28 de julho de 2011
parem lá um bocadinho de dizer que o ministério da cultura é fixe
27 de julho de 2011
crónica de uma rotina liberalizada

“Capitão Rússia, o Primeiro Governante”
Medvedev e Putin na corrida para candidato a presidência da Federação Russa geram cartazes criativos de autoria anónima.No referido cartaz, Medvedev surge como uma versão russa do Capitão América (inspirado no filme “Capitão América: o Primeiro Vingador”, que estreia brevemente) e segurando um dos seus objectos preferidos, o iPad. O mesmo artista, anónimo, já elaborou outras campanhas semelhantes. Segundo ele, o cartaz é uma resposta a um outro em que Putin aparecia como o espião James Bond.
Apesar das autoridades se preocuparem em remover rapidamente os seus cartazes, o artista deixa a sua marca. Em http://www.monolog.tv/ (monolog é a assinatura que surge nos cartazes) podem ser vistas outras obras do artista, nomeadamente aquela em que num cartaz com o rosto de Kadafi aparece a inscrição "Proura apartamento".
De facto, se eu tivesse dotes para o desenho, fazia um cartoon com a dança das cadeiras entre os dois. Essa dança recordaria a passagem de Putin de Presidente da Federação, em 2008, para Primeiro-ministro do seu sucessor Medved, contornando o limite de mandatos presidenciais. Situação que não demorou a gerar um bicefalia não somente heráldica (que já existia) mas também política.
Agora que foi superada a limitação constitucional (que apenas fala em mandatos consecutivos), andam nesta disputa da cadeira. Curiosas são as comparações, James Bond, Capitão América... Um destes dias escrevo sobre o Capitão América.
26 de julho de 2011
O segredo é a alma...

Entretanto, secretas à parte, vale a pena ler de um só golpe e do princípio ao fim o artigo do sindicalista e funcionário da RTP Paulo Mendes do qual aqui apenas divulgo uma parte:
O que você deveria saber sobre a RTP, mas a Ongoing não lhe conta:
1º Sabia que todos os países da Europa comunitária e inclusive os Estados Unidos tem serviços públicos de televisão, e que o modelo misto de mercado que existe em Portugal é a regra e não a exeção?
2º - Sabia que o serviço público de televisão prestado pela RTP é não só um dos mais baratos da Europa, é também um dos mais baratos do mundo? Custa cerca de 15 centimos por dia, não por pessoa, mas por contador de luz.
3º Sabia que por esses 15 centimos são emitidos diariamente 8 canais de televisão com programação diferenciada (RTP1, RTP2, RTPN, RTP Memória, RTP África, RTP Internacional, RTP Madeira, RTP Açores) 5 antenas de rádio (Antena 1, Antena 2, Antena 3, RDP África e RDP Internacional), com uma audiência potencial de cerca de 150 milhões de pessoas?
4º Sabia que a RTP possui o maior e melhor arquivo audiovisual do país e um dos melhores do seu género em todo o mundo?
5º Sabia que os trabalhadores da RTP são dos mais produtivos do sector televisivo europeu, recebendo menos salário liquido do que os seus congéneres no privado e que auferindo em média 50% do que os seus colegas europeus?
6º - Sabia que os trabalhadores da RTP não têm aumentos salariais reais desde 2003, sendo os trabalhadores do sector estado os que mais percentual de poder de compra perderam numa década?
7º Sabia que a publicidade da RTP não entra para os seus cofres mas está sim indexada ao pagamento de um empréstimo bancário a um sindicato bancário alemão e holandês, que assumiram o passivo?
8 – Sabia que essa dívida ronda os 600 milhões de euros a um spread baixíssimo, e que este sindicato deseja renegociar o empréstimo à anos?
9 – Sabia que no caso da RTP ficar sem publicidade o accionista Estado teria que assumir o pagamento da dívida, mais juros por inteiro e de imediato?
10 – Sabe que pagará a dádiva de um canal à Ongoing pelo governo de Passos Coelho? Você e vai custar-lhe 600 milhões de euros.
A Justiça é lésbica ... e casou com a Liberdade

No passado dia 24, Nova Iorque tornou-se o sexto Estado norte-americano a permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
O primeiro casamento no Estado de Nova Iorque, foi entre Kitty Lambert (54 anos) e Cheryl Rudd (53 anos). Foi o primeiro de muitos pois as solicitações já provocaram filas de espera. Havia um número colossal de pessoas à espera desta justa decisão, algumas delas desde há decadas.
A votação não foi esmagadora, longe disso: 33 votos a favor e 29 contra. E a homofobia já está a fazer das suas: os positores à nova lei querem revogá-la por via judicial, com base em argumentos processuais.
Os outros cinco Estados onde o casamento livre é legal são: Connecticut, Iowa, Massachusetts, New Hampshire, Vermont e Washington, D.C.. Na California, a legalização só durou entre 16 de junho e 4 de novembro de 2008, quando em referendo foi aprovada a proibição.
Há ainda o caso peculiar da Tribo Coquille, uma das "domestic dependent nations" reconhecida pelo Governo Federal. Esta tribo decidiu, em 2008, reconhecer o casamento entre pessoas do mesmo sexo - a votação, neste caso, foi 5 contra 2 no Conselho Tribal. Apesar de a Constituição do Oregon proibir, desde um referendo em 2004, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, Jeni Branting pode escolher casar com Kitzen Branting. Kitzen faz parte do povo Coquille e, por isso, tem direito a casar segundo a sua lei, dado que o estatuto da Tribo é independente do Estado do Oregon.
A nível federal o que vigora é o Defense of Marriage Act, proibição aprovada em 1996 de acordo com a qual nem a lei federal nem nenhum Estado federado pode ser chamado a reconhecer uma união entre pessoas do mesmo sexo celebrada noutro Estado, ou em qualquer outra subdivisão dos Estados Unidos. Desde 2009, decorre o processo que visa revogar o Defense of Marriage Act, substiuindo-o pelo Respect for Marriage Act, o qual não obriga os estados a permitir o casamento livre mas permite que a lei federal reconheça para todos o efeitos legais os casamentos já reconhecidos noutro Estado, tribo ou noutro país.
