Há menos de 5 dias, uma notícia indignou alguns dos comentadores de uma nota * de Tiago Mota Saraiva. Esta notícia: Tsipras and SYRIZA Eye 50-Seats Bonus as “Single Party”.
A lei eleitoral que dá um bónus de 50 deputados ao partido (nunca a uma coligação) mais votado foi feita à medida do PASOK e da ND. Era uma lei para os partidos do centrão. Naquela estrutura partidária e com aquela lei à medida, a esquerda, mesmo que se juntasse toda, não tinha acesso a este privilégio de poder. Um privilégio apenas reservado aos partidos (dos) dominantes.
Pessoalmente e até dadas as circunstâncias parece-me bem que a coligação SYRIZA assuma a forma legal de partido para ter acesso ao malfadado bónus. Isso pode até, por motivos colaterais, favorecer o futuro dessa força de esquerda, unificando-a num partido plural; embora não seja esse o debate agora.
A SYRIZA defende o fim do privilégio dos 50 deputados. Porém, na acesa luta em que estamos, seria responsável condenar a esquerda a, se ganhasse por poco, ter apenas mais 1 ou 2 deputados que o segundo; se ficasse em segundo (com a mesma diferença), ter automaticamente menos 51 ou 52 deputados? Era lutar sempre em desvantagem.
Quem está numa luta destas tem de combater com as armas deste sistema eleitoral, nunca perdendo os princípios estratégicos, mas não querendo impor-se a si as regras eleitorais de uma democracia mais radical que infelizmente estão ainda por implementar.
Eu defendo um sistema mais proporcional, mas julgo que o meu partido não deveria recusar nenhum deputado ou deputada que por via do método de hondt lhe fosse atribuído para além do número que "devia ser" num método mais proporcional.
As regras eleitorais são as que estão em vigor, a SYRIZA não tem de se condenar a ser lixada por uma regra criada para lixar as forças fora do centrão.
E faço votos para que a SYRIZA se desenvolva um grande partido plural.
* Lamento o já corrigidoo lapso, interpretei mal o artigo inicialmente. Pois os comentários são críticos en não a nota.
26 de maio de 2012
25 de maio de 2012
política de classe
O documento de estratégia orçamental que PSD e CDS aprovaram com a
violenta abstenção do PS explica-se facilmente em curtos segundos:
congelamento das pensões e dos salários por 5 anos. Uma pensão de 600€
perderá 100€ e o fator Trabalho um total de 10 mil milhões de euros.
(O BPN custou 8 mil milhões de euros não foi?)
Pela vitória da Grécia contra a chantagem
Nas eleições do início de Maio, o povo grego rejeitou a política da troika. Desde então, o governo da Alemanha, a Comissão Europeia e o FMI ameaçam a Grécia com a expulsão do euro ou da União. Esta chantagem procura evitar que, no próximo 17 de Junho, vença um governo da esquerda contra a troika.
A vitória de um governo unitário de esquerda é decisiva para a Grécia, mas abre também caminhos para rejeitar o dogma da austeridade e a tirania da dívida na Europa.
Apelamos à solidariedade internacional com a democracia na Grécia. Apoiamos a coligação Syriza na luta por um governo que enfrente a catástrofe social e a bancarrota.
Apoiamos a esquerda grega contra a troika porque também é necessário que a esquerda portuguesa construa caminhos de coerência e alternativas corajosas, fale sem meias palavras e conquiste a maioria.
Subscritores/subscritoras
Assina AQUI
A vitória de um governo unitário de esquerda é decisiva para a Grécia, mas abre também caminhos para rejeitar o dogma da austeridade e a tirania da dívida na Europa.
Apelamos à solidariedade internacional com a democracia na Grécia. Apoiamos a coligação Syriza na luta por um governo que enfrente a catástrofe social e a bancarrota.
Apoiamos a esquerda grega contra a troika porque também é necessário que a esquerda portuguesa construa caminhos de coerência e alternativas corajosas, fale sem meias palavras e conquiste a maioria.
Subscritores/subscritoras
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24 de maio de 2012
Espero ver-me grego
Última sondagem grega:
Syriza 30%,
Nova Democracia 26%,
PASOK (PS) 15%,
Gregos independentes 7%
Esquerda democrática7%
KKE (PCG) 5%
Nazis 4,5%.
Tradução de Filipa Gonçalves
Syriza 30%,
Nova Democracia 26%,
PASOK (PS) 15%,
Gregos independentes 7%
Esquerda democrática7%
KKE (PCG) 5%
Nazis 4,5%.
