27 de abril de 2011

Heterónimos de Boaventura

(é para onde dá o vento...)

Boaventura Sousa Santos prossegue o seu périplo por todos os posicionamentos que a sua imaginação permite relativamente à crise e à sua solução. À segunda, apela à revolta popular contra o FMI, à terça, abençoa um casamento entre Sócrates-Passos, à quarta, a Islândia é que dá o sinal mas a intervenção externa é coisa boa. Não me levem a mal, a esquerda quer-se grande e plural... Mas com cabeça.

frase do dia

aqui

Quem governa?




Depois da França, agora foi a vez de Portugal declarar apoio ao italiano Draghi para suceder a Trichet à frente do BCE

Draghi, de 63 anos, economista, trabalhou no Banco Mundial e no Goldman Sachs, sendo actualmente governador do Banco de Itália.


A Goldman Sachs prepara-se para colocar mais um dos seus homens de mão desta vez no BCE. Portugal apoia.

Receitas para a crise

Está para nascer o político que faça umas farófias melhores que as minhas.


26 de abril de 2011

Troikámos-lhes as voltas.



A inteligência é uma arma.
O MayDay Lisboa realizou hoje mais uma acção de protesto contra o FMI, encenando uma reunião que não existiu, com um FMI que não existe.


Aproveitando o furor mediático gerado à volta da troika composta por representantes do FMI, BCE e CE, o MayDay Lisboa divulgou a sua presença junto ao FMI e rapidamente a palavra passou de boca em boca até acabar nas bocas do mundo. O comunicado apresentado pelos representantes do MayDay à imprensa após a hipotética “reunião” remete para uma troika hipotética, em alternativa àquela que está a projectar a destruição da vida e do trabalho dos trabalhadores e da maioria das pessoas. O vídeo que se segue apresenta as declarações dos representantes do MayDay após a encenação.


A posição do MayDay Lisboa perante o FMI é inequívoca e bradada aos 4 ventos: FMI Fora Daqui! Após as duas acções anteriores (pintura de um mural na Av. Infante D. Henrique e expulsão do FMI no aeroporto), o MayDay decidiu empreender uma encenação satírica contra a troika.

O FMI e a troika não se encontram em Portugal para negociar com quem quer que seja, e menos ainda com as pessoas que mais sofrem com as medidas de austeridade selectiva que pretendem impôr e acentuar. As negociações com o FMI são um logro destinado a criar uma aparência de flexibilidade negocial, quando esta entidade vem impor uma agenda ultraliberal de uma economia de exploração, desigualdade e terceira-mundização. Se os exemplos da África Subsahariana e da América Latina não nos chegam para nos apercebermos dos resultados da política do FMI, a Grécia e a Irlanda são retratos vívidos da miséria que o “salvamento” traria.
O MayDay Lisboa recusa esta falsa “inevitabilidade” e apela a todas as pessoas que querem uma vida com direitos e esperança a estarem presentes no 1º de Maio, Dia de todos os Trabalhadores, na manifestação dos trabalhadores precários e todas as pessoas que estejam contra a exploração e a precariedade.

O MayDay reunir-se-á às 13h do dia 1 de Maio no Largo de Camões,em Lisboa e na Praça dos Poveiros, no Porto, juntando-se de seguida à manifestação da CGTP.


Suspendam as bombas, não Schengen!





Brincar com leis europeias

A França tem sido um país preferencial para os cidadãos da Tunísia e da Líbia que estão em fuga dos seus países, um deles a ser bombardeado, precisamente por aviões franceses. A França, num mandato da NATO em conjunto com o Reino Unido, Canadá e agora também os EUA, está a "ajudar os rebeldes" a combater as forças leais a Kadhafi, enviando "conselheiros militares" e bombardeando as posições do regime e não só. Mergulhados num inferno bélico, os cidadãos líbios buscam auxílio dos países europeus para fugir da guerra e começar uma vida nova, em paz.

A resposta da França é negativa e de uma xenofobia inaceitável. Depois de ter bloqueado a entrada de comboios com imigrantes magrebinos vindos de Itália, a proposta vinda do Eliseu é a suspensão do Acordo de Schengen, que garante a liberdade de movimento dentro do espaço europeu. Assim, a França dá o sinal aos imigrantes que a "ajuda" que quer dar só toma forma em bombas, recusando a hospitalidade a refugiados da guerra que estão a liderar.

Depois do caso da expulsão de cidadãos ciganos, a França volta a mostrar o que defende para a Europa: fechamento, discriminação, hipocrisia, xenofobia.