25 de julho de 2011
Diz que é dos videojogos... e a "nova" xenofobia razoável.
Entre outros elementos desse discurso, considero que entrar em contabilidades sobre quem matou mais é vergonhoso: «The thousands and thousands of people murdered by (radical) Islam should weigh heavier than these 92 deaths.» Como se matar uma pessoa não fosse de mais. Justificam-se os crimes com contabilidade de cadaveres? A existência de crimes de fascistas islâmicos justifica que se feche os olhos ao crecimento de uma extrema-direita anti-islâmica na Europa?
Mas neste momento, preocupa-me principalmente a teoria da "xenofobia razoável". É disso que trata a primeira citação, que é aliás uma amostra desse discurso. Uma forma do método polícia-bom/polícia-mau: para evitar a violência subjectiva e sangrenta dos "anti-muçulmanos hard core", há que aplicar uma política anti-muçulmana soft, ou seja, há que aplicar uma violência objectiva/estrutural de barreiras legais à cultura e às pessoas muçulmanas: desde pribições de minaretes na Suiça (rever aqui) às leis anti-imigração selectivas.
Temos de estar atentos e politicamente atuantes, pois ressurge perigosamente uma política da "xenofobia razoável", da mesma linhagem do "anti-semismo razoável" de Robert Brasillach proclamado em 1938:
“Nós nos permitimos aplaudir Charlie Chaplin, um meio judeu, nos cinemas; admirar Proust, outro meio judeu; aplaudir Yehudi Menuhin, um judeu; e a voz de Hitler é carregada por ondas de rádio que receberam seu nome do judeu Hertz (…) Nós não queremos matar ninguém, nem queremos organizar nenhum pogrom. Mas também pensamos que a melhor maneira de conter as sempre imprevisíveis ações do anti-semitismo instintivo é organizar um anti-semitismo razoável.”
23 de julho de 2011
Atentados em Oslo ou o que fazer contra a extrema direita?
O duplo atentado na Noruega chegou a ser atribuído (por impulso do discurso dominante sobre o terrorismo) aos fundamentalistas islâmicos.
Entretanto, os pelo menos 92 mortos (mais de 80 mortos no acampamento de jovens do Partido Trabalhista na ilha de Utoeya e os 7 mortos e 2 feridos do atentado à bomba em Oslo com que a tragédia começou) são atribuídos ao suspeito membro da extrema-direita norueguesa chamado Anders Behring Breivik. Trata-se de um europeu nórdico de 32 anos, fundamentalista cristão, anti-islâmico.
O relatório da polícia de segurança interna da Noruega PST para 2011 assinalava que “um aumento da actividade dos grupos anti-islâmicos pode conduzir a uma mais acentuada polarização e a convulsões, nomeadamente durante ou em ligação a comemorações e manifestações”. Por outro lado, o mesmo relatório sublinhava que a principal ameaça em 2011 para a Noruega “não vem do extremismo cristão, mas sim do muçulmano”. O documento não podia ser mais claro: “Certos extremistas islamistas surgem actualmente cada vez mais orientados a agir a nível internacional e é principalmente este grupo que poderá constituir uma ameaça directa à Noruega”.
Não podemos estar certos sobre as informações que circulam na internet sobre o perfil (de facebook) do referido militante da extrema-direita. Mas o mais relevante, desde já e antes de apurados os factos, é que o crescimento da extrema-direita de carácter nacionalista e anti-islamico é negligenciado e muitas vezes protegido à sombra de uma suposta "tolerância democrática" ao crescimento dos fascismos, ou pelo menos de certos fascismos.
Aos conservadores, liberais e a todos os outros que querem virar a identidade política europeia de anti-fascista para anti-comunista são acontecimentos como este que, infelizmente e com o custo de vidas humanas, vêm provar a necessidade de não esquecermos o legado anti-fascista da Europa. Da esquerda à direita, todas e todos os democratas europeus têm o dever de ser intransigentes na defesa da democracia e não permitir a organização política dos fascismos, independentemente das religiões e nacionalismos a que se associem.
21 de julho de 2011
Karl Marx idea of Alienation
Um modo interessante de apresentar a questão. Falta a parte do para além do diagnóstico... Mas é um bom começo!!
20 de julho de 2011
Simplesmente Chico!
O novo disco de Chico Buarque é lançado esta semana em Portugal. Amadurecido, profundo e enternecedor, Chico é Chico.
Para o embalo das tardes de varaneio.
19 de julho de 2011
«Sá Carneiro visto pelos outros» (Hoje, 19h)
"Os outros" somos nós. Neste caso, um dos adeusleninistas, este que vos escreve, vai participar em conjunto com outros blogers num debate organizado pelo Instituto Sá Carneiro. Sim, leram bem. E não, ninguém alaranjou. A ideia é apresentar um olhar diferente, no meu caso concreto, o olhar de um marxista sobre Sá Carneiro.
[transmissão às 19h - caso de falha usar link]
Por ocasião da celebração do aniversário do nascimento de Sá Carneiro, o Instituto Francisco Sá Carneiro organiza uma tertúlia – debate sob o tema «Sá Carneiro visto pelos outros», que irá ter lugar no Centro de Congressos da Alfândega, no Porto, pelas 19 horas do dia 19 de Julho.
Qual a importância do legado pessoal e político de Francisco Sá Carneiro? Como o vêem hoje os que não pertencem à sua familia ideológica? Ou será que a dimensão de estadista e homem ultrapassa as fonteiras da ideologia?
Para conversar sobre este assunto estarão presentes no Centro de Congressos alguns representantes de conhecidos blogues de esquerda: Ricardo Santos Pinto (5 Dias), António José Maria Teixeira (Aventar). Bruno Góis (Adeus Lenine), Tiago Barbosa Ribeiro (Kontratempos, Metapolítica, Blog De Esquerda, Simplex) e Tomás Vasques (Hoje Há Conquilhas).A moderação estará a cargo de Filipe Caetano (do programa Combate de Blogues, TVI24).
