizações da ANA, REN, TAP, BPN, GALP e EDP, e muitos mais virão. É o preço da sustentabilidade, da coesão e do progresso (mais uma vez, não necessariamente nesta ordem). Até dizem, vejam lá, que Teixeira dos Santos não vai impor Golden Share em nenhuma destas privatizações. Mas era preciso? Vejam a PT e a TELEFÓNICA que já se sentam à mesa, calminhas, mansas, quase inofensivas. Os privados aprenderam a lição, ninguém se mete com o PS sem levar o troco e bem podem vir Passos e Portas que não tem pra ninguém, a Esquerda tem casa segura no Largo do Rato.

Educação em movimento no Fórum Social

Primeiramente publicado em: http://www.esquerda.net/

Em Istambul, o Fórum Social Europeu quis, e conseguiu, ir à discussão e à disputa de um espaço político sobre educação.

a assembleia de educação do Fórum Social Europeu decidiu que iria apoiar o dia 29 de Setembro como um grande dia de luta europeia sobre o ensino Esse espaço foi não só ganho à custa de uma intensa teorização e problematização das questões concretas do ensino e das ofensivas neoliberais ao espaço escolar (sob as suas diversas vertentes), como conseguiu também perspectivar formas concretas de luta europeia que respondam à urgência desse combate.
 


Foram dezenas as delegações de países que marcaram presença nos seminários e workshops sobre educação, que culminaram numa grande assembleia de conclusões e perspectivas de luta sobre o ensino. Professores, estudantes de várias organizações europeias e investigadores da área, pensaram, discutiram e encontraram consensos e proposas concretas. De toda a Europa, organizações, sindicatos e movimentos contestaram directa e frontalmente as repercussões directas da crise do capitalismo no sistema educativo. Exigiram, claramente, uma mudança à esquerda porque a verdade é que a grande conclusão da assembleia sobre educação foi a de que o capitalismo não responde, como nunca respondeu, à crise da educação, e não só não responde como ainda a agrava. Foi portanto claro para os movimento sociais europeus que a crise educativa é inerente à crise do sistema neoliberal, e que a necessidade de mudança de paradigma é uma absoluta realidade.


Entre as várias ofensivas ao sistema educativo, o FSE tentou discutir aquelas que mais força conseguem ter nas escolas e nas universidades, para que um dia europeu de luta pelo ensino seja um verdadeiro sucesso. Entre elas o FSE destaca a privatização do espaço escolar, a incrementação dos "valores de mercado" no sistema avaliativo dos estudantes e os ataques quer ao financiamento das instituições, quer dos direitos de estudantes e professores. Por outro lado, sublinhou-se a urgência da rejeição do ensino como um negócio, a democracia no ensino, o resgate do espaço escolar. 



Partindo dessa convergência, a assembleia de educação do Fórum Social Europeu decidiu que iria apoiar o dia 29 de Setembro como um grande dia de luta europeia sobre o ensino. Que o iria fazer, mobilizando organizações, sindicatos e estudantes numa convergência absoluta (provavelmente sem precedentes) em torno de um dos maiores ataques dos últimos anos ao ensino. 
 


Mas o Fórum não só apelou à mobilização para o dia 29 como afirmou que quer criar um movimento de luta consequente. Esse movimento passará quer por um Fórum de Educação Europeu, a realizar em Espanha, como pretende criar espaços de discussão e luta regular na Europa pré e pós 29 de Setembro, pré e pós Fórum de Educação Europeu. 



Também aqui o FSE prova que é possível unidade, consequência e muito movimento na luta contra o sistema neoliberal que usa e abusa do sistema educativo e que condena plenamente às orientações do mercado. No Fórum Social Europeu a educação esteve realmente em movimento!

7 de julho de 2010

A música é a arma

Um bom documentário sobre o grande músico e militante nigeriano Fela Kuti. Vale a pena ver, política e musicalmente falando.

