26 de janeiro de 2011

Imigrantes em greve da fome na Grécia


Cerca de três centenas de migrantes, homens e mulheres, iniciaram terça-feira uma greve de fome na Universidade de Direito de Atenas reivindicando um estatuto de asilo.

Os imigrantes, na sua maior parte oriundos do Norte de África, são protagonistas da maior mobilização deste tipo jamais realizada na Grécia depois de uma greve da fome nas prisões realizada há alguns anos.

Num apelo tornado público, os imigrantes explicam que a sua situação se deve a circunstâncias de pobreza, ditaduras e falta de apoio dos países ocidentais que os faziam viver em condições infra-humanas. “As empresas multinacionais e os seus servidores políticos não nos deram outra alternativa que não seja arriscar dez vezes as nossas vidas para conseguirmos chegar às portas da Europa. Vivemos sem dignidade, na escuridão da ilegalidade beneficiando empregadores e serviços estatais com a dura exploração do nosso trabalho. Vivemos do nosso suor e com o sonho de um dia ter os mesmos direitos que os nossos companheiros trabalhadores gregos”, declararam os imigrantes.

Durante os últimos meses, iranianos, afegãos e palestinianos que solicitam estatuto de refugiados estabeleceram acampamentos separados no exterior dos edifícios de duas universidades gregas desenvolvendo acções para informar a opinião pública sobre a sua situação. A polícia está proibida de penetrar em instalações universitárias a não ser com autorizações especiais.

De acordo com os imigrantes agora em greve da fome, nos últimos dias a sua vida tornou-se ainda mais insustentável. “Como os salários e as pensões estão a ser cortados e tudo está a ficar mais caro somos apresentados como os culpados, os responsáveis pela dura e abjecta exploração dos trabalhadores gregos e dos pequenos empresários”.

A propaganda dos partidos racistas e fascistas tornou-se agora o discurso oficial para as questões da migração através das propostas que estão a ser discutidas no Parlamento e apresentadas pelo governo como soluções para garantir uma "solução temporária". É o caso do muro de Evros, de centros flutuantes de detenção, da presença de tropas europeias no Egeu e de deportações em massa. As organizações de direitos humanos têm criticado repetidamente a Grécia por não prestar apoio às pessoas que fogem dos conflitos em África, no Médio Oriente e do subcontinente indiano. A Grécia tem agora cerca de 47 mil pedidos de asilo, alguns dos quais esperam deferimento já há oito anos. A maioria destes migrantes são mantidos durante meses em centros de detenção superlotados e celas de prisões até serem libertados recebendo ordens administrativas para sair do país.

Assinaturas de solidariedade são recolhidas em ypografes.allilegyia@gmail.com Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar (com nome e actividade).

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