Tradução de Filipa Gonçalves
Para lá da política da Troika não há verdes europeus
19 de maio de 2012
Apoiar a Syriza, defender a Europa e a democracia
"Não queremos uma catástrofe total na zona euro e na Europa. Ao mesmo tempo, não
queremos regressar ao dracma. Porque teremos, na Grécia, os pobres a terem
dracmas e os ricos a comprarem tudo com euros"
Alexis Tsipras, líder da Syriza
As democracias europeias estão em perigo, sequestradas pela política de empobrecimento e pela intervenção externa ou, pelo menos, a ameaça dela - "a lógica do "para não chamar o FMI".
A Grécia é o espelho dessa destruição levada a cabo pela Troika e os governos colaboracionistas. E quando a SYRIZA emerge uma força política capaz de defender a democracia e o desenvolvimento, todas as forças capitalistas se mobilizam contra.
FMI, BCE, agência Ficht, imprensa internacional, vários poderes se movem para deter a vontade popular e impedir a eventual vitória da SYRIZA nas eleições de 17 de junho. Mobilizam todas as mentiras e todas as chantagens.
Esta força europeista de esquerda propõe um rumo para uma europa de desenvolvimento coletivo, uma Europa solidária e próspera. Todos os povos da Europa se devia unir a esta proposta de futuro e de progresso.
No campo oposto, as atuais lideranças europeias estão a empurrar a Europa para o fundo. A austeridade está a sofocar os povos europeus. Estará a Alemanha preparada para as consequências da destruição do mercado interno? E os outros países?
Vamos deixar que nos roubem as nossas democracias? As democracias com direitos sociais e laborais foram um avanço histórico e uma esperança para o mundo. Matá-las é matar a esperança.
Alexis Tsipras, líder da Syriza
As democracias europeias estão em perigo, sequestradas pela política de empobrecimento e pela intervenção externa ou, pelo menos, a ameaça dela - "a lógica do "para não chamar o FMI".
A Grécia é o espelho dessa destruição levada a cabo pela Troika e os governos colaboracionistas. E quando a SYRIZA emerge uma força política capaz de defender a democracia e o desenvolvimento, todas as forças capitalistas se mobilizam contra.
FMI, BCE, agência Ficht, imprensa internacional, vários poderes se movem para deter a vontade popular e impedir a eventual vitória da SYRIZA nas eleições de 17 de junho. Mobilizam todas as mentiras e todas as chantagens.
Esta força europeista de esquerda propõe um rumo para uma europa de desenvolvimento coletivo, uma Europa solidária e próspera. Todos os povos da Europa se devia unir a esta proposta de futuro e de progresso.
No campo oposto, as atuais lideranças europeias estão a empurrar a Europa para o fundo. A austeridade está a sofocar os povos europeus. Estará a Alemanha preparada para as consequências da destruição do mercado interno? E os outros países?
Vamos deixar que nos roubem as nossas democracias? As democracias com direitos sociais e laborais foram um avanço histórico e uma esperança para o mundo. Matá-las é matar a esperança.
12 de maio de 2012
Catastroika (legendas em português)
O novo documentário da equipa responsável por Dividocracia chama-se Castastroika e faz um relato avassalador sobre o impacte da privatização massiva de bens públicos e sobre toda a ideologia neoliberal que está por detrás. Catastroika denuncia exemplos concretos na Rússia, Chile, Inglaterra, França, Estados Unidos e, obviamente, na Grécia, em sectores como os transportes, a água ou a energia. Produzido através de contribuições do público, conta com o testemunho de nomes como Slavoj Žižek, Naomi Klein, Luis Sepúlveda, Ken Loach, Dean Baker e Aditya Chakrabortyy.
De forma deliberada e com uma motivação ideológica clara, os governos daqueles países estrangulam ou estrangularam serviços públicos fundamentais, elegendo os funcionários públicos como bodes expiatórios, para apresentarem, em seguida, a privatização como solução óbvia e inevitável. Sacrifica-se a qualidade, a segurança e a sustentabilidade, provocando, invariavelmente, uma deterioração generalizada da qualidade de vida dos cidadãos.
As consequências mais devastadores registam-se nos países obrigados, por credores e instituições internacionais (como a Troika), a proceder a privatizações massivas, como contrapartida dos planos de «resgate». Catastroika evidencia, por exemplo, que o endividamento consiste numa estratégia para suspender a democracia e implementar medidas que nunca nenhum regime democrático ousou sequer propor antes de serem testadas nas ditaduras do Chile e da Turquia. O objectivo é a transferência para mãos privadas da riqueza gerada, ao longo dos tempos, pelos cidadãos. Nada disto seria possível, num país democrático, sem a implementação de medidas de austeridade que deixem a economia refém dos mecanismos da especulação e da chantagem — o que implica, como se está a ver na Grécia, o total aniquilamento das estruturas basilares da sociedade, nomeadamente as que garantem a sustentabilidade, a coesão social e níveis de vida condignos.