Express Yourself



" Um alemão de 54 anos vai ser julgado por violar a Constituição da Alemanha. Em causa o facto de ter um toque de telemóvel com um discurso de Adolf Hitler (...) O homem de 54 anos aguarda agora julgamento e poderá vir a ser condenado a seis meses de prisão por violar a Constituição da Alemanha, que rejeita «demonstrações públicas nazis e as suas obras». "

Fica a interrogação para tentar lançar uma discussão sobre liberdade de expressão e os seus limites:

Concordam ou não com esta proibição por parte da constituição alemã?

6 de julho de 2010

DIA 8 DE JULHO: Dia Nacional de Protesto e Luta

O "socialismo português"


Continua o desnorte metódico dum partido dito de centro-direita (aliás membro do PPE) mas chamado Partido Social Democrata (o nome original PPD ficava-lhe melhor... mas enfim).

Bem, vamos ao desnorte:

A vice-presidente do PSD, Paula Teixeira da Cruz, defendeu esta segunda-feira, na Antena 1, que o "Governo andou bem" na decisão de vetar, na assembleia-geral da Portugal Telecom, o negócio de venda da operadora de telemóveis brasileira Vivo aos espanhóis da Telefónica.

Assim sendo, Paula Teixeira da Cruz discorda do secretário-geral Miguel Relvas e do presidente Passos Coelho... Quer dizer, vendo bem nem sei se discorda, pelo que disse Passos Coelho ele seria a favor do uso da golden share NESTE caso se fosse a favor da golden share em GERAL.

Do ponto de vista da lógica formal, nada disto está errado. Mas a realidade não é formal. Esta ilógica na realidade política é, tanto quanto sei, mais um método de trabalho que outra coisa qualquer. Pois vai de verdades formais (embora absurdos práticos) como aquele, a verdadeiras falácias como esta:

Paula Teixeira da Cruz é contra o papel do Estado "como operador nos sectores económicos", até porque "não é saudável". Porém, "há sectores estratégicos, como a água, as comunicações, a electricidade". Por isso, admite que "tem de haver algum proteccionismo". Hã?! Oi!!? Què!!?


É isto que é a "social democracia portuguesa", é um belo amontoado surrealista: "O PSD assume as especificidades que o caracterizam como partido de raiz eminentemente portuguesa, bem como aquilo que o distingue relativamente aos partidos socialistas ou social-democratas europeus de inspiração socialista."

Longe disto não anda o "socialismo português" que o histórico do CDS Freitas do Amaral defendia em 1975-76 (vídeo), esse socialismo que continuou a defender enquanto ministro do Governo Sócrates 1 e que é, aliás, o "socialismo" de Sócrates e do PS/aparelho:

"O socialismo burguês elabora, a partir desta representação consoladora, um meio sistema ou um sistema completo. Quando exorta o proletariado a realizar estes sistemas e a entrar na nova Jerusalém, no fundo só lhe pede que fique na sociedade actual, mas que se desfaça das odiosas representações que faz dela."

4 de julho de 2010

Os Ministros da nulidade



Helena André e António Mendonça foram duas das novas contratações de José Sócrates para este Governo. Ela sindicalista que deixou o posto em Bruxelas e ele Professor universitário de renome. E pese embora o doce político que é substituir homens do nível de Vieira da Silva e Mário Lino o certo é que ambos agoniam na sua própria nulidade e incapacidade.


Helena André serviu de carne para canhão no entendimento Sócrates/Passos Coelho para os cortes nos apoios sociais que entraram em vigor no dia 1 de Julho. Questionada sobre quais os ganhos financeiros do Estado com essa política, seguiu o exemplo do seu líder, e disse que não sabia. Dias mais tarde, questionada sobre quantas pessoas seriam afectadas com os cortes, a Ministra deu a mesma resposta. É o retracto da imbecilidade política que não consegue encobrir a opção puramente ideológica do PS nas questões do trabalho e da segurança social (não fosse, claro, a UGT a sua escola política) e que se manifestou mais uma vez esta semana. Perante os números do desemprego divulgados pelo Eurostat, Helena André recusou-se a comentar e disse que “vamos ver como a Economia se comporta”. Não há dúvida que a política do silêncio de Cavaco já vai fazendo escola na política portuguesa.


