7 de junho de 2010

Misoginia: uma doença que precisa de cura


Não gosto de ler sobre crimes de sangue, não por qualquer superioridade moral. Sou daquelas pessoas que concorda com Nietzsche, ao achar que todas e todos temos um prazer instintivo no sofrimento alheio: por isso param mais pessoas para ver um acidente que aquelas que realmente se preocupam em ligar para uma ambulância.
Eu não gosto dos crimes de sangue é do ponto de vista intelectual: embora reconheça que são um desafio para quem gosta do tema. Em concreto, não tenho paciência para as páginas dos jornais que tratam este tema, mas hoje esta despertou a minha atenção:

Suicida-se após matar três mulheres e ferir outras tantas: (...) O homem começou a discussão com a ex-namorada no parque de estacionamento, mas, após matá-la, dirigiu-se para o interior do restaurante e atirou deliberadamente sobre várias mulheres, tendo morto duas e ferido outras três. (...)

O pormenor do cenário não me desperta tanto interesse, mas o que está subjacente sim. A misoginia enraizada na sociedade contribui muito para estes casos. O conflito daquele homem não era só com a ex-namorada, era com as mulheres em geral.

É importante sublinhar estes que são parte dos efeitos da hegemonia patriarcal:

- Conforme o Conselho da Europa, a violência doméstica é a principal causa de morte e invalidez entre mulheres dos 16 aos 44 anos, ultrapassando o cancro, acidentes de viação e a guerra.

- Em 2008, as forças de segurança registaram 27 743 queixas de violência doméstica (GNR 10 096; PSP 17 647) A variação entre os valores entre 2007 e 2008 foi de 26.6% e entre 2006 e 2007 correspondeu a 6.4%.

- Em Portugal, nos últimos 6 anos, morreram 201 mulheres vítimas de violência doméstica: 40 mulheres em 2004, 36 mulheres em 2005, 37 mulheres em 2006 e 21 mulheres em 2007, 42 mulheres em 2008, 25 mulheres em 2009.

É por isso que eu continuo a defender o feminismo como ciência necessária para erradicar o Patriarcado e todos os seus males. Não basta apenas combater o Capitalismo, há um mal anterior, milenar até, que persiste: temos de combater ambos os espartilhos da humanidade.


Nota: Os dados são do Relatório “Women and Men. Portugal 2010” da CIG - Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género. Sendo que os relativos à mortalidade por violência doméstica presentes no relatório da CIG foram completados pelos disponíveis no Observatório de Mulheres Assassinadas da UMAR.

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