Se a Grécia é o melhor exemplo da relação entre a dividocracia e a catastroika, ela é também, nestes dias, a prova de que as pessoas não abdicaram da responsabilidade de exigir um futuro. Cá e lá, é importante saber o que está em jogo — e Catastroika rompe com o discurso hegemónico omnipresente nos media convencionais, tornando bem claro que o desafio que temos pela frente é optar entre a luta ou a barbárie.
11 de maio de 2012
Cenas do socialismo real!
Consta que este complexo de luxo na Samba (município de Luanda) pertence à família de José Eduardo dos Santos. Dizem até que se fizermos zoom é possível ver o Miguel Relvas a banhar-se nas águas cálidas da piscina, sorridente como sempre, a alçar os olhos na lonjura das favelas que o rodeiam.
Mais 2 anos de ditadura na grécia
A Esquerda Democrática, aquando da sua formação, foi elogiada e namorada por diversos sectores em toda a Europa (é escusado gastar muita tinta para enumerar os entusiastas portugueses) que diziam não se rever no radicalismo dos restantes partidos de esquerda e na passividade da social-democracia tradicional.
Hoje, veio-se confirmar o pior. A Esquerda Democrática aceitou fazer parte de um governo de coligação com o PASOK e a Nova Democracia. Enterrando durante mais uns anos a democracia e a vontade popular anti-troika expressa nas eleições.
Certamente que hoje a Merkel acordou bem mais bem-disposta, que nos últimos dias.
10 de maio de 2012
(ups, enganei-me na história)
Folheei, li uns soltos. Voltei ao início
e li de um golpe. Poemas de amor e de dor, íntimos, histórias que
se imaginam por trás das linhas que as denunciam. Uma escrita
simples, sem artifícios, o verso branco é senhor absoluto. E também
poemas de carácter social. A injustiça, a vontade de mudar o mundo
ainda que tantos que desejaram “Quando eu for grande...” o não
tenham cumprido. Escrever assim entre os 15 e os 16 anos é uma promessa, uma esperança. Não só pela escrita, mas pela pessoa que a escrita revela.
Tens oportunidade de conhecer este
livro de poesia:
Tudo está bem quando acaba bem. (ups,
enganei-me na história) (Inês Ferreira, Corpos Editora, 2012) na apresentação que terá lugar em Lisboa, no Domingo, 20 de Maio de 2012, 15h
Livraria Círculo das Letras - Rua
Augusto Gil, 15 B, Lisboa
comentários de:
comentários de:
Ricardo Cabaça,
Helena Pinto,
leitura de poemas por Daniela Rosado,
actriz, musicados por Gonçalo do Carmo.
7 de maio de 2012
Resultados eleitorais na Grécia
18,85% Nova Democracia. (direita) foi o partido mais votado, apesar da perda de votos. E embora seja um número muito superior ao que seria correspondente aos votos obtidos, a ND terá 108 lugares no parlamento, uma vez que estes incluem 50 atribuídos automaticamente ao partido mais votado.
16,78% Syriza (coligação da esquerda radical)52 lugares, venceu as eleições em onze círculos eleitorais, incluindo a capital Atenas. Líder da coligação afirma "A nossa proposta é a de um governo de esquerda que, com o apoio do povo irá recusar o memorando e pôr fim ao rumo pré-determinado do país para a miséria".
13,18% PASOK (social-democrata) 41 lugares. O líder do PASOK quer fazer parte de um governo com os partidos que apoiam o memorando.
10,6 Gregos Independentes 33 lugares.
8,48% para o KKE (Partido Comunista grego) 26 lugares.
6,97% Aurora Dourada (neonazis) 21 lugares.
6,1 % para a Esquerda Democrática (social-democratas de esquerda, exPASOK) 19 lugares.
Sem eleger ninguém ficaram os Verdes, que obtiveram 2,93%, e extrema-direita LAOS (que participou e depois rompeu com o governo da troika) com 2,9%.
nota: apuramento de votos a 99,8%
16,78% Syriza (coligação da esquerda radical)52 lugares, venceu as eleições em onze círculos eleitorais, incluindo a capital Atenas. Líder da coligação afirma "A nossa proposta é a de um governo de esquerda que, com o apoio do povo irá recusar o memorando e pôr fim ao rumo pré-determinado do país para a miséria".
13,18% PASOK (social-democrata) 41 lugares. O líder do PASOK quer fazer parte de um governo com os partidos que apoiam o memorando.
10,6 Gregos Independentes 33 lugares.
8,48% para o KKE (Partido Comunista grego) 26 lugares.
6,97% Aurora Dourada (neonazis) 21 lugares.
6,1 % para a Esquerda Democrática (social-democratas de esquerda, exPASOK) 19 lugares.