As agências financeiras ao serviço da máfia financeira internacional

Saiu há dias na imprensa económica uma notícia que passou ao lado de muita gente, e que não teve repercussão em outros meios de comunicação: A Capital Group, uma das empresas mais influentes no mercado financeiro, é a principal accionista da agência de rating Standard & Poor's e detém cerca de 11% da Moody's. Até aqui, concordando ou não com a sua actividade, é apenas uma empresa com uma posição importante nas agências de rating.

O problema é que uma das empresas do grupo, a Capital World Investors, detém milhões de euros em dívida soberana, nomeadamente cerca de 370 milhões de euros em dívida de Portugal, da Irlanda, Grécia e Espanha.

O óbvio conflito de interesses permite-nos, ainda sem auditoria à dívida, desconstruir a estratégia destas empresas que ganham milhões brincando com a vida das pessoas destes países através dos ratings, só para aumentar o seu lucro no casino que são os mercados financeiros, transferindo quantidades absurdas de valor do Trabalho para o Capital.

Ou seja, depois da crise do imobiliário criada pelo rating propositadamente erróneo de pacotes de dívida, o que o centro do capitalismo financeiro improdutivo decide fazer, é voltar a passar por cima de qualquer tipo de regulação de mercado e brindar-nos com a sua "opinião" sobre a capacidade de pagamento da dívida soberana, manipulando os "mercados nervosos" em seu proveito, destruindo economias nacionais e arrasando-as com a recessão, com o seu braço interventivo: a Troika FMI-UE-BCE. E com a máfia, não se negoceia.

Publicado em Esquerda.net

PSD já tem programa eleitoral



vídeo nacionalizado ao 31 da Armada

O activista do FMI


Cavaco, “magistrado activo” do salto do Coelho, cúmplice de silêncios e indiscrições “activas” para a entrada do FMI, pediu uma campanha eleitoral “passiva” que não inviabilize “o diálogo e os compromissos de governabilidade [a la FMI]”. Resumindo: toda a “actividade” às troikas invasora (FMI e companhia) e nativa (PS-PSD-CDS), toda a “passividade” para a democracia.

(também publicado aqui)

Ary



"Muitos Homens eram presos por causa da repressão..."

24 de abril de 2011

Tira-lhe uns aninhos e está no ponto



"Não admitir quaisquer tentativas para fazer pagar às classes trabalhadoras a crise económica capitalista. A crise terá de ser combatida através de um política que assegure o aumento da produção dos bens essenciais, a descida dos seus preços ao consumidor, o combate ao desemprego pelo aumento dos postos de trabalho e a libertação da dependência face às potências imperialistas."


Bases para o programa da candidatura de Otelo (Junho de 1976)

23 de abril de 2011

se na rua um sr da troika te oferecer um doce não aceites (é venenoso)!

É ver as noticias para perceber as consequências das políticas de austeridade.
Na Grécia, além da crise social que estas medidas criaram, o défice não melhorou, a divida aumenta a cada dia que passa assim como o desemprego. O prometido crescimento, nem vê-lo.
a reestruturação da divida é a única opção para os gregos, mas a comissão europeia e o fmi continuam a rejeitar essa possibilidade.

Até que provem o contrário a situação dos Irlandeses não é melhor. Têm a vantagem de não ter precisado de ir ao mercado para se financiar no curto prazo, como a Grécia, mas de resto já começamos a ver o o rasto da austeridade. as condições do empréstimo à Irlanda não são suportáveis, como se viu, tal como as impostas à Grécia e em breve a Portugal.

As políticas da Comissão Europeia, apoiada pelo FMI, já foram implementadas em 2 países, em momentos não coincidentes, mas com resultados semelhantes. O que nos faz pensar... mas eles não aprenderam nada?!

Com austeridade não há crescimento.

Sem crescimento não é possivel pagar a dívida, muito menos os juros especulativos dos mercados ou um bocado menos especulativos do FEEF/FMI.

Sem pagar a divida as hipóteses são:

1) reestruturar (renegociar prazos e juros, auditar a divida para saber o que deve ser pago e o que é pura especulação)
2) simplesmente não pagar(com as consequências que isso acarreta);
3) ficar dependente de empréstimos do FEEF/FMI contra mais medidas de austeridade que impedem o crescimento e o pagamento de divida futura.

A escolha da troika de lá (BCE/FMI/CE) e da troika de cá (PS/PSD/CDS) é, inevitavelmente, o numero 3. Façam a vossa.


Parabéns! AnaBárbara,



todos os filmes, todos os frames, cada letra precisam de pessoas fantásticas como a tu para mudar o futuro.

