31 de março de 2012

Pobreza e outras troikas

Os salários caem 1,7% e Portugal é o segundo país da UE onde se destoem mais postos de trabalho. Segundo previsão do Banco de Portugal, este ano haverá uma redução de 3,6% do emprego e o PIB vai diminuir em 3,4%.

O desemprego oficial está a 14% e há 35,4% de desemprego jovem... E depois admiram-se de uma queda de 7,9% na receita fiscal.

A austeridade só serve para destruir a economia e a vida de milhões de pessoas com o objectivo de acumulação por parte de uma minoria de exploradores.

É neste contexto que podemos contar com o PS para ora se abster violentamente ora violentamente se abster. Estando além disso o voto favorável prometido a todas as medidas que decorram do memorando da Troika.

E apesar das divisões na bancada é assim que reza a declaração de voto feita pela direção de bancada do PS e subscrita por 55 deputados:“O PS votará favoravelmente as soluções normativas que integram a Proposta de Lei (…) e que objetivamente concorrem para o cabal cumprimento dos compromissos assumidos no Memorando de Entendimento ou que, afastando-se deste, conduzam a um reforço dos direitos e garantias dos trabalhadores".

Praxe Académica em Coimbra suspensa por tempo indeterminado II

As notícias espalham-se depressa. Pelos vistos, foram duas estudantes agredidas, ambas dirigiram-se ao instituto de medicina legal e apresentaram queixa à PSP, estando o caso agora entregue ao Ministério Público. 

Para lá da justiça ao que é da justiça, espera-se que o Ministério da Educação, a Reitoria  e a Associação Académica de Coimbra de acordo com as suas magistraturas, actuem dentro dos seus campos de acção.

É tempo de se deixar de assobiar para o lado e entender-se que a praxe académica tem direito a um estatuto de excepção legal - uma espécie de bolha de actimel extra-normativa. Estes episódio de comportamentos violentos coabitam alegremente no meio académico por inacção do Estado e falta de coragem de abordar frontalmente o problema. Os casos de atentado contra a dignidade da pessoa humana têm-se somado de tal maneira nos últimos anos, que hoje é inaceitável que o Ministério da tutela não tome posição e avance com posições restritivas claras. 

A Reitoria da Universidade de Coimbra, à semelhança do que fizeram outras instituições do ensino superior português deveria ganhar coragem para restringir a prática no espaço universitário, e no mínimo, suspender o "doutor" em questão. À AAC não se pede menos que a expulsão do sócio.

Praxe Académica em Coimbra suspensa por tempo indeterminado

Ainda não se sabe ao certo o que motivou a decisão, conta-se por aí que se tratou de uma agressão violenta de "um doutor" da FPCE a uma "caloira". A confirmar-se é bom relembrar que nenhuma instância, seja ela qual for, se sobrepõe à arquitectura jurídica portuguesa e aos meios judiciais em matéria de violação dos direitos humanos e da integridade física. Os crimes devem ser julgados como crimes, independentemente de terem um "cobro" tradicional ou não, assim ditam os princípios básicos do Estado de Direito Democrático.

Espero que desta vez, ao contrário de outras, a violência do sucedido que deu origem à suspensão da praxe, por parte de quem a preserva, fale mais alto, que a tradição do silenciamento fracasse. Que as tentativas de encobrimento ou de relativização do episódio e do seu contexto fracassem, que a justiça e o cumprimento da lei no tocante a direitos, liberdades e garantias do individuo, não fiquem à porta da academia.


29 de março de 2012

Hoje a conta de telefone vai ser um pouquinho mais alta...

Já há deputados do PS a anunciar voto contra no código laboral

Vénus Negra, violência de género e black is beautiful


Venus Noire (Kechiche, 2009), um filme marcante. Fica a dica que não é um filme para "encontros". Não apenas pelos seus 166 minutos mas também pelo tema, pela sua violência de envergonhar muitos filmes de guerra e de combate. "Horror" foi a palavra que mais ouvi em nos comentários à saída do filme. E é uma palavra bem aplicada pois aqui a violência é encarada numa vida concreta: a vida de Saartjes Baartman, a Vénus Negra (papel desempenhado por Yahima Torres). O autor presta-se a liberdades artísticas que não ferem, antes potenciam, uma aproximação ao que foi a vida desta mulher e ao espírito da sua época.