Sem eleger ninguém ficaram os Verdes, que obtiveram 2,93%, e extrema-direita LAOS (que participou e depois rompeu com o governo da troika) com 2,9%.
nota: apuramento de votos a 99,8%
1 de maio de 2012
Mais uma, do ciclo de austeridade...
O povo, precário, perde todos os dias mais um pouco o direito inalienável a um trabalho justo,
com direitos e uma remuneração digna. O governo da troika empenha-se
arduamente na manutenção dessa situação e na tarefa de eliminar, ainda mais, os direitos de Abril - corte nos
subsídios, aumento dos impostos, redução das condições de trabalho, enfim,
aumento do custo de vida em particular, diminuição da qualidade de vida no
geral.
Os Donos de Portugal, entre outros, o Grupo Jerónimo
Martins, como se faz com os bons amigos, dão uma ajudinha, continuando o
percursos da erradicação de direitos, utilizando os seus trabalhadores e as
suas trabalhadoras que se vêm obrigad@s a trabalhar, com vencimentos
deploráveis já agora, no dia internacional do trabalhad@r.
Mas porque uma mão lava a outra e porque não se brinca em serviço, contra qualquer princípio,
o da lei da concorrência inclusivamente, o Grupo JM, neste caso através do Pingo Doce, oferece promoções de 50% de todos os
produtos, exclusivamente para quem for às compras nos seus estabelecimentos no
dia 1 de Maio.
O povo, que entretanto vive com a corda ao pescoço, faz
filas à porta e vão-se matando uns aos outros para conseguir adquirir o mais
possível, a metade do preço, dispondo assim de mais uns trocos, que permitem
sustentar a sobrevivência no resto do mês. Não se apercebendo, contudo, da promoção da corrupção e do alargamento da "barbárie" sobre eles próprios que ironicamente estão a provocar.
Conclusão, a Jerónimo Martins exponencia grandemente a sua
margem de lucro, @s trabalhador@s são humilhad@s e obrigad@s a trabalhar no dia
que representa as suas conquistas e, devido à adesão à grande superfície, tal
não é a campanha, as pessoas fomentam e possibilitam a manutenção da indecente
e vergonhosa falta de respeito por um povo trabalhador. Em jeito de pescadinha de rabo na boca, a manutenção da austeridade e autoridade, vai-se consolidando assim.
É preciso acabar com este ciclo!
Por isso hoje eu, desemprecária, fiz boicote ao Pingo Doce e a todos os outros estabelecimentos comerciais.
Por isso hoje eu, desemprecária, fiz boicote ao Pingo Doce e a todos os outros estabelecimentos comerciais.
Mais desemprego? Não obrigado.
“Teremos de estar preparados para nos próximos dois ou três anos viver com níveis de desemprego a que não estávamos habituados, porque ele não vai baixar imediatamente”, disse Passos Coelho.
Foi esta uma das declarações do Primeiro Ministro no Dia do Trabalhador, enquanto os trabalhadores, os precários e os desempregados desfilam em protesto com as medidas de austeridade temos sua excelência a declarar que o desemprego não vai baixar.
Não serve este homem para estar à frente do país, contudo as pessoas deram um voto de confiança ao PSD e ao seu governo de coligação com o CDS e o que temos agora é a escalada do desemprego e sem fim à vista, a morte lenta de quem não pode pagar as suas contas pois o salário mínimo não chega para cobrir as despesas de quem tem o direito a ter uma vida digna. No dia em que se celebra o trabalhador chegam as notícias dadas pelo próprio chefe do Governo de que o desemprego não vai baixar, juntando-se esta notícia aquela que já arrasta para 2018 a devolução total dos subsídios de férias e de Natal. É em dias como este e com notícias como esta que faz cada vez mais sentido a luta dos trabalhadores.
Que cada vez que sejam anunciadas mais medidas de austeridade se faça um primeiro de Maio. Que se faça a resistência.
Foi esta uma das declarações do Primeiro Ministro no Dia do Trabalhador, enquanto os trabalhadores, os precários e os desempregados desfilam em protesto com as medidas de austeridade temos sua excelência a declarar que o desemprego não vai baixar.
Não serve este homem para estar à frente do país, contudo as pessoas deram um voto de confiança ao PSD e ao seu governo de coligação com o CDS e o que temos agora é a escalada do desemprego e sem fim à vista, a morte lenta de quem não pode pagar as suas contas pois o salário mínimo não chega para cobrir as despesas de quem tem o direito a ter uma vida digna. No dia em que se celebra o trabalhador chegam as notícias dadas pelo próprio chefe do Governo de que o desemprego não vai baixar, juntando-se esta notícia aquela que já arrasta para 2018 a devolução total dos subsídios de férias e de Natal. É em dias como este e com notícias como esta que faz cada vez mais sentido a luta dos trabalhadores.