António Mendonça, esse nem vê-lo. Desmentido e desautorizado por Sócrates e Teixeira dos Santos na questão do TGV nem sequer se fala nele no problema das SCTUS, sendo Lacão o escolhido para segurar a trapalhada das trapalhadas do PS. António Mendonça não existe como Ministro.


Não admira, Sócrates manda e manda mesmo. Como o consegue é um problema do PS, fazer com que deixe de mandar é um problema nosso.

fica o futebol, o desporto esmufa-se

Muito se falou e muito se especula sobre o que poderá acontecer à Selecção Norte-Coreana pelos resultados obtidos no corrente Mundial da África do Sul. No entanto, o Presidente do Governo da Nigéria já decidiu suspender todo o aparelho desportivo da modalidade no país, durante dois anos, pela fraca prestação da selecção no Mundial. Ainda não é certo que isto vá realmente para a frente, uma vez que a FIFA está a travar um duro braço de ferro com o governo nigeriano, por não aceitar em caso algum a politização do futebol.

Casos como estes são a negação total do desporto, do resto, já trata a profissionalização e o extenso aparelho ideológico de dominação que o circunda.

Podíamos discutir a politização do futebol, porque existe, mas fica para uma próxima vez.

O novo menino cá de casa

João Moutinho no FC Porto por 11 milhões
No mínimo adivinha-se uma boa época.

3 de julho de 2010

Saramago: tragicomédia na Chamusca

Chegado da Serra da Estrela, para um fim-de-semana no meu querido Ribatejo, descubro um triste episódio da política local. Folheando os jornais na Marisqueira Campino, em Santarém, descubro que a Assembleia Municipal da Chamusca chumbou o voto de pesar pelo falecimento de José Saramago.

A tristeza do episódio é até maior que o simples chumbo do voto de pesar. O pior foi o sectarismo que levou a este resultado.

O voto foi proposto por Duarte Arsénio, eleito pelo Bloco de Esquerda, e a CDU teve de encontrar uma desculpa esfarrapada para não votar a favor: absteve-se por a moção “não ter sido consensualizada”.

A dimensão tragicómica está na posição do PS. A moção incluía a atribuição do nome do prémio Nobel a uma rua da Chamusca e José Augusto Carrinho, do PS, aproveitou a deixa par afirmar não perceber porque é que se havia dar o nome de uma rua a José Saramago, “quando há tanta gente na Chamusca que o merecia e não tem”. Disse isso e outros mimos, que são rancores que não estão ao nível das funções de autarca.

O sectarismo é triste. Posições como a do PS/Chamusca são tragicómicas.

quem sabe mais que Sócrates?!




"O desemprego vai continuar a crescer no próximo ano. A previsão foi ontem divulgada pelo Governo que espera que a taxa de desemprego sofra um agravamento e atinja os 10,1 por cento em 2011. Estas previsões colidem com as declarações do primeiro-ministro, que ontem se manifestou optimista quanto ao comportamento do desemprego nos próximos meses." diz o Publico de hoje.

Para Sócrates, o facto de haver menos pessoas a recorrer aos centros de emprego é um sinal de diminuição dos níveis de desemprego.

Noutra altura talvez fosse esse o caso, mas não agora. O nosso caro primeiro mostra ter, muito raramente, momentos de contacto com a realidade, mas nunca quando a questão é debater desemprego e crise (aliás, qual crise?! há meses que dizem que saímos dela, logo a seguir a terem afirmado que nunca iríamos entrar)