A entrada é livre, embora por confirmação através do número 963116001 (Alexandra Stilwell).
17 de julho de 2011
muda-se o governo, ficam as maldades
O programa do Governo para a educação vem apresentar objectivos que nos irão remeter para uma castração completa concernente à qualidade da escola pública. Sob a capa falaciosa da mudança, o Governo vem perpetuar o que já de tão inconcebível começou a ser feito por Maria de Lurdes Rodrigues e que foi seguido por Isabel Alçada (a avaliação do desempenho das escolas é só um dos tristes exemplos).
O memorando da troika prevê um corte de cerca de 400 milhões de euros, que se irá traduzir:
- em mais agrupamentos que terão a sua direcção estratosférica e afastada da comunicada escolar:
- numa redução drástica de pessoal, o que irá também significar que o perene desejo de que as turmas sejam mais pequenas e de que cada docente tenha menos alun@s continuará a não ser mais do que um desejo.
Esta poupança vem, por isso, sobrecarregar docentes e distanciar @s estudantes de um ensino mais eficaz, ainda que uma retórica razoável tente fazer com que acreditemos que tudo irá correr às mil maravilhas. Quanto a mim, ainda estou para perceber o que será exactamente a "garantia de oportunidades, baseada no mérito, no acesso ao ensino superior".
A ideia da examocracia aparece-nos, mais uma vez, como ideia salvadora e de exigência, fechando os olhos ao facilitismo que é “examinar para excluir” (MES), aumentando as explicações privadas e transformando as escolas em campos de treino para os exames, o que significa deixar à margem uma parte da matéria que devia ser transmitida decentemente. Como se não bastasse, as notas d@s alun@s continuarão a pesar na avaliação d@s docentes.
O programa do Governo fala-nos ainda "do aumento da produtividade do sistema, através duma gestão mais eficiente". Algo me diz que isto nos remete para as ledas histórias de regimes fundacionais sobre as quais, não me querendo repetir, deixo os links para isto e isto.
No meio disto tudo, importa salientar os dois caminhos possíveis: o da falácia ou o da construção de uma escola pública de qualidade. O novo Governo já escolheu o seu caminho facilitista, embriagado em falsas lógicas de competitividade e exigência. Resta-nos a alternativa.
15 de julho de 2011
Cristãos novos

Agora que a "pimenta chegou ao nariz da banca" é que vai ser "malhar" nas agências de rating. Não tenho os dons do professor Bambo, mas tenho para mim que a SICN, RTPN e TVI24 não vão perder a vergonha e vão convidar para comentar o estado "modo entulho" da banca portuguesa, o Medina Carreira, o Nicolau Santos e o Silva Lopes. Se assim for, é vigiar as casas deles... Os livros deste senhor vão passar a servir de acendalhas... Ou não.
14 de julho de 2011
O fim da democracia em cuecas?
gionais de Outubro" (diz o Público de hoje na sua edição impressa).
Será isto o fim da democracia em cuecas? Ou será que a democracia ainda está por começar, na Madeira?
12 de julho de 2011
AAA-merican dream

A dívida americAAAna já vai nos 14,294 biliões de dólares e o défice caminha para 1,6 biliões. Como se não bastassem as guerras cambiais e as outras, o governo do Nobel da Paz Barack Obama é acusado pela Human Rights Watch de não investigar "atos de tortura e outros maus-tratos dos detidos".
Para além deste dream e do pesadelo chinês, venha OUTRA Europa e escolha.
(foto tirada no Largo do Rato)
11 de julho de 2011
o espírito dos tempos
Cavaco manda as agências de rating estudar, Passos Coelho menospreza-as e o Presidente do Conselho Europeu reúne "gabinete de guerra" com medo do risco de incumprimento de Espanha e Itália.
Os deuses devem estar loucos grita-se por aí.
As relações burguesas de produção e de intercâmbio, as relações de propriedade burguesas, a sociedade burguesa moderna que desencadeou meios tão poderosos de produção e de intercâmbio, assemelha-se ao feiticeiro que já não consegue dominar as forças subterrâneas que invocara.
Marx, Karl
10 de julho de 2011
Antes pelo contrário

Ouvi dizer que há por aí uma corrente do Bloco que se reuniu de propósito hoje para chegar à conclusão que já não faz sentido existir e deve, por isso, acabar. Mais: dizem que a bem da democracia interna do Bloco, todas as restantes correntes deveriam seguir o mesmo caminho. Sobra-me a dúvida: será essa pretenção, tomada no seio de uma das correntes, democraticamente legítima em relação às restantes? Estará encontrada a corrente vanguarda das bases do Bloco de Esquerda?
9 de julho de 2011
8 de julho de 2011
7 de julho de 2011
Sobre o orgulho LGBT...

6 de julho de 2011
Há que varrer o lixo
Somos explorados no trabalho, e não só
Também somos o lixo
Lixo na tê-vê, quem lá está e quem vê
Lixo no jornal, voz do seu capital
Estamos entregues aos bichos
E o lixo produz mais lixo
E o tempo a passar
E eu a cantar
Eu também faço parte do lixo
Há quem viva bem do nosso mal-viver
Nós somos lixo
Somos só lixo
Já não há gente, há só lixo
Dispensável, descartável, reciclável
E agora parem um minuto p'ra pensar
Há que humanizar a humanidade, e não só
Há que varrer o lixo
O do Capital, que é o lixo global
O lixo do Estado, que é o seu braço armado
O mundo é de quem manda
E o resto é propaganda
Tudo é publicidade
Mas a liberdade
É escolher entre ser ou estar
Tens a boca cheia de palavras lindas
P'ra ti sou lixo
Somos só lixo
Nós não somos gente, somos lixo
Dispensável, descartável, reciclável
Mas vou parar mais um minuto p'ra pensar
Vamos a casa
Ao fim do dia
Só p'ra regenerar a mais-valia
Ganhar forças, fazer filhos
Cada um no seu caixote
E amanhã tomar o bote
Para o paraíso dos cadilhos
Quem é o lixo
Eles são o lixo do corpo e da alma
Como é que se pode ter calma
P'ra varrer este monturo
Dos escombros do futuro
Carlos Moedas, ao seu dispor.