Que cada vez que sejam anunciadas mais medidas de austeridade se faça um primeiro de Maio. Que se faça a resistência.
30 de abril de 2012
Amores de primavera - Yusef Lateef
Há músicos que quando os ouvimos pela primeira vez percebemos que a relação vai durar bem mais do que uma noite. Esta primavera o meu coração é todo ele deste respeitável Gentle Gigant, Yusef Lateef. Para ouvir sem moderação.
29 de abril de 2012
Ventos Árabes
El caso de Siria es el
más doloroso. Tan legítima y espontánea como la de sus hermanos árabes, su
revolución democrática contra 40 años de dictadura parece amenazar el orden
regional y la paz mundial y resucitar el fantasma de la Guerra Fría. Su insistencia heroica frente a la represión ha activado la
intervención de toda una serie de potencias y subpotencias que tratan de explotar o
anular el movimiento popular sin alterar de manera significativa el
“equilibrio” de las últimas décadas.
27 de abril de 2012
Se gostaste do filme vais adorar o livro
A imagem tem mesmo muita força.
Depois de muitos terem resistido à hora tardia da estreia do documentário do Jorge Costa “Donos
de Portugal”, muitos milhares já o viram na internet. São 48
minutos e 6 segundos em que se expõem os contos proibidos da burguesia
portuguesa e se percebe a teia de interesses que faz de Portugal um país
agrilhoado.
O documentário chegou até à Forbes, que perante estes dois gráficos
disse num impulso de honestidade: "Percebe-se
tudo". A partir daí até o Público já se serviu dos gráficos que
circulam pela internet em alta velocidade. Mas como nesses milhares cabe muita
gente não tardaram a surgir algumas críticas, com a Fernanda Câncio a
queixar-se da sonorização e do Jorge Costa não lhe dar ouvidos (um problema de
comunicação sério) e o Ricardo Lima do Insurgente a queixar-se do tom
panfletário. Até o poderia ser – há panfletos que mudaram o mundo – mas não
precisa. Quem o viu e partilhou logo concordou, “percebe-se tudo”.
---
Recordo aqui um post de Dezembro de 2010 sobre o livro
Os Donos de Portugal: Cem anos de poder económico (1910-2010), escrito por Jorge Costa, Luís Fazenda, Cecília Honório, Francisco Louçã e Fernando Rosas é, além de uma análise lúcida sobre a formação, as estratégias e alguns dos percalços da burguesia portuguesa, um livro necessário.
É daquelas obras que num primeiro folhear rápido nos dá vontade de começar pelo fim, ou seja, pelo último e mais demolidor capítulo, “A recomposição da burguesia (1974-2010)”. O retrato de uma burguesia parasitária e acoitada pelo Estado, alicerçada em incessantes estratagemas e ardis pelo controlo e rentabilização segura do sector financeiro é apresentado de forma bastante clara.
O verdadeiro pavor pelo investimento produtivo de risco presente nesta elite reflecte-se na busca por um poder político amigo, íntimo e prestativo. PSD e PS encontram no BES, BCP e BPN um aconchego seguro para os seus quadros. E o Cavaquismo, claro, aí aparece como a concentração de forças que derrubou os limites políticos para o ataque conjunto aos monopólios e serviços públicos, movimento continuado por Guterres, Barroso e Sócrates.
Quem recuar e se concentrar nos primeiros capítulos poderá perceber que esta é uma elite que se forjou desde há muito, e tem nas suas origens um cruzamento (sexual e matrimonial) das principais famílias: os Champalimaud, Mello, Ulrich, Roquete, Espírito Santo, entre outras.