22 de abril de 2011

Manifesto dos 74 nascidos depois de 74

O Inevitável é Inviável

Somos cidadãos e cidadãs nascidos depois do 25 de Abril de 1974. Crescemos com a consciência de que as conquistas democráticas e os mais básicos direitos de cidadania são filhos directos desse momento histórico. Soubemos resistir ao derrotismo cínico, mesmo quando os factos pareciam querer lutar contra nós: quando o então primeiro-ministro Cavaco Silva recusava uma pensão ao capitão de Abril, Salgueiro Maia, e a concedia a torturadores da PIDE/DGS; quando um governo decidia comemorar Abril como uma «evolução», colocando o «R» no caixote de lixo da História; quando víamos figuras políticas e militares tomar a revolução do 25 de Abril como um património seu. Soubemos permanecer alinhados com a sabedoria da esperança, porque sem ela a democracia não tem alma nem futuro.

O momento crítico que o país atravessa tem vindo a ser aproveitado para promover uma erosão preocupante da herança material e simbólica construída em torno do 25 de Abril. Não o afirmamos por saudosismo bacoco ou por populismo de circunstância. Se não é de agora o ataque a algumas conquistas que fizeram de nós um país mais justo, mais livre e menos desigual, a ofensiva que se prepara – com a cobertura do Fundo Monetário Internacional e a acção diligente do «grande centro» ideológico – pode significar um retrocesso sério, inédito e porventura irreversível. Entendemos, por isso, que é altura de erguermos a nossa voz. Amanhã pode ser tarde.

O primeiro eixo dessa ofensiva ocorre no campo do trabalho. A regressão dos direitos laborais tem caminhado a par com uma crescente precarização que invade todos os planos da vida: o emprego e o rendimento são incertos, tal como incerto se torna o local onde se reside, a possibilidade de constituir família, o futuro profissional. Como o sabem todos aqueles e aquelas que experienciam esta situação, a precariedade não rima com liberdade. Esta só existe se estiverem garantidas perspectivas mínimas de segurança laboral, um rendimento adequado, habitação condigna e a possibilidade de se acederem a dispositivos culturais e educativos. O desemprego, os falsos recibos verdes, o uso continuado e abusivo de contratos a prazo e as empresas de trabalho temporário são hoje as faces deste tempo em que o trabalho sem direitos se tornou a norma. Recentes declarações de agentes políticos e económicos já mostraram que a redução dos direitos e a retracção salarial é a rota pretendida. Em sentido inverso, estamos dispostos a lutar por um novo pacto social que trave este regresso a vínculos laborais típicos do século XIX.

O segundo eixo dessa ofensiva centra-se no enfraquecimento e desmantelamento do Estado social. A saúde e a educação são as duas grandes fatias do bolo público que o apetite privado busca capturar. Infelizmente, algum caminho já foi trilhado, ainda que na penumbra. Sabemos que não há igualdade de oportunidades sem uma rede pública estruturada e acessível de saúde e educação. Estamos convencidos de que não há democracia sem igualdade de oportunidades. Preocupa-nos, por isso, o desinvestimento no SNS, a inexistência de uma rede de creches acessível, os problemas que enfrenta a escola pública e as desistências de frequência do ensino superior por motivos económicos. Num país com fortes bolsas de pobreza e com endémicas desigualdades, corroer direitos sociais constitucionalmente consagrados é perverter a nossa coluna vertebral democrática, e o caldo perfeito para o populismo xenófobo. Com isso, não podemos pactuar. No nosso ponto de vista, esta é a linha de fronteira que separa uma sociedade preocupada com o equilíbrio e a justiça e uma sociedade baseada numa diferença substantiva entre as elites e a restante população.

Por fim, o terceiro e mais inquietante eixo desta ofensiva anti-Abril assenta na imposição de uma ideia de inevitabilidade que transforma a política mais numa ratificação de escolhas já feitas do que numa disputa real em torno de projectos diferenciados. Este discurso ganhou terreno nos últimos tempos, acentuou-se bastante nas últimas semanas e tenderá a piorar com a transformação do país num protectorado do FMI. Um novo vocabulário instala-se, transformando em «credores» aqueles que lucram com a dívida, em «resgate financeiro» a imposição ainda mais acentuada de políticas de austeridade e em «consenso alargado» a vontade de ditar a priori as soluções governativas. Esta maquilhagem da língua ocupa de tal forma o terreno mediático que a própria capacidade de pensar e enunciar alternativas se encontra ofuscada. Por isso dizemos: queremos contribuir para melhorar o país, mas recusamos ser parte de uma engrenagem de destruição de direitos e de erosão da esperança. Se nos roubarem Abril, dar-vos-emos Maio!