Alguma alma de lucidez deveria explicar a Sócrates que o numero de inscritos nos centros de emprego diminui porque as pessoas desistiram de procurar de trabalho, e não porque o encontraram! Há várias razões para isto, escolhe a sua favorita e vê os resultados no final:

a)os portugueses são todos um bando de preguiçosos que preferem estar no desemprego a trabalhar;
b) uma parte considerável dos desempregados são os chamados "de longa duração", presos há anos na armadilha do desemprego e da exclusão social;
c) uma outra parte, mesmo na situação há menos tempo, já percebeu que simplesmente não há trabalho, que não vale a pena enfrentar o estigma do "trabalho socialmente necessário", trabalhar de graça, como se estivessem a cumprir pena por estar no desemprego, obrigados a aceitar "ofertas" cada vez mais abaixo do salário mínimo;

Se escolheste a opção a): podes ir para o CDS. Não existe essa tal coisa de "querer estar no desemprego" e desafio qualquer pessoa a perguntá-lo a quem de facto esteja. Relembro ainda, embora não ache que seja o mais relevante dos argumentos, que quem recebe o subsidio de desemprego é porque descontou para o ter.

Se escolheste a opção b), c) ou ambas: sim, estas são razões que explicam parte do fenómeno. Para além destas há outras que agravam o problema:

- o subsidio de desemprego está muito longe de abranger a totalidade dos desempregados, deixando os restantes à sua própria sorte;
- a própria taxa de desemprego não contabiliza muitas situações que nela deveriam ser incluídas: as pessoas que não fizeram um esforço activo para procurar emprego nas ultimas semanas são exluidas tal como aquelas que, por umas horas de trabalho, recebem uns trocos ou mesmo um prato de comida. Até quando sobre, a taxa de desemprego está subvalorizada.


Podemos falar de défice e de divida até ficarmos cansados, mas nunca será possível resolver o problema do endividamento e da economia enquanto 1/10 dos portugueses não tiverem direito ao trabalho.

Moldávia: quando o povo apoia o que a elite não quer

Em Abril de 2009 houve eleições para o Parlamento da Moldávia, o Partido Comunista conseguiu um total de 60 lugares em 101.

A oposição não aceitou os resultados e seguiram-se largos dias de pilhagens e de actos desordeiros, que José Milhazes descreve bem:

Este movimento desordeiro não é uma revolução anti-comunista até porque o Partido dos Comunistas da Moldávia nada tem a ver com partidos homónimos clássicos. Pode não ter feito muito para arrancar o país da cauda da Europa, mas tem respeitado as regras do jogo democrático. Não esconde a intenção de aproximação à União Europeia, mas mantém boas relações com Moscovo para não perder a Transdniestria.

Vladimir Voronin é um dirigente dos equilíbrios possíveis e é de lamentar que a oposição, que diz ser mais democrática e europeia, não tenha sabido controlar os desvaneios da multidão.

Fracassadas estas tentivas da oposição, o caminho traçado por esta foi outra, como a Constituição da Moldávia obriga a que o Presidente seja eleito pelo Parlamento com maioria alargada, ou seja necessita o voto favorável de pelo menos 61 deputados em 101, entrou-se numa crise política, que acabou com a marcação de novas eleições.

Nas eleições antecipadas, o PC moldavo foi novamente o partido mais votado, porém conseguiu, apenas eleger 48 deputados, o que fez com que a oposição conseguisse formar maioria alargada no Parlamento. O mais curioso destas eleições antecipadas, é o descaramento "democrático" do líder dos liberais, Vlad Filat, que apelou a que: “desta vez o Partido Comunista demonstre maturidade e, em nome do interesse nacional, aceite a derrota.” Fazendo de conta que não contribiu a priori para a séria crise política e social em que o país caiu.

Actualmente o Governo de todos os interesses da Moldávia quer incluir na Constituição do país, a ser referendada este Verão, a proibição de utilização de todos os nomes e símbolos comunistas.

Pouco interessa se o PC moldavo foi o único partido que sempre aceitou o resultado que obteve em qualquer eleição no país, o que na verdade importa é limpar do mapa uma força política maioritária na sociedade que estorva a elite moldava.

De 14 a 17 de Julho lá estaremos, acima de tudo pela democracia, pela solidariedade na luta.