Não resisto a deixar aqui apenas 3 trajectórias, apresentadas no livro, de homens fortes da burguesia portuguesa:
Álvaro Barreto

1969-1971: Lisnave (Mello), director administrativo
1971-1974: Setenave, administrador-delegado
1974-1978: Lisnave (nacionalizada), administrador-delegado
1978-1979: Ministro da Industria e Tecnologia do Governo Mota Pinto
1979: TAP, presidente
1980-1981: Ministro da Industria e Energia do Governo AD (pelo PSD)
1981: Ministro da Integração Europeia do Governo AD (pelo PSD)
1982-1983: Soporcel, Presidente CA
1983: Ministro do Comércio e Turismo do Governo do Bloco Central (pelo PSD)
1984-1990: Ministro da Agricultura dos Governos do Bloco Central e do PSD
1990-1997: Deputado
1990-2000: Plêiade CA não-executivo
1990-2002: Sonae, conselho consultivo
1990: Soporcel, presidente
1990: Somincor CA não executivo
1990-2007: Grupo Mello: Nutrinveste e Mellol (na Tabaqueira com Philip Morris) CA não-executivo
1990-2007: Portugália, Presidente AG
1990-2007: Tejo Energia, Presidente não-executivo
1990-2000: Cometna AG Presidente
1991-1997: Câmara de Comêrcio Luso-Britânica, Presidente
2002-2004: Deputado
2004-2005: Ministro de Estado da Economia e do Trabalho do Governo do PSD-CDS
2004-2006: Semapa (Queiroz Pereira) CA
2005-2007: Portucel e Soporcel CA
2007: BPP Privado Holding, conselho consultivo
2010: Integra a Comissão de Honra da candidatura de Cavaco Silva às presidenciais de 2011. [acrescento meu]
1978-1979: Ministro da Industria e Tecnologia do Governo Mota Pinto
1979: TAP, presidente
1980-1981: Ministro da Industria e Energia do Governo AD (pelo PSD)
1981: Ministro da Integração Europeia do Governo AD (pelo PSD)
1982-1983: Soporcel, Presidente CA
1983: Ministro do Comércio e Turismo do Governo do Bloco Central (pelo PSD)
1984-1990: Ministro da Agricultura dos Governos do Bloco Central e do PSD
1990-1997: Deputado
1990-2000: Plêiade CA não-executivo
1990-2002: Sonae, conselho consultivo
1990: Soporcel, presidente
1990: Somincor CA não executivo
1990-2007: Grupo Mello: Nutrinveste e Mellol (na Tabaqueira com Philip Morris) CA não-executivo
1990-2007: Portugália, Presidente AG
1990-2007: Tejo Energia, Presidente não-executivo
1990-2000: Cometna AG Presidente
1991-1997: Câmara de Comêrcio Luso-Britânica, Presidente
2002-2004: Deputado
2004-2005: Ministro de Estado da Economia e do Trabalho do Governo do PSD-CDS
2004-2006: Semapa (Queiroz Pereira) CA
2005-2007: Portucel e Soporcel CA
2007: BPP Privado Holding, conselho consultivo
2010: Integra a Comissão de Honra da candidatura de Cavaco Silva às presidenciais de 2011. [acrescento meu]
Joaquim Ferreira do Amaral

1978: Director Geral das Indústrias Electromecânicas
1979: Secretário de Estado das Industrias Extractivas e Transformadoras do Governo AD (pelo PSD)
1981: Secretário de Estado da Integração Europeia do Governo AD (pelo PSD)
1982-1983: INDEP armamento (pública), vice-presidente, Instituto do Investimento Estrangeiro, vice-presidente; EDIG European Defense Industrial Group, vice-presidente.
1984-1985: Secretário de Estado do Turismo do Governo do Bloco Central (pelo PSD)
1984-1985: Ministro do Comércio e Turismo do Governo do Bloco Central (pelo PSD)
1985: Assembleia Municipal de Cascais, Presidente
1986: IFADAP, Presidente
1987-1990: Ministro do Comércio e Turismo do Governo PSD
1990-1995: Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações do Governo PSD
1991-1999: Deputado e membro do Conselho Superior de Defesa Nacional
1997-2001: Câmara Municipal de Lisboa, Vereador
2000: Candidato à Presidência da República
2001: Cimianto CA
2001: Deputado
2002-2005: Galp CA chairman
2005-2010: Lusoponte, Presidente
2006-2010: Semapa CA e comissão de auditoria
2009-2010: Consultor do Dresdner Bank, da Transdev transportes e da Lisboa Vista do Tejo.
2010: Integra a Comissão de Honra da candidatura de Cavaco Silva às presidenciais de 2011. [acrescento meu]
1979: Secretário de Estado das Industrias Extractivas e Transformadoras do Governo AD (pelo PSD)
1981: Secretário de Estado da Integração Europeia do Governo AD (pelo PSD)
1982-1983: INDEP armamento (pública), vice-presidente, Instituto do Investimento Estrangeiro, vice-presidente; EDIG European Defense Industrial Group, vice-presidente.
1984-1985: Secretário de Estado do Turismo do Governo do Bloco Central (pelo PSD)
1984-1985: Ministro do Comércio e Turismo do Governo do Bloco Central (pelo PSD)
1985: Assembleia Municipal de Cascais, Presidente
1986: IFADAP, Presidente
1987-1990: Ministro do Comércio e Turismo do Governo PSD
1990-1995: Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações do Governo PSD
1991-1999: Deputado e membro do Conselho Superior de Defesa Nacional
1997-2001: Câmara Municipal de Lisboa, Vereador
2000: Candidato à Presidência da República
2001: Cimianto CA
2001: Deputado
2002-2005: Galp CA chairman
2005-2010: Lusoponte, Presidente
2006-2010: Semapa CA e comissão de auditoria
2009-2010: Consultor do Dresdner Bank, da Transdev transportes e da Lisboa Vista do Tejo.