Dedicado ao Fernando Pessa
Diz que os melhores anos da sua vida foram passados na Harvard Business School, o ninho dos gestores de elite da economia mundial, para onde foi depois de uma passagem pela gigante francesa Suez-Lyonnaise des Eaux, empresa que abocanhou boa parte das privatizações de águas públicas na Europa, sudeste asiático e América latina. A passagem por Boston rendeu-lhe as boas graças da Goldman Sachs, sim a mesma Goldman Sachs que já nessa altura emitia lixo financeiro a partir da especulação imobiliária, contribuindo com a sua parcela da crise financeira de 2007/2008, Carlos Moedas rumou a Londres para trabalhar em… “aquisições e fusões na área imobiliária”, António Borges foi seu conselheiro e companheiro de jornada. O bom trabalho valeu-lhe a transferência para o Eurohypo Investment Bank (Grupo Deutsche Bank), onde contribuiu com o seu saber na aquisição da imobiliária sueca Tornet pelo Grupo Lehman Brothers, sim esse mesmo.
Um fôlego para recuperar e continuemos a jornada do Moedas. Em 2004 volta a Portugal e aqui ocupa o cargo de director geral da Aguirre Newman, empresa de consultoria imobiliária que determina boa parte do mercado português. O futuro Secretário de Estado aprende rápido e o seu conhecimento da mecânica imobiliária vale-lhe nada mais que um padrinho chamado Grupo Carlyle, o império do armamento e petróleo (o mesmo grupo a quem Durão Barroso ofereceu 45% da Galp em 2004), que fez a Moedas uma proposta que ele não pôde recusar. Sai da Aguirre Newman e lança, em Novembro de 2008, o Crimson Investment Management, com a ajuda e participação dos seus amigos Miguel Pais do Amaral, João Brion Sanches (Norfin), Filipe de Button (Logoplaste) e o agora Ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas. Segundo o próprio Moedas a aventura começou quando o Grupo Carlyle “decidiu assinar connosco um contrato de exclusividade para procedermos à procura e á gestão dos activos que eles futuramente irão deter em Portugal através do seu fundo número 3”. E o Grupo Carlyle confirma, lembrando que já possui parte do Freeport em Alcochete.
Depois desta odisseia pelos mares do capital mundial, Carlos Moedas julgou que era altura de dispor o seu saber ao serviço do país. Filiou-se no PSD assim que soou a derrota de Manuela Ferreira Leite e se ouviu o afiar das facas, apostou num cavalo errado chamado Paulo Rangel mas rapidamente percebeu que o Passos é que era.
Passado pouco mais de um ano, Carlos Moedas decide, sentado a uma mesa com a Troika, a nossa vida. E esta heim?
5 de julho de 2011
Lei contra a precariedade:: 10 mil assinaturas
Os adoráveis critérios do Prós e Contras
O prós e contras sempre nos habitou a peculiares critérios de selecção de oradores, fosse qual fosse o tema, mas acho que hoje bateram de longe os recordes.
O programa apresenta-se como sendo "tão abrangente quanto é permitido em televisão" e acho que foi à luz desse critério que convidaram Fernando Santos (sim é mesmo o treinador de futebol) para falar à esquerda sobre o tema "Questão da Dívida".
Bem sei que exerce a profissão na Grécia e que deu uma entrevista do DE mas por amor de deus e sem qualquer desprimor pela pessoa em questão, não havia mais ninguém? Nem um estudante de Erasmus?
Escusado será dizer que o mesmo critério não foi seguido na bancada de palestrantes de direita.
A pluralidade opinativa nos media dominantes já é um significativo eucaliptal, a televisão pública deveria reger-se por outros critérios ou pelo menos tentar não dar nas vistas desta maneira.
4 de julho de 2011
MANIFESTO MOP 2011
Há 42 anos que se assiste por todo mundo a manifestações de pessoas que, inseridas numa comunidade ou sociedade, se vêem constantemente colocadas em segundo plano como se não pertencessem à mesma e para ela não contribuíssem.
Em pleno séc. XXI, é tempo de dizer basta! Não queremos isto para nós, lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, transgéneros, interssexuais e heterossexuais. Não queremos uma sociedade opressora, não queremos olhar para o lado.
A Marcha do Orgulho LGBT no Porto está pela 6ª vez na rua para dar voz a quem não a tem, para mostrar o que alguns não querem ver.
Já era altura da Marcha ser sobretudo de celebração da igualdade.
Não aceitamos uma lei que, apesar de nos permitir apresentar a nossa verdadeira identidade num documento, simultaneamente nos cataloga como doentes.
Não aceitamos que uma desejada cirurgia de reassignação de sexo continue dependente do aval feudal da Ordem dos Médicos.
Exigimos que os diversos núcleos familiares não sejam restringidos por políticas governamentais claramente desadequadas e desajustadas.
Exigimos a abolição de preconceitos no que concerne ao acesso à parentalidade por familias não heteronormativas.
Apesar do fim da discriminação na doação de sangue por parte dos homens que têm sexo com outros homens; apesar do fim do impedimento ao casamento entre pessoas do mesmo sexo; apesar de finalmente existir um esboço de uma lei de Identidade de Género, ainda há um longo caminho a percorrer na defesa de direitos essenciais, no combate ao estigma, ao preconceito e à exclusão.
Rejeitamos que arbitrariedades com base no racismo, na xenofobia, na desigualdade de géneros, na LGBTfobia continuem a ser socialmente toleradas.
Abraçamos uma educação sexual que aborde diferentes sexualidades, capaz de mostrar aos nossos filhos e filhas a diversidade de emoções e afectos.
Abraçamos uma sociedade verdadeiramente inclusiva de todos os seus cidadãos e cidadãs, sem lhes impôr um prazo de validade de relacionamentos, emoções e afectos.