Sinopse:
Chegada à Europa, depois de viajar por toda a Inglaterra em espectáculos de aberrações, é estudada por alguns dos mais conceituados naturalistas e anatomistas da época, que usaram as suas investigações para justificarem a inferioridade dos negros, num esforço claro de legitimação do racismo e escravatura. A 29 de Dezembro de 1815, Saartjie Baartman morreu alcoólica e na miséria. O seu corpo foi doado ao Musée de l’Homme de Paris, onde o seu esqueleto, órgãos genitais e cérebro foram conservados em formol e exibidos até 1974. Em 2002, a pedido do então Presidente sul-africano Nelson Mandela, os seus restos mortais regressaram ao seu país, onde foi feita uma cerimónia fúnebre. (cito Cineclube de Santarém)

Apesar de toda a violência, da degradação e das humilhações, houve momentos em que o ideologicamente dissonante "Black is beautiful" surge com toda a evidência, embora por outras palavras e gestos. A ambiguidade da forma com é tratada também é outro aspecto marcante, sempre entre a "selvagem" e "a dama civilizada".

Ficaram-me na memória as cenas em que a música tocada e cantada por Saartjie causa grande espanto aos espectadores. Cantar e tocar melodiosamente causa um choque, uma quebra com a imagem de "selvagem" que lhe é atribuída. Causará culpa/arrependimento ouvir a música de Saartjie?



A crueza do "racismo científico" é bem retratada nas cenas dos cálculos antropomórficos e das recusas de Saartjie em mostrar os seus logos lábios da genitália (característica física de algumas Khoisan).

O problema da mulher, particularmente da mulher negra, e do direito ao seu corpo forma uma trave fundamental deste filme. Várias formas de violência de género são retratadas. A não perder, mas respirem fundo.

Ver críticas de Vasco Câmara, Luís Miguel Oliveira e Jorge Mourinha (Ípsilon)

trailer oficial legendado

28 de março de 2012

Mudanças na lei laboral

Mudanças na lei laboral contemplam menos feriados, menos férias, menos dinheiro pelas horas extraordinárias - Política - Notícias - RTP

E assim se faz a luta contra os direitos adquiridos.

Vitalino, Vieira da Silva e o PS Santarém

O Partido Socialista de Santarém promove um debate público subordinado ao tema “Precariedade laboral e austeridade dois passo em frente do abismo?”, o qual contará com a participação de Francisco Laranjeira (jornalista e economista), de um representante do movimento precários e de militantes do PS.

Como diz "e militantes do PS" há ainda a possibilidade de Vitalino Canas, provedor do trabalho temporário ir lá também dizer qualquer coisa, por exemplo admitir, como acaba de admitir, que trabalhadores temporários são os primeiros a ser despedidos. Podiam ainda convidar o ex-ministro Vieira da Silva. E para terem alguém que defenda uma posição à esquerda do pai do código de trabalho do PS nem precisam convidar ninguém do Bloco de Esquerda, basta convidarem o "CDS" Bagão Félix, dado que fizeram um código mais "precário" que o dele.
Sabemos que o FMI "aterrou na Portela", sabemos qual foi o governo demissionário que o chamou, e não esquecemos muitos anos de ataque aos direitos do trabalho em que o PS foi protagonista.

26 de março de 2012

Sei o que fizeste no teu governo





 Era bom que a Polícia também se recordasse do seu passado

Continua a publicidade criminosa

Conforme se pode ler hoje no Big Browser, também na Turquia houve quem tivesse uma ideia que só podemos ouvir depois de um copo de licor de merda. Desta vez, o protagonista publicitário não é o ditador de Santa Comba Dão mas o Führer da Alemanha nazi.
Mais um golpe publicitário insultuoso e criminoso, tanto mais que na publicidade a imagem de Hitler é usada para promover um dito "shampoo 100% masculino" colocando na boca deste ditador racista e homofóbico as simpáticas palavras "Se você não usa um vestido de mulher, você não deveria usar o seu shampoo."

Várias organizações anti-racistas e a comunidade judaica da Turquia já protestaram, enquanto o publicitário tem a lata de dizer que o importante é que se fale do produto. No meu entender, não há profissões que possam ser desprovidas de ética, há sempre limites.
Mesmo quando as intenções são boas há que medir as consequências do uso da imagem de criminosos como Hitler e Salazar na publicidade. Um caso lamentável, embora possa ter um bom objectivo, proteger a saúde das pessoas e o combate à SIDA, é este vídeo que se segue, onde se supõe que o objetivo é comparar o vírus a Hitler, mas a imagem fica associada aos portadores. Como diz ironicamente um dos comentários no youtube: "donc tant que je couche pas avec hitler, je risque rien ? chouette !".