2010: Integra a Comissão de Honra da candidatura de Cavaco Silva às presidenciais de 2011. [acrescento meu]
Joaquim Pina Moura

1972- 1991: Militante do PCP [acrescento meu]
1976-1979: Dirigente da União dos Estudantes Comunistas (UEC) [acrescento meu]
1992: Docente universitário
1995-1997: Secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro do Governo PS
1997-1999: Ministro da Economia do Governo PS
1999-2007: Deputado
2004: CA BCP consultor do CA para a Energia
2004-2007: Galp CA
2004-2010: Iberdrola Portugal presidente
2007-2009: TVI MediaCapital chairman
1976-1979: Dirigente da União dos Estudantes Comunistas (UEC) [acrescento meu]
1992: Docente universitário
1995-1997: Secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro do Governo PS
1997-1999: Ministro da Economia do Governo PS
1999-2007: Deputado
2004: CA BCP consultor do CA para a Energia
2004-2007: Galp CA
2004-2010: Iberdrola Portugal presidente
2007-2009: TVI MediaCapital chairman
25 de abril de 2012
Donos de Portugal (documentário completo)
Donos de Portugal é baseado no livro homónimo de Jorge Costa, Cecília Honório, Luís Fazenda, Francisco Louçã e Fernando Rosas, editado em 2011 pela Afrontamento e que mais de 12 mil exemplares vendidos.
Donos de Portugal é um documentário sobre cem anos de poder económico. O filme retrata a proteção do Estado às famílias que dominaram a economia do país, as suas estratégias de conservação de poder e acumulação de riqueza. Mello, Champalimaud, Espírito Santo – as grandes famílias cruzam-se pelo casamento e integram-se na finança. Ameaçado pelo fim da ditadura, o seu poder reconstitui-se sob a democracia, a partir das privatizações e da promiscuidade com o poder político. Novos grupos económicos – Amorim, Sonae, Jerónimo Martins - afirmam-se sobre a mesma base. Quando a crise desvenda todos os limites do modelo de desenvolvimento económico português, este filme apresenta os protagonistas e as grandes opções que nos trouxeram até aqui.
24 de abril de 2012
Até já Miguel. Até amanhã Camarada.
Comecei a conhecer pessoalmente o Miguel na última Convenção do Bloco, veio dar-me os parabéns pela intervenção viva que tinha feito, ao estilo da Assembleia Magna de Coimbra, disse-me ele. Antes disso convidara-me várias vezes para aparecer em Bruxelas, apesar dos anos de militância e das oportunidades, acabei por nunca ir, hoje já é tarde demais para o arrependimento.
Tive o gosto de fazer grande parte da campanha eleitoral das legislativas transatas com ele, de Vila Real, a Coimbra e Lisboa, passaram-se centenas de quilómetros, demasiado curtos para tanta conversa.
No passado mês de Março, juntamente com outros camaradas jovens de Coimbra, organizei uma das últimas - senão a última - sessão pública em que esteve em Portugal como Eurodeputado do Bloco. A Europa deve estar louca, assim optamos por a designar, a vivacidade que empreendeu no debate não fazia adivinhar o dia de hoje. No final, convidou-me novamente, desta vez para jantarmos pela cidade, tive que declinar, tínhamos Assembleia Magna.
Não vale a pena acentuar os desencontros, de nada valem, ficam as conversas, as histórias, e a curiosidade pelos episódios que não me chegara a contar.
Fica um até já para o Miguel, e um ate amanhã para o camarada.
A luta continua.
Assim somos à esquerda.
22 de abril de 2012
Lições francesas
1. Em tempos de austeridade parece ter-se tornado regra que a força política que está no poder perde. Depois do PS, PSOE, parece ter chegado a vez da UMP de Sarkozy. Só um milagre poderá impedir que não se passe o mesmo com o PASOK na Grécia, e tudo indica que a CDU/CSU de Merkel após escrutínio será despejada do Bundestag.
2. As alianças de sectores de esquerda com a social-democracia europeia continuam a dar derrotas certas. Depois de terem tido 16% nas eleições europeias, os Verdes com Eva Joly ficaram-se por uns míseros 2%. É de relembrar que estes fizeram um pré-acordo com o PSF para as legislativas de Junho, que lhe garantirá entre 30 a 40 deputados, caso Hollande não decida rasgar o acordo após este desaíre eleitoral. Depois dos Verdes alemães de Joska Fischer e da Refundação Comunista de Fausto Bertinotti, fica registado mais um caso para memória e debate.