Não podemos deixar de vir à rua manifestar o nosso orgulho, exigindo nada menos que o reconhecimento dos nossos direitos, independente da NOSSA orientação sexual, da NOSSA Identidade de Género, do NOSSO sexo, da Nossa Idade, da NOSSA etnia, das NOSSAS convicções religiosas e da NOSSA condição social.
REJEITAMOS a hipocrisia e a tacanhez. REJEITAMOS o preconceito e a violência. REJEITAMOS a austeridade.
ABRAÇAMOS a igualdade!
contagem decrescente
Classe Média
CLASSE MÉDIA
Camarada Van Zeller, apesar dos meus 485€ de base, estou numa de classe média à la Saraiva. Esta opção acarreta uma clara intenção filantrópica. Quero ajudar a pagar a factura da crise. A minha postura, neste momento, é a do guerreiro samurai contra ventos e tempestades. Sangue, suor e lágrimas, caro Van Zeller. É isso que sinto nos meus concidadãos, e é esse sentimento que pretendo trazer ao meu coração. Se for para pagar a factura da crise, até um patrão gordo e ignóbil eu aguento. Que remédio! Aceite-me ele a mim, explorado ou não. O que importa é ajudar o país, pois mais importante que a felicidade dos indivíduos é a alegria da nação. Não só deixarei de viajar em executiva como deixarei de viajar "tout court", que é uma forma de viajar muito mais económica e igualmente espiritual. Tal como o bom mestre Saraiva, também eu julgo que os patrões de hoje «são quase sempre pessoas que subiram a pulso, que trabalharam no duro, que tiveram a coragem de arriscar e investir, que criam emprego, que sofrem quando se aproxima o dia de pagar aos trabalhadores e aos fornecedores». Não sei se o Rui Pedro Soares, o Jorge Coelho, o Armando Vara, o Valentim Loureiro, a Fátima Felgueiras, o Dias Loureiro, o Ângelo Correia, o Santana, o Pereira Coelho, o próprio Saraiva, o Abel Pinheiro, o sucateiro, o Diogo Vaz Guedes, o Ferreira do Amaral, o Pina Moura, o Júdice das advocacias, o Teixeira Pinto, o Oliveira do BPN, enfim, todo esse rol de goodfellas, são patrões ou não, mas encaixam no perfil como o parafuso na porca. É tudo gente que cria riqueza, diria mesmo gente que gera a riqueza que serve para pagar aos inúteis energúmenos dos juízes, polícias e militares. De resto, estou convencido de que um governo só poderá ser levado a sério quando começar a pensar a sério na privatização da justiça. Entregue-se a justiça a quem gera riqueza, ilibem-se os bons criminosos, os bons vigaristas, os bons aldrabões em prol da saúde económica da nação. Por mim, estou preparado para aguentar todos os esforços. Se for preciso, torturem-me. O que eu quero, o que eu desejo, aquilo porque anseio é apenas uma só coisa: a estabilidade dos mercados, a pacificação da especulação financeira, a boa saúde da economia. Que se esfolem, torturem, matem, que se escravizem, que trabalhe até ao último pingo de suor essa canalha, esse gado a que alguns, por clara ingenuidade, insistem em classificar de povo. Essa gente mais não é do que o vírus da nação enquanto a frugalidade não os tornar na aspirina dos mercados. Já eu, no meu palanque de classe média, estou disposto a não desperdiçar nem mais uma espinha quando for comer a restaurantes, ainda que já muito raramente o faça. O bom Saraiva diz tudo quando revela a tragédia dos números: «numa empresa como o SOL, por cada empregado que leva para casa 1.390 euros, a empresa tem de desembolsar 2.300». A pergunta é simples: sendo assim, como sobrevive o Sol? Eis a resposta: tem ao volante um Saraiva que ao beber café não desperdiça o açúcar branco, o açúcar escuro, o adoçante e o pau de canela. Mistura tudo numa perfeita simbiose de cafeína, emborca a mistela e arrota para o ar a prosa da semana. Só gostávamos de saber onde vai o bom homem beber café? E não necessariamente para aí desperdiçarmos parte dos nossos 485€ de base, mas para sacar do lixo, mais que não fosse, o pauzito de canela. Mas eu vou mais longe, não me limito a substituir a água Vittel pela do Luso. Recorro directamente a boa água del Cano. Entre Heineken e Sagres, há sempre uma Cergal a sorrir para mim. Quanto a vinhos, o Chandon do Cartaxo é a mais justa das opções. Em nome da crise e das suas facturas. Tabaquinho, só de enrolar. Ou barba de milho. Fatos não visto, mas já substituí toda a indumentária. Limito-me à farda fornecida pelo bom patrão. Aos domingos, lá ponho uma camisita comprada nos ciganos e a boa ganga do mercado de Santana. Tenho um par de sapatos para o ano inteiro. Compro-os sempre no Inverno. Chegados ao verão, têm buracos. Mas não importa, faz de conta que é ar condicionado. Os pés respiram melhor. Há muito que optei por férias cá dentro. Tão dentro, tão dentro, tão dentro, que raramente saio de casa. Os aeroportos são, sem dúvida, um risco desnecessário e um incómodo evitável. Sobretudo para quem lhes pode sentir o cheiro. Nunca tive, nem sei o que é, um Mercedes E, um Mercedes C, Audi 6 ou um Audi 4, mas desde 1999 que tenho o mesmo e bom velho Ibiza. Não me incomodam os seus soluços nem a falta de ar condicionado. É para isso que servem os vidros e, em nome da crise, não há cá calores que justifiquem luxos. Aos hotéis, prefiro a tenda de campismo. Enfim, sigo, na linha do bom Saraiva, os meus próprios princípios de frugalidade. Diga-se também que só uma vez na vida comprei o Sol. Seria um desperdício inconcebível gastar dinheiro com as merdas que o Saraiva escreve.
aqui
http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/2011/07/classe-media.html
2 de julho de 2011
Filosofia à riba Tejo

Parce que, la-haut, à Paris, on n'achève jamais des cours au dimanche, que é como que diz ao domingo."