Alexandre de Sousa Carvalho – Relações Internacionais, investigador; Alexandre Isaac – antropólogo, dirigente associativo; Alfredo Campos – sociólogo, bolseiro de investigação; Ana Fernandes Ngom – animadora sociocultural; André Avelãs – artista; André Rosado Janeco – bolseiro de doutoramento; António Cambreiro – estudante; Artur Moniz Carreiro – desempregado; Bruno Cabral – realizador; Bruno Rocha – administrativo; Bruno Sena Martins – antropólogo; Carla Silva – médica, sindicalista; Catarina F. Rocha – estudante; Catarina Fernandes – animadora sociocultural, estagiária; Catarina Guerreiro – estudante; Catarina Lobo – estudante; Celina da Piedade – música; Chullage - sociólogo, músico; Cláudia Diogo – livreira; Cláudia Fernandes – desempregada; Cristina Andrade – psicóloga; Daniel Sousa – guitarrista, professor; Duarte Nuno - analista de sistemas; Ester Cortegano – tradutora; Fernando Ramalho – músico; Francisca Bagulho – produtora cultural; Francisco Costa – linguista; Gui Castro Felga – arquitecta; Helena Romão – música, musicóloga; Joana Albuquerque – estudante; Joana Ferreira – lojista; João Labrincha – Relações Internacionais, desempregado; Joana Manuel – actriz; João Pacheco – jornalista; João Ricardo Vasconcelos – politólogo, gestor de projectos; João Rodrigues – economista; José Luís Peixoto – escritor; José Neves – historiador, professor universitário; José Reis Santos – historiador; Lídia Fernandes – desempregada; Lúcia Marques – curadora, crítica de arte; Luís Bernardo – estudante de doutoramento; Maria Veloso – técnica administrativa; Mariana Avelãs – tradutora; Mariana Canotilho – assistente universitária; Mariana Vieira – estudante de doutoramento; Marta Lança – jornalista, editora; Marta Rebelo – jurista, assistente universitária; Miguel Cardina – historiador; Miguel Simplício David – engenheiro civil; Nuno Duarte (Jel) – artista; Nuno Leal – estudante; Nuno Teles – economista; Paula Carvalho – aprendiz de costureira; Paula Gil – Relações Internacionais, estagiária; Pedro Miguel Santos – jornalista; Ricardo Araújo Pereira – humorista; Ricardo Lopes Lindim Ramos – engenheiro civil; Ricardo Noronha – historiador; Ricardo Sequeiros Coelho – bolseiro de investigação; Rita Correia – artesã; Rita Silva – animadora; Salomé Coelho – investigadora em Estudos Feministas, dirigente associativa; Sara Figueiredo Costa – jornalista; Sara Vidal – música; Sérgio Castro – engenheiro informático; Sérgio Pereira – militar; Tiago Augusto Baptista – médico, sindicalista; Tiago Brandão Rodrigues – bioquímico; Tiago Gillot – engenheiro agrónomo, encarregado de armazém; Tiago Ivo Cruz – programador cultural; Tiago Mota Saraiva – arquitecto; Tiago Ribeiro – sociólogo; Úrsula Martins – estudante

20 de abril de 2011

A arte do aldrabanço, por Diogo Leite Campos


Pedro Passos Coelho escolheu reunir à sua volta a pura nata da direita portuguesa, é com ela que se sente verdadeiramente em casa. Paulo Teixeira Pinto para a revisão constitucional, Eduardo Catroga para a economia, Miguel Relvas para secretário geral do PSD e por aí vai a lista da reacção, deixando o seu lastro de mofo e mediocridade.

Mas ter amigos destes tem os seus riscos. Diogo Leite Campos, escolhido a dedo para vice do PSD, é jurista, direitoso e conservador, além de ex-administrador do Banco de Portugal e da CMVM. Preenche o perfil de Passos. Esta semana pudemos ver e ouvir o contributo de Diogo Leite Campos para os problemas do país: controlar os "aldrabões" que "andam a mamar do Estado" com a criação de um cartão de controle dos gastos para quem recebe apoios sociais.

Passos correu a desmentir aquilo que todos nós ouvimos (e podem ouvir novamente no vídeo que o Francisco postou abaixo, a frase "privilegiados que andam a mamar do Estado" repete-se, quase por milagre, a cada repetição do vídeo). Mas já é tarde.

É certo que Diogo Leite Campos tem uma certa coerência. Para quê aldrabar o Estado português quando podemos aldrabar, por exemplo, os cidadãos angolanos?

O vice do PSD dá o exemplo. Basta usar o seu escritório de advogados como sede para uma empresa testa-de-ferro (a Edimo), cuja participação no banco BIG é usada para limpar a imagem do Presidente da Sonangol, Manuel Vicente. E essa é só parte da história que o Público nos contou em Maio de 2010.

O aldrabanço é, de facto, uma arte para poucos.




está decidido: é mandar o alegre, o nobre, o lopes, o coelho e o cavaco às urtigas e votar na gui nas próximas eleições