3. Deixado de lado o sectarismo e a desconfiança, Jean-Luc Melénchon e a Front de Gauche, conseguiram agregar um conjunto de forças de esquerda que de eleição em eleição têm vindo a crescer em força social e eleitoral. A França e a Europa precisavam de um paradigma de massas alternativo à esquerda, que se demarque pelo socialismo do social-liberalismo e das cedências às políticas de austeridade. Sem ilusões perante a praxis política do PSF, propõe-se a consolidar um projeto que os afirme como a maior força de esquerda em França, em alturas de crise e de aparente falta de saídas, é com estas mobilizações e fenómenos que o futuro se arquiteta. Os recuos significativos do NPA e da Lutte Ouvriére deviam obrigar as respetivas direções partidárias a uma reflexão profunda sobre o papel que pretendem desempenhar, sob pena de se diluírem definitivamente.
4. A Extrema-Direita tem marcado passo na Europa, depois dos fenómenos dos Partidos da Liberdade em 2009, do qual Geert Wilders é o expoente, da fascização da Hungria com o Jobbik, do crescimento eleitoral dos Verdadeiros Finlandeses, das sondagens gregas apontarem a entrada dos neo-nazis do Golden Dawn para o Parlamento, os 20% de Marine Le Pen são alarmantes e demonstrativos dos efeitos perversos que a narrativa austeritária e do racismo social provocam. Não olhar consequentemente para este tendência pode alimentar um monstro imparável que a história do século XX desaconselha vivamente.
4. A Extrema-Direita tem marcado passo na Europa, depois dos fenómenos dos Partidos da Liberdade em 2009, do qual Geert Wilders é o expoente, da fascização da Hungria com o Jobbik, do crescimento eleitoral dos Verdadeiros Finlandeses, das sondagens gregas apontarem a entrada dos neo-nazis do Golden Dawn para o Parlamento, os 20% de Marine Le Pen são alarmantes e demonstrativos dos efeitos perversos que a narrativa austeritária e do racismo social provocam. Não olhar consequentemente para este tendência pode alimentar um monstro imparável que a história do século XX desaconselha vivamente.
20 de abril de 2012
Donos de Portugal
RTP 2: 24 para 25 de Abril, às 2h
Donos de Portugal é um documentário de Jorge Costa sobre cem anos de poder económico. O filme retrata a proteção do Estado às famílias que dominaram a economia do país, as suas estratégias de conservação de poder e acumulação de riqueza.
Mello, Champalimaud, Espírito Santo – as fortunas cruzam-se pelo casamento e integram-se na finança. Ameaçado pelo fim da ditadura, o seu poder reconstitui-se sob a democracia, a partir das privatizações e da promiscuidade com o poder político. Novos grupos económicos – Amorim, Sonae, Jerónimo Martins - afirmam-se sobre a mesma base.
No momento em que a crise desvenda todos os limites do modelo de desenvolvimento económico português, este filme apresenta os protagonistas e as grandes opções que nos trouxeram até aqui.
Produzido para a RTP 2 no âmbito do Instituto de História Contemporânea, o filme tem montagem de Edgar Feldman e locução de Fernando Alves.
A estreia televisiva insere-se no Dia D, iniciativa de divulgação de documentários de produção nacional na RTP2, e está prevista para cerca das 2h00, de 24 para 25 de Abril. A partir desse momento, o documentário estará disponível na íntegra em www.donosdeportugal.net.
Donos de Portugal é um documentário de Jorge Costa sobre cem anos de poder económico. O filme retrata a proteção do Estado às famílias que dominaram a economia do país, as suas estratégias de conservação de poder e acumulação de riqueza.
Mello, Champalimaud, Espírito Santo – as fortunas cruzam-se pelo casamento e integram-se na finança. Ameaçado pelo fim da ditadura, o seu poder reconstitui-se sob a democracia, a partir das privatizações e da promiscuidade com o poder político. Novos grupos económicos – Amorim, Sonae, Jerónimo Martins - afirmam-se sobre a mesma base.
No momento em que a crise desvenda todos os limites do modelo de desenvolvimento económico português, este filme apresenta os protagonistas e as grandes opções que nos trouxeram até aqui.
Produzido para a RTP 2 no âmbito do Instituto de História Contemporânea, o filme tem montagem de Edgar Feldman e locução de Fernando Alves.
A estreia televisiva insere-se no Dia D, iniciativa de divulgação de documentários de produção nacional na RTP2, e está prevista para cerca das 2h00, de 24 para 25 de Abril. A partir desse momento, o documentário estará disponível na íntegra em www.donosdeportugal.net.
Donos de Portugal é baseado no livro homónimo de Jorge Costa, Cecília Honório, Luís Fazenda, Francisco Louçã e Fernando Rosas, editado em 2011 pela Afrontamento e que mais de 12 mil exemplares vendidos.
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