Daniel Abrunheiro, "Dito com os nervos", Rosário breve, O Ribatejo, 30 de junho de 2011
Dedicado a um Zé da Rosa que fugiu cá da aldeia. Sobre este mesmo assunto, que não é novo mas não podemos esquecer, teve razão também RAP em idagnar-se: "Era o que faltava. Obriguem-no a aguentar as medidas da troika até ao fim. Só pode sair do País quando o memorando estiver cumprido."
1 de julho de 2011
A primavera da maioria de direita
Bem sabemos que o imposto extraordinário sobre o subsídio natal é um acto patriótico e de suprema necessidade para o saneamento das contas públicas, fruto dos dados da execução orçamental revelados pelo INE na quarta-feira transacta. Não podia ser de outra forma, ou não fosse o guarda-chuva da pátria o eterno abrigo da violação dos contratos eleitor-eleito, ou a capa do semanário SOL revelar que este corte já estava previsto e pensado por Passos Coelho.
E como é óbvio, a feroz oposição aos PEC's por parte do CDS/PP, o chumbo ao PEC 4 por parte do PSD e a promessa de Pedro Passos Coelho no dia 1 de Abril em não aumentar os impostos, já andam por mares nunca antes navegados.
De traição à tradição a direita portuguesa não pode ser acusada, cumpre o dia das mentiras à risca e contradiz os preceitos do seu programa eleitoral logo nos primeiros dias em frente ao executivo.
Ficámos igualmente a saber que a retenção do subsídio de Natal será superior para os que auferem menos:
| Sub Natal | Imposto | Tx anual | Var tx anual |
| 500 | 7,5 | 0,11 | |
| 1000 | 257,5 | 1,84 | 1,73 |
| 2000 | 757,5 | 2,71 | 0,87![]() |
| 3000 | 1257,5 | 2,99 | 0,29 |
| 4000 | 1757,5 | 3,14 | 0,14 |
| 5000 | 2257,5 | 3,23 | 0,09 |
| 6000 | 2757,5 | 3,28 | 0,05 |
Quem desenhou isto? O imposto mais regressivo da época. Bem sei que O IVA também é, e que conta muito como o dinheiro é (foi) gasto. Mas, mesmo assim.
Explico: a primeira coluna é o subsídio; a segunda é o imposto em euros; a terceira é imposto em percentagem do salário anual (i.e. imposto a dividir por subsídio de natal - com n pequeno - x 14); a quarta é a variação dessa taxa, que se aproxima de zero à medida que o rendimento sobe...
(via Pedro Lains)
Bem podem Rui Machete e Paulo Portas apelar ao acordo social e fazer guerra preventiva à contestação, mas quem fez a transferência de Atenas para Lisboa foram os assinantes do acordo da troika.
30 de junho de 2011
Alemanha vs Grécia - Philosophical football match
O Marx devia ser titular desde o princípio :D
A arte da Revolução Europeia
Ser português no sentido decente da palavra, é ser europeu sem a má-criação de nacionalidade. Arte portuguesa será aquela em que a Europa — entendendo por Europa principalmente a Grécia antiga e o universo inteiro — se mire e se reconheça sem se lembrar do espelho.
Fernando Pessoa
29 de junho de 2011
Em cada janela, uma bandeira da Grécia!

Foi hoje aprovado mais um plano de austeridade na Grécia. Trata-se de uma condição imposta pelo Banco Central Europeu, FMI e Comissão Europeia para que aquele país possa beneficiar de mais um empréstimo internacional. Há mais de um ano fora aprovado um plano semelhante, que se traduziu, tal como em Portugal, em cortes salariais, nas pensões e restantes prestações sociais. A estes cortes, acresceram privatizações de sectores estratégicos que tiveram como consequência o desmantelar do Estado Social naquele país. Ainda ontem, a Grécia viu-se obrigada a colocar à venda aeroportos, portos e até autoestradas, os quais não encontraram compradores. Que mais faltará? Definir um preço para a sua própria independência política e a sua soberania? Nas ruas gregas o povo vai resistindo heroicamente, ocupando espaços públicos, manifestando-se, tentando preservar o valor básico da democracia: a soberania popular.
Tal como o primeiro empréstimo, também este não tem como objectivo o estímulo da economia grega, que possibilite a sua recuperação económica, mas sim permitir que o país possa saldar as dívidas aos seus credores. Acontece que as medidas de austeridade, recessivas por natureza, não só entravam o desenvolvimento económico, como também impossibilitam o pagamento daquela dívida.
E sobra-nos a dúvida: então por que motivo são impostas mais medidas de austeridade? Por que razão se sucedem os empréstimos internacionais?
A razão é simples: destruir a economia dos países periféricos, à cabeça a Grécia, provar a sua falta de "competitividade" e forçar a sua saída da Zona Euro, saída essa que, a verificar-se, agravaria não apenas a situação dos países "incumpridores", como ditaria o "princípio do fim" do projecto de cooperação económica e social da Europa.
A verdade é que a Grécia não é um país qualquer. A sua história confunde-se com a história de toda a Europa, constituindo mesmo aquele país, se não a maior, uma das maiores referência políticas e culturais europeias.
O apoio à Grécia não é "apenas" uma questão de solidariedade internacional. A situação grega é apenas um prenúncio do que poderá vir a acontecer a Portugal e a outros país "perseguidos pelos mercados".
A bandeira grega à janela espelha essa solidariedade internacional, mas simboliza também a resistência popular de todos quantos um dia poderão ter de vir a enfrentar semelhante totalitarismo económico-social.
Bloco e o Futuro por Fernando Rosas

Artigo originalmente publicado no Público de hoje.
Catalogar é fixe!
1. Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?
O Dom Tranquilo (Sholokhov).
2. Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
A Montanha Mágica (Thomas Mann). Bem sei que é sobre o tempo mas...
3. Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?
O Estrangeiro (Camus).
4. Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?
O mundo alucinante (Reinaldo Arenas).
5. Que livro leste cuja “cena final” jamais conseguiste esquecer?
Zorba, o grego (Nicos Kazantzakis)
6. Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?