Voltando ao senhor de Santa Comba, ler o artigo do Ricardo Araújo Pereira na Visão desta semana, está delicioso.

O que faz falta...

Zélia Afonso, viúva de Zeca Afonso: «[S]e fosse vivo», José Afonso «estaria na primeira fila dos que hoje, em Portugal, combatem a política neoliberal do Governo de Passos Coelho».

«Porque os responsáveis do PSD não podem ter dúvidas acerca disso, além de abusiva no plano legal, a utilização de versos seus na entronização do chefe deste partido e primeiro-ministro é também manipuladora e insultuosa. A memória de José Afonso não deve e não pode ser assim desvirtuada para efeitos de propaganda»

25 de março de 2012

aceitamos apostas: fascismo ou atraso mental?



eu não costumo ser ingénua nestas coisas nem costumo achar que a direita faz asneira com a melhor das intenções. no entanto, este cartaz é tão mau, tão execrável, tão repugnante, tão nojento, tão asqueroso, tão baixo, tão torpe, tão vil, tão abominável (agradeço mais sinónimos, que não me lembro de mais nenhum), que me custou a acreditar que não fosse montagem. para mal não só dos meus pecados mas também d@s inocentes deste país, temos estes macacos selvagens à espera de se apoderarem do trono da selva. é a perversão da política no seu estado mais puro, uma distorção tal do papel do povo e dxs governantes que quem perde com isso é a falta de vergonha, que perde assim direito à vida.

guerra de gerações declarada, guerra ideológica declarada. lutar contra é preciso, é verdade. lutar contra estxs bárbaros insensíveis ignorantes umbiguistas. lutar contra elxs, mas só porque só nós temos algo válido por que lutar.

nota: a imagem é capa de uma moção apresentada pela comissão política da jsd (23, 24 e 24 de maio).

JSD no seu melhor

A guerra de gerações declarada por Duarte Marques já tem uma estética própria. Embora a imagem tenha saído do facebook da JSD continua a figurar na capa da moção ao congresso. E para que fique memória:

Racismo social e guerra de gerações é o caldo ideológico destes estranhos "jovens sociais-democratas".

(Con)Fusos Horários etc.

Quem ainda está conFUSO com os horários pode aceder aqui à hora certa

Quanto às perturbações no calendário, meses que têm dias a mais em relação ao salário, feriados que desaparecem, datas que mudam ao contrário (exemplo com tendência a passar de 25 para 24 de Abril) ... só a luta e a alegria:


"La chant des partisans"

24 de março de 2012

A Paixão de Joana D’Arc

Hoje, vou ver "A Paixão de Joana D’Arc" (Carl Theodor Dreyer, 1928) no Cineclube de Santarém. Trata-se de um filme mudo baseado nos documentos históricos do julgamento de Joana D'Arc. Esta obra cineasta dinamarquês Carl Theodor Dreyer (1889-1968) é considerada um marco na história do cinema.

Participam no filme Renée Jeanne Falconetti, Eugene Silvain e Maurice Schutz. Renée Jeanne Falconetti (1892-1946) marcou o seu lugar na história do cinema com a interpretação de Joana D'Arc, este que foi o seu terceiro e último papel no cinema - depois de "La comtesse de Somerive" (1917)e "Le clown" (1917).

O filme "A Paixão de Joana D’Arc" esteve banido no Reino Unido por mostrar cenas em que soldados ingleses torturavam Joana D'Arc, sugerindo cenas semelhantes de tortura dos romanos a Cristo. Vítima das cenas censuradas e de um incêndio, esta obra só pode ser recuperada na sua versão original em 1981, quando foi encontrada uma fita duplicada do primeiro negativo. Essa fita foi encontrada num sanatório para doentes mentais em Oslo (Noruega) e permitiu o conhecimento da obra no original e não com base em cópias duvidosas. "A Paixão de Joana D’Arc" foi considerada pela revista Sight and Sound um dos dez melhores filmes de todos os tempos, de acordo com as listas que publicou em 1952, 1972 e 1992.



Sinopse: A camponesa Joana D’Arc é julgada herege e condenada à morte por um tribunal católico, depois de ter liderado o povo francês na luta contra o Exército invasor inglês, dizendo-se inspirada por Jesus e São Miguel, em Maio de 1431. Para salvar a vida, Joana assina durante o processo, uma confissão de heresia, mas depois renega-a, preferindo salvar a alma. É então queimada viva em praça pública.

