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28 de outubro de 2010

Orçamento modelo T


As agências de comunicação ao serviço do PS e do PSD, vulgo comunicação social vieram contaminar todo o debate sobre o orçamento de Estado.

Desde o início que há uma ideia abertamente transmitida: Ou há este orçamento PS com ou sem voto favorável do PSD, ou o orçamento será gerido por duodécimos.
Propositadamente ou não, a discussão ainda não incidiu sobre que propostas apresentam os outros partidos, inclusivé o PSD poderia apresentar um orçamento diferente e não apenas umas alterações que o mais significativo que têm é o seu cheiro eleitoralista.

Chegados aqui podemos partir para outra questão: as agências de comunicação, vulgo comunicação social, notíciam de megafone na mão que este orçamento é apenas para acalmar os mercados, aliás tal como todo o governo e opinion-makers do establishment afirmam "ter" de ser...

Mas então quando os mercados perceberem que o orçamento é uma leviana maquilhada de senhora séria será que vão acalmar?
Não seria melhor ter um orçamento sério em vez de um que pareça sério?

Entretanto os mais pessimistas que fiquem descansados, a senhora Merkel já tem um orçamento para nós feito á medida dos seus interesses e preocupações.

"Portugal pode ter o orçamento que quiser, desde que seja neo-liberal."



*parabéns ao José Vitor Malheiros por ser um dos verdadeiros jornalistas que resistem.
Para quem ainda não leu recomendo o seu artigo sobre a comunicação social.

20 de outubro de 2010

Ninguém morre sozinho

É por isso que tenho dito que não há alternativa à aprovação do Orçamento. Os protestos da esquerda radical resultam simpáticos para os que têm de apertar muito o cinto e se sentem injustiçados. Mas não passam disso. Se, por hipótese absurda, chegassem ao poder, por voto dos portugueses, a única alternativa diferente da actual seria voltarmos ao "orgulhosamente sós" de Salazar - num contexto internacional muito mais difícil - ou a um modelo económico tipo cubano, que hoje todos reconhecem ser de partido único e de miséria extrema.

Não quero com isto dizer - como os leitores já perceberam - que concorde com as receitas economicistas para ultrapassar a crise recomendadas pelo Banco Central Europeu, que, a meu ver - e não sou economista - nos vão conduzir à recessão e à decadência, não só a nós mas à União, se não mesmo à sua desintegração. Quero só dizer que o nosso combate tem de ser feito no quadro europeu, partidário e sindical, e não no plano nacional, que, como tentei explicar acima, só nos pode conduzir a uma situação pior do que aquela em que estamos.


Realmente, o modelo europeu, económico e financeiro neoliberal, ainda em voga, só pode levar-nos a um desastre, a nós todos, europeus

Mário Soares,Diário de Notícias,19 de Outubro de 2010

opção A - o Bloco de Esquerda tem propostas que Soares displicentemente e de modo desonesto se recusa a analisar e qualifica como um orgulhosamente sós.
opção B - o modelo cubano (será o PCP?)
opção C - o modelo neo-liberal que nos leva à ruina

Soares escolheu a resposta "C".
Há quem diga que foi já há muito tempo que ele fez esta escolha
Parece que a idade ao avançar traz com ela o medo da solidão, assim sendo mais vale morrer acompanhado que viver sozinho.
Reparem que Soares revela uma ideologia profundamente suicidiária na sua escolha: ele está consciente que a opção que escolheu nos leva à degradação e desgraça e outros apocalipses, no entanto considera essa a melhor opção.
O pensamento de Soares revela muito do futuro do PS:
Depois deste orçamento, depois deste Sócrates, depois deste Partido "Socialista", só daqui a 500 anos os portugueses vão querer voltar a ouvir falar do que é isso do socialismo.

A Direita agradece.