Todos os da turma da Mônica, Astérix, Mitologia grega (eram uns de capa azul não me lembro de que editora).
7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?
Madame Bovary (Flaubert), porque cheguei ao fim nem eu sei.
8. Indica alguns dos teus livros preferidos.
Gabriela, Cravo e Canela (Jorge Amado), Os Miseráveis (Victor Hugo), Cem anos de solidão (Garcia Márques), Assim foi temperado o aço ( Ostrovski), O Germinal (Zola), Os Irmãos Karamazov/ Crime e Castigo (Dostoievski), O Processo (Kafka), Vidas Secas (Graciliano Ramos), Confesso que vivi (Neruda), Os nus e os Mortos (Norman Mailer), O Leopardo (Lampedusa), Memórias de Adriano (Yourcenar), O triunfo dos porcos (Orwell), U.S.A (John dos Passos)
9. Que livro estás a ler neste momento?
O homem que gostava de cães (Leonardo Padura)
10. Indica dez amigos para o meme literário.
Os 10 primeiros militantes do adeuslenine.
28 de junho de 2011
Coisinhas literárias
“É coisa de Verão” =)
Sob desafio do João Delgado
1. Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?
História do cerco de Lisboa + O Homem Duplicado (Saramago), O duplo (Dostoievski), Até ao fim + Para Sempre (Vergílio Ferreira), Demian (Hesse), O meu pé de laranja lima (José Mauro Vasconcelos), Jerusalém (Gonçalo M. Tavares), o remorso de baltazar serapião (valter hugo mãe), Cem Anos de Solidão (García Márquez)
2. Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
O Castelo (Kafka). É que não há paciência...
3. Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?
Folhas Caídas (Almeida Garrett)
4. Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?
Ofício cantante (Herberto Hélder)
5. Que livro leste cuja “cena final” jamais conseguiste esquecer?
Memorial do Convento. “Desprendeu-se a vontade de Baltasar Sete-Sóis, mas não subiu para as estrelas, se à terra pertencia e a Blimunda.”
6. Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?
Uma aventura, Os Cinco, Stevenson, Edmundo de Amicis, Hans Christian Andersen, Eça de Queirós, Camões, Garrett, Astérix, Tio Patinhas, A turma da Mónica. E o Demian do Hesse. Assim tudo misturado.
7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?
Custou-me ler o 120 dias de Sodoma, mas não propriamente por ser chato. De qualquer forma, obriguei-me a lê-lo por causa do papel importante que teve no redimensionar da Literatura.
8. Indica alguns dos teus livros preferidos.
Resposta 1 e 3 + Crime e Castigo (Dostoievski), uns quantos do Saramago e do Jorge Amado, A paixão de Martin Eden (Jack London), Cartas a Sandra (Vergílio Ferreira), Admirável mundo novo (Huxley), 1984 + O vil metal (Orwell), Memórias de Adriano (Yourcenar), Vidas Secas (Graciliano Ramos), As vinhas da ira (Steinbeck), Asfalto selvagem (Nelson Rodrigues), o apocalipse dos trabalhadores (valter hugo mãe), O prenúncio das águas (Rosa Lobato de Faria), O conde de Monte Cristo (Dumas), Dom Tranquilo (Cholokhov), O Som e a Fúria (Faulkner), Os Maias (Eça), O meu nome é vermelho (Pamuk).
9. Que livro estás a ler neste momento?
Vou começar o Paralelo 42 (John dos Passos) e acabei esta tarde um do Jack London.
10. Indica dez amigos para o meme literário.
Gostava de ler as respostas do Martin Eden, mas como ele é uma personagem mais ou menos fictícia isso será meio complicado.
Radio e Televisão Privada
27 de junho de 2011
Andrea Peniche in Minoria Relativa
Que inveja dos meus pais.

Os bons filmes são os que nos arruínam o dia, que se prendem ao nosso pensamento e nos impedem de tratar das coisas tão chatas e necessárias da vida. É por isso que, hoje, ir ao cinema é uma derrota. É a escolha de quem já não aguarda com anseio as estreias da semana, apenas mantém a esperança de que alguns filmes sejam tragáveis e capazes de nos despertar, por alguns minutos, um alvoroço interior. Cada vez mais raras as vezes em que a respiração se suspende ou os olhos se inebriam no escuro acolhedor da sala.
Ainda há resistentes. Kusturika, Woody Allen, Fernando Meirelles, Paul Thomas Anderson, Tarantino, Ken Loach, Clint Eastwood, Iñárritu ou um revigorado Coppola, capazes ainda de romper a teia comercial e de chegar ao lugar que lhes pertence: a tela de uma grande sala de cinema. Mas a mediocridade venceu. Imperam os filmes banais feitos da mesma receita, com personagens bidimensionais presos a dilemas ordinários e que se libertam na purificação de um final feliz mesmo quando triste. Carros, namoros e piratas, numa mesmice insuportável e aborrecedora.
Resta o refúgio dos filmes entalados à tela do computador ou ao ecrã da TV. É por aí que conseguimos alcançar a emoção de um cada vez mais vibrante cinema brasileiro e mexicano, enternecermo-nos com as obras de Abbas Kiarostami e Samira Makhmalbaf, bem como ser abalroado e dilacerado por um Gaspar Noé. Enquanto isso, no cinema ao lado a escolha é entre velocidade furiosa 17 e Bridget Jones encontra os Piratas das Caraíbas.
Podíamos, eu sei, falar das cinematecas, dos ciclos de cinema, das bibliotecas públicas, mas concentremo-nos, este texto não trata de política cultural ou do estado geral da intelectualidade do português médio, este texto é pura inveja e maledicência. Inveja dolorosa dos meus pais, que viram os filmes do Bertolucci em salas que se abarrotavam de pessoas atentas e que, ingénuos, nem celebravam a inexistência do ruído das pipocas, que enfrentavam o dilema de ver A classe operária vai ao paraíso ou Laranja Mecánica, e acabavam por ver os dois, que se identificavam com a obra de Costa-Gavras e que projectavam boa parte do futuro na construção de Eric Rohmer. Tolos felizes. Pensavam que duraria para sempre.