Do mesmo cineasta são as obras: "Abaixo as Armas" (1913, roteiro), "O presidente" (1919), "Leaves from Satans's Book" (1919), "Prästänkan" (1920), "Die Gezeichneten" (1922), "Mikael" (1924), "O amo da casa" (1925) e "Glomsdalsbruden" (1925); posteiores a "A paixão de Joana d'Arc" são "O Vampiro" (1932), "Dias de Ira" (1943); "A palavra" (1955) e "Gertrud" (1964).

O último filme de Carl Theodor Dreyer, "Gertrud", foi muito criticado porém é hoje considerado por muitos a sua obra maior: retrata a história de uma mulher, ex cantora famosa, obcecada com o "amor absoluto" que vive um casamento sem perspectivas. Gertrud acaba por fugir com o seu amante, contudo no dia seguinte descobre que este a trai. É assim que abandonando os dois Gertrud inicia uma vida solitária.

22 de março de 2012

O modelo de democracia plena do PSD


Digam lá que o PSD não é uma animação: "Jorge Ferreira, 21 anos, estudante de Economia no ISEG, assume que votou em Pedro Passos Coelho nas eleições internas de 2010, sem ser militante, com cartões falsificados na antiga secção i, onde a jota era liderada por Nuno Firmo – que foi director para a juventude em Lisboa de Passos Coelho na última campanha interna. É também fundador e dirigente da Associação Juvenil para a Juventude (AJPJ)."
O relato em vídeo aqui.

Pergunta do momento: O 31 da Armada quantas vezes é que votou no Passos Coelho?

PS. Quando for a vez do Marco António aqui os camaradas dão uma perninha pelo PPD.

Quando as notícias falam por si

Greve Geral. Polícia justifica actos de violência como medidas de segurança


Agência Lusa apresenta queixa à PSP contra agressão a foto-jornalista

PSP agride jornalista da France Press em Lisboa

Jornalista da AFP relata incidentes com a polícia na baixa de Lisboa

Polícias à paisana responsabilizados por incidentes frente à reitoria do Porto

Pois é. Os malandros dos esquerdistas e da anarcalhada são uma cambada de provocadores e uma real ameaça à segurança pública, por isso é que se infiltram agentes e se previnem antecipadamente as suas acções com cargas policiais legítimas e calculadas, ou não? 

Para lá da ironia. A violência policial tem sido regra nos demais protestos anti-troika, a questão de fundo é simples, numa organização rigidamente hierarquizada onde toda a gente acata directivas, a pergunta que se coloca é: quem dá as ordens? Há um ministro da República no cima da cadeia de comando, certo? E se sim, onde pára o Estado de Direito e as adjacentes liberdades, direitos e garantias?

É verdade. Somos cada vez mais a reparar, que a excepcionalidade constitucional não se restringe, de todo, à economia.  
 Hoje à tarde.


Sindicalista e capitalista à porta da fábrica

Capitalista: Por aqui?

Sindicalista: Pois é... vim sem avisar

Capitalista: Ora essa.

Sindicalista: Mas devem estar a chegar

Capitalista: Não tarda.

Sindicalista: E esse Benfica?

Capitalista: Glorioso, como sempre

Sindicalista: Como sempre

Capitalista: E desta vez, acha que passam?

Sindicalista: Vamos ver, o páreo é duro

Capitalista: Duríssimo

[silêncio]

Sindicalista: Não tarda estão aí

Capitalista: Pois é

Sindicalista: Nós aguentamos.

Capitalista: E não dói?

Sindicalista: No fundo da alma.

Capitalista: É tramado, esta crise…

Sindicalista: Tramadíssimo


Capitalista: Olhe, Já aí estão

Sindicalista: É… Se apeie que a coisa aquece sempre

Capitalista: É que…

Sindicalista: Diga?

Capitalista: Eu gosto de ver.


[novo silêncio; barulho de botas compassadas]

Sindicalista: Pois então…se acomode

Capitalista: Sabe como é...são as regras do jogo.


20 de março de 2012

Ellen rima com néscia




Ellen Johnson Sirleaf, presidente da Libéria e galardoada com o Nobel da Paz em 2011, defendeu em entrevista ao diário britânico The Guardian a lei que prevê a criminalização dos actos homossexuais.

Num claro atentado homofóbico declarou que há certos valores na sociedade que quer ver preservados e acrescentou: "We like ourselves just the way we are.".

Palmas para a estupidez.