Zizek não tem as respostas, aliás, quando as tem, arriscam-se muito a atirar-nos para o falhanço. Combateu tanto tempo a não-universalidade das resistências de certa esquerda, que não compreende o que significa na luta socialista concreta, em tempos graves como o nosso, a necessidade da defesa de importantes posições conquistadas. Embora diga "É a economia política, estúpido" e tenha denunciado a "pós política" gestionária entre liberais e conservadores, escusa-se frequentemente à leitura materialista e, quando tenta fazer filosofia política, esta leva-nos para maus caminhos, para um voluntarismo em que é ténue a linha para a violência de pequenos grupos sem apoio de massas. Apesar disso, é um ótimo e útil crítico da ideologia. E é isso que vos convido a apreciar:
Video "Slavoj Zizek en Occupy Wall Street". Texto roubado ao Esquerda.net
Tom Ackerman: Começamos por perguntar-lhe sobre os violentos tumultos do Verão, em Londres. Aqueles manifestantes tinham uma agenda política?
Zizek: Os manifestantes na rua, o modo como agiram na rua, e falei com manifestantes na rua... Não havia reivindicações, eles não eram sequer capazes de formular reivindicações. Foi pura violência. Não formularam uma ‘causa’, chame como quiser, “somos comunistas utópicos”, ou “somos religiosos”... A única agenda, ali, era pura violência, nas ruas, a agenda era imitar o consumismo. É muito triste...
TA: E aqui nos EUA? Você esteve lá. Viu alguma posição ideológica coerente?
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9 de novembro de 2011
22 de maio de 2011
Zizek e o "fazer qualquer coisa"
Luís Fazenda escreve (a pag.s 39-45 de A Comuna nr. 25) sobre Slavoj Zizek, nomeadamente analizando criticamente o livro Da tragédia à Farsa:"Slavoj Zizek é um pensador a reter, hábil no modo como desconstrói a ideologia dominante através da exposição crua dos seus lugares-comuns culturais, eficaz quando utiliza a razão lógica para pôr em cheque muitos dos absurdos que são tomados por racionais na ordem mediática.
(...)
"Zizek deixou de lado da análise marxista tudo o que releva da economia: a exploração capitalista da força de trabalho, a anarquia do mercado, o processo de centralização da propriedade de meios de produção e troca, o imperialismo como guarda da posição dominante de mercado. A produção do ambiente, a privatização da propriedade intelectual, a alienação do controlo biológico, alguns dos expoentes do capitalismo dos dias de hoje, e expressão da selva na civitas, não são outra coisa que o desenvolvimento do lucro privado sobre o trabalho social acumulado.
(...)
"Zizek até reconhece como foi funesto para o "socialismo realmente existente" ter ignorado a democracia. Não fixa, porém, sobre isso qualquer necessidade própria, nem indicação teórica, para o papel da democracia no combate ao capitalismo, nem garantias sobre a soberania popular que o socialismo há-de ter.
(...)
"É, de facto, preciso trazer novas "luzes" ao pensamento revolucionário para actualizar o marxismo, quer com as metamorfoses do capitalismo, quer com a correcção dos erros do socialismo que o deixaram a perder. (...) Zizek "não sabe o que devemos fazer", sublinha-se a honestidade do conteúdo. Mas antes de fazer qualquer coisa, caro leitor pense e pense com os sujeitos colectivos da luta de classes."
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