Tudo pela nação, nada contra a nação.

“O Expresso sabe, também, que em casos muito excepcionais, há notícias que mereciam ser publicadas em lugar de destaque, mas que não devem ser referidas, não por auto-censura ou censura interna, mas porque a sua divulgação seria eventualmente nociva ao interesse nacional.”
Estatuto editorial do Expresso (Ponto 7)
26 de junho de 2011
Um episódio nada verde
Há uns dias atrás tinha escrito aqui sobre a posição nada verde dos Verdes alemães acerca da nova Lei da Energia Atómica que será votada na próxima quinta-feira no Bundestag.A maioria de direita vai propor no Bundestag o adiamento até 2022 do encerramento total de todas as centrais nucleares do país, os Verdes convocaram um congresso extraordinário para esse efeito, tendo a direcção defendido o apoio à proposta do governo de Angela Merkel, contrariando a sua posição original de defesa do encerramento total até 2017.
Hoje foi a votação, tendo o "sim" ganho com esmagadora maioria, para infortúnio da esquerda do Partido e dos activistas anti-nuclear, que defenderam que "Os Verdes" deveria manter a sua posição incial sobre o assunto.
Uma das muitas conclusões que se podem retirar deste episódio é referida pelo líder do "Die Linke" Gregor Gysi:
Tecnicamente falando, seria possível desativar as centrais nucleares já em 2014 ou em 2017, como os Verdes queriam. Mas como eles concordaram em votar a favor do encerramento em 2022, só para mostrar que se podem coligar com os conservadores, acabam por tolerar vários anos nos quais a população continua sob o risco desnecessário de um desastre nuclear como o de Fukushima".
25 de junho de 2011
quero o meu deputado de volta
24 de junho de 2011
Por uma auditoria à dívida portuguesa
Apelo a Iniciativa Unitária por uma Auditoria à Dívida Portuguesa
A austeridade e as medidas de privatização pressionam em primeiro lugar os mais pobres, enquanto as “ajudas” são para quem está na origem da crise. Se as medidas de austeridade anti-popular não forem postas em causa, terão um impacte considerável na Europa durante muitos anos, modificando de forma drástica a relação de forças em favor do capital e em prejuízo do trabalho.
A auditoria da dívida é um passo concreto em direcção à justiça em matéria de endividamento. As auditorias da dívida com participação da sociedade civil e do movimento dos trabalhadores permitem determinar que partes da dívida são ilegais, ilegítimas, odiosas ou simplesmente insustentáveis; oferecem aos trabalhadores o conhecimento e a autoridade necessários para a definição democrática de políticas nacionais perante a dívida; incentivam igualmente a responsabilidade, a prestação de contas e a transparência da administração do Estado.
É urgente, neste contexto, a constituição de uma Comissão Popular, aberta e de convergência unitária, para uma Auditoria à Dívida portuguesa.
Subscritores/as:
Manuel Carvalho da Silva (secretário geral da CGTP-IN, Lisboa), António Avelãs (presidente do SPGL), Pedro Ferreira (economista, Coimbra), Guadalupe Simões (Enfermeira, Faro), Elísio Estanque (universidade, Coimbra), Rui Maia (Precários Inflexíveis, Lisboa), Adriano Campos (FERVE, Porto), Paulo Granjo (universidade, Lisboa), José Rodrigues (sindicalista), José Castro Caldas (universidade Coimbra), Jorge Bateira (economista, Porto), Francisco Alves (sindicalista, Lisboa), Maria da Paz Campos Lima (socióloga, Lisboa), António José Vitorino (bancário, Almada), Joaquim Piló (sindicalista), Viriato Jordão (Lisboa), José Almeida (sindicalista, Lisboa), Guilherme da Fonseca Statter (sociólogo do trabalho), José Rebelo (universidade, Lisboa), Manuel Carlos Silva (professor, sindicalista), Isabel Frutas Carvalho Ascenção (SERAM-Madeira), Janine Rodrigues (enfermeira, SERAM Madeira), Artur Oliveira Baptista (sindicalista, Lisboa), Carlos Valdez Vasconcelos (professor, Lisboa), Carolina Fonseca (trabalhadora, Lisboa), Lídia Fernandes (feminista, Lisboa), Cristina Oliveira Nunes (socióloga, Lisboa), Marco Marques (Precários Inflexíveis, Lisboa), Almerinda Bento (professora, Amora), Manuel Zebral (desempregado, Galiza), Dora Fonseca (Universidade, Porto), Maria da Conceição Sousa (enfermeiro, C. Branco), António Pedro Dores (universidade, Lisboa), Assunção Bacanhim (sindicalista, Funchal), Manuel Martins (CT Autoeuropa, Palmela), Bruno Semeano (CT Faurécia, Palmela), Deolinda Martin (professora, Amadora).
23 de junho de 2011
O (não!) ecologismo dos verdes alemães
Para ler a tradução da notícia de Aerta Van Riel no "Neues Deutschland" basta carregar em "Ler mais"
Um bom começo
Foi com bastante satisfação que olhei para a criação do CENA- Sindicato dos Profissionais do Espectáculo e do Audiovisual, não por ser mais um sindicato, mas por ser o primeiro que nasce de esforços, conversas e debates entre um movimento de precários, um sindicato e uma estrutura formativa. A novidade e o simbolismo deste sindicato é sem dúvida em muito maior que a criação do mesmo, pode ser um bom começo para que movimentos semelhantes se reproduzam ou que as estruturas existentes mudem a sua postura e comecem a encetar esforços sérios para encontrarem formas de integrar a crescente massa de trabalhadores precarizados portugueses que até agora não têm conseguido encontrar forma de integração e representação efectiva nas centrais sindicais existentes.Porque afinal de contas do que se trata é do fortalecimento e aumento de representatividade e combatividade de um sector laboral cada vez mais significativo e profundamente desprotegido.
Mais informações sobre este interessante processo, bem como a ficha de pré-inscrição, podem ser encontradas aqui: http://intermitentes.